PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

terça-feira, 31 de março de 2009

MARIPOSAS COMPANHEIRAS


MARIPOSAS COMPANHEIRAS
(Genaura Tormin)

Seguimos a mesma rota,
Feito pássaros alados
Borboleteando o espaço,
Almejando o topo do mundo.

Somos mariposas companheiras
Buscando a claridade!
Somos as nossas verdades
Tentando ascender o porvir,
Na construção de nós mesmos,
Para depois seguir.

VINÍCIUS!


VINÍCIUS!
(Genaura Tormin)

Minha criança querida,
Astro dos sonhos meus,
Galho de minha árvore,
Filho do filho meu.

Feito floco de algodão,
Bochechas de leite e mel,
Você é uma fofura,
Presente vindo do Céu.

És filhote-passarinho,
Em elos de alegria,
No universo destes versos,
Em que tu és poesia.

Encantas a minha vida
Nos veios da emoção,
Entrelaçado em abraços,
Juntinho do coração.

Escreverás a história
De um tempo que já passou,
De uma vovó poetisa
Que a você muito amou.

segunda-feira, 30 de março de 2009

LUCAS, MEU MENININHO


LUCAS, MEU MENININHO
(Genaura Tormin)

Lucas, meu pequeno Lucas!
Chegaste tão pequenino,
Sutil, sereno, devagarzinho,
Com as asinhas a bailar.

És a paz, o brilho, o encanto,
Tesouro mais caro,
Presente mais raro,
Que Deus nos enviou.

É uma ventura suprema
Uma grande emoção,
Receber em nossas vidas
Esse anjo guardião,
Que nos ensinará o caminho
Dos veios do coração.

Teus pais, os tios, os avós
E o querido maninho,
Sempre estarão por perto,
Para te encher de carinho,
Meu querido menininho!

VOCÊ PODE SER FELIZ


VOCÊ PODE SER FELIZ
(Genaura Tormin)

Você deseja paz, alegria... e as procura sempre em outros lugares, sem perceber que tudo está dentro de você. Aprenda a encontrar a sua própria felicidade. Ela não é comprada, é conquistada. Deve ser desbravada de dentro para fora. E, para isso, é preciso buscar, amando-se em primeiro lugar e repartindo com os demais o amor que lhe vai no peito.

Se não amamos a nós mesmos, como poderemos amar aos outros ou permitir que sejamos amados? Dessa forma, você partirá de si para uma conquista global. É uma receita simplista, mas muito verdadeira. Basta querer. Cultive sua auto-estima, arrume o seu interior e vá à luta!

Há tanta beleza na terra! Há tanta beleza em você! Aprenda a buscá-la na destreza dos seus passos, na ternura de suas palavras, na bondade do seu coração...

Encontre motivos para ser feliz numa manhã de sol, num “bom dia” ao desconhecido que perdeu o ônibus; na flor que desabrochou no seu jardim; no sorriso do seu filho; na volta a casa... Quantos não têm um lar para voltar!
Seja feliz pela vida que pulsa em você e pelo pulsar de sua própria vida. Você está vivo!

Seja feliz porque trabalha e pode ser útil ao próximo. Seja feliz porque pode renascer todos os dias para uma vida melhor. Marque a sua trajetória com pegadas de solidariedade. Você não está aqui por acaso. Você precisa da vida e ela de você! Ponha-se no trabalho, ajude a melhorar o mundo. Uma fagulha, apenas, de sua mente positiva pode ajudá-lo. “Carreando um punhado de terra todos os dias fará uma montanha”.

Coíba a violência, o desamor. Empenhe-se em evoluir em direção à perfeição e procure servir. Contribua! A vida é uma grande máquina, e você, ainda que seja uma minúscula peça, faz parte e é única, imprescindível para o seu desempenho. Lute pelo seu espaço, pela sua felicidade!

O avanço tecnológico trouxe-nos o progresso, provou a inteligência humana. Armou o mundo, possibilitando a desintegração num picar de olhos, bastando acionar botões. Custou-nos ônus exacerbado. Aproximaram-se as distâncias e distanciaram-se as proximidades, valendo dizer que é no meio da multidão que nos sentimos mais à sós.

Para coibir essa síndrome de violência dos nossos dias, cada um, na condição de ser humano carente, sensível, amorável, tem que se esforçar para fazer feliz o próximo, pelo menos o mais próximo. Com isso, seremos os mais beneficiados, pois o princípio cristão prega: “há mais felicidade em dar do que em receber”.

Saía do seu esconderijo, olhe em volta! Dê um sorriso, uma palavra, até mesmo um gesto, contanto que sejam permeados de amor. Procure ajudar. “Quem não vive pra servir, não serve pra viver”. Una a ajuda material à doçura do seu coração. Transmita paz àqueles que, por insensibilidade ou falta de crença, viciam-se, usando a droga por escudo, num processo de autodestruição; enveredam pela violência ceifando vidas, enquanto você poderá ser a próxima vítima.

Cultive bons pensamentos. Somos produtos da mente. São eles os gestores de nossas ações boas ou más. Corra atrás dos seus sonhos, pois, Charles Chaplin costumava dizer: “Quando deixares de sonhar, poderás continuar vivendo, mas, com certeza, terás deixado de existir”. Você pode ser a pessoa mais feliz do mundo! Acredite nisso!

Acredite em você e parta já em busca dos seus objetivos!
Afaste de si as revoltas, recalques, inseguranças, ódios, pois isso não leva senão à nada! Não vai resolver seu problema. Ninguém lhe devolve a paz se não a buscar.
Pensamentos contrários são regados por forças maléficas e, por vezes, podem redundar em crimes horrendos que abalarão não só você, mas toda a sua família e amigos.

Dizem que quando não podemos transpor uma montanha, devemos circundá-la até o cume. Assim, para tudo há uma solução viável. Não há problemas insolúveis. Vá à luta! Ouse, trabalhe que o retorno virá, assim como volta pela força da gravidade o corpo sólido que atiramos ao ar.

Sua vida é a sua vida! Os seus problemas são o carma do seu ser, intransferível, que com sua aceitação tornar-se-ão leve em seus ombros. E você pode superá-los! Aprenda a ver a vida sempre com olhos novos!

Não se atire à beira dos caminhos! Reaja! A batalha não acabou e você não pode se render! Junte as migalhas de energia que lhe restam! Somando-as, fará uma fortaleza indestrutível. A mente é o comando e tudo é possível quando a temos ilesa. É preciso, apenas, admoestá-la para frente e para o alto.

Se for ferido em bens materiais, não desanime: vão-se os anéis, ficam os dedos. Matéria, compra-se com dinheiro. Dinheiro, ganha-se com trabalho.

Vamos aprender o sentido da vida, ainda que para isso tenhamos que nos escolar na logoterapia. Com certeza, o sentido vital está na transcendência maior, no amor e dedicação ao próximo, vendo-o como irmão, realçando o seu lado bom e ajudando-o na caminhada para o bem. Se conseguir esse objetivo, verá os seus problemas serem resolvidos por acréscimo. E tanta luz, tantos sucessos lhe advirão que não se reconhecerá no passado.

Os seus problemas físicos, morais e financeiros serão os alicerces para que você suba mais alto. São eles os lapidadores do ser humano. Para crescermos é preciso que sejamos feridos, assim como a árvore que para se transformar em fogo que nos fabrica o alimento, precisa ser cortada.

Infelizmente, o homem perdeu-se em si mesmo na desvairada corrida pelo TER, sem se preocupar com o SER. É preciso que resgatemos, com urgência, a nossa identidade antes que venham os maus ventos e soprem o resto de verdade que nos resta.

É preciso AMAR! É preciso armazenar o bem, as boas ações, as transcendências ao infinito, pois, ao partirmos deste planeta TERRA, serão esses mananciais indestrutíveis a nossa bagagem eterna.

domingo, 29 de março de 2009

SAIU NO JORNAL OPÇÃO


SAIU NO JORNAL OPÇÃO
(Genaura Tormin)

VITÓRIA RÉGIA

Genaura Tormin ficou paraplégica, vítima de uma virose em 1982, quando ocupava o cargo de comissária de polícia. Parou de andar, mas não de correr atrás dos sonhos. No mesmo ano, mediante concurso, tornou-se delegada de polícia, ficando em 4º lugar entre os concorrentes. Pós-graduou-se em Direito Penal, Processo Penal, Administrativo e Constitucional, pela Academia de Polícia de Goiás. Exerceu a função de delegada de polícia em várias delegacias distritais e em algumas especializadas, como a Delegacia da Mulher, Delegacia de Crimes de Acidentes de Trânsito, Delegacia de Vigilância e Proteção de Menores.

Aposentou-se por tempo de serviço, mas não ficou estacionada. Prestou mais um concurso e hoje é analista judiciária do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, e, por decisão plenária daquela corte, foi cedida para o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região em Goiânia, onde foi designada para a Diretoria de Serviço de Recursos e Distribuição. Por sua atuação, recebeu o título de “SERVIDOR PADRÃO”.

Casada com o odontólogo Alfredo de Paiva Tormin, é mãe de quatro filhos. Genaura é autora de dois livros: Pássaro Sem Asas, que já vai para a 6ª edição, e Apenas uma Flor, de poemas.

Ceticismo tem cura?

Precisamos acreditar nos sonhos para fazer escolhas. Entretanto, o ceticismo também é necessário como ponto de equilíbrio, pois geralmente somos presas fáceis de crendices. Os extremos são sempre prejudiciais.

Quando o pouco vale muito?

Quando esse pouco foi construído com dignidade, com sacrifício, com o valor da moralidade e do respeito ao semelhante.

Que problema não tem solução?

Só a morte.

O que merece um mandado de busca e apreensão?

O nosso dinheiro, suado, sofrido, afanado desavergonhadamente por nossos políticos.

Quem vive fazendo justiça?

Partindo do conceito de que política é a arte de conciliar os interesses próprios, fingindo conciliar os dos outros, acredito que os pretensos justiceiros, que se dizem salvadores da pátria, constituem-se na maioria dos políticos.

Quem tem complexo de vítima?

As pessoas fracas, covardes, inseguras, sem auto-estima, que não se permitem crescer, negando a si mesmas a oportunidade de lutar.

O que nunca cicatriza?

A perda de um filho.

Como alterar o curso da vida?

Conhecendo a si mesmo e permitindo-se desafiar as intempéries advindas dessa façanha.

Que caminho é mais produtivo?

Aquele que é erigido com trabalho, verdade e determinismo.

Mente poderosa é aquela que...

É capaz de transformar derrotas em conquistas, recriando a vida na busca de novos caminhos.

Onde está a força vital?

Na coragem e no otimismo.

Construir é...

Melhorar o mundo, pois pensar em todos é a melhor forma de pensar em si.

Destruir é...

Matar um sonho sem ter lutado por ele, pois o homem só fracassa quando desiste de tentar.

ENTREVISTA COM A GENAURA TORMIN PARA O JORNAL DA POUSADA DO RIO QUENTE-GO


ENTREVISTA COM A GENAURA TORMIN
(Genaura Tormin)

Genaura Tormin é uma pessoa especial, diferente, não só no visual, mas na sensibilidade que lhe comanda o coração, a vida. Ela é uma escritora. Não só uma escritora: uma mulher de garra, de fibra. Um exemplo de vida. Uma mulher da Lei. Vítima de uma paraplegia que lhe meou o corpo, não se deixou ficar à margem da vida. Foi à luta! Embora não marque o chão com os passos, ela anda com a mente, com o coração. Caminha em ideais, em trabalho, em afetividade, deixando sempre o sorriso estampar-lhe o rosto. Pernas não são problemas para ela. Mesmo andando numa cadeira de rodas, Genaura exerceu, com galhardia, o cargo de Delegado de Polícia de Goiás até assumir o de Analista Judiciário no TRT-GO, em Goiânia, onde exerce suas atividades na Diretoria de Serviço de Recursos e Distribuição . Se um deficiente de cadeira de rodas pode ser até um delegado de polícia, o que mais ele não poderá fazer?

PV - Em qual delegacia a senhora atuava?

Atuei em várias delegacias distritais, afinal, trabalhei 30 anos na Polícia Civil do meu Estado. Entre outros, fui delegada adjunta da Delegacia da Mulher, Delegacia de Trânsito e Delegada Titular da antiga Delegacia de vigilância e Proteção de Menores, com circunscrição em toda a grande Goiânia, além de exercer o magistério na Academia de Polícia de Goiás, nas cadeiras de Organização Policial e Deontologia Policial.

PV - Com a experiência no trato com crianças e adolescentes, o que a senhora acha da adoção de crianças brasileiras por estrangeiros?

Acho que o bem maior não tem nacionalidade. Entretanto, o Brasil é um País viável e dentro dos parâmetros de ser humano somos capazes de criar nossas crianças. Basta conscientização e solidariedade social, além de um pouco mais de responsabilidade governamental. Talvez uma campanha como: "Troque seu cão por uma criança" poderia ajudar. Por outro lado, sempre houve muita burocracia para o processo legal de adoção de crianças.

PV - Qual a conseqüência do tóxico para o adolescente?

As conseqüências são desastrosas, haja vista que 90% dos adolescentes que passavam pela delegacia eram usuários de substâncias tóxicas, até as drogas injetáveis que causam dependências e grandes perdas à saúde física e mental, levando, à s vezes, à morte, sem se falar nos prejuízos morais. É drogado que o indivíduo perde o juízo crítico, entrando na permissividade para praticar delitos hediondos que o marcarão até o fim de seus dias.

PV - Quantos anos a senhora tem?

Já vivi meio século, conheço bem a jornada. Fui menina, rebelde, barulhenta, traquina. Mulher, hoje sou. Laboriosa, complicada, parideira, dona de casa... Ardo em orgasmos, arquejo em lágrimas... Acredito que a idade está relacionada com a mente, com o encantamento de viver, com a decisão de sermos bons para conosco e para com o próximo, pelo menos o mais próximo. É um compromisso com o sorriso que me estampa o rosto, como você disse. Por isso, reputo-me sempre com 20 anos, pois as faces se enrugam, mas o essencial não pode se enrugar nunca! Estou certa?

PV - E a sua família?

Sou casada com o odontólogo Alfredo Tormin e temos quatro filhos. Uma família que me ama e não me castra as oportunidades. Pelo contrário, é um nascedouro de forças, incentivos que me faz caminhar mesmo sem o uso das pernas. E isso é de importância vital. Talvez seja o segredo de todo o sucesso que tenho conquistado.

PV - Fale dos seus livros.

PÁSSARO SEM ASAS , em 5ª edição, é um livro autobiográfico, de pensamento positivo, em que eu tento transformar derrotas em conquistas. Mostro-me por inteira, escudando as dificuldades com o positivismo que decidi adotar. É um relato escancarado de quem protagonizou no palco da vida uma história diferente, cujas machucaduras tento reverter. Além de tudo, é um romance, um compêndio de ensinamentos para quem ganha uma deficiência e não sabe como proceder. Tento passar uma mensagem de otimismo, de coragem, que poderá ajudar outras vidas, provando que o "querer é poder". Defensora do trabalho como religião da vida, também como terapia, sentimento de utilidade, rebato paternalismo e ouso dizer que "não se deve dar ao homem o que ele pode conseguir com o fruto do seu trabalho, sob pena de roubar-lhe a dignidade". Um de seus capítulos, " O deficiente físico sob a luz da Lei" é uma resenha jurídica da legislação que trata de toda a sua problemática e, com certeza, é de grande valia. Encontra-se na internet, em forma de artigo, no site Recanto das Letras, no meu blog http://genaura.blogspot.com e em outros mais.

PV - A senhora também é poetisa?

Tenho um livro, APENAS UMA FLOR, um vôo pelos veios da poesia para acalentar a vida, colorir os instantes desbotados. Não me importa se canto o amor, a vida, a morte... O que importa é cantar, extravasar, curtir as palavras lindas, tristes ou fortes. E a vida continua. Ainda sou perseguidora de sonhos. As portas me fascinam. A vida ainda acontece inteira no meu coração. Acredito no amanhecer, no poder recomeçar a cada dia. Sou a síntese dos meus desejos, compilação de inércias extáticas, mas, ainda, uma inesgotável fonte de encantamento pela vida, pelos amores, pelo belo, pela arte de fazer versos.

PV - A senhora está sempre na Pousada do Rio Quente, não é?

A Pousada do Rio Quente é um lugar de felicidade e paz com maravilhoso visual e piscinas de água corrente, clara como cristal, lendariamente, proveniente de um possível vulcão extinto. Sua natureza verde e florida nos proporciona momentos de gostoso lazer. Dizem, ainda, que as águas são notáveis por suas propriedades terapêuticas na cura das mais variadas moléstias. Possuem uma quantidade considerável de azoto e outros gases. O calor, o forte poder dissolvente e sua hipotonicidade ajudam a eliminar as toxinas do organismo e estimulam as funções do fígado, secreção biliar, intestino e a circulação.
Temos uma casinha de veraneio perto da Pousada, onde passamos todos os fins de semana. Assim, estamos sempre em suas águas, aproveitando da beleza da natureza e do afeto dos amigos, tendo a oportunidade de sempre conhecer outros mais, aumentando o círculo de amizade e o prazer de viver. Tenho um "scooter"(veículo tricículo, movido à bateria), que me permite uma liberdade muito maior. Assim, galgo todos os caminhos até as mais íngremes veredas, misturando-me às pessoas normais sem a rotulagem costumeira. Enrosco-me nas asas do vento e o meu caminhar fica leve, ligeiro... É uma mordomia que tem sabor de liberdade. Meu espírito transcende, fabricando felicidade. De roupa de banho, um camisão, um chapéu para proteger-me do sol, locomovo-me sozinha de minha casa à Pousada, que se encontra em terreno muito acidentado, o que é irrelevante para o meu veículo, por ser movido à bateria e especificamente desenvolvido para pessoas com deficiência física. Retorno quando quero, sem precisar ficar sob o jugo de terceiros. Além de tudo, consegui ser uma campeã. Atiro-me na piscina mais funda e atravesso-a, várias vezes, aos olhos dos espectadores que me viram entrar. Uso um colete salva-vidas para aumentar a minha liberdade na água, o que me permite, também, ficar na vertical sem que sofra arranhões. A profundidade da piscina permite-me esse conforto com segurança. Não tenho sensibilidade. Os que chegam depois nem percebem que sou uma deficiente física, e assustam-se quando me transfiro para o "scooter". É o exercício do meu show e eu gosto disso.

UNIÃO SEM SEXO


UNIÃO SEM SEXO
(Genaura Tormin)

Revendo uma pasta de recortes de jornais, encontrei essa entrevista, dada ao Diário da Manhã de minha cidade. Compartilho-a com vocês.


UNIÃO SEM SEXO



A escritora Genaura Tormin, 50 anos, 28 de casada, 4 filhos, não concorda com a idéia de casamento sem sexo, e afirma: _ É próprio do ser humano a atração física pelo sexo oposto e em conseqüência o desejo de acasalar-se. Daí o casamento, legalmente protegido, para o estabelecimento da família, que considero a mola mestra da sociedade. Um dos fins precípuos dessa união é o relacionamento sexual para a propagação da espécie. Além dessa finalidade, o ato sexual propicia muito prazer, amainando as desigualdades do casal, ajudando a construir a tão decantada felicidade. Ocorrendo fatalidades que causem impotência sexual, outras formas de “fazer amor” existem, ficando obstaculizada, apenas, a fecundação por vias normais. Contudo, ainda, pode-se lançar mão da medicina (reprodução in vitro e reprodução assistida) e da adoção.

DM - O que você prefere: a harmonia, a afinidade, o respeito mútuo ou o amor?
GT - Dentro da união conjugal esses ingredientes fazem ou deveriam fazer parte do amor maior que nos conduz à escolha do parceiro para uma união, que se imagina duradoura. E isso se faz por meio do namoro, não obstante hajam muitos desencontros e desencantos nessa caminhada. Talvez seja uma loteria, mas eu ainda acredito que o diálogo, os pontos comuns, o bom senso, a lucidez, a razão aliada ao coração, são boas ferramentas para o acerto.

DM - Será que com a espera da alma gêmea a pessoa não destrói outras chances de ser feliz?
GT - Geralmente, essa perfeição não existe. É preciso ser artista para esculpir uma aproximação do ideal. É preciso buscar o básico indispensável e daí construir uma obra de arte para alicerçar uma família sem mágoas, sem cicatrizes, fulcrada em exemplos diários. Contudo, sabe-se que a mulher, hoje, é uma nova mulher. Nada daquele estereótipo sociológico de objeto sexual, de fardo nos ombros do marido. Ela vai à luta, ombreia com ele, na conquista de seu espaço, sobressaindo-se com galhardia.

DM - Você acredita que nós temos almas gêmeas?
GT - À luz do espiritismo isso é explicável. Mas já é outro assunto e eu não quero misturar as coisas. Contudo, muitos relacionamentos levam-me a crer que existam, ou os casais foram privilegiados em sabedoria. E, ante esses artistas, curvo-me, com respeito. Chamo-os de mestres.

DM - Será que em vez de um grande amor seria melhor a gente ter um grande parceiro?
GT - Parceiro... só para sexo? Não acredito que seria grande. A mulher, geralmente, não encara o exercício do sexo como fisiologismo. Para ela o sexo é sublimação, o ápice do amor. Jamais poderia acontecer pleno, solto, bonito, sublime sem o grande amor.

DM - O que você acha da paixão?
GT - A paixão é um sentimento arrebatador, doentio, mas, extremamente gostoso. Entretanto é passageiro e costuma abrir verdadeiras crateras na saída. Um vazio imenso, um enorme gosto de dor. Para uma relação profícua, a paixão é prejudicial. Necessário se faz um amor maduro, consciente, respeitoso. Guimarães Rosa dizia que viver é muito perigoso. E, viver a dois, muito mais ainda.

DM - Você acredita que uma pessoa tem obrigação de fazer a outra feliz?
GT - Não, absolutamente. Se a gente ama, isso vem por acréscimo. É como aquela frase bíblica: Ama-me e fazes o que quiseres. O amor é espontaneidade e nunca imposição. E, a cada dia cresce ou desvanece conforme o trato. Por isso é necessário cuidar, regar todos os dias como se fosse uma plantinha. Jamais deixá-la murchar, por maiores que sejam as intempéries. É inteligência, sabe? Afinal, há mais felicidade em dar do que em receber.

DM - Será que o amor não é um tipo de embriaguez?
GT - Santa embriaguez! Se o fosse, eu gostaria de ser alcoólatra. Pelo contrário, o amor é lucidez, dinamismo... Não só o amor conjugal, mas o amor em sentido lato, o amor transcendental. Se você não tem o amor por escudo, torna-se uma pessoa vazia, amarga, sem brilho nos olhos, sem objetivo, concorda?

DM - Os tempos de hoje comporta um amor no estilo romântico piegas?
GT - O amor não tem receitas, determinações. Ele é intrínseco, peculiar. Cada um ama do seu jeito. O importante é amar e sentir-se amado. Eu sou romântica. Gosto de lua matreira, de chuva na janela, de ganhar flores, de ingredientes que aumentem a minha sensibilidade rumo ao amor, desde que sejam espontâneos e sinceros. Por que não cantar o amor? Quem não gosta de ouvir, repetidas vezes, a confirmação de que é amado, num guardanapo de hotel, num cantarolado jocoso, numa caricatura de jornal jeitosamente endereçada... E, isso eu não acho que seja piegas em qualquer tempo.

DM - Você acha que o nome AMOR poderia ser trocado por ternura?
GT - Não. Ternura é um componente do amor.

DM - O casal que se maltrata o dia inteiro e à noite chegam juntos ao orgasmo, isso é amor?
GT - No meu ponto de vista, não. A isso eu chamo fisiologismo, e abomino. O Amor engloba respeito e o exercício do sexo é como se fosse uma cerimônia litúrgica, necessita ritual, preparação. É preciso respeitar e respeitar-se. Faz parte do amor. É preciso não se anular, mas saber dialogar, ceder, reconhecer e, muito mais, aprender. É por meio dessas agressividades que o casamento torna-se compromisso de ninguém e as separações ganham índices avassaladores, com grandes prejuízos e desgastes psicossomáticos para toda a família.

DM - Você concorda com as traições rápidas?
GT - Antes de qualquer aventura, deve-se olhar primeiro se a porta de saída não é muito estreita. Às vezes, por uma simples curiosidade, embarca-se numa canoa furada, sem retorno. Depois, quem ama e é correspondido não se dá a essas aventuras.

SAIU NA TV RECORD


SAIU NA TV RECORD
(Genaura Tormin)


Hoje foi um dia feliz para mim, como tem sido todos os outros. Apenas, um pouco diferente, em que o entusiasmo e a espera do novo afagavam-me o coração, fazendo-o agitar-se dentro do peito.

Permaneci na cama por mais tempo. Hoje é domingo. Mesmo porque, ontem fomos a uma festa junina na Associação Brasileira de Odontologia. O meu marido é também odontólogo. A festa estava ótima, animadíssima, com quadrilha e um touro eletrônico que fazia a festa da meninada e dos adultos, com direito a prêmios.

Ao acordar, com o sol, em raios brilhantes, acariciando-me o rosto através da vidraça, e o Alfredo a cumprimentar-me, com faz todas as manhãs, com um sorriso terno de gente que ama, conferi o relógio e lembrei-me: A entrevista! (Havia sido gravada em minha casa, há mais de semana.) Seria exibida às nove horas na TV Record. Programa “Nossa gente nossas coisas". Poucos minutos faltavam. Às 9h em ponto, postamo-nos defronte da televisão. Eu e minha família. Muitas expectativas. Afinal quem não gosta de se ver no espelho, de receber carinhos, elogios de aprovação? Quem não gosta de sentir-se bem, produtivo e solicitado? Faz parte da vida, impulsiona o caminhar. Isso é se gostar. E eu não sou diferente. Tenho as minhas carências, os meus defeitos e muitas qualidades...

E, vamos às imagens, agora exibidas num telão.

Para melhor efeito fechamos as cortinas.

Um clic e a mágica se fez.

Em nossa casa, o apresentador, Dr. Salvador Farina, um senhor simpático, bonito e agradável. O cavanhaque, o sorriso aberto, com uma mistura de seriedade e mistério emprestavam encanto à sua mais de meia idade, além da elegância, estampada em tratos e trajes. Dr. Farina, é mesmo um ´gentleman´.

Após os cumprimentos, sentamo-nos à pequena mesa de vidro, a um canto de uma saleta, contígua à sala de visitas, utilizada para pequenas reflexões, leituras, um joguinho de baralho e outros que a criatividade apontar.

Antes, porém, numa manobra magistral: um passeio das câmeras pelo ambiente, deixando-se ficar no meu sorriso terno dirigido ao filho Flávio que acabava de entrar, o qual foi logo entrevistado.

Fiquei encantada, enamorada de ver e sentir, pela tela da TV, o sorriso largo do meu filho e as respostas amorosas, principalmente sabendo que eu era o motivo maior de todo aquele carinho. Sou uma mãe chorona, mas privilegiada. Todos os nossos filhos deslancharam em valores morais, além de haverem conquistado asas para alçar aos sonhos.

O cenário continuou. Uma paisagem colorida, realçando minha blusa rosa-choque que me diminuía os anos vividos.

Como num daqueles programas “Essa é a sua vida”, começou o passeio, uma retrospectiva no tempo.

A câmera focalizou o retrato de minha bisavó, que não cheguei a conhecer, mas que simboliza a gênese da minha família. E as fotos foram se exibindo marotas, ingênuas, voltando-me no tempo. Meus avós, meus pais, eu menina, as raízes na fazenda, quando a inocência fazia-me dona do meu tempo e senhora de todos os sonhos... Depois, o colégio de freiras, os quinze anos, o primeiro emprego, o namoro com o Alfredo (colega de labor), a formatura do Curso Técnico de Contabilidade, o casamento, os filhos pequenos, grandes, formados...

Pareceu-me um poema em aquarela, mostrado em fotos ao telespectador, acompanhado de minhas palavras explicativas, sempre cheias de saudades.

O curso de direito, feito juntamente com o Alfredo, embora ele já fosse graduado em Odontologia.

Um ano e meio depois de formada em Direito, eis que a vida leva-me as pernas. O meu caminhar ligeiro, faceiro... Era possível o registro dessa grande guinada de vida, por meio de recortes de jornais, revistas, o concurso, de maneira inusitada, para o cargo de delegado de polícia, mesmo sem o comando dos passos. A aprovação em 4º lugar (sorte é que eu estava preparada para um outro concurso, que não pude fazer, tendo em vista os passos haverem sido recolhidos antes. No dia, eu estava no Hospital, fazendo a prova para enfrentar-me numa cadeira de rodas), a nomeação e a decisão superior de aposentadoria por invalidez, o que eu não aceitei, sob protesto de entrar com mandado de segurança para garantir-me um direito líquido e certo, pois havia-me habilitado em concurso.

Gostei do posicionamento do Alfredo frente às câmeras. Não preciso voltar ao passado para reconhecer que sem o seu apoio eu não teria ousado tanto. E ouso ainda hoje. O suporte, o afeto, a certeza de que somos amados, produzem milagres. Transforma derrotas em verdadeiras conquistas.

O telão colorido exibia-se sem parar. Era o filme da minha vida. E eu ali, assistindo extasiada. As aventuras, estampadas em fotos, nadando, velejando, voando de ultra-leve, dirigindo trator... Admirava essa coragem. Os recortes de jornais, estampas, títulos, saltavam das mãos do apresentador.

Será que hoje teria a mesma disposição para fazer tudo de novo? Nos meandros da mente recordava as muitas dificuldades com o meu corpo, com a liberdade tolhida de ir-e-vir, a mudança de hábitos, de amigos, de tudo. Nova vida com muitos entraves e a responsabilidade de agüentá-los, e mais ainda, transformá-los.

Como delegada aprovada em concurso, fui nomeada. Quis servir numa delegacia, sinônimo do meu cargo. As fotos comprovavam o que eu verbalizava ao apresentador. Delegacias distritais, da Mulher, para a qual os jornais cogitaram o meu nome em primeira mão, como ajunta. Delegacia de Vigilância e proteção de Menores, da qual fui nomeada titular. E assim eu ia ascendendo... Muitos diplomas, certificados, congressos feitos, sucesso no trabalho, lançamento dos meus livros, Pássaro sem Asas e Apenas uma Flor, até que o tempo legou-me a aposentadoria por tempo de serviço.

Não podia entregar-me à paraplegia, numa indolente aposentadoria. Novo concurso. Dessa vez para o Judiciário Federal, onde, atualmente, exerço o meu cargo de Analista Judiciário, na Diretoria de Serviço Recursos e Distribuição do TRT/GO. Os impasses, as vitórias, o diploma de servidor padrão, mais certificados de cursos, tentando qualificar-me para melhor servir, justificando o meu ingresso ali.

Finalmente, as despedidas. Uma mensagem ao público que me assistia. Embora sendo de uma hora o programa, o tempo esgotou-se. Ah! Tempo, tempo meu! Tempo que me roubou os passos, mas que me legou muita segurança, muitas experiências, muitos valores aprendidos com a dor. Sinto-me uma nova mulher e gosto-me assim. Embora o meu caminhar tenha sido substituído pelas rodas de uma cadeira, não me sinto paraplégica. A vida ainda acontece inteira no meu coração e eu cumpro e assumo o direito de ser MULHER em toda a sua plenitude.

ENTREVISTA SOBRE VIRTUALISMO


ENTREVISTA SOBRE VIRTUALISMO
(Genaura Tormin)

Feita por CLÉSIO BOEIRA

Pergunto: quem é Genaura Tormin?
Ela responde de modo genial. Então publico a íntegra da auto-apresentação: “Genaura Tormin é uma pessoa diferente, não só no visual, mas na sensibilidade que lhe comanda a vida. É uma escritora, autora dos livros Pássaro Sem Asas e Apenas Uma Flor. Ela é colega de voces nesse Espaço Virtual! Embora não marque o chão com os passos, anda com a mente, com o coração. Caminha em ideais, em trabalho, em afetividade, deixando sempre o sorriso estampar-lhe o rosto. Faz da vida um varal de poesias, onde os versos esgueiram-se ousados para colorir momentos e falar de amor. Pernas não são problemas para ela. Mesmo deambulando numa cadeira de rodas, exerceu, com galhardia, o cargo de Delegado de Polícia de Goiás até assumir o de Analista Judiciário no TRT-GO, em Goiânia, onde exerce suas atividades. Essa, SOU EU!!".

1. O poeta nasce sensível feito poesia. Durante anos, como compatibilizou a doçura da letra poética com a letra fria da lei?

Genaura – Sou egressa de um colégio de freiras, onde morei de 9 a 18 anos de idade, quando ingressei na Polícia Civil de Goiás, como escrituraria. A Polícia entrou na minha vida como meio, como ponte, para que eu pudesse escalar novos horizontes. Jamais pensei que se tornasse fim um dia. As contingências da vida indicaram o caminho. Tornei-me uma Delegada de Polícia. É uma missão espinhosa, mas farto campo para o plantio de uma boa ação. Quanto mais difícil a tarefa, maior satisfação do dever cumprido. Ser delegado é também fazer sacerdócio. É amar o ser humano no sentido total da palavra. É saber admoestá-lo na hora certa ou acalentá-lo nos momentos mais difíceis.
Certa vez dei uma entrevista na televisão e terminei poetando a minha condição física, pois o cinegrafista não focalizava a minha cadeira rodas, como se me quisesse prestar um gesto de carinho. Em versos, tentei explicar. No dia seguinte os dois jornais da capital estavam à porta da Delegacia em que trabalhava. Eis a manchete: “De delegada à poetisa”. Confiram!

Quero dizer a vocês,
Que a mente não está nos pés,
E aqui, na minha cadeira,
Trabalho por mais de dez.

Quem me conhece, já sabe
Da minha capacidade,
Não me curvo por besteira
E luto com hombridade.

Mato a cobra e mostro pau.
Medo, não tenho não.
Já mandei prender bandidos,
De estuprador a ladrão.

Lembro-me do grande Franklin,
Dos Estados Unidos, presidente,
Em tempos reacionários,
Exemplo pra muita gente.

Por isso estou aqui,
Em condição inusitada,
Pois sei que neste Planeta,
Não tem uma delegada

Numa cadeira de rodas,
Que seja capacitada,
Faça inquéritos e flagrantes
Numa Especializada.

Mente sã é corpo são,
Por isso não tenho nada,
Sinto-me com pernas fortes,
Numa cadeira sentada.

Na rua dirijo carro,
Faço compras e viajo,
Trabalho, leciono e nado.
É só questão de estágio.

Para os que não me conhecem,
É essa a informação,
Moradores da cidade
E outros que aqui estão.

A criminalidade sempre me assustou. Mesmo tendo trabalhado na Polícia durante 30 anos, presenciando e atuando em inquéritos de crimes estarrecedores nas mais variadas delegacias, permaneço com a sensibilidade ainda mais aguçada. Sou uma manteiga derretida. Gostaria de ser uma fada-madrinha para fazer justiça social, principalmente às crianças que povoarão o futuro do País. Afinal que País queremos?

2. Não poucos inquéritos foram redigidos em versos. Verdade?

Genaura - É. Às vezes, para quebrar a aspereza do caráter do trabalho e dar evasão ao instinto poético, fazia o relatório do inquérito policial em versos, porém, com todos os pressupostos inerentes para não se tornar uma peça inválida.

3. Como reagiam os juízes?

Genaura – Um deles ligou para me cumprimentar pela façanha, acrescentando que os versos haviam levado alento a uma tarde conturbada de muitas audiências difíceis. A Polícia Judiciária tem caráter repressivo, atuando depois do crime cometido, apurando as infrações penais e sua autoria, impedindo que o fato criminoso fuja às malhas da Justiça.

4. A rede mundial de computadores não é o céu, mas abriu espaços aos escritores emergentes. O que falta para que sejam bem aproveitados?

Genaura – Com o progresso, aproximaram-se as distâncias, mas distanciaram-se as proximidades. Às vezes é no meio da multidão que nos sentimos mais sozinhos. A Internet veio suprir virtualmente esse vazio, possibilitando a amostragem de muitos talentos, de muitos intelectuais emergentes, a transmissão de bons aprendizados, a feitura de muitas amizades boas... Acredito que direcionada para bem, a Internet pode ser um veículo promissor na construção da paz e da disseminação do amor. Para um resultado global benfazejo, necessário se faz uma conscientização maior capaz de melhorar o mundo. Além disso, é necessário uma fiscalização, o que lentamente vem acontecendo, incluindo legislação punitiva dos crimes praticados pela Internet. Primeiro o fato social, depois as normas. Se todos os sites tivessem a conduta ilibada, com certeza, o mundo daria um salto rumo ao bem. Impor limites significa amar. O importante é construir sempre.

5. E que forma de reconhecimento o escritor do espaço virtual deve esperar? Quais são algumas compensações aprazíveis?

Genaura – O reconhecimento é imediato, uma vez que somos lidos em prazo recorde por pessoas de todos os quadrantes do Brasil e até do mundo, o que nos devolve grande satisfação. O escritor tem necessidade de botar para fora o que lhe vai na alma. Pode construir ou destruir. Isso é uma grande responsabilidade. Saint Exupéry dizia: “Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas”. Eu acredito nisso. Especificamente, nos sites que postamos os nossos escritos, constituímos uma grande família, uma confraria, onde todos se harmonizam levados pela poesia, pelo amor em seu sentido mais lato. As compensações são as mais prazerosas possíveis, pois estamos a erigir caminhos, a falar de amor e, embora, sem ver rostos, fazer parte, como elos da mesma corrente, de uma plêiade de amigos/poetas extraordinários. Sou feliz por estar entre essas pessoas.

6. Mas há dissabores também...

Genaura – Não me considero uma internauta, uma vez que ancoro o meu barco apenas em dois sites: Planetaliteratura e Recantodasletras. Entretanto sei que a Internet é usada também para os expedientes escusos que molestam a essência do ser humano, principalmente disseminando o uso de drogas e os desvios sexuais, aproveitando-se dos internautas incautos, cujo alvo certeiro são as nossas crianças, os nossos jovens... É lastimável!

7. Que perfil traça do internauta politicamente correto?

Genaura – A retidão, talvez venha do berço. O bem sempre é recompensado pelo próprio bem. Isso é uma verdade. O nosso maior juiz é a própria consciência. É muito bom ser correto com tudo e com todos e, principalmente com nós mesmos. Significa liberdade. O internauta politicamente correto é um pregoeiro do bem, pois o exemplo contamina. Virtualmente somos identificados pela alma, pelo coração, pelos bons escritos que permanecem para sempre, registrando a memória.

8. Para finalizar, uma mensagem aos escritores virtuais.

Genaura - Agradeço pela entrevista. Viver é maravilhoso! A vida é um dom. Devemos aproveitá-la. E se pudermos, através virtualismo, alcançar um próximo um pouquinho mais longe, seremos multiplicadores, espalhando o amor, a paz, a união. A auto-estima é o carro chefe. Todos os dias devemos nos levantar para vencer. Somos produto da mente. Os pensamentos são os gestores de nossas ações boas ou más. Ser entusiasta é importante. Sorrir sempre! O sorriso é o exercício da afetividade: abre caminhos, cria laços, enfeita a alma e o coração. O sorriso traduz paz, ternura, perdão... Sonhar é preciso, pois Charles Chaplin costumava dizer: “Quando deixares de sonhar, poderás continuar vivendo, mas, com certeza, terás deixado de existir”. Somos sempre instrumentos a serviço da vida, portanto herdeiros dos nossos atos e senhores de nossas colheitas. Existirá sempre uma esperança num lugar qualquer! Não podemos desistir! Somos responsáveis! Fomos feitos para vencer, escrever a história e poetizar a vida!

sábado, 28 de março de 2009

UM MARCO NO TEMPO NUMA LEMBRANÇA INESQUECÍVEL


UM MARCO NO TEMPO NUMA LEMBRANÇA INESQUECÍVEL
(Genaura Tormin)

Minhas recordações voltavam à fazenda do meu pai. Ele comprara um caminhão e partira para o nordeste brasileiro para trazer peões, pessoas para o serviço de lavrar a terra. A colheita aproximava-se e ele não poderia prescindir da mão-de-obra.

Na volta, papai encontrara o lar desfeito. A esposa o abandonara. Triste, papai não abdicara das filhas, embora os tios se prontificassem a ficar conosco: eu, Josefa e Zélia. As duas últimas do segundo casamento.

Naquele ano, com o impasse, houvera grande prejuízo nas atividades da fazenda, bem como da casa de farinha. Papai não desanimara. Sempre tivera pulso forte e determinação. Embora não tivesse estudo, sabia expor as suas idéias e conseguir o desejado.

— Vou internar vocês num colégio de freiras. Quero que vençam na vida pelo estudo, pela boa educação. Somente elas poderão lhes transmitir isso — exclamara papai.
Eu tinha nove anos, naquela época.

Numa madrugada fria, saímos de Minas. A lua branca ainda passeava no céu estrelado, banhando de luz a silhueta do papai. O terreiro de chão batido, o tamboril, o curral, os pés de laranjeiras carregadinhos de frutos, a casa da fazenda de janelas fechadas na calada da noite, ficaram impregnados em mim feito um presságio de saudade e gratidão. Não posso esquecer do seu telhado vermelho, iluminado pela luz da lua, distanciando-se a cada vez que olhávamos para trás. O ar frio daquela madrugada exalava perfume de flores silvestres, misturando-se ao zumbido de insetos e ao chilrear de pássaros notívagos.

Éramos seguidos pelas próprias sombras que se esgueiravam ao lado. O caminho fazia curvas entre os arvoredos e parecia não ter fim. As montanhas se delineavam à frente, como a se despedirem de nós. De vez em quando a lua brincava de esconde-esconde nas frondes das árvores e dos coqueiros, alumiando a plantação de algodão que se debulhava em flocos brancos entre a ramagem verde e viçosa. Ninguém ousava conversar, embora o iminente desbravamento do desconhecido acalentasse as nossas almas. Num clima nostálgico, ouvia-se ao longe o cantar de galos, anunciando os albores da manhã.

Na ponte, o riacho gorgolejava entre as pedras, exibindo os alvos lírios à sua margem, enfeitado pelo cricrilar de grilos no rumorejo do mato denso. As libélulas, em vaporosa dança, faziam reverências ao amanhecer, que despontava em tênue claridade por trás serra. O vapor do riacho deixava visível seu curso pelas terras da fazenda, feito a fumaça de um trem de ferro. Eram lágrimas evaporadas num adeus inaudível. Ao atravessá-lo, não pude conter o pranto. O coração ficava naquelas águas, naquelas margens que nos proporcionaram tanta alegria. Era ali que a nossa fantasia criava asas, voava em histórias de príncipes montados em cavados brancos, de bruxas malvadas, castelos assombrados, portas subterrâneas para lugares encantados, fabricados pela fertilidade do nosso mundo de criança, debulhado em magias, em alegria.

O cheiro da manhã, impregnado de odores tão queridos, cravava em mim as últimas flechas. Até uma coruja entoara seu canto triste por despedida. A saudade da casa da fazenda, dos folguedos, da comida gostosa do fogão à lenha, já se fazia sentir. A ordem era sermos fortes apesar da pouca idade. Assim íamos deixando para trás parte de nós rumo a um novo destino. Com certeza, seria um marco divisor que marcaria o resto de nossas vidas.

Na rodovia, ao tomarmos o ônibus, o coração apertara-se no peito, agitando-me o corpo frágil em tremores e náuseas. Uma saudade cortante remexia-me as víceras. Era a certeza de um adeus definitivo que se misturava à poeira da estrada deixada para trás. Eu não podia chorar! Percebia que papai estava fazendo o melhor por nós. Mesmo criança, eu entendia que mudar era necessário. O meu espírito já estava sendo previamente preparado para suportar as intempéries da vida. Talvez eu fosse rocha e não soubesse.

SEMEAR


SEMEAR
(Genaura Tormin)

Nuvens alvissareiras
No céu sem limites.
Na bagagem:
O sol matreiro,
A chuva dengosa,
O silêncio dos montes,
Flores e fontes,
O aconchego da noite...

Amplidão cósmica,
Beijos aninhados
No perfume da brisa,
No lamento da saudade...
Tudo é liberdade,
Paz,
Felicidade.

Pássaros viajores
Permeiam a paisagem,
Semeando a ternura do afago,
Doce transparência da imagem.
E a oração se faz
Na doçura do olhar,
No desejo de amar,
De ser bom,
De multiplicar...


MUNDO DE FANTASIA


MUNDO DE FANTASIA
(Genaura Tormin)

Sonhei que a vida era diferente.
Cheinha de coisas boas, muita alegria,
Bondade e sabedoria.
E as pessoas eram contentes.

Vivendo a minha fantasia,
Fechei os olhos e vi, por um momento,
Os prados, as flores e o firmamento
A comungarem conosco a harmonia.

Sonhei com a dignidade,
E vi os mendigos abrigados,
Bem vestidos e alimentados,
No exercício da cidadania.

Era um mundo de magia,
Sem dor, sem fome, sem horror.
Somente a voz do amor,
Essência holística da sabedoria.


sexta-feira, 27 de março de 2009

E O VENTO NÃO LEVOU MESMO!


E O VENTO NÃO LEVOU MESMO!
(Genaura Tormin)

Um tornado arrancou portas,
Matou sonhos, abalou desejos,
Revirou a casa, modificou costumes...
Levou os passos andejos.

No canto da vida, tudo quebrado,
Esfacelado no peito da agonia.
Sem conserto para tanto desmantelo,
A tristeza fazia companhia.

Mas o tornado passou!
E o vento não levou a bravura,
A coragem para reconstruir,
Reinventar passos, alar a mente,
Conquistar vida e seguir em frente.

E o que era uma casinha,
É hoje um castelo à beira da estrada,
Cheio de versos, de alegria,
Na fantasia da jornada.

AMIZADE VIRTUAL



AMIZADE VIRTUAL
(Genaura Tormin)

Configurada em bites,
Fluem as palavras,
Em códigos grafados.
Dedilhados no teclado,
Anima a tela quadrada
Do computador.

Acreditar e sorrir!
Ver o humor se agigantar.
Sentir-se feliz.
Agradecer a amizade,
E tentar retribuir,
Bordando a tela de cores,
Para multiplicar amores.

Tantas trocas afetivas,
Carinhos somados,
Tristezas divididas,
Numa mesinha solitária
No canto da sala.

Não há classe social,
Nem grife na vestimenta...
Isso não é necessário!
O que importa
É o ombro amigo,
No cultivo da felicidade,
Entre os elos da virtualidade.

quinta-feira, 26 de março de 2009

MASMORRA FRIA


MASMORRA FRIA
(Genaura Tormin)

Abri hoje a caixa
Do meu passado!
Muitas lembranças,
Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias
Já amareladas,
Envelhecidas.
Um caminho de volta!
História de uma vida!

Um filme que se rebobina
Na mente conturbada,
Rodeada de fantasmas.
São restos de alegrias
Enclausurados em celas,
De uma masmorra fria.
Arcabouços de estrutura vazia
Que fenece no tempo.
Para renascer um dia.

terça-feira, 24 de março de 2009

ACALANTO A ISABELLA


ACALANTO A ISABELLA
(Genaura Tormin)

A chuva molhava a terra,
Exaurindo o cheiro de relva.
O dia chegou colorido, debulhado em sorrisos.
A tarde se fez amena, se fez terna...
Nas asas do vento, no colo da brisa,
Chegava a Isabella, a bela Isa,
A filha da minha filha, a minha neta!
Uma centelha do amor, um botão em flor.

Palavras inexistem, são arcaicas, obsoletas.
Só as lágrimas afagam sentimentos acalentados
No silêncio etéreo de um sonho tão bonito.
Uma visita antecipada de um anjo querido,
Prestes a sair do paraíso
Para fazer parte da nossa família.
Doce personagem onírica,
Onde a inocência desenhava-lhe o rosto redondo,
De olhos azuis, a balbuciar pequenas palavras.
Desde então, na ânsia da espera,
Fiquei a vê-la no espelho do meu coração,
Na gostosura de sabê-la neta,
Estrofe do meu poema, lira de minha canção.

O sonho virou realidade! Chegou a Isabella!
A estampa doce de gentinha miúda.
E pude ver envolta em panos,
A mesma criança do meu sonho
Qual novelo de lã, floco de algodão...
Imagem tão bem guardada
Nas retinas e no coração.
Esgueiram-se murmúrios de felicidade.
Posso mirar-lhe os olhos,
Duas safiras, dois luzeiros,
De paz e alegria, mensageiros.

TENHO O CORAÇÃO EM FESTA


TENHO O CORAÇÃO EM FESTA
(Genaura Tormin)

É manhã aqui!
Um gosto de aconchego
Ainda me enlaça a cintura.
Teu rosto em mim esculpido,
Estampa-se em tudo que vejo.
O nevoeiro cobre a colina
E acaricia-me a pele,
Ainda molhada pelos teus beijos.

Envergonhado,
Nasce o sol no horizonte.
Sonolento,
Rompe brumas e escarpas,
Boceja intimidades,
Com gosto de fruta madura.

Solfeja votos de bonança,
Bordando a copa do arvoredo
De raios multicores.
Canta para me açoitar o medo,
Acalentar tantas juras,
Guardadas aqui no peito.

Há uma sinfonia no ar.
Os pássaros saltitam nos galhos.
Parecem me saudar.
Tenho o coração em festa.
É místico poder amar!

LUTO


LUTO
(Genaura Tormin)

Não há conserto
Para tanto desmantelo,
Nem oficina
Achará o defeito.

Inútil!
Nada a fazer!
Ciclo encerrado,
Porta fechada.
Tudo arqueja no tempo,
E o relógio não pára.

As mãos seguem vazias,
E por companhia,
Um passeio fúnebre
Conta a história,
Em desbotada policromia.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta.
Morto está o CORAÇÃO!

SOU ALEGRE, POR QUE NÃO?





SOU ALEGRE, POR QUE NÃO?
(Genaura Tormin)

Sempre fui uma pessoa muito alegre, espalhafatosa, daquelas “cheguei, estou aqui”. Tenho grande facilidade para relacionar-me com as pessoas, realçando o que me agrada e esquecendo das coisas contrárias. Acho que isso deve ser a lei da vida, pois, viver é maravilhoso, mas muito perigoso.

Preocupo-me muito em dar amor, alegria, pois é dando que se recebe. E se não receber, tudo bem. Fica o sentimento de uma boa ação e de um plantio benfazejo.
Lembro-me de que, quando fiquei paraplégica, as crianças de minha rua lamentavam, dizendo:

— Nossa! Que judiação! Logo a tia Genaura que pulava corda com a gente, andava de bicicleta...

E era mesmo. Quando ia ao mercado da esquina, muitas e muitas vezes deixava as compras no chão para pular corda com a criançada ou dar um chute na bola. Para mim, sempre foi muito fácil e prazeroso assumir todas as idades, todos os papéis. Mas este de paraplégica não estava no meu projeto de vida. Apesar de esquisito, estou tentando sair-me bem.

Agora, não pulo corda, não chuto bola, não ando de bicicleta... Recebi uma dura sentença por crime que não cometi nesta vida. Mataram as pernas em mim. Poderia tê-las usado muito mais vezes! Poderia ter andado descalça, feito grandes caminhadas, pisado na grama, na areia, no barro... Poderia ter evitado veículos. Enfim, poderia ter usado muito mais o meu caminhar faceiro, dançarino, rebolante.

Mesmo assim, ainda corro atrás da vida! Corro atrás de minha evolução como caminhante desta íngreme estrada.

Meu físico é paraplégico, mas a mente e o coração experimentam todas as emoções, sobrevoam todas as paragens, alcançam o infinito. E na fantasia, chuto todas as bolas, pulo corda, ando de bicicleta e sou a campeã dos meus aprendizados. Se as pernas, fisicamente, estão mortas ou incapacitadas, o coração é vivo, o meu desejo latente e o sorriso aflora sempre até os cantos das orelhas.

E isso me basta. É o mínimo indispensável para erguer tudo de novo, embora sobre os escombros. Agora melhor, alicerçado na experiência do viver. Afinal, a vida ainda me agraciou com tantos caminhos a serem percorridos, tantos potenciais a serem desenvolvidos. Cabe a mim o labor do progresso que queira alcançar e o positivismo para enfrentá-lo, na certeza de que jamais serei omissa, pois estou viva!

segunda-feira, 23 de março de 2009

PERDÃO


PERDÃO
(Genaura Tormin)

Perdoa-me, amor!
Sabia que não eras tu.
Mas um gosto de infinito,
um cheiro de fruta madura,
vendaram-me os olhos,
aprisionaram-me a alma
e eu me dei sem reservas.

Perdoa-me, amor!
Sei que vou te esperar sempre,
na angústia dos dias,
na solidão das madrugadas.
Perdoa-me, amor,
por não te haver
reconhecido a face.

CANTO DE NINAR


CANTO DE NINAR
(Genaura Tormin)

Velarei teu sono.
Cantarei uma canção
e te farei um verso.

Ficarei contigo,
na serenidade da noite,
para guiar-te
na escuridão.

Mesmo que passem os mundos,
que a vida floresça
em novas roupagens,
eu estarei aqui,
para acalentar-te o pranto.

JEITO DE SER


JEITO DE SER
(Genaura Tormin)

Poetizo a vida,
dou riso às tristezas,
asas às esperanças.

Decantando a saudade
volto no tempo,
vivendo o que fui
e sendo o que sou.

RETROSPECTO


RETROSPECTO
(Genaura Tormin)

Pintando estrelas,
contando estórias ao vento,
corro pelas ruas,
pelas casas brancas
a falar de mim.

Escancaro a boca,
num sorriso brusco.
Grito mais alto que os trovões
e ninguém me escuta.

Falo de felicidade...
essa felicidade
que quando vem,
me assusta.

Volta tão depressa!
Mal sinto que ela veio.

Fico triste.
A tinta das estrelas
era lavável
e a chuva tirou.

O vento soprou tanto,
esquecendo as estórias
que gritei
aos quatro cantos.

O sorriso,
transformou-se em choro.
Tudo ficou triste.
A felicidade se foi.

SAUDADE ALTANEIRA


SAUDADE ALTANEIRA
(Genaura Tormin)

Gosto de ti
saudade louca,
desvairada e atrevida.
Saudade altaneira
sem eira nem beira.
Saudade de menina,
saudade fagueira.

Gosto de ti
nas noites densas,
nas tardes quentes
ou no pôr-do-sol

Saudade querida
que me aperta o peito,
me deixa sem jeito
com lágrimas nos olhos.

Mas,
gosto de ti!
Viajo nas tuas asas,
pego carona no vento
e consigo
fabricar felicidade.

domingo, 22 de março de 2009

SOU SAUDADE



SOU SAUDADE
(Genaura Tormin)

Sou a brisa sorrateira
Que te beija as faces,
Sou a chuva no telhado,
Solfejando uma cantiga
Para te acalentar.

Sou a paz,
Sou o silêncio
Numa noite de lua cheia.
Mas sou a lágrima abafada
Na emoção que escapa.

Transmudo-me em versos,
Visto-os de palavras.
Galopo em liberdade.
Eu sou a própria SAUDADE!!!

MINHA PORTA NÃO TEM CHAVE



MINHA PORTA NÃO TEM CHAVE
(Genaura Tormin)

Minha porta não tem chave!
Minha vida não tem segredos.
Escancaro todos os medos,
Fantasmas e desejos
Nos varais dos versos meus.

As portas são fetiches,
Ouriçam-me a curiosidade
Para desbravar o invisível,
Ouvir o inaudível.
Por isso eu avanço sempre,
Sinto-me contente
E sigo em frente.

Faço catarse,
Rasgo imagens,
Lamento as dores
E canto os amores
Nos recônditos de muitas portas,
Nesse vagar do tempo
Que a vida me concedeu.

REDE NEURAL


REDE NEURAL
(Genaura Tormin)

Há mutações,
Autoconhecimento,
Na esquina do tempo.

Na visão de nós mesmos,
Há um mar de sinapses,
Em bites imersos,
Sensorialmente conectados.
A mente em sintonia
Cria o Universo.

Não há dogmas!
Num conceito de Unidade
O pensamento é tudo,
Absoluto.
É ensaio mental,
Força propulsora
No lóbulo frontal,
Altaneiro e soberano
Na rede neural
Do Ser Humano.

MAROLA, VELEIRO E VENTO


MAROLA, VELEIRO E VENTO
(Genaura Tormin)

Céu azul,
Mar revolto,
Alcatifa dos sonhos meus!
Viajo no galope da saudade.
Volto no tempo!
Cheiro de maresia,
Marolas, veleiros...
Vento cantarolando
Na copa dos coqueiros...

O verde da esperança,
E eu, feito criança,
Correndo pela branca areia,
Às carícias das brumas fugidias,
E ao som da ventania.
Ah, eu era só alegria!

As ondas quedavam-se
Ante os pés andejos, dançarinos.
Em coro,
Pássaros entoavam hinos,
Em coloridos gorjeios.
O céu bordado de nuvens viajeiras.
Uma tela de rara beleza,
Numa manhã fagueira.

Hoje,
Desnudo de adereços,
O vento ainda canta para mim.
Parece que ouço o rumorejo,
Daquele vento gostoso,
Que me bordava de beijos.

sábado, 21 de março de 2009

PRIMAVERA


PRIMAVERA
(Genaura Tormin)

Campos floridos, relva verde, vida nova!
A natureza em festa no oráculo das manhãs.
O sol chega atrevido, faceiro, bonito,
Alumbrando os restos de madrugada.
E o vento assobia dengoso,
Acordando as flores sonolentas.

Tudo renasce!
Tudo se transforma!
Realizam-se sonhos,
Bordam-se flores,
No caminho sulcado dos amores.

Ventos macios, coloridos,
Com gosto de bonança,
Esvoaçam os cabelos da manhã,
Perfumando rios e matas.
O riacho marulha um canto de paz.
O amor se faz!

Tudo se agita, se multiplica,
Ganha vida, viço e cor,
Enfeitado pelos gorjeios da passarinhada,
Pelo zumbido das abelhas,
Pelo incansável trabalho das formigas.

Tudo renasce,
Cresce e aparece no círculo da vida.
A natureza se multiplica em berços...
Em rebentos alvissareiros,
Nos canteiros dos jardins,
E nos olhos que há em mim.

Nos meus cantos,
Também é primavera.
Escondo-me na semente,
Transmudo-me na alegria de viver.

VIAGEM


VIAGEM
(Genaura Tormin)

Vida!
Caminhada curta,
Efêmera,
Chama de vela.
A ordem é ser
Ou tentar ser feliz
A cada instante.

Felicidade não é um destino.
É obra de arte,
Uma viagem.
Os momentos são únicos!
Não voltam mais!

Alados por pinceladas de imaginação,
Podem ser mágicos!
Marcos de saudades.

Ame sempre,
Como se nunca tivesse sofrido.
Trabalhe com prazer.
Cante as dores e cultive a paz.

Sorria sempre!
O sorriso enobrece, encanta....
Sorriso é prece!
É Deus dentro da gente!

Encante-se com as pessoas!
Passe-lhes o que há de maravilhoso em si:
O jeito maroto,
O olhar trigueiro,
A maneira manhosa,
Assanhada, faceira...
As gargalhadas e até as lágrimas.

Não é vergonha,
É sensibilidade,
Autenticidade...

Sem que se esforce,
Sem que perceba,
Estará sempre
Entre os parceiros da alegria,
Caminheiros da amizade,
Partícipes de uma linda viagem
Chamada FELICIDADE!
Vida!
Caminhada curta,
Efêmera,
Chama de vela.
A ordem é ser
Ou tentar ser feliz
A cada instante.

Felicidade não é um destino.
É obra de arte,
Uma viagem.
Os momentos são únicos!
Não voltam mais!

Alados por pinceladas de imaginação,
Podem ser mágicos!
Marcos de saudades.

Ame sempre,
Como se nunca tivesse sofrido.
Trabalhe com prazer.
Cante as dores e cultive a paz.

Sorria sempre!
O sorriso enobrece, encanta....
Sorriso é prece!
É Deus dentro da gente!

Encante-se com as pessoas!
Passe-lhes o que há de maravilhoso em si:
O jeito maroto,
O olhar trigueiro,
A maneira manhosa,
Assanhada, faceira...
As gargalhadas e até as lágrimas.

Não é vergonha,
É sensibilidade,
Autenticidade...

Sem que se esforce,
Sem que perceba,
Estará sempre
Entre os parceiros da alegria,
Caminheiros da amizade,
Partícipes de uma linda viagem
Chamada FELICIDADE!

EQUILÍBRIO


EQUILÍBRIO
(Genaura Tormin)

Evoluir
É ser inteiro, autêntico,
Despojado, verdadeiro,
Dono de si mesmo.
É semear o bem,
Namorar a vida,
Encantar-se com a chuva,
Com o verde da esperança,
Do amor, da flor,
Do mundo!

Otimismo, emoção,
Temperos da jornada.
Há tantos caminhos,
Veredas e estradas...
Nem entorpecidos
Nem hostis os atos.
O equilíbrio é o ideal.
O amor leva à felicidade!
Singularidade de olhar,
Ternura de afago
Constroem rumos e vidas.

A emoção é roupagem da alma,
E a essência é holística.

HERANÇA




HERANÇA
(Genaura Tormin)

Aos que amo, amei e amarei,
Deixo por herança,
Essa minha esperança,
Essa vontade de querer viver.
Deste meu jeito de moleca,
Levada da breca, arteira, traquina,
Restará saudade.

Deixo a minha crença,
O sonho aceso, a fé,
E o verso inacabado.
Ainda por herança,
O meu encanto,
O meu talento,
E até o gênio forte,
Atrevido, valente,
Que me fez diferente,
Caminheira sem rastros,
Mas um ser contente.

SOU TODA ALEGRIA


SOU TODA ALEGRIA
(Genaura Tormin)

Sou sonhadora!
Vivo fantasias,
Faço poesias...
Rimo um gorjeio de pássaro
Ao barulho da ventania...
Assim,
Sou toda alegria!

Canto o amor,
Defendo a harmonia.
De tudo,
Sou aprendiz.

Colo metáforas,
Faço catarse
Num risco de giz.
O que importa
É ser feliz!

RODRIGO


RODRIGO
(Genaura Tormin)

És pequeno,
Roliço,
Cheiroso,
Gostoso feito morango.
Do céu,
És o meu pedaço,
Nesse laço
Que envaidece
O passo
Deste caminho cármico.

És meu anjo-menino,
Fofinho feito algodão.
Com o sorriso tão lindo
E esse jeito de travesso,
És vida de minha vida,
Versos do meu poema,
Música do meu coração.

INDIVISIBILIDADE


INDIVISIBILIDADE
(Genaura Tormin)

Quando tu partires
Irei contigo.
Levarei o aconchego da noite
Para te fazer feliz.

Serei suave,
Feito o balanço do mar,
Para te amar,
Amor.

Irei contigo
Aonde fores.
Tuas pegadas
Serão as minhas pegadas,
E eu te amarei
Em todos os momentos.

Não choraremos
Porque as lágrimas secaram
Com o sol da manhã,
Fazendo-nos fortes
A qualquer embate.

Irei contigo
Até o infinito,
Onde tudo é perfeito,
Sem dor,
Sem mutilação,
Sem medo.

Irei contigo,
Amor,
Porque faço parte de ti,
E tu és tudo
Que sempre cultivei em mim.
Assim,
Seremos indivisíveis,
Unos e eternos.

ESCRITURA DO TEMPO


ESCRITURA DO TEMPO
(Genaura Tormin)

Acuada pelos preconceitos,
Cavalgo no dorso da vida.
Rasgo sonhos para engendrar versos.
Alongam-se pelejas.
Cálida, ainda estou
A semear afeto e lágrimas.

Escritura do tempo,
Vou registrando os dias.
De instantes vazios
E certezas incógnitas,
Reconstruo a vida.
Teço a síntese de saudades fugidias,
Argamassa de sonhos,
E guardo no peito
Os retalhos do que sou.

No rosto,
O sorriso, a coragem
E o encantamento de viver.
Em estado de paixão
Tento superar as perdas
E o amor ainda se faz em mim.

EXTRATO


EXTRATO
(Genaura Tormin)

Extrato

Sinto saudades!
Uma saudade própria,
Latejante,
Quente e profunda.

Uma saudade
Que se escancara em gritos,
Rasga dimensões,
Estampa cacos,
Cega os olhos,
Sufoca os sentidos,
Deixando o cérebro confuso,
Inerte,
Ensandecido.

E, no entanto
Há consciência
E o desejo se agiganta
Numa enorme vontade de viver.

BANDEIRA DO OTIMISMO


BANDEIRA DO OTIMISMO
(Genaura Tormin)

Não deixem que cale
O amor que alenta,
A dor que me faz viva,
A ternura do meu peito
E todo esse jeito
Que a vida me deu.

Não deixem
Que o meu canto morra,
Que feneça o meu sorriso
E parta de mim
O compromisso
Desta bandeira de otimismo,
Deste meu desejo de querer viver.

TEU ANIVERSÁRIO



TEU ANIVERSÁRIO
(Genaura Tormin)


Neste aniversário,
Aceita a festa que não posso dar-te,
O jantar à luz de velas,
O vinho francês,
O perfume dos alabastros,
A beleza dos astros...

Embrulhado para presente,
Seguirá o meu amor,
Identificado por um cartão vermelho.
Ao vivo e em cores,
Os enleios das minhas mãos
Roçarão teu corpo “caliente”.
E o meu beijo encontrará o teu,
Porque és a grande paixão,
A maior razão da minha vida,
O acalanto do meu coração.

NÃO TENHO ALGEMAS



NÃO TENHO ALGEMAS
(Genaura Tormin)

Fui menina, rebelde, traquina, barulhenta...
Mulher, hoje sou.
Laboriosa, complicada,
Parideira, dona de casa.
Ardo em orgasmos, arquejo em lágrimas.

Apolo me fascina,
Faz-me musa de seus versos, deusa do seu leito.
Sou refém das fantasias, atriz de todos os papéis.
Mostro-me catita, jogo a sedução
E acho-me bonita.

Os sonhos habitam meus cantos,
Ouriçam-me as entranhas.
Rendo-me aos desejos.
Aos detalhes entrego-me inteira,
Na busca de mim mesma,
Pois não tenho algemas nem porteiras.

CORPO MOLHADO


CORPO MOLHADO
(Genaura Tormin)

Quero sentir a tua essência,
Permear-me nos teus cantos,
Esconder-me nos teus braços,
Decantar todos os traços
Deste desejo indomável.

Quero esse querer querido,
Esse amar sofrido,
Que maltrata, exalta,
E me dá prazer.

Quero envolver-te
Neste fogo que me queima,
Na loucura que me invade,
Ao contemplar o teu corpo molhado,
O desejo assanhado
E o gosto do teu beijo
Na minha boca.

ESSÊNCIA LIBERTA


ESSÊNCIA LIBERTA
(Genaura Tormin)

De asas quebradas,
A ave não pode voar.
O invólucro é prisioneiro,
Mas a essência é liberta,
Bandoleira...

Crescem-lhe asas perfeitas,
Imaginárias.
As peias se partem na amplidão.
Desatam-se os laços!
Ilimitado é o espaço
Para voejar versos,
Soltar a emoção
E sentir-se uma estrela andeja.

A MENTE NÃO ESTÁ NOS PÉS


A MENTE NÃO ESTÁ NOS PÉS
(Genaura Tormin)

Quero dizer a vocês,
Que a mente não está nos pés,
E aqui, na minha cadeira,
Trabalho por mais de dez.

Quem me conhece, já sabe
Da minha capacidade,
Não me curvo por besteira
E luto com hombridade.

Mato a cobra e mostro pau.
Medo, não tenho não.
Já mandei prender bandidos,
De estuprador a ladrão.

Lembro-me do grande Franklin,
Dos Estados Unidos, presidente,
Em tempos reacionários,
Exemplo pra muita gente.

Por isso estou aqui,
Em condição inusitada,
Pois sei que neste Planeta,
Não tem uma delegada

Numa cadeira de rodas,
Que seja capacitada,
Faça inquéritos e flagrantes
Numa Especializada.

Mente sã é corpo são,
Por isso não tenho nada,
Sinto-me com pernas fortes,
Numa cadeira sentada.

Na rua dirijo carro,
Faço compras e viajo,
Trabalho, leciono e nado.
É só questão de estágio.

Para os que não me conhecem,
É essa a informação,
Moradores da cidade
E outros que aqui estão.

sexta-feira, 20 de março de 2009

BOLAS DE GUDE


BOLAS DE GUDE
(Genaura Tormin)

Quero gravar
Todas as agonias.
Quero chorar
O pranto da saudade
E a tristeza dos momentos.

Quero ser os acordes
E um violino
E na fantasia
Jogar a tristeza fora.
Quero alçar meu vôo,
Cultuar a liberdade dos meus cantos,
Do meu pranto.

Quero que as lágrimas
Sejam bolas de gude,
E com elas sorrir e cantar,
Sem ter que chorar por dentro.

Quero fazer um brinde,
Enaltecer a verdade,
Sem ver que ela nunca existiu.

Mas,
Se tudo fosse verdadeiro,
O cometa perderia o espanto
E a alma,
Esgueirada em gargalhadas,
Rasgar-se-ia em bandeirolas
Para enfeitar a vida.

PIROMANIA


PIROMANIA
(Genaura Tormin)

Quero gritar
E me completar no silêncio
Dos meus medos.
Fazer uma torre
Dos nervos rotos,
Calcinados, sangrados de desejos.

Contorcer as angústias
Nos rodopios de bailados mortos,
Na loucura estridente,
Tão inclemente,
Desta piromania
Que me embala,
Me cala,
Mas me faz viver.

Quero mostrar
A úlcera do meu ventre,
O vazio do meu útero!
Quero ser fêmea presente,
Incendiária de amor.

MINHA MÃE


MINHA MÃE
(Genaura Tormin)

Minha mãe!
Quanta saudade!
Brado o seu nome
E tenho o eco por resposta.

O telefone do céu está mudo.
Há muito tempo vivo órfã!
Preciso de um colo
Para descansar meu corpo,
Preciso de um ombro
Para chorar.

Mãe,
Preciso de você para me guiar!
Queria dar-lhe o carinho que guardei.
Dizer da vida,
Das dores, dos amores
E das quedas que levei.
Estou indefesa,
Uma criança outra vez.
São tantas as queixas...

Mãe,
Sua presença me devolve a paz.
A silhueta etérea me acompanha
E sob as suas asas sou amada.
Mas é sempre em sonho
E você me deixa quando alguém me toca.
A claridade quebra o encanto.
E ainda por um instante, deixa-me fitar
Os olhos azuis de quem eu amo tanto!

LAMENTO


LAMENTO
(Genaura Tormin)

Serei o grito do vento
E a tristeza dos que se foram.
Desafinadas as cordas,
Esquecerei a melodia,
Queimarei os versos,
Cultuarei as cinzas
Restos de alegria.

No outono,
Com um sopro quente,
Afinarei as cordas
E outros versos farei.

Cantarei o desalento do tempo,
E vestirei máscara de palhaço
Para gargalhar a vida.

E os desejos
Alcançarão o infinito,
Colados nas asas das pandorgas,
Protótipo de uma nova liberdade.

ENTREGA


ENTREGA
(Genaura Tormin>

É noite
Nos meus cantos e recantos.
Muita nostalgia,
Muita agonia....
Descubro-me sozinha.

Apenas as mariposas,
Fazem-me companhia.
A dança frenética,
Em doce melodia,
Adorna a pouca claridade.

Lá fora,
A sutileza do vento,
As intempéries do tempo
Numa fúnebre ventania.

Cartas na mesa,
Jogo no chão.

RELÓGIO MALVADO


RELÓGIO MALVADO
(Genaura Tormin)

Ontem
Te fiz a última poesia.
Falei tanto do meu amor!

Ontem
Ouvi tua música preferida
E tua imagem se fez profunda em mim.

Mergulhei
Em cada canto do teu corpo
E me deixei ficar,
Embriagada
Na ternura dos teus braços.

Ontem
Tive o prazer de ter-te ao meu lado,
No tapete verde de um gramado,
No êxtase sem fim
De beijos e abraços,
Onde éramos as vítimas
De um amor cumpliciado,
Astuto,
Rebelde
E ouriçado.

Quando explodia em mim o coração,
E o sentimento
Sem amarras me vencia,
Eis que o despertar do relógio no criado
Devolve-me à realidade,
Quando pude perceber,
Que apenas,
Havia eu SONHADO.

ADVERTÊNCIA


ADVERTÊNCIA
(Genaura Tormin)

Fale aos que passarem,
Diga aos que vierem
Que o vento levou o amor.
Era uma pandorga de papel,
E no céu, desapareceu.

O amor existiu, e foi lindo,
Matizado de fragrâncias,
Colorido de ternura.
Tinha sabor de festa...
Mas perdeu-se por ínvios caminhos,
Destruindo a fé,
Esfacelando a vida.

Diga das poesias,
Das flores que enganaram a alma
E dos lamentos
Que se misturaram no ar.

Diga da dor
Aos mendigos que passam,
Aos seresteiros da madrugada,
Aos pássaros que cantam...
Diga dos olhos marejados,
Da ferida aberta que nunca sara!

Diga que a dúvida matou o querer
E a essência exala,
Ficando em tudo
A saudade de uma pandorga perdida.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)