PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020



A Melhor Parte de Mim



A Melhor Parte de Mim

(Genaura Tormin)


A melhor parte de mim, é o meu pensamento, meu sentimento o meu alento, não é o meu andar nem o meu bailar.

É o meu sentir, o meu agir me fez assim, simples e completa. 

Apaixonada pela vida, perdi o medo de viver, superei obstáculos, venci!!

Tracei caminhos, deixei rastros e hoje sinto que vou sentir falta da melhor parte mim.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ESSÊNCIA LIBERTA



Essência liberta


(Genaura Tormin)

De asas quebradas,
A ave não pode voar.
O invólucro é prisioneiro,
Mas a essência é liberta,
Bandoleira...

Crescem-lhe asas perfeitas,
Imaginárias.
As peias se partem na amplidão.
Desatam-se os laços!
Ilimitado é o espaço     
Para voejar versos,
Soltar a emoção
E sentir-se uma estrela andeja.

É muito importante a consciência de que não estamos aqui por acaso. A responsabilidade da caminhada é unicamente nossa e não podemos fraquejar. Somos seres gregários, cabendo-nos a compaixão pelo próximo, pelo menos o mais próximo. É sempre bom reafirmarmos os nossos propósitos de fé nos valores e no exercício do amor.
“Sei que toda caminhada tem um destino e uma direção, por isso, devo medir os passos, prestar atenção no que faço e no que fazem os que por mim também passam, ou pelos quais, passo eu.
Que eu não me iluda com o ânimo e o vigor dos primeiros trechos, porque chegará o dia em que os pés não terão tanta força e se ferirão no caminho e se cansarão mais cedo.
Todavia, quando o cansaço houver, que eu não me desespere e acredite que ainda terei forças para continuar, principalmente quando houver quem me auxilie.
É oportuno que, em meus sorrisos, eu me lembre de que existem os que choram.
Que, assim, meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem.
Quando chegar a minha vez de chorar, que eu não me deixe dominar pela desesperança, mas entenda o sentido do sofrimento que me nivela, que me iguala, que torna todos os homens iguais.
Quando eu tiver tudo: farnel e coragem, água no cantil e ânimo no coração, bota nos pés e chapéu na cabeça, razão para não temer o vento e o frio, a chuva e o tempo, que eu não me considere melhor do que aqueles que ficaram para trás, porque pode vir o dia em que nada mais terei para a jornada. E aqueles que ultrapassei me alcançarão no caminho. Poderão, também, fazer como eu fiz, e nada de fato fazerem por mim, que ficarei sem concluir o meu trajeto.
Quando o dia brilhar, que eu tenha vontade de ver a noite, em que a jornada será mais fácil e mais amena.
Quando for noite e a escuridão tornar mais difícil a chegada, que eu saiba esperar o dia como aurora, o calor como bênção.
Que eu perceba que a caminhada só poderá ser mais rápida, mas muito vazia.
Quando eu tiver sede, que encontre a fonte no caminho.
Quando eu me perder, que ache a indicação, a seta, a direção, a estrela‑guia.
Que eu não siga os que se desviam, mas que ninguém se desvie seguindo os meus passos.
Que a pressa em chegar não me afaste da alegria de ver a simplicidade das flores à beira da estrada.
Que eu não perturbe os passos de ninguém.
Que eu entenda que seguir faz bem, mas, às vezes, é preciso ter-se a bravura de recomeçar, voltar ao ponto de partida, tomar outra direção.
Que eu não caminhe sem rumo.
Que eu não me perca nas encruzilhadas, mas não tema os que assaltam e os que embuçam.
Que eu vá aonde tiver que ir e, se eu cair no meio do caminho, que fique a lembrança de minha queda para impedir que outros caiam no mesmo abismo.
Que eu chegue, sim, mas, ainda mais importante que eu faça chegar quem me perguntar, quem me pedir conselho, e acima de tudo, seguir-me, confiando em mim.”
A vida é cheia de quedas, de alegrias, realizações, muitas chegadas, onde tantos nos esperam cheios de sorrisos, de incentivos.


quarta-feira, 11 de julho de 2018

PÉRGULAS DO DESTINO



PÉRGULAS DO DESTINO
(Genaura Tormin)

Sei que incomodo!
Estou além do meu tempo!

Construo pontes, vou às fontes,
Enfrento tornados,
Rebato o desalento,
E me faço contente.

Se brilho?
É só consequência.

Não me rendo! 
As armas empunho.
Procuro sobrevivência.

Pego o meu fardo 
E vou seguindo,
Catarolando pelos caminhos,
Pérgulas do destino.

O coração está sereno,
A alma em paz,
E trânquila 
Está a Consciência.

UM PAPO DESCONTRAÍDO



UM PAPO DESCONTRAÍDO
(Genaura Tormin)

Duas amigas: a Cida e a Nanda, 
sentadas para 
um “papo” descontraído. 
Do que falam, eu não sei.

São minhas crias. 
Há muito amor envolvido, muito prazer, 
chegando a ser terapia... como gosto de dizer. 

São os meus poemas de panos, versos que só agora 
aprendi a fazê-los para suprir lacunas, 
espantar a solidão, 
a saudade do marido que partiu para a 
outra dimensão da vida 
 e fabricar felicidade.

CIDA E LU



CIDA E LU
(Genaura Tormin)


Aqui, a Lu auxiliando a Cida, pois, nem sempre 
o mobiliário das cidades oferecem-nos 
acesso para o ir e vir. 
São as barreiras de concreto que nos tornam diferentes.
Costumo dizer que a pessoa com deficiência
é uma campeã de si mesma!
Devidamente inserida num ambiente
plenamente adaptado produz e se evidencia,
pois o desafio é sua arma, seu cajado. 

Ambas foram feitas por mim. 
São versos de poemas diferentes,
eivados de poesia e satisfação.


O auxílio espontâneo e amistoso 
faz parte da felicidade, do amor crístico, 
da solidariedade com o irmão em dificuldade. 
É também amizade, 
respeito e carinho.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Bonequinha "ISA" - mais um poema de pano


BONEQUINHA “ISA” - MAIS UM POEMA DE PANO
(Genaura Tormin)

Mais uma cria concluída!
Essa é a Isa!
Amo fazer essas mocinhas!
Dão-me tanto prazer! 
Levam-me a tantos lugares, a muitos momentos lindos de minha vida!
Volto à infância risonha e doce!
Volto à liberdade do campo, do milharal que ouriçavam as maritacas numa sinfonia de paz! 

Volto ao gorgolejar do riacho, enfeitado por aromas mil que até hoje fazem-se presentes em minhas lembranças. 
Foram as minhas origens no seio da natureza verde e florida! Sacrário de minha infância!
Depois o Colégio de Freiras aonde passei 9 anos desse meu tempo descobridor, tão encantado com tudo.

Como aprendi a viver! 
Quantos ensinamentos, quantas brincadeiras, colegas... as freiras.
Eram muitas as nossas mães! 
Freiras abnegadas que nos emprestaram amor de mãe, sem nunca haverem experimentado a maternidade real.
E hoje, eis-me aqui a passear pelo meu passado e fazer bonecas.
A vida têm-me sido pródiga. Meu fardo tem sido leve e o meu jugo não oprime. Carrego-o com galhardia, deixando jorrar pelos caminhos o meu canto.
Não me canso de ser feliz! 

O resto são ensinamentos de que tanto preciso para moldar meu coração galopante pelas estradas dessa vida.
Assim, agradeço por ter nascido fêmea, poeta e entusiasmada pelos amores, pela vida, pela arte de fazer versos, incluindo agora os poemas de pano que me afloram os sorrisos.

Agradeço à prole que,  por mim viera ao mundo, devolvendo-me agora netos lindos e carinhosos para quem eu aprendi a “bonecar”.

Hasta luego!



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ESTEJA NO COMANDO



ESTEJA NO COMANDO
(Genaura Tormin)

Siga firme, 
Determinado!
Seja bom e simples,
Esforçado e verdadeiro.

Não ofenda, não se irrite.
Apenas siga  contente.
Deus não o  criou para o fracasso!
Lembre-se disso!

Cultive valores morais e crísticos.
Mostre sua capacidade.
Prepare-se para isso.
Nunca desista antes de tentar!

Os obstáculos?
Existem para serem enfrentados.
Reforçam a coragem e a fé.
Esteja sempre no comando!


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

UM PASSEIO INESQUECÍVEL



UM PASSEIO INESQUECÍVEL
(Genaura Tormin)

Uma excursão de ônibus para testar limites.
Doida para conhecer o "novo", conferir possibilidades.
É um grande desafio que espero ao final, sentir que, mais uma vez, 
enfrentei e VENCI! 

Minha caminhada tem sido um arsenal de rebordosas
que se quedam sob a coragem que me alicerça.
Agradeço pelas oportunidades que me forjam assim.
O Senhor é o meu Pastor e não me faltará. 
Acredito nisso!

Estamos seguindo...
O ônibus muito confortável, justificando a façanha para mim.
Tudo bem legal.

Suporte para elevação das pernas, muito espaço, sistema de som, 
geladeira, banheiro, sala de jogos, internet, ar condicionado, filmes e boa companhia. 
E o melhor: não viaja à noite.
A equipe e o serviço de bordo são excelentes!!
Hasta luego!

Vou dando notícias. 
E lá vamos nós!
O marido segue junto, feito o anjo guardião, debulhado em cuidados. Também segue o enfermeiro para auxílios necessários em lugares que nos possam surpreender.
Permiti-me a todos os eventos com a turma, sem medo de ser feliz.
Assistimos à chegada do Ano Novo, à beira-mar, ao brilho e ao som dos fogos, brindados com champanhe e abraços.

Espaço plenamente adaptado. Tudo perfeito para nós.
Atravessamos a fronteira para um dedinho de prosa com los hermanos.
Senti-me inteira.
Fomos até as Cataratas do Iguaçu, onde tudo me foi possível. 
Acesso até o fim do mundo!

Comemorei de braços abertos, diante da natureza debulhada em sons e beleza, 
sob um céu de anil e a grandeza do Criador!
Senti-me dona do mundo!

Conhecemos muitos lugares, hotéis, restaurantes, vinícolas, onde eu ia conferindo o respeito às leis da Inclusão.
Estivemos em São Francisco do Sul - Santa Catarina, cujos casarios remontam à sua história indígena. É a terceira cidade mais antiga do País. 

Lá, passamos um dia no Barco Príncipe,
com almoço e grande animação, incluindo uma foto com o Comandante.
Muitas outras cidades encantaram os nossos olhos, com sua beleza e progresso. Especialmente Presidente Prudente, em cujo hotel, conheci a mais perfeita adaptação para bem acolher uma pessoa com deficiência, que deambula de cadeira de rodas, além de excelente café da manhã, limpeza e bom trato. 
Finalmente, a hora de voltar.

Realmente, Aristóteles Onassis tinha razão quando disse: "O homem só fracassa quando desiste de tentar. Todos os dias me levanto para vencer!"
Pois é, acabo de imitá-lo! Venci!
Resta-me um gosto incrível de conquista e uma sensação de prazer e poderio.
Tenho asas e galgo todos os espaços.

Para concluir o passeio, em alto estilo, comemoramos com um lauto e fraterno jantar, numa bela churrascaria, com um show ao vivo e muitos sorrisos...
Fomos felizes, alargando-se o elo de amizade que trouxemos na bagagem.

Pessoas lindas, sensíveis, que bordaram os nossos corações de afeto.
Finalmente ouso dizer, plagiando o o poeta Fernando Pessoa:
"Tudo vale a pena se a alma não é pequena."

E essa viagem foi a confirmação de que nada é impossível para uma mente altruísta e determinada.

sábado, 10 de dezembro de 2016

RELEMBRANDO



RELEMBRANDO...
(Genaura Tormin)

Na Delegacia de Crimes de Acidentes de Trânsito, as ocorrências se intensificavam.
Ainda estava de lua-de-mel com a 2ª edição do meu livrinho, e era comum o recebimento de cartas, visitas, telefonemas... Um telefonema marcou-me muito naquela época. Era o de uma senhora, também paraplégica.

— Ganhei de presente o livro Pássaro Sem Asas de sua autoria e já o li três vezes. Fiquei pasmada como você consegue relacionar-se sexualmente com o marido. Desde a fatalidade que me ocorrera não mais fizemos amor. Choro todos os dias. Tenho bolsões sob os olhos. Penso muito em suicidar-me. A vida não tem sentido. Tomo tranquilizante e tenho uma moça para cuidar de mim. Meu marido saiu de casa sob a alegação de trabalho. Só retorna nos fins de semana. Ele se irrita ao me ver chorar. Acho que vai me abandonar — dissera-me ela, sentida.

— Você deve ler o meu livro mais vezes e tentar imitar-me. A vida não é fácil! Você tem de achar uma maneira de comandar-se, tomar as rédeas de sua casa. Na minha, continuo sendo a dona. Não tenho moça para cuidar de mim. Sou eu quem cuida de todos. 

Tudo como antes, embora as pernas não marquem passadas no chão. Por que tranquilizantes, choro, pessimismo? Ninguém vai resolver o seu problema a não ser você mesma! Ninguém gosta de ficar perto de pessoas assim. “Quem se alegra, segue em grupo, quem chora, segue sozinho”. Aja enquanto é tempo! Arrume-se! Tome gosto pela vida. Assuma a sua casa! A mente não sofreu defasagem. Ponha um sorriso no rosto! 

Reconquiste seu marido! Caso contrário, breve vai perdê-lo!
Lógico que ela não esperava essa resposta. Foi como se eu botasse água na fervura. Mas precisava ser assim. Teria que haver um choque para uma tomada de consciência. Senti que ela ficou desapontada e, simplesmente, despediu-se.

Dias depois, um mês talvez, telefonou-me dizendo haver seguido as minhas orientações.
— Estou outra! Joguei a tristeza fora, dei uma ajeitada no visual, reconquistei o marido e já fizemos amor! Valeu a “dura” que você me deu! Fiz do seu livro uma cartilha!

Fiquei feliz com as palavras da colega. Juro que da nossa primeira conversa restou-me um sentimento de culpa por haver sido tão dura. Sei que ela queria um ombro para chorar, mas a situação estava tão acentuada que o tratamento de choque seria a única solução. 

Energia, também, significa amor.
Tempos depois, noutra ligação, ela estava tão bem que queria arranjar um emprego. Queria sair de casa, atuar, trabalhar, participar... Orientei-a como pude. Afinal, tratava-se de uma pessoa erudita, o que facilitava a realização do seu desejo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A FORÇA DO AMOR



A FORÇA DO AMOR
(Genaura Tormin)

A vida seguia seu curso.
A família unida e engajada.
Podia-se dizer que era regida pelo slogan: Um por todos e todos por um, desde os mais tenros anos.

Problemas sempre vencidos e vitórias conquistadas.
Quatro filhos, o que favorecia as brincadeiras, passeios, amizade, tarefas... e a interação de amor que era partilhado no sorriso e na gratidão.

Todos bons filhos, bons amigos, bons alunos, e os mais lindos do mundo no meu coração de mãe.

Uma bênção em nossas vidas!
Agora já cursavam a Universidade.
Nós, os pais, éramos a estampa do contentamento, do sorriso farto e da alegria.
O caçula ingressara aos dezessete anos de idade, no Curso de Direito da Universidade Federal. Os filhos, geralmente, tentam seguir a profissão dos pais.

A adolescência, transcorrera sem problemas, numa família onde o diálogo se fazia presente e a autoridade também. Acredito mesmo, que ela deve ser uma empresa, por isso carece de uma boa gerência em todos os sentidos.

Errados princípios, dificultosos fins, costumava dizer sempre a minha mãe.
As etapas devem ser queimadas ao seu tempo, sem atropelamentos.

A fiscalização cabe aos pais, na tarefa responsável de endereçar suas crias na senda do bem, estimulando a fé e a crença no porvir, através do estudo, da educação e do trabalho, sempre sob as forças do bem, do amor e da fraternidade.

Como nós, eles também serão pais um dia.
A história dessa caminhada significam livros escritos na memória da família, no vagar do tempo, para a posteridade.

Frederico, como o último da prole, perquiria seu lugar nos escaninhos do nosso afeto.
Certo dia, chegou em casa acompanhado por uma linda garota que, ao me ver, estampou um largo sorriso e me chamou de tia.

Foi amor à primeira vista.
A danadinha, embora ainda criança, conquistou o meu afeto.
Cursava o segundo grau do colégio.

Posteriormente a sua família viera morar no nosso prédio. Agora éramos vizinhos!
Dessa época, eu me lembro que se alargaram os horizontes da amizade, fazendo-nos amigos de verdade.

De vez em quando, a menininha de cabelos pretos, olhos brilhantes, ternura à flor da pele, chegava em visita à nossa casa.

O sorriso iluminava o rosto daquele ser, ainda tão criança. Era o verdor dos seus quatorze anos de idade.

Chegava depressinha, feito a abelha que viceja a flor. Logo se despedia, sob a alegação de tarefas escolares.

Nos meandros de mim eu pensava: que menininha que estuda!? Será que estuda mesmo? Tantas tarefas assim?

Vou investigar. Afinal, sou delegada _ pensei eu.
Dias depois, lá vem a mocinha! Era a namoradinha do meu filho e a pergunta era quase sempre a mesma.

_ Tia, o Fred está?
E logo vinham as despedidas, com a explicação de que tinha que estudar.
_ Por que você estuda tanto, além da frequência à Escola? - Arrisquei perguntar.
_ Sabe, tia, meu pai morreu quando eu era bem pequena.

Somos três irmãs!
Minha mãe trabalha muito e é ela quem nos paga a escola e tudo o mais que precisamos. É mesmo uma guerreira e eu sinto que tenho que ajudar de alguma forma.

Na minha Escola, quem consegue classificar-se em primeiro lugar entre os demais alunos, não paga a mensalidade.

E é isso que tenho feito. É o mínimo que posso fazer! É o jeito para demonstrar-lhe minha gratidão, minha participação. Emociona-me dizer-lhe ao final do mês:
_ Mãe, eu tirei primeiro lugar de novo!

Foi uma explicação tão linda, que me embargou a voz, marejando-me os olhos, numa admiração incontida por uma garotinha de 14 anos.

E a vida a passar... dias, meses, anos!
Agora, a mocinha terminava o colegial e, sem cursinho, fora aprovada no vestibular para o Curso de Direito da Universidade Federal.

Ao término do curso, vieram as muitas aprovações em concursos públicos.
Hoje, ela é uma Promotora de Justiça!

Invertendo o refrão de minha mãe, eu digo, sem medo de errar:
Princípios certeiros, finais felizes!

E o amor a gerir toda uma vida!
Ele é sempre a maior e a melhor de todas as opções!
É Deus dentro da gente!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

FÉRIAS NUM RESORT




FALTA ACESSIBIIDADE
(Genaura Tormin)

Vencer barreiras arquitetônicas é um dos grandes desafios enfrentados no dia a dia da pessoa com deficiência física, principalmente a que deambula de cadeira de rodas.
Muitos obstáculos a vencer! Entretanto é necessário conquistar a liberdade de ir e vir, mesmo a duras penas, ingrediente principal que nos garante a inclusão na sociedade.
“Levanta e vem para o meio” é um o tema de uma Campanha da Fraternidade.

Embora o desafio seja a nossa meta para criar consciência popular sobre essas pessoas diferentes, há muito ainda a desejar. A acessibilidade, condição indispensável para que possamos viver com dignidade, é a principal, pois precisamos nos mostrar, exercitar o nosso caminhar. Enfim, viver, como cidadãos que somos.

Para ilustrar, vou contar uma pequena história:
Uma viagem à praia. Um resort à beira-mar adaptado às condições de uma pessoa com deficiência locomotora que não prescinda de uma cadeira de rodas. Tudo acertado com o agente de viagem. Ponte aérea, sol bem arregalado, num cantinho do céu, chamado felicidade.

No aeroporto o veículo estava à nossa espera. Um micro-ônibus, com porta estreita e a informação de que estava emperrada, tornando-se mais estreita, ainda. Não conseguia completar seu curso de abertura. Impossível uma contensão de forças másculas para rebocar-me ao seu interior. Não passaria pela porta envolta em braços.

O agente de viagem embarcou-nos num táxi, à nossa expensas financeira, com a promessa de ressarcimento, o que não aconteceu.

Mas, vamos lá, um problema vencido, característica indômita do brasileiro e do determinismo em reverter situações adversas.
Após o percurso de uma hora mais ou menos, eis-nos à frente de um majestoso resort, com lindas trepadeiras floridas que lhe enfeitavam a entrada.

Logo, o nosso quarto, bonito e aparentemente adaptado às minhas condições de cadeira de rodas. Via-se que passara por uma recente reforma. Amplo e aconchegante, com lindas cortinas e uma sacada, de onde se desnudava o mar bravio que se escondia manhoso depois dos coqueirais balouçantes, com cheiro de brisa e maresia. Um convite a uma estada feliz e renovadora.

O banheiro, cheio de pretensas adaptações distribuídas pelas paredes.
Na verdade, aos olhos do leigo, era possível distinguir-se pelo esmero, e quem sabe, pelo respeito aos seus reais usuários.

Que tristeza! Nada tinha a ver com as necessidades de uma pessoa com deficiência física. Poderia servir aos que andam de muletas, nunca aos que andam de cadeira de rodas.

Num quadrado, de um metro mais ou menos, com paralelas laterais de apoio, sem espaço ao lado para o posicionamento da cadeira de rodas, encontrava-se centrado o vaso sanitário. Era como se o seu usuário, num passo de mágica, ficasse de pé e desse meia volta para se sentar nele. Além disso, havia uma grande distância entre a parte posterior do vaso e a parede. Onde apoiaria as costas? Como fazer os manuseios sem equilíbrio? Qualquer descuido poderia cair para trás.

Impossível, mesmo, usar o sanitário do lindo resort. Precisava apoiar as costas para fazer os manuseios de assepsia e introdução da sonda vesical. Nem mesmo para tentar, teria condições.

O chuveiro, num requintado box, continha uma cadeira minúscula, sem braços, com o assento em tiras, dependurada numa alça de apoio, postada em desconexo com a altura e com os registros misturadores de água quente e fria.

Impossível acioná-los, pois ficavam às costas, numa posição bem acima do desejável. Como lavar os órgãos genitais nessa gangorra, que mais parecia uma balança, pois os pés não alcançavam o chão. Soltar as mãos da alça de apoio postada na parede, nem pensar. Um tombo seria inevitável. Lavar os cabelos? Também não.

Do pomposo banheiro, quase um salão de banho, restava ainda o lavatório, com secador de cabelos, torneira fotocélula (aquela que se abre com a simples aproximação das mãos) e um grande espelho à frente.

Não precisava observar muito para ver que também não podia acessá-lo. Encontrava-se sob o lavatório, um obstáculo - um cano - usado como cabide para as toalhas, impedindo, por sua posição e altura, o encaixe da cadeira de rodas para conseguir usá-lo. Nem lavar as mãos, eu conseguiria. O jeito mesmo era passar uma toalha molhada.
Improvisar para não chorar. Não havia outra saída. O que fazer? Estávamos ali para descansar, para ser felizes. Eu não podia ser o empecilho. Assim, sorriso pra lá, sorriso pra cá e a vida a passar.

“Faz de conta” é a ordem. Afinal o mundo não é adaptado para nós, embora existam leis que determinem esse procedimento.
Em tempo oportuno, tentei conscientizar o responsável administrativo do resort e, lamentavelmente, fui informada de que para toda aquela pretensa adaptação, fora contratada uma assessoria.

Ponho-me a pensar:
Como são desinformados, para não dizer irresponsáveis. Nem uma assessoria, paga para um trabalho especializado, empenhara-se em se informar, em pesquisar para entender as necessidades primárias de um ser humano diferente. Não houvera preocupação em fazer jus, honestamente, ao dinheiro que lhe fora pago.

Os reais usuários, jamais são consultados. É como se fôssemos objetos inanimados, indesejáveis. Por isso costumo dizer que “nada para nós, sem nós”. A gente sabe onde o sapato aperta e o que nos facilita o ir e vir tão diferente.

Essas obras parecem eleitoreiras, ou simplesmente, edificações para burlar as obrigações determinadas pela lei.
Somos um país em desenvolvimento, tão diferente dos países de primeiro mundo! Respeito é uma palavra meio desconhecida por aqui.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

PROFISSIONAL DE PORTAS



PROFISSIONAL DE PORTAS
(Genaura Tormin)

Eu tinha que cantar!
Não sabia por quanto tempo.
O coração agasalhava o medo.
Tudo atirado ao caos,
Parecia matar-me a alma.

Não havia portas,
Nem janelas.
Eu as teria que fabricar,
Jogar o jogo do contente
E seguir em frente!

O lar cheio de algazarras,
Risadas e alaridos
Havia ficado triste
Em rostinhos inocentes.
Um tornado havia passado
E sem dó desarrumado
O que eu havia colecionado.
Por isso,
Eu tinha que cantar!

Pus-me no trabalho!
Juntei os cacos,
Estanquei lágrimas
E fiz-me forte aos rigores do frio.
Teria que carpir portas!

Hoje,
Abro a janela tempo
E converso com o vento,
Que me açoita os cabelos brancos.

Revejo os feitos e concluo:
Fui uma profissional de portas!
Serviço bom e bem feito.
Por isso,
Eu hoje canto e agradeço!
Tenho mais do que preciso e mereço!

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)