PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020



A Melhor Parte de Mim



A Melhor Parte de Mim

(Genaura Tormin)


A melhor parte de mim, é o meu pensamento, meu sentimento o meu alento, não é o meu andar nem o meu bailar.

É o meu sentir, o meu agir me fez assim, simples e completa. 

Apaixonada pela vida, perdi o medo de viver, superei obstáculos, venci!!

Tracei caminhos, deixei rastros e hoje sinto que vou sentir falta da melhor parte mim.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

VIDA, VIDA MINHA!



VIDA! VIDA MINHA!
(Genaura Tormin)

A vida vai continuar! 
Serei uma caçadora, uma ave a voejar caminhos, procurar galho para fazer outro ninho! 
Meus poemas ficarão para a posteridade! 
Minha vida, decantada em prosa e verso alentará pessoas, restando assim, ainda um pouco de mim.
E quando eu me for, nas asas do vento, nos refegos da ramagem de uma tarde linda, com mistérios e cores, O Pássaro Sem Asas planará faceiro, contando um pouco desse meu jeito guerreiro, valente, de enfrentar desafios, cantar a vida e ser contente.

Despedida


Quando eu partir
Deixarei saudades...
Presença silenciosa.
Frases inaudíveis 
Ecoarão no ar.
Só, seguirei a minha estrada...
Nada levarei. 
Não é necessário.


Para trás,
Um lar vazio,
Uma lembrança gasta,
Uma janela aberta...
Mas se um dia,
Sentirem a minha falta,
Juro, não é covardia,
Deixem rolar o pranto,
Espantem essa agonia.


Em nome dessa partilha,
E da felicidade 
Que nos uniram um dia,
Relembrem os bons momentos.
E se eu puder,
Virei enxugar-lhes o pranto,
Num raio de sol, 
Num sopro do vento.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

NOVO CICLO



Novo ciclo
(Genaura Tormin)


Numa restropectiva de mim mesma, do alto de 70 anos vida, alicerçada pela minha abençoada cadeira de rodas, revejo a caminhada e agradeço! 
Tudo me veio na medida certa e no tempo exato. 
O Feitor da Vida sabe o que faz! 

Talvez se não tivesse sido assim, não teria tido tantos sucessos e as empreitadas não significavam conquistas no pódio de tantas vitórias. 
Um projeto bem sucedido! E não fui eu a arquiteta. Tudo chegava a seu turno, galopando em dinossauros ou burrinhos. 

E eu entendia o tamanho do esforço que haveria de fazer. Aprendi a ler as entrelinhas, bordadas por frases construtivas, nas encostas de tantos caminhos. E eu as segui!
Os motivos, pequenos ou grandes, eram tão convincentes para alavancar essa indômita vontade de viver que me estampa o ser. 

Aprendizado, sucessos e desafios mesclaram-se em todas as jornadas, fazendo-me sempre à prova de bala! E essa camisa de força nunca se apartou de mim! Eu a ostentarei até o fim.
Deus, família e trabalho foram sempre os meus melhores motivos. A razão de minha estada por aqui!

O ciclos foram-se encerrando para que outros tivessem lugar. 
Isso é o exercício da vida. 
O trabalho foi sempre a minha religião e o maior mestre. 
Novo ciclo se exibe agora garboso!

Acabo de ingressar no rol dos aposentados, companheiros de 3a. Idade!
Preciso domar esse meu coração valente!
Preciso aceitar e me despedir do meu oficial trabalho!

Queridos colegas:

Procurarei não ser prolixa para que os sentimentos não abram as comportas dos meus olhos, tão bem tarameladas para aqui estar
Cheguei!

Avalio o caminho, revejo os pés e no calendário do tempo, confiro os 70 anos de vida feliz e bem vivida, dos quais 51 anos ininterruptos de vida pública dedicada ao meu País.

O espelho ainda me fala de sorriso, otimismo, alegria e alguma beleza. 
Isso, porque tudo que fiz foi sob o comando do amor, da qualificação, da satisfação do fazer e do respeito ético.

E eis que chego neste final de estrada, com o sentimento de missão cumprida!
Mochila às costas, diante de vcs, para um abraço, um agradecimento, um até logo ou um até breve.
Chegou a hora de ir! Não estranhem se acaso eu chorar.

Egressa de um concurso para Analista Judiciário do TJDFT, aqui estou há 21 anos.
Foi um tempo de paz, de crescimento, de trabalho para que a prestação jurisdicional chegasse em tempo célere ao jurisdicionado, em que eu me senti feliz, contente, contribuindo com a Justiça do Trabalho do meu Estado.

Durante todos esses anos integrei-me bem às equipes, irmanando um só espírito-de-corpo, pois jamais me subjugo às subserviências em busca de protecionismo sob o álibi da cadeira de rodas que ocupo há 34 anos.
Ela não me posterga, pelo contrário, enobrece-me!
Convida-me ao desafio.
E eu gosto disso.

O nosso Tribunal potencializa os recursos e tecnologias assistivas visando à plena acessibilidade das pessoas com deficiência.
Isso se chama respeito, inclusão.
Nunca me senti diferente, discriminada.
Acredito que não há discriminação que resista à competência.
Não é necessário paternalismo nem diferenciação, apenas respeito às leis e à célebre frase de Rui Barbosa: “... tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam”.

Mas agora chegou a hora de ir.
Muitas saudades levarei.
Lembrar-me-ei de todos os companheiros de labor, com quem aqui convivi.
Essa linda história de trabalho neste Tribunal será um marco de saudade nas celas de minhas recordações no acalanto dos dias.

Mas a história ainda não acabou. Conotativamente fui formiga a vida inteira, agora vou ser cigarra: cantar a vida, bordar horizontes, irmarnar-me às asas dos pássaros e rever prados, campinas e montes, solfejando a lira dos poemas meus.

Nunca me esquecerei do tempo que aqui servi como formiga e fui tão, tão feliz.
Esta Corte de Justiça continuará minha também. 
Os Camaradas-formigas terão um lugarzinho cativo no meu coração.
Mas, agora, adeus!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

FAÇO ANIVERSÁRIO DE NOVO



NOVAMENTE FAÇO ANIVERSÁRIO
(Genaura Tormin)

Setenta e um anos,
Bem vividos.
Não omito a minha idade.
Legado de muita luta
Que significa felicidade.

O espelho já não é o mesmo.
Não me aplaude sorridente!
As marcas se estampam
Feito pérolas diferentes.

O rigor do tempo
Verga-me a silhueta,
Mas eretas estão a alma e a coragem,
Para concluir com galhardia
Essa viagem.

A valentia é a minha arma,
O otimismo, o guia
E o amor me redime
No dorso da poesia.

Muitos mestres
Ensinaram-me a viver!
Do trabalho fiz prece,
Refúgio, meta, rumo,
Escadas para a dignidade.

Sai pela compulsória!
Para descansar,
Tenho a eternidade.
Quantos aniversários ainda farei?

Irmã da natureza,
A existência é finita!
Perece para renascer.
Posto-me de joelhos
E agradeço.
É o meu aniversário!

sábado, 7 de maio de 2016

MINHA QUERIDA MÃE


MINHA QUERIDA MÃE 
(Genaura Tormin)

A cada conta que rapasso
Do meu rosário de saudades,
De prece, de solidão, de queixas,
Tu não estás aqui!
E eu choro!
Como sinto o teu cheiro!
A falta do teu carinho dengoso,
Do teu coração desnudo em versos,
Poemas e canções. 
Os sábios conselhos, ainda ouço.
Era o alento de segurança 
À criança que ainda sou.

Como te preciso, Minha mãe!
Não sei andar sozinha.
Ainda tenho medo de escuro.
Posso cair e não sei me levantar.
São tantos os fantasmas
Que me assustam!

Eu sou teu fruto, minha mãe!
Tua essência, teu amor!
Dizias que eu era o teu tesouro.
Mamãe, não consigo viver só.
Não houve volta 
Dessa tua viagem!
Vivo ainda a te esperar aqui.
Alegro-me com rostos parecidos,
Que me levam a ti.

Encontro-te nos meus sonhos,
Mas tudo se desfaz!
E outra vez me deixas.
Logo irei ao teu encontro,
Aconchegar-me em teus braços,
Acolher-me ao teu regaço,
Para nunca mais chorar.
_____________________

Em mais esse Dia das Mães, o meu preito de gratidão e saudade à minha mãe, 
que hoje habita no Cosmos, junto ao Criador de Vidas

sábado, 9 de maio de 2015

EU SOU A GENAURA TORMIN


Eu sou a 
Genaura Tormin!

Uma mulher experiente, contente, que improvisa a vida e se reputa valente.

Sou a estampa da alegria! 
Faço versos no dorso da poesia. 
Tento driblar o espaço, 
Unir-me às asas dos pássaros, 
E soltar as peias, afrouxar os laços.

Moro em Goiânia, uma cidade bonita, esculpida no meio do cerrado, entre montanhas e vales, na região do planalto, no centro de Goiás, no coração do Brasil. Sua gente é solidária, hospitaleira, de sorriso franco, alegria brejeira.

Fiz o curso de Direito e especializei-me em algumas áreas. 
Sou Delegada de Polícia! 
O tempo legou-me a aposentadoria. 
Irreverente que sou, arranjei outra ocupação. 
Estudei e prestei concursos. 
Sou Analista Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho! 
Adoro o meu trabalho, os meus colegas e superiores.

Ah! As minhas expectativas com o curso? 
_ As  minhas expectativas são as melhores possíveis. 
Gosto de interagir, aprender, conhecer o "novo", acrescenta-me enquanto gente nesta caminhada terrestre. 
Especialmente, gosto da língua pátria, da qual tanto necessito para a escorreita grafia dos meus textos. 
Ah! Esqueci de dizer. 
Sou escritora! 

Tenho 5 livros editados e um blog. www.genaura.blogspot.com
onde escancaro toda a minha sensibilidade num varal de versos, num arsenal de artigos sérios, sob variados temas. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

NOVAMENTE FAÇO ANIVERSÁRIO




NOVAMENTE FAÇO ANIVERSÁRIO
(Genaura Tormin)

Sessenta e nove anos!
Não omito a minha idade.
Legado de muita luta
Que significa felicidade.

O espelho já não é o mesmo.
Não me aplaude sorridente!
As marcas se estampam
Feito pérolas diferentes.

O rigor do tempo
Verga-me a silhueta,
Mas eretas estão a alma e a coragem,
Para concluir com galhardia
Essa viagem.

A valentia é a minha arma,
O otimismo, o guia
E o amor me redime
No dorso da poesia.

Muitos mestres
Ensinaram-me a viver!
Do trabalho fiz prece,
Refúgio, meta, rumo,
Escadas para a dignidade.
Saio pela compulsória!
Para descansar,
Tenho a eternidade

Quantos aniversários ainda farei?
Irmã da natureza,
A existência é finita!
Perece para renascer.
Posto-me de joelhos
E agradeço.
É o meu aniversário!

sábado, 10 de maio de 2014

MINHA MÃE - MEU TESOURO





MINHA MÃE - MEU TESOURO
(Genaura Tormin) 


Mãe,
Como me faz falta o seu colo,
O seu amor cuidador,
O seu afeto gostoso,
A sua presença nesta solidão
Que se transmuta em dor.

Você se foi e eu fiquei a esperar.
A passagem está comprada
E eu pronta para seguir ao seu encontro.
Sou sua filha, seu sangue, sua essência.
Você me fez sensível, chorona…
Uma poeta nesta existência.

Preciso de você, minha mãe,
Para secar-me o pranto,
Curar-me as feridas,
Emprestar-me o ombro.
Preciso mergulhar no oceano
Desses olhos azuis
Que compartilham tanto amor, tanto encanto!

Eis-me da espera tão cansada!
Quantos anos repasso
No rosário de minhas saudades.
Ainda sou uma criança
A procura dos seus braços.

Essa falta grita, lateja, queima...
Recolho-me e penso.
No descompasso do meu coração saudoso,
Na contrição do cérebro atento,
Por um instante, sinto-a por perto 
A afagar-me os cabelos,
A falar-me de afeto.

Minha mãe!
Maior Tesouro que pude ter nesta vida!
Ainda órfã,
Em mais este DIA DAS MÃES, 
Envio-lhe o meu coração,
Minha gratidão, minha saudade.

terça-feira, 3 de julho de 2012

MAIS UM ANO EU VIVI




MAIS UM ANO EU VIVI
(Genaura Tormin)

Mês de julho!
Mais um aniversário!
Tudo tão célere
Feito as contas de um rosário.

Cabisbaixa está a silhueta!
Mas a alma ereta, satisfeita
Planta aconchego e canta,
Ouriçando este coração/poeta.

O espelho reflete os sonhos,
Os medos e as verdades,
Arsenal de amores,
Projetos e versos
Legados para a posteridade!

Nesse passo de dança,
Nesse canto que canto,
Debulho toda a esperança
Dessa poeta criança
Que ainda vive em mim.

É meu aniversário!
Quantos anos vivi?
Eu não os conto assim.
Conto pelo que fiz,
Pelo que faço,
Pelos laços e passos,
Pelo bem que pude dividir
Nesta estada por aqui!

Gyn, 03.07.2012

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

MEUS NOVELOS


(Para Alfredo, meu marido. Este poema fala da alegria por sua volta ao lar, são e salvo, depois de um CA que o deixou na UTI, quase sem chances. Obrigada, Senhor da Vida!)

MEUS NOVELOS
(Genaura Tormin

Emaranhada
Em meus novelos de sensibilidade,
Tenho lágrimas por escudo.
São elas marcos de alegria, de felicidade.
A voz dos meus sentimentos.
Não posso contê-las.

Deixo-as que me lavem as faces,
Apascentem-me a alma,
Conduzam-me a campos verdejantes,
Com brisa do rosto e terra molhada.

Quedo-me em prece e agradeço.
Não há palavras capazes de traduzir
O contentamento que me invade o peito.
Uma batalha vencida,
Uma graça recebida,
Um presente especial: UMA VIDA!

sábado, 6 de agosto de 2011

PAR DE TÊNIS


PAR DE TÊNIS
(Genaura Tormin)

É um par de tênis velho,
Surrado,
Desbotado,
Que tenho guardado.

Aguça-me a memória,
E eu volto ao passado.
Seu solado gasto,
E a forma encarquilhada,
Relembram-me as batalhas.

Era o coadjuvante,
O suporte da minha teia,
Na disciplina da vida,
No ir-e-vir lépido e faceiro...

Era o enfeite preferido
Dos meus pés andejos,
Que bailavam em
Passos apressados, lentos,
Jocosos, manhosos...
Quantas divisas,
Quantas conquistas!

Hoje,
Meu par de tênis,
Quieto no armário,
Ainda me espreita de soslaio,
Contando a minha história,
Reclusa no relicário,
Deste peito que ainda chora.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

APENAS UMA FLOR



APENAS UMA FLOR
(Genaura Tormin)

Sou uma flor,
Diferente,
Sem adubo,
Sem canteiro.

Mas,
Chamaram-me de flor!

E eu quero ser flor!
Roxa de dor,
Branca de paz,
Amarela de tantos desenganos,
Mas,
Sempre vermelha de amor.

Flor,
Unicamente flor,
Sem primavera
Nem inverno.

Flor no desalento,
Flor nas madrugadas,
No frio,
No tempo,
Nas lágrimas
E nos tormentos.

Flor/rosa,
De espinhos agudos.
Flor/mulher,
Esperança cansada,
Direito negado,
Liberdade tomada.

Mas,
Amavelmente
Ou gentilmente,
Chamaram-me de flor.
E eu sou uma flor!
Nada mais.

Sinto-me feliz,
Por ser ainda,
Apenas uma flor!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

DELEGADA, MULHER E NUMA CADEIRA DE RODAS


DELEGADA, MULHER E NUMA CADEIRA DE RODAS
(Genaura Tormin)


Era comum alguém do povo exclamar:

— Vi a senhora na televisão, mas não sabia que era paraplégica. Que pena!
O cinegrafista não focalizava a cadeira de rodas durante as informações que, por vezes, tinha que prestar em frente das câmeras sobre trabalhos presididos por mim na delegacia. Talvez me quisesse demonstrar um gesto de carinho.

Certa vez, expliquei-lhe que a cadeira fazia parte de mim. Não podia locomover-me sem ela e não tinha o menor constrangimento. Afinal, era o meu jeito de andar.

— São as minhas pernas de aço, os meus nervos inquebrantáveis... Pode mostrá-los ao público. Não me menosprezará por isso.

A repórter que estava a ouvir as minhas explicações, para justificar diante das câmeras, revelou ao telespectador que eu era uma deficiente de cadeira de rodas, e, em seguida, dirigiu-me a palavra:

— Como a senhora pode exercer o cargo de Delegado de Polícia, numa cadeira de rodas?

Com o meu instinto poético e tentando ser abrangente na resposta, também, às muitas perguntas que me haviam sido feitas pela vida afora, expliquei:


Quero dizer a vocês,
que a mente não está nos pés,
e aqui, na minha cadeira,
trabalho por mais de dez.

Quem me conhece, já sabe
de minha capacidade,
não me curvo por besteira
e luto com hombridade.

Mato a cobra e mostro pau.
Medo, não tenho não.
Já mandei prender bandidos,
de estuprador a ladrão.

Lembro-me do grande Franklin,
dos Estados Unidos, presidente,
em tempos reacionários,
exemplo pra muita gente.

Por isso estou aqui,
em condição inusitada,
pois sei que neste Planeta,
não tem uma delegada

numa cadeira de rodas,
que seja capacitada,
faça inquéritos e flagrantes
numa Especializada.

Mente sã é corpo são,
por isso não tenho nada,
sinto-me com pernas fortes,
numa cadeira sentada.

Na rua dirijo carro,
faço compras e viajo,
trabalho, leciono e nado.
É só questão de estágio.

Para os que não me conhecem,
é essa a informação,
moradores da cidade
e outros que aqui estão.


Assim, matei a curiosidade do telespectador, mostrando-me por inteira, sem reticências.

Daí, foi nascendo em mim o desejo de abrir as portas ao público, não só no meu trabalho, mas na minha intimidade depois da paraplegia. Senti que o povo nada sabia sobre pessoas com deficiências, razão por que as julgava inválidas, como se a cabeça estivesse no dedão do pé, devotando-lhes, ainda, desairosa compaixão que tanto as prejudica.

Eu, também, quando andava, nada sabia sobre paraplégicos. Nunca parei para pensar. Eram coisas alheias ao meu convívio. Deixa pra lá! Estava muito ocupada com os problemas, os sucessos e enleios da vida. Não transava o assunto, assim como a maioria da nossa gente. Jamais imaginei que a sensibilidade tátil ia de embrulho por acréscimo.

Realmente, o pior só acontece aos outros, nunca à gente!
O desejo foi crescendo, crescendo, tomando formas, amadurecendo, e embora tivesse que desvestir a dor para erigir marcos benfazejos em defesa do porvir, resolvi escrever PÁSSARO SEM ASAS.

sábado, 4 de julho de 2009

HOJE É MEU ANIVERSÁRIO


HOJE É MEU ANIVERSÁRIO
(Genaura Tormin)

Hoje tive tempo
De me lembrar do tempo!
Do alto dessa escada
Percebo suas mãos pesadas,
A moldar-me a alma,
Abrandar-me as falhas.

A minha história,
O tempo tem escrito
Em cada lágrima
Esculpida na dor,
Bordada na alegria,
Degustada no amor.

Os sulcos nas faces
Revelam a caminhada,
Os pedregulhos da estrada,
As cicatrizes das quedas...
Também estampam sabedoria,
Aprendizado, experiência....

Por isso,
Resta-me agradecer esse relicário
Que o tempo me legou.
Hoje é meu aniversário!!!

o3.06.2009

Emocionada, agradeço as menções de afeto e carinho pela passagem do meu aniversário. Isso me aumenta a fé, a estima e a vontade de viver.
Amo vcs!
Beijo
Genaura

domingo, 14 de junho de 2009

MEUS OLHOS


MEUS OLHOS
(Genaura Tormin)

Meus olhos,
Espelho da minha alma!
Tela matizada de cores,
Onde registro os amores,
Decanto as dores,
E faço valer a alegria,
Nos veios da poesia.

Meus olhos
São dois faróis
Que me alumiam a estrada,
Decodificando verbos,
Captando linguagens,
Lendo imagens:
Na lágrima que cai,
Na esperança perdida,
No amor que se faz!

Meus olhos,
Dançam bailados de cores,
Entrelaçam corações,
Na partitura da memória,
Nas fímbrias do coração,
Nos acordes da saudade!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

UMA PREPARAÇÃO?


UMA PREPARAÇÃO?
(Genaura Tormin)

Egressa de colégio de freiras, sempre gostei de comemorações, teatros, festas, desfiles, poesias, presentes artesanais, culinária... Por isso jamais esquecia de organizar a festa de confraternização no fim de ano entre os colegas de trabalho.

Justamente três meses antes da tão súbita paraplegia, fizemos a festa com bolo, revelação de amigo secreto e muita alegria. A turma era excelente, coesa e solidária.

Lembro-me de que nessa ocasião, período de formaturas, passamos defronte de um foto-stúdio que anunciava promoção. Sugeri, irrefletidamente, que estava digna de uma fotografia porque estava produzida. Alfredo anuiu e a fotografia, um pôster, ficou bonita. Entusiasmada, afixei-a na parede da sala, gabando-me de que seria para a posteridade. Uma preparação?

Não sei se somos remotamente preparados para o exercício de nosso carma. Não sei se somos frutos do destino fadados à fatalidade. O certo é que me assusto ao fazer algumas retrospectivas. Parece mesmo que me preparava para uma marcante mudança de vida. Minhas poesias... Ah! as últimas poesias!

Desde mocinha, nos tempos de internato, convivia bem com as palavras. Rabiscava sempre alguma coisa que chamava de poesia. Isso foi se alojando em mim, criando formas e arrebatando os sentimentos de amor do meu serzinho franzino, transportando-os para pedaços de papel. Reputando-me passional, fui decantando a vida além dos muros do colégio de freiras. A chegada e a partida do primeiro amor confirmaram meu dom de poetisa. Cantei todos os enleios, todas as paixões, todos os adeuses. Extrapolei os mais verdes anos e os versos ficaram em mim. Não importa se canto o amor, a dor, a tristeza, a vida, a morte... O que importa é simplesmente cantar, exaltar, extravasar, jogar a lira, transar bem com lápis e papel. O que importa é curtir as palavras lindas, fortes ou tristes. É amar a vida, partilhando-a de alguma forma.

Escrever é um ato de amor. É driblar barreiras, alar o mundo feito borboleta. É desnudar-se! Mostrar a cicatriz ou a ferida exangue. Sem dúvidas, escrever é ter a coragem por escudo! É perscrutar sonhos, viver fantasias, ou enfrentar realidade.

Para mim, fazer poesias, falar de amor é a expansão de minha sensibilidade. É o meu interior, o meu coração, o meu Deus interno, estampados em folhas brancas de papel, muitas vezes no quadrilátero do meu quarto. É no meu aconchego que me encontro e faço versos.

Minhas poesias falavam de tristezas. Era como se estivesse a me despedir de mim mesma. “Ficando em tudo uma lágrima e a dor do irreversível”.

Na época, não havia motivos para falar de perdas, mas exaltar conquistas. Tudo estava excessivamente bem. Em ordem. Atravessava a melhor fase da vida em todos os sentidos.

Depois da poesia pronta, ela me assustava. Levava-me a refletir:

— Por que faço isso? Não transo tristeza! É um desrespeito ao meu ser otimista, desbravador, ousado! Melhor do que estou, só festa!

Poesia não se faz: brota feito as lágrimas, o amor, a água que mina da pedra ou o lírio que nasce no pântano. Ela é dom. É inexplicável.

Dizem que o poeta é louco, mas o seu escrito é santo. Ele cria fantasias, ouriça sentimentos, caminha com os astros e faz morada nas estrelas. Eu gosto de ser assim. E no esconderijo de minha fantasia versejo todas as linguagens, vou a todas as paragens e guardo a emoção de todas as imagens, pois o coração não tem porteiras nem cárceres.

sábado, 16 de maio de 2009

MEUS PÉS


MEUS PÉS
(Genaura Tormin)

Antes eram andejos,
Faceiros, travessos,
Cheios de trejeitos dançarinos.
Um belo dia,
Cansaram-se das travessuras.
Recolheram-se à clausura.

Quietos, inertes,
Dormem trânquilos.
Com graça e beleza,
Enfeitam-me a silhueta.
Ainda calçam sandálias,
Sapatinhos, tênis
E até um saltinho.

Meus pés!
Fico contente por tê-los,
Vê-los juntinhos, bem tratados.
Unhas feitas, meias finas...
Às vezes acho-os sensuais...

Ainda cruzo as pernas,
Numa postura elegante.
As mãos são cúmplices
E dividem tarefas,
Permitindo que se exibam inteiros,
Felizes.

Ah, meus pés!
Como vocês cresceram,
Agigantando o meu coração,
A capacidade de pensar grande,
Seguir em frente,
Caminhar com a mente
E fazer da vida uma canção.

terça-feira, 12 de maio de 2009

MINHA IDADE


MINHA IDADE
(Genaura Tormin)

Tenho a idade do amor!
Os números não me interessam.
Conto sempre os prazeres,
Os momentos de alegria,
Paz, saúde e harmonia.

Jazem em mim,
Em doce letargia,
O meu tempo de criança,
Os natais adocicados,
A natureza em festa,
Alcatifada de flores,
Na dança das borboletas.

O céu, vestimenta do tempo,
Sempre cheio de fantasias,
Onde os sonhos se aninhavam,
Fazendo a minha alegria.
Tempo bom e bem vivido!

No canto do coração,
Guardo todos os amores,
O prazer de cada encontro,
O gosto de cada beijo.
Essa é a minha idade!
Verde como a esperança,
Que enfeita o fruto maduro
Dos anos que já vivi.


LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)