PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

POEMA-PRECE


Este poema não é meu. É da grande poetisa paranaense ENÓI RENÉ NAVARRO. Acho-o completo e propício para a data. Identifico-me, faço meus os sentimentos de sua autora.

POEMA-PRECE
(Enói René Navarro)

Obrigada, Senhor
Pelos dois olhos que Tu nos deste.
Com eles podemos ver os céus,
As nuvens errantes,
O mar verde beijando a areia,
O pôr-do-sol,
Enfim, uma sinfonia de cores.
Mas ao lado da nossa alegria,
Há a tristeza dos cegos.
Nós te pedimos por eles, Senhor!
Dá-lhes a fé
E a luz interior.

Obrigada, Senhor,
Pelas duas mãos que Tu nos deste.
Com elas podemos ir à escola,
E no lar,
Não só escrever,
Mas também trabalhar.
Abençoa as mãos que acalentam o filho ao seio,
E as mãos que acalentam o filho alheio.
Abençoa as mãos que curam,
As mãos que semeiam,
As mãos que constroem,
As mãos que escrevem,
As mãos que, em defesa, batalham,
E todas as mãos que trabalham!

Obrigada, Senhor,
Porque Tu nos deste dois PÉS tão perfeitos,
Que podem andar,
Sem nunca cansar.
Conduze-os,por favor,
Na trilha do bem
E na trilha do amor.
E aqueles que perderam os PÉS
Ou que perderam as mãos,
Nós Te pedimos por eles.
Consola-os, Pai!
Que saibam, também,
Que um dia no além,
Já lá do outro lado,
Serão todos perfeitos,
Nenhum mutilado.

Obrigada, Senhor,
Pelos dois ouvidos que Tu nos deste.
Há tanta música na Terra!
Há o lamento do vento nos pinheiros,
O canto triste dos boiadeiros...
Há o coaxar dos sapatos na banho,
O tamborilar da chuva no telhado
E a música ingênua do povo.
Há as cantigas que descem do morro
E as músicas dos mestres imortais,
Que se ouve uma vez
E não se esquece jamais.

Mas, ao lado dos que vivem isolados,
Nós te pedimos pelos que não têm ouvidos.
Aumenta-lhes, Pai,
Os quatro sentidos.

Obrigada, senhor,
Pela voz que Tu nos deste.
Abençoa os que com a voz ensinam,
Também os que com a voz doutrinam.
E aos que não têm o dom da linguagem,
Nós Te suplicamos,
Dá-lhes consolo
E dá-lhes coragem!
Porque se na Terra não podem falar,
No teu Reino, até podem cantar.

Obrigada, Senhor,
Porque temos um lar,
Que rico ou modesto,
No mundo inteirinho,
Não há um só lugar
Como esse nosso cantinho!
A Ti, que nos cobres de bênçãos,
A Ti, que nos dá tanto amor,
Obrigada, Senhor!
Obrigada, Senhor!


Enói René Navarro

sábado, 26 de dezembro de 2009

AUTO-HEMOTERAPIA, UM BEM PARA A HUMANIDADE



AUTO-HEMOTERAPIA, UM BEM PARA A HUMANIDADE
(Genaura Tormin)

Nesta caminhada, cada um serve numa determinada linha de frente, para ajustar a evolução do planeta. E, seguindo o estandarte do que acreditamos, isso se chama BEM, num sentido um pouquinho mais alargado.

Tenho visto que o material sobre a AUTO-HEMOTERAPIA que circula na internet é muito bom, do ponto de vista laico, pois não tenho conhecimentos em medicina. Entretanto, não há como ser refutado, pois é alicerçado em fatos concretos, comprovados e vistos a olho nu.

Graças a Deus, a internet se presta com galhardia a essa forma benfazeja de semear, de amar, tentando amainar os males que afligem a nossa gente tão sofrida.

Até nos animais observa-se a célere melhora, por isso alegar efeito placebo é menosprezar a nossa capacidade de entendimento, é querer tapar o sol com uma peneira. É tentar nos fazer massa de manobra.

Muita gente de peso, com conhecimento, discernimento e justeza, está em defesa dessa causa.

Desnecessários muitos argumentos, pois os exemplos estampam-se altaneiros por todos os quadrantes do mundo.

Realmente a voz do povo é a voz de Deus.
E para isso não há proibição que possa nos fazer calar.

O efeito benfazejo da AUTO-HEMOTERAPIA é uma verdade nua e crua!

Em contra partida, há uma corrida desvairada pelo TER, sem se preocupar com o SER. Faltam valores morais, dignidade... Tudo vale em nome dos cifrões!

Isso emperra o progresso harmônico da humanidade, enquanto seres gregários, membros da mesma família universal, além de acarretar débitos futuros.

Por que não se determinam as pesquisas científicas, partindo de tantas evidências benfazejas, largamente divulgadas na mídia? Por quê?

Infelizmente, o homem é o exterminador do próprio homem!
Que pena!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CARTA A PAPAI NOEL


CARTA A PAPAI NOEL
(Genaura Tormin)

Papai Noel, que nas noites natalinas,
enche de alegria a vida das pessoas,
realiza sonhos, constrói felicidade...
Eu também lhe trago o meu pedido.
Miro a vida e a vejo cheia de oportunidades,
de lições que me fazem crescer.
Por isso agradeço.

Tenho muito mais do que mereço.
Uma janela, onde o sol se esgueira nas manhãs,
comprovando que estou viva.
Extasio-me diante de maravilhas tantas!
Presente maior do que esse, não há.

Tenho um lar, um abrigo
e um amor encantado comigo.
Tenho a voz que canta, o coração que ama.
Pude meus filhos criar.
Tenho um trabalho digno para as despesas custear.

Mas há os que não têm para aonde voltar,
fazendo das sarjetas leito e das ruas habitat.
É para eles que eu peço agora.
É hora de compaixão,
pois todos somos irmãos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ANO NOVO, VIDA NOVA!


ANO NOVO, VIDA NOVA!
(Genaura Tormin)

O Ano Novo se aproxima!
Mais um ano na história das nossas vidas!
Mais de 500 anos de Brasil!
A pátria verde/amarela!
Sem vulcões, sem terremotos,
Sem guerras...

É bom sentir-se brasileiro!
Mais ainda, é ter uma família,
Um amigo, um emprego, um lar,
Alegria, paz e harmonia.
Quantos não têm para onde voltar...

É hora de reflexão!
Que o amor seja a palavra de ordem
Para fazer alguém feliz neste Natal.
Alguém perto ou longe de você.
Uma palavra, um carinho, um olhar,
Um elogio, um gesto são capazes disso.

Sorria!
O sorriso é prece!
É Deus dentro da gente!

Que o feixe de energias positivas
Seja inquebrantável,
Indicando muitos caminhos,
Construindo felicidade,
Nesse Ano que se avizinha.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DEONTOLÓGICOS DO DELEGADO DE POLÍCIA


DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DEONTOLÓGICOS DO DELEGADO DE POLÍCIA
(Genaura Tormin)

1º - Honra a teu Deus e a tua Pátria!

2º - Sê probo! Não te tornes carcereiro de ti próprio! Lembra-te de que serás exemplo a ser seguido e respeitado.

3º - Tua conduta moral será alicerce para coibir a antijuridicidade. Nunca serás punido se agires dentro dos parâmetros da legalidade e da integridade moral.

4º - Saibas ser brando e enérgico. Lembra-te de que teu cargo é de comando. Não exacerbes sem justa causa.

5º - Pensa antes de falar. Cumpre o que disseres. Evita a mediocridade.

6º - Acredita no teu trabalho. Prepara-te para ele. Ama a causa que escolheste. Usa-a em defesa da unidade da família, da paz, da ordem e do
soerguimento da sociedade.

7º - Comanda sem imposição. Combate o erro, mas elogia o certo. Cultiva sobre os teus subordinados superioridade intelectual e moral.

8º - Não te esqueças de que a indulgência faz parte da justiça. Sê firme, decidido, coerente e resoluto em quaisquer circunstâncias.

9º - Sê solidário com a tua classe. Jamais denigras teu colega para auferir vantagem. Cuida da boa reputação da Instituição Policial.

10º - Guia-te pelo bem. Ser Delegado é um misto de autoridade, coerência e competência. Não emitas juízos, nem formes convicções sem respaldo em provas.


Genaura Tormin - é delegada de polícia aposentada, escritora, poetisa e autora do livro Pássaro sem asas. Foi professora de Deontologia Policial e Organização na Academia de Polícia de Goiás de 1983 a 1992. Aposentada por tempo de serviço, ingressou no Judiciário Federal por concurso público em 1994, servindo no Tribunal Regional do Trabalho.

DELEGADA, MULHER E NUMA CADEIRA DE RODAS


DELEGADA, MULHER E NUMA CADEIRA DE RODAS
(Genaura Tormin)


Era comum alguém do povo exclamar:

— Vi a senhora na televisão, mas não sabia que era paraplégica. Que pena!
O cinegrafista não focalizava a cadeira de rodas durante as informações que, por vezes, tinha que prestar em frente das câmeras sobre trabalhos presididos por mim na delegacia. Talvez me quisesse demonstrar um gesto de carinho.

Certa vez, expliquei-lhe que a cadeira fazia parte de mim. Não podia locomover-me sem ela e não tinha o menor constrangimento. Afinal, era o meu jeito de andar.

— São as minhas pernas de aço, os meus nervos inquebrantáveis... Pode mostrá-los ao público. Não me menosprezará por isso.

A repórter que estava a ouvir as minhas explicações, para justificar diante das câmeras, revelou ao telespectador que eu era uma deficiente de cadeira de rodas, e, em seguida, dirigiu-me a palavra:

— Como a senhora pode exercer o cargo de Delegado de Polícia, numa cadeira de rodas?

Com o meu instinto poético e tentando ser abrangente na resposta, também, às muitas perguntas que me haviam sido feitas pela vida afora, expliquei:


Quero dizer a vocês,
que a mente não está nos pés,
e aqui, na minha cadeira,
trabalho por mais de dez.

Quem me conhece, já sabe
de minha capacidade,
não me curvo por besteira
e luto com hombridade.

Mato a cobra e mostro pau.
Medo, não tenho não.
Já mandei prender bandidos,
de estuprador a ladrão.

Lembro-me do grande Franklin,
dos Estados Unidos, presidente,
em tempos reacionários,
exemplo pra muita gente.

Por isso estou aqui,
em condição inusitada,
pois sei que neste Planeta,
não tem uma delegada

numa cadeira de rodas,
que seja capacitada,
faça inquéritos e flagrantes
numa Especializada.

Mente sã é corpo são,
por isso não tenho nada,
sinto-me com pernas fortes,
numa cadeira sentada.

Na rua dirijo carro,
faço compras e viajo,
trabalho, leciono e nado.
É só questão de estágio.

Para os que não me conhecem,
é essa a informação,
moradores da cidade
e outros que aqui estão.


Assim, matei a curiosidade do telespectador, mostrando-me por inteira, sem reticências.

Daí, foi nascendo em mim o desejo de abrir as portas ao público, não só no meu trabalho, mas na minha intimidade depois da paraplegia. Senti que o povo nada sabia sobre pessoas com deficiências, razão por que as julgava inválidas, como se a cabeça estivesse no dedão do pé, devotando-lhes, ainda, desairosa compaixão que tanto as prejudica.

Eu, também, quando andava, nada sabia sobre paraplégicos. Nunca parei para pensar. Eram coisas alheias ao meu convívio. Deixa pra lá! Estava muito ocupada com os problemas, os sucessos e enleios da vida. Não transava o assunto, assim como a maioria da nossa gente. Jamais imaginei que a sensibilidade tátil ia de embrulho por acréscimo.

Realmente, o pior só acontece aos outros, nunca à gente!
O desejo foi crescendo, crescendo, tomando formas, amadurecendo, e embora tivesse que desvestir a dor para erigir marcos benfazejos em defesa do porvir, resolvi escrever PÁSSARO SEM ASAS.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TUDO FICA SEM EIRA NEM BEIRA


TUDO FICA SEM EIRA NEM BEIRA
(Genaura Tormin)

A coragem se desvanece.
O arco-íris não mais existe!
Os dias se tornaram cinza.
O medo cresce,
Enquanto o amor,
Que era belo na primavera,
Recolheu-se ao frio do inverno.

A tristeza tolda a vidraça,
E tudo fica sem eira nem beira.
O coração se estilhaça,
Feito fogo que crepita na lareira.

Entre o céu e o inferno,
Digladiam-se demônios,
Invólucros da dor que espezinha,
Fazendo-me pequena,
Indefesa e tão sozinha.

domingo, 29 de novembro de 2009

PASSOS VARRIDOS


PASSOS VARRIDOS
(Genaura Tormin)

Senhor dos céus, dos mares e da Terra,
Dá-me um pouco de paz!
Nessa caminhada que tanta dor encerra,
Aquece meu coração que em tristeza jaz.

Aumenta-me a fé, reforça-me a coragem!
Alicerça o meu espírito na sabedoria!
Os passos já não palmilham a rodagem.
Há muito se esqueceram da harmonia.

Os braços trabalhadores quedam-se cansados,
E a vida começa a perder toda aquela magia!
Faltam o calor, o encanto, a força do abraço,
O amor, o afeto e o sorriso farto.

A vereda, antes florida de alamandas,
Enfeita-se hoje de luta, sem lenimento.
O caminho parece ainda tão longo
Aos meus passos varridos pelo tempo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

PÁSSARO SEM ASAS


PÁSSARO SEM ASAS
(Genaura Tormin)

PÁSSARO SEM ASAS surgiu com a dor. É uma história de vida ou memórias romanceadas. Nele, devasso-me sem reticências depois de uma inesperada paraplegia. Conto todas as dificuldades, batalhas e aprendizado para sobrepujar a fatalidade. Para ser adotada pela vida.

Falo de mim, falo de amor, falo de dor, de vitórias e muito mais. Solto a lira de meus versos. Curto minha imobilidade. E os meus retalhos adormecidos ganharão movimentos algum dia. Quem sabe noutra galáxia.

PÁSSARO SEM ASAS é um misto de momentos lúdicos, sofridos, emocionados. Chega a porejar sangue. É o driblar de uma bola sem chutes, mesmo ao arrepio da vida.

A crença em mim mesma devolveu-me não pernas, mas ASAS. Sinto-me alada depois de tanta tempestade. Com elas cruzei horizontes, voei com os condores em terras calcinadas, extrapolei mares, venci tormentas e me encontrei.

As escarpas do caminho fortaleceram minha couraça rumo aos objetivos. Dentro de minhas limitações sou livre: corro em idéias, em versos, em trabalho...

Não sou vista diminuída, mas até acrescida. O meu trabalho tornou-me um ser humano inteiro. Por incrível que pareça, tornei-me uma Delegada de Polícia! Atuei na vanguarda contra a escalada do crime, como uma profissional inusitada, pelo menos, em visual.

Depois, também por concurso público, ingressei no Judiciário Federal, onde me sinto honrada de emprestar minha participação de trabalho. Afinal somos herdeiros dos nossos atos e senhores de nossas colheitas.

Que as minhas experiências conduzam o leitor à reflexão, fazendo-o descobrir que cada um pode ser a pessoa mais feliz do mundo, procurando ascender sempre rumo ao bem, creditando as dificuldades como mérito seu, uma vez que não há limites que obstaculize uma mente determinada.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ALICERCES IMPORTANTES


ALICERCES IMPORTANTES
(Genaura Tormin

Ao contrário de muitos outros pacientes, minhas aquisições estagnavam-se, isto é, não possibilitavam o meu caminhar, não ouriçavam os meus nervos esquecidos em algum lugar. Nada de alentador. Nada!

Havia aprendido todos os exercícios e os fazia com ganância. Cheguei a esfolar a pele do cóccix pela prática de duzentos e cinqüenta abdominais ininterruptos.

Lembro-me de que certo dia, quando andávamos pelo pátio do Hospital Sarah Kubitschek, deparamos com uma figura inusitada: uma senhora, possivelmente vítima de grande acidente que, ao andar, bruscamente jogava uma perna para um lado, fazia um rodopiado, esticava o braço em sentido contrário, meneava a cabeça, tempo em que emitia um som gutural.

Na base do pescoço, havia uma abertura com um orifício metálico (traqueostomia). Em uma das mãos, retesada e comprometida, via-se uma tabuleta com o abecedário, o que significava que ela havia, também, perdido a voz. Mesmo assim, andava, locomovia-se sozinha rumo ao ginásio de fisioterapia. Entre suspiros e voz embargada, eu disse ao Alfredo:

— Queria tanto andar, mesmo que o meu caminhar fosse igual ao dela!

Alfredo, comovido, abaixara-se defronte da minha cadeira e, praticamente, fizera-me uma jura de ajuda eterna, uma linda e emocionante declaração de amor. Enchera-me de forças, de energias positivas, de elogios, solidarizando-se com o meu caminhar perdido, afirmando-me que não se anda apenas com os pés.

Dissera-me que o mais perfeito caminhar é executado com o coração, com a alma translúcida e bela que às vezes chega a voar, planar sobre os grandes ideais.

Mesmo entre lágrimas de ambos, eu aceitei, enxuguei o pranto e juntos fomos para o ginásio. Com ele sentia-me segura, protegida. Ele sempre significou o meu chão, o meu equilíbrio.

E agora, muito mais! Significa a minha metade, o meu complemento, a âncora que me alavanca para que eu não me esqueça dos passos, mas veleje o mar bravio da coragem. Sem ele não há unidade. Eu sou parte do todo e o todo está em mim.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

JANTAR DANÇANTE




JANTAR DANÇANTE
(Genaura Tormin)



Ontem fui a um jantar dançante da associação de Delegados de Polícia. Sentada à mesa, ouvindo a seleção musical, por sinal, tão bem escolhida, veio-me à mente um fato, ainda recente, que me fez acirrar os meus conhecimentos como detetive. Aqui o narro a vocês:

Aprendi a conviver pacificamente com as amarras da deficiência. Não me reconheço no passado. Acho que sou uma nova mulher. Gosto-me assim. Consigo driblar dificuldades e isso significa muito para mim.

De todas essas dificuldades, a falta de sensibilidade é a que mais dói e a que mais deve ser observada.

Certa vez fui a um jantar dançante. Dias depois, minha família percebeu um enorme hematoma na minha região lombar, nível da cintura. Surpresa! Lógico, uma grande interrogação. Imbuindo-me do costumeiro papel de detetive de mim mesma, concluí que teria sido provocado pela dança na cadeira de rodas. Certamente, o cinto de metal formado de elos que eu usava naquela noite, provocara atrito nas protuberâncias da coluna vertebral. Hoje, danço sem o cinto de elos, mas importa-me muito os elos de afetividade que consigo ligar entre os meus leitores, entre amigos, entre as pessoas com quem desenvolvo algum diálogo. Minha meta é a paz interior e eu sei que a vida me aponta caminhos para isso. Como partícipe, sei que preciso dividir e a melhor maneira de pensar em mim, é pensar em todos. A felicidade coletiva necessita de coadjuvantes. Ela não pode existir sem esforços. E, com certeza, fiz-me recruta, estou alistada no batalhão desses servidores, por princípio, por convicção.

Não lamento o que fazia antes, mas fico satisfeita com o que ainda posso fazer. Acho-me perfeccionista e esmero-me na execução. Não sou narcisista, mas gosto de sentir o mérito da conquista.

Acredito em Deus como integração, por isso os meus retalhos adormecidos ganharão movimentos algum dia, quem sabe noutra galáxia.

Numa semelhança quixotesca, vou cruzando horizontes em vôos alados, impulsionada pelo reconhecimento e o carinho das pessoas que me cercam. O meu trabalho abre caminhos, cria consciência popular, valoriza seres humanos olvidados. E é isso que me gratifica. Vale por todos os salários recebidos. É o que posso fazer pelo meu irmão de barco, pela pessoa com deficiência física, geralmente, tão preterida neste País.

domingo, 22 de novembro de 2009

DISCRIMINAÇÃO EXISTE, SIM!


DISCRIMINAÇÃO EXISTE, SIM!
(Genaura Tormin)

Certa vez, na delegacia, recebi um bilhete, encaminhando uma senhora que estaria tendo problemas com o marido para as providências cabíveis. Minutos depois, a vítima entrara no meu gabinete.

O problema referido era, apenas, uma questão doméstica de ajuste familiar, paciência, relevação, em que ambos mereciam ser advertidos.

À luz do meu entendimento, a vítima era a principal provocadora da situação. O caso não carecia de medidas policiais.

Aproveitei do ensejo para dar "uma de psicóloga ou assistente social", ensinando à pretensa vítima um pouco de relações humanas, convivência, práticas logoterápicas, para melhorar o relacionamento em família.

Pouco tempo depois, encontrei-me com a autora do bilhete e perguntei por sua protegida.
— Ela voltou muito triste. Disse-me que não conseguira falar com a senhora na delegacia. Encaminharam-na para outra pessoa, que talvez nem delegada fosse, pois nenhuma providência tomara, limitando-se a dar conselhos, botar "panos quentes" e falar de paciência, afetividade como se fosse uma pessoa evangélica — disse-me a autora do bilhete.

É um fato típico de discriminação e falta de cultura popular sobre pessoas com deficiência física. Tenho certeza de que se eu não estivesse na cadeira de rodas, não teria sido vista dessa maneira, pois, visualmente, encontrava-me num gabinete condizente com o meu cargo, além da consciência de que tenho postura, competência e respeito pelo meu semelhante.

Depois dessa ocorrência, adverti o pessoal do apoio de que cada pessoa deveria ser informada do nome do delegado que lhe daria o atendimento.

É tão marcante esse tipo de discriminação, exercido por pessoas de todos os níveis, que, quando passei a trabalhar nessa Delegacia, a moça contratada para os serviços gerais servia cafezinho em bandejas às demais colegas delegadas, acompanhado, é claro, do tratamento hierárquico e as formalidades da boa educação.

Ao contrário, entrava no meu gabinete sem bater, com uma xícara entre os dedos, a qual deixava sobre a minha mesa, sem qualquer aceno de cortesia. Quando me dirigia a palavra, chamava-me pelo nome de "coisinha".

É possível que, além do meu nome, desconhecesse também o meu cargo, uma vez que ele induz autoridade e respeito.

Tão logo me foi possível, interessei-me por ela, dando-lhe um pouco de afeto, informando-a de que gostaria de ser chamada pelo meu próprio nome, ocasião em que lhe contei sucintamente a minha história, gerando um pouco de calor humano, propiciando-me até auxiliá-la na compra de material escolar para os filhos.

Além disso, com o meu trabalho, provei a ela e aos que não me conheciam, que a pessoa com deficiência é uma pessoa normal, não obstante as rodas da cadeira, como era o meu caso.

sábado, 21 de novembro de 2009

FATO EMOCIONANTE


FATO EMOCIONANTE
(Genaura Tormin)

Fato emocionante acontecera-me numa das últimas viagens ao litoral. Estávamos no calçadão, à beira da praia, defronte do hotel enquanto Alfredo passava-me filtro solar, pois o sol escaldante e radioso cascateava sobre as águas num convite irrecusável para um banho de mar. Com olhos sempre novos, observava tudo.

Admirava as pessoas, o mar com suas cristas espumantes, abraçado por um céu de azul turquesa, orquestrado pela sinfonia da folhagem dos coqueiros levada pela aragem marítima. Encantava-me com a garoa que respingava meu corpo ao som cadenciado das ondas. E foi aí que um grupo muito alegre de pessoas passara por nós. Ainda o olhei distanciando-se rumo às areias brancas da praia.

O ser humano ocupa o maior e o mais importante lugar no meu coração. São sempre seres plenos a enfeitarem os meus caminhos, nesse efêmero passeio pela vida. Reputo-os mestres, mesmo sem cartilha, sem palavras. Qual não fora a surpresa, quando o grupo inteiro retornara como se tivesse esquecido alguma coisa ou desistido do mar. Todos, com sorrisos estampando os rostos e numa só voz perguntaram-me: Você é a Genaura, não é? Lemos o Pássaro Sem Asas!

Aquilo foi emocionante. Pessoas esplêndidas! Que capacidade superior de afeto! Ficamos encantados e, por incrível que pareça, passamos aquele último dia do ano com elas. Tinham um apartamento de veraneio naquela praia.

Depois, fomos convidados para uma visita ao sítio da família. Dado o carinho, a sinceridade do convite e a alegria que nos tomava a alma, não podíamos mesmo deixar de aceitar. Acertamos que um cicerone viria nos guiar até o sítio. Ainda no hotel, antes da saída, recebi um telefonema perguntando-me qual a cor preferida entre o vermelho e o amarelo. Imaginei tratar-se de flores e respondi: VERMELHO!

A viagem fora ótima e curta. A recepção, excelente. O sítio assemelhava-se a um cartão postal. Avistado ao pé de uma montanha, parecia a terra prometida. Sua natureza verde contrastava a aridez das terras do local. Parecia um oásis. Poucas vezes havia-me deparado com paisagem tão linda. A casa estava em festa. Fomos recebidos com churrasco de carneiro e muita amabilidade.

Logo fomos encaminhados ao nosso quarto. Surpresa! Era uma linda suíte. Toda a roupa de cama de linho vermelho bordado, com toalhas felpudas vermelhas, além de linda rede da mesma cor. Também, um único botão de rosa vermelha ornava o recinto num solitário de prata. Da janela, um descanso para os olhos e festa para o coração: uma vasta planície de relva verde ao pé da montanha, enfeitada por coqueiros que tremulavam ao açoite do vento, feito bandeiras hasteadas.

Um cheiro de flores silvestres, de fruta madura, invadia o recinto numa suave brisa. O sol incandescente, daquela manhã, transmitia magia, mistério, e dava viço à relva, onde pastava um rebanho de brancas ovelhas sob um céu primaveril, bordado de nuvens movediças, feito flocos de algodão doce.

Logo pude compreender o segredo das cores: o quarto destinado aos nossos filhos era igualmente decorado de amarelo-ouro. Ficamos encantados!

A sala de jantar enorme, provida com duas grandes mesas de centros giratórios superpostos, exibindo as mais diversas e finas iguarias da região. Os serviçais amáveis e devidamente vestidos lembravam-me os requintes das tradicionais famílias imperiais. Tudo enfeitado por grande ternura.

No almoço, houve até discurso. E que discurso! A oradora era nada menos do que uma doutora em lingüística e mestra na Universidade. Elogiava meu livro e falava do bem que havia feito à anfitriã quando recomendado por um médico da Capital. Fiquei pasmada e realmente feliz. Quase não acreditava que era dirigido a mim. Precisava beliscar-me.

Além do carinho daquela gente, chamou-me muito a atenção a casa do sítio. Verdadeira casa-mor. Construída de pedras, suas paredes possuíam um metro e oito centímetros de largura. Teria pertencido a uma condessa nos primórdios do Brasil. Lembrei-me das Capitanias Hereditárias, dos títulos honoríficos... Como gostaria de pesquisar toda aquela história!

A casa muito grande, com muitos cômodos devidamente decorados parecia levar-nos ao passado. Arsenal de armas e montaria, muita prata, objetos e móveis antigos, por vezes, davam-me a impressão de que iria deparar-me com uma daquelas damas antigas vestidas a rigor, ou com um cavalheiro com penacho no chapéu.

Que passeio lindo! Que gente afetiva! Parece um sonho ou um filme a descortinar-se diante das minhas retinas. Como lembrar é viver, eu revivo sempre esses momentos lindos!

Ainda no litoral, fiquei sabendo que frases de Pássaro Sem Asas, em letras garrafais, encontravam-se afixadas em murais e paredes de clínica. É uma grande responsabilidade, mas pode ser também alguma ajuda para tornar acesos os sonhos adormecidos — pensei agradecida, mais uma vez, por haver tido a ideia de escrever o livro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

EU PRECISAVA CHORAR


EU PRECISAVA CHORAR
(Genaura Tormin)

Acabo de assistir à uma cena da novela "VIVER A VIDA", em que a personagem Luciana, agora tetraplégica, atinge o auge do desespero e dá vazão à emoção que lhe escorre por todos os poros, por toda a sua alma, numa impotência que grita, rasga dimensões, extrapolando os limites do insuportável. Conheço essa limitação, embora em menores proporções, quando, também abruptamente, o destino achou por bem aparar-me as asas, tolher-me o caminhar faceiro pelas alamandas encantadas dos caminhos daquele tempo.

Quanta magia, quanta alegria, quanta vida estampada em passos ligeiros, jocosos, manhosos, dançarinos, enfeitados pela leveza e sensualidade de um corpinho lindo e um rostinho de um ser ainda tão menina.

O futuro bailhava-me na mente e o mundo era de muitas cores, com as quais eu desenhava um porvir risonho e doce.
Bela vida, vida bela!

Mas são sábios os designos da existência, e como a Luciana, o meu teto caiu muitas vezes, em convulsões e perguntas sem respostas, no silêncio ensurdecedor de mim mesma.

E uma voz inaudível gritava sem tréguas dos compartimentos da alma:
_ vá à luta! Sê forte!
Vc é soldado e não pode fraquejar!
A causa é únicamente sua, e outras batalhas ainda virão!

Hoje, muitos anos se passaram, e meus passos ainda não deixam as suas pegadas no chão, mas eu me sinto inteira, viva e contente!

Muito aprendizado nesse novo modelo de viver.
Arrisco-me a dizer, sem medo de errar, que sou muito, muito feliz assim.

Aprendi tantas coisas, as quais formam a minha bagagem, sem calos nos pés, que agora tentam ser mais velozes no deslanchar de quatro rodas para andar.

Voltando ao meu passado, àqueles caminhos de tantos predegulhos, registro aqui uma vazão daquele tempo, descrita no livro PÁSSARO SEM ASAS, de minha lavra, quando a tirania do destino, sem dó nem piedade, num preparo prematuro, talvez tentando reforçar a minha couraça para resistir os tornados que viriam, arrancou-me o ser que eu tanto amava - A MINHA MÃE! Às vezes penso que foi melhor assim. A vida não erra! Não gostaria de vê-la sofrer por mim! Tantos cerceamentos, tantas amarras gritantes, tanta paciência a exercitar, mas muitos aprendizados!
De repente, uma criança outra vez! :

Agora eu estava ali, lado a lado, nas mesmas condições daquelas pessoas, agravadas pelo pavor e a inexperiência da primeira vez. Era como se estivesse em camisa-de-força, presa por algo que não havia cometido.

O coração contorcia-se. As mãos fremiam enquanto um entalo tomava-me a garganta, enrubescendo-me o rosto e turvando-me as retinas. Não mais enxergava. O líquido escaldante escorria-me pelas faces. O coração latejava como se fosse explodir e o grito prisioneiro se agasalhava medroso em mim. Uma convulsão arrebatava-me, sacudindo-me todo o corpo. Estava chorando.

Ganhei a traseira de um caminhão parado nas imediações. Ali, estava a salvo. Poderia transbordar todo o Oceano Atlântico em lágrimas. Era desconhecida, estava só, abandonada por causa da tirania do destino, precisando partilhar comigo mesma tanta desventura.

Minhas forças estavam minadas e, mais do que nunca, queria ter mãe, deitar-me em seu regaço e deixar-me embalar. Até Deus banira-me desse direito, levando-a, prematuramente, numa noite fria. Será que ela estava vendo o meu sofrimento, o que restara de mim?

Ainda está gravada em minhas retinas a última presença física do seu rosto amigo, com as mãos inertes cruzadas ao peito no leito frio. Mãos que semearam, trabalharam, abençoaram, afagaram tanto! A lembrança do seu cortejo fúnebre...

O dia acabava! O sol esvaía-se na linha do horizonte, num matizado nesgado de cores pálidas, cujos raios filtravam-se, através do arvoredo, em sombras rendadas, visíveis à margem da estrada.

O esquife com os restos mortais de minha mãe era transportado ladeira acima, acompanhado pela fileira de carros que ziguezagueava pelas curvas, deixando para trás o casario, a vida agitada pelo convívio humano.

Ficava para trás um lar vazio e uma saudade eterna. Embora a brisa daquele resto de tarde fosse amena, o filme impregnado de tristeza nunca desertou de mim. Era a despedida de uma guerreira! A última homenagem que a vida lhe fazia. Uma mulher simples que, além dos muitos valores, havia-me deixado sua coragem por legado.

Mesmo do outro lado da vida, o seu espírito, certamente, estaria ali a me acalentar. Inexperiente, eu precisava chorar. Estava indefesa. A paraplegia era recente e eu não sabia como proceder diante de tanta impotência.

Um garoto, com desajeitada caixa de engraxate às costas, violara o meu esconderijo. Encontrara-me. Assustado, cheio de compaixão, tentou consolar-me:

— Não chore, não! A senhora quer água?
— Não — respondi.
— A senhora poderia ir à igreja dos crentes. Lá eles curam as pessoas. A senhora vai andar. Eu garanto!

Não podia, também, causar-lhe pena. Mesmo entre lágrimas, agradeci sorrindo. Era a solidariedade de uma criança desconhecida, porém, meiga e carinhosa. Talvez um anjo da guarda para enxugar-me o pranto.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O ESPIRITISMO


O ESPIRITISMO
(Capítulo I, 5 a 7)


É um prazer encontrar-me novamente nesta Casa Espírita!!
Saúdo a todos, incluindo os espíritos desencarnados
aqui presentes. Que a paz esteja sempre entre nós!

Jesus querido, pai, amigo e mestre, que tuas vibrações
de amor possam ser sentidas em nossos corações.

Pedindo a intercessão dos espíritos protetores
para mais uma vez ajudar-me nesta tarefa,vamos,
numa só voz, reafirmar o nosso compromisso de amor:

"Irmãos de toda Terra, amai-vos uns aos outros!!!
(3 vezes)

Falarei sobre o Espiritismo, tema do capítulo I,
itens 5 a 7 do Evangelho segundo o Espiritismo.

O espiritismo veio revelar aos homens,
por meio de provas irrecusáveis, a existência
e a natureza do mundo espiritual, e as
suas relações com o mundo corporal.

As manifestações dos Espíritos sempre existiram,
em países e épocas diferentes.

Um dos maiores eventos da história do mundo é
o espiritismo, que teve seu início há mais de um século,
em 1848, na vila de Hydesville, Nova York, EUA, quando
ocorreram manifestações mediúnicas mais significativas,
devidamente comprovadas na Idade Moderna.

A família Fox, (composta de pai, mãe e duas filhas, Kate e Margareth),
passou a residir numa casa alugada na vila, onde começou
a ouvir ruídos e batidas sem origens.
Naquele mesmo ano descobriu que tais batidas
eram produzidas pelo espírito de um mascate que naquela
casa havia sido assassinado e "enterrado".
Foi comprovado o fato, anos depois,
com o encontro da ossada do mascate enterrada ali.

Foi na França que os fenômenos mediúnicos
alcançaram maior expressão, através das MESAS GIRANTES:
que eram pequenas mesas, ao redor das quais
sentavam-se as pessoas, a fim de que elas lhes respondessem perguntas,
através de pancadas, o que para elas significavam diversão.

Um professor francês, Hippolyte Léon Denizard Rivail,
qualificado, moral e intelectualmente, viu nesse
fenômeno mais do que uma diversão e resolveu estudá-lo.

Deveria haver uma lei física por trás de tudo aquilo. Em 1855, depois de ter feito um exaustivo estudo comparativo das comunicações recebidas por meio de médios conceituados, em diversos locais, Hippolyte adotou o pseudônimo de Allan Kardec e
fundou a DOUTRINA ESPÍRITA, publicando "O Livro dos Espíritos", que é o núcleo central dessa doutrina.

No Brasil, foi em 1865, que realmente oficializou-se o Espiritismo, com a fundação do 1º Centro Espírita, na cidade de Salvador-BA.
No ano de 1875, o Livro dos Espíritos foi traduzido para o português, aumentando, sem dúvida, os seus simpatizantes.

O Espiritismo é uma lei universal e, sem ela, a existência terrena representaria desordem e injustiça. Dela, promana a explicação de todas as aparentes anomalias
da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais, facultando ao homem saber donde vem, para onde vai, para que fim se acha na Terra e por que aqui sofre.

A doutrina espírita tem a finalidade de nos despertar para as nossas responsabilidades enquanto no corpo físico e depois dele, pois o espírito é eterno.
Nenhuma ovelha é abandonada à margem da estrada.

Através do Espiritismo chegou à Terra uma enorme e revolucionária novidade sobre fé, e uma infalível vacina contra o fanatismo. A fé verdadeira é aquela que pode defrontar-se com a razão em qualquer tempo. A fé cega nos anula a liberdade de pensar.

"O Espiritismo é uma filosofia de bases científicas e consequências éticas que trata do mundo dos espíritos e sua relação com o mundo corporal". É a essas relações que o Cristo fez referência em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que ele disse permaneceram sem entendimento ou foram falsamente interpretadas.
Pode-se dizer que é o Consolador prometido.

A doutrina espírita acredita na sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico. As relações dos Espíritos com os homens são constantes, e sempre
existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação.
Os imperfeitos nos impelem para o mal.

Alicerça-se o espiritismo em 3 aspectos importantes:
o filosófico (que trabalha com o pensamento e as idéias),
o científico (que trabalha com a experimentação e a prova)
e o religioso ( que engloba os ensinamentos morais e a fé raciocinada).
Tem o dom de unir os povos em um ideal de fraternidade
preconizado por Jesus de Nazaré, permitindo que
o homem se encontre com o próprio Criador.

O próprio Kardec disse: "fora da caridade não há salvação."
Por isso ela é a nossa maior bandeira.

Com o Espiritismo chegou à Terra o tratamento da problemática obsessiva, que consiste na ajuda e na orientação tanto de obsediados como de obsessores.

Antes do Espiritismo, a humanidade era completamente ignorante a respeito dos fenômenos e fatos "paranormais", principalmente os mediúnicos.

Naquela época, muitos ainda falavam de mistérios,
fantasmas, e "fenômenos sobrenaturais".

Cinco princípios básicos regem o Espiritismo,
de onde procedem todas as suas práticas:

1 - A existência do Espírito e sua sobrevivência após a morte.
O Novo Testamento retrata a vida, obra e ensinamentos
do Mestre Jesus. Ele veio mostrar que a morte não existe
e que a alma sobrevive ao corpo carnal.

2 - A reencarnação.
Hoje, não há mais dúvidas sobre a reencarnação. Ao longo
de diversas vidas sucessivas o ser humano passa por
experiências que amoldam seu caráter, rumo à perfeição.

Cada nova existência, em ambiente e fatores diferentes,
despertam a sua consciência para o amor universal.
Somos fruto de nós mesmos, com nossos pensamentos
e ações tendenciosos ao bem ou ao mal, que cedo ou tarde
intercederão em nossa condição física e ditará as
contingências sociais que servirão melhor ao nosso aprendizado.

3 - A lei de causa e efeito.
"Então Jesus disse-lhe: Enfia no seu lugar a tua espada;
porque todos que lançarem mão da espada à espada morrerão" - (Mateus 26.52).
"... tudo que o homem semear, isso também ceifará" - (Gálatas 6.7).
O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências de suas ações.

4 - A comunicação entre o mundo material e espiritual.
Sônia Rinaldi, coordenadora da Associação Nacional de Transcomunicação,
em entrevista ao "Panorama Espírita" disse que foi comprovado,
por meio de Laudo Científico, que a voz de um falecido
correspondia à sua voz quando vivo.

Dezenas de cálculos levaram à identificação
das vozes (morto x vivo). As ferramentas da Ciência são universais e nesse caso foi
comprovado pela primeira vez na História, matematicamente, a sobrevivência após a morte. A matemática não é discutível.Simplesmente é. - Entrevista com Sônia Rinaldi.

A transcomunicação instrumental, que é a oportunidade de que a Espiritualidade Maior está se valendo para trazer aos Homens a informação, de forma bem concreta, de que o Espírito sobrevive a morte do corpo físico.
Isso tem enormes benefícios. Por exemplo, o consolo.

Quantos pais que perderam seus filhos já conseguem aplacar a dor da saudade por ouvi-los novamente? Só de saber que o filho falecido VIVE no outro lado,
é um conforto profundo, pois se adquire a certeza de que um dia irão reencontrá-lo.
Isso, com certeza, ameniza a dor da separação.

5 - A evolução progressiva dos Espíritos.
Somos todos seres atrelados às leis divinas que regem o universo,
quer acreditemos ou não. Estamos aqui para evoluir.

Toda a prática espírita é gratuita, dentro do
princípio do Evangelho: "Dai de graça o que de graça recebestes".

A prática espírita é realizada sem nenhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade.

Por isso o Espiritismo não tem corpo sacerdotal e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: paramentos, incenso, altares, imagens, andores, velas,procissões, talismãs, amuletos, sacramentos, concessões de indulgência, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios, rituais,
ou quaisquer outras formas de culto exterior.

O objetivo da Doutrina Espírita é o de explicar
os fenômenos naturais que envolvem o mundo espiritual e
o mundo material; estudar e analisar, filosófica e moralmente,
as conseqüências deste relacionamento e, finalmente,
procurar instruir as pessoas que demonstram
interesse em compreender o universo na sua Doutrina.

O Evangelho é um modo de vida, motivo de ação regeneradora,
pois define que tudo o que recebemos hoje, é conseqüência
de nossos atos no passado, e que tudo o que iremos receber no futuro,
é conseqüência de nossos atos de agora.

A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos.
É o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

Ao contrário de todas as demais doutrinas religiosas, o Espiritismo não tem “escrituras definitivas” impostas como verdadeiras e inabaláveis aos seus fiéis. Pelo contrário, a base doutrinária do Espiritismo foi claramente estabelecida
por Kardec e pelos milhares de espíritos que o assessoraram, mas ele mesmo esclareceu que, na medida em que aqueles ensinamentos fossem compreendidos e aceitos,
gradativamente novas revelações seriam feitas, como já foram e são feitas, e como continuarão a ser feitas.

Pode ser facilmente comprovado que o Espiritismo é uma
doutrina cristã, racional, lógica, lúcida e progressista.
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação
moral e pelos esforços que faz em dominar suas más inclinações.
É a reforma íntima, com vistas ao aperfeiçoamento moral.

O Espírito da Verdade preconizou: “Espíritas!
Amai-vos; este é o primeiro ensinamento;
instrui-vos, este é o segundo”.
É na combinação do amor e do conhecimento que conseguiremos a evolução.
E o livro espírita é ferramenta indispensável.

Portanto eis as cinco obras básicas da Codificação:
- O LIVRO DOS ESPÍRITOS (1857). Obra de caráter filosófico.
É considerado a espinha dorsal do Espiritismo, já que todas as outras obras partem de seus princípios.

- O LIVRO DOS MÉDIUNS (1861). Demonstra as conseqüências morais e filosóficas decorrentes das relações entre o mundo material e espiritual.

- O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (1864).
Parte religiosa e moral da Doutrina Espírita, onde muitas "instruções" são passadas à Humanidade por um grupo de espíritos superiores, sob a assinatura de "Espírito da Verdade"

- O CÉU E O INFERNO (1865). Apresenta a verdadeira face do desejado Céu, do temido Inferno, como também do chamado Purgatório. Põe fim às penas eternas, demonstrando que tudo no universo evolui.

- A GÊNESE (1868). Mostra como foi criado o mundo, como apareceram as criaturas e como é o Universo. É a parte científica da Doutrina. Explica a Criação, colocando a Ciência e a Religião face a face.

A Doutrina espírita é o maior monumento de sabedoria para a Humanidade, uma vez que desvenda os grandes mistérios da vida, do destino e da dor, pela compreensão racional e positiva das múltiplas reencarnações.

O Espiritismo respeita todas as religiões, valoriza todos os esforços para a prática do bem, trabalha pela confraternização entre todos os homens independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença ou nível cultural e social, e reconhece que
"o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza".

O avançado da hora se registra.
Caminhamos para o término. Vamos arrematar com uma reflexão sobre nossa caminhada nesta existência.

É muito importante a consciência de que não estamos aqui por acaso.
A responsabilidade da caminhada é unicamente nossa e não podemos fraquejar.

Somos seres gregários, cabendo-nos a compaixão pelo próximo, pelo menos o mais próximo.

Assim, é sempre bom reafirmarmos os nossos propósitos de fé nos valores e no exercício do amor.

“Sei que toda caminhada tem um destino e uma direção, por isso, devo medir meus passos, prestar atenção no que faço e no que fazem os que por mim também passam, ou pelos quais, passo eu.

Que eu não me iluda com o ânimo e o vigor dos primeiros trechos, porque chegará o dia em que os pés não terão tanta força e se ferirão no caminho e se cansarão mais cedo. Todavia, quando o cansaço houver, que eu não me desespere e acredite que ainda terei forças para continuar, principalmente quando houver quem me auxilie.

É oportuno que, em meus sorrisos, eu me lembre de que existem os que choram. Que, assim, meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem.

Quando chegar a minha vez de chorar, que eu não me deixe dominar pela desesperança, mas entenda o sentido do sofrimento que me nivela, que me iguala, que torna todos os homens iguais.

Quando eu tiver tudo: farnel e coragem, água no cantil e ânimo no coração, bota nos pés e chapéu na cabeça, razão para não temer o vento e o frio, a chuva e o tempo,
que eu não me considere melhor do que aqueles que ficaram para trás,porque pode vir o dia em que nada mais terei para a jornada. E aqueles que ultrapassei me alcançarão no caminho. Poderão, também, fazer como eu fiz, e nada de fato
fazerem por mim, que ficarei sem concluir o meu trajeto.

Quando o dia brilhar, que eu tenha vontade de ver a noite, em que a jornada será mais fácil e mais amena.

Quando for noite e a escuridão tornar mais difícil a chegada, que eu saiba esperar o dia como aurora, o calor como bênção.

Que eu perceba que a caminhada só poderá ser mais rápida, mas muito vazia.

Quando eu tiver sede, que encontre a fonte no caminho.

Quando eu me perder, que ache a indicação, a seta, a direção, a estrela-guia.
Que eu não siga os que se desviam, mas ninguém se desvie seguindo os meus passos.

Que a pressa em chegar não me afaste da alegria de ver a simplicidade das flores à beira da estrada.

Que eu não perturbe os passos de ninguém.

Que eu entenda que seguir faz bem, mas, às vezes, é preciso ter-se a bravura de recomeçar, voltar ao ponto de partida, tomar outra direção.

Que eu não caminhe sem rumo.

Que eu não me perca nas encruzilhadas, mas não tema os que assaltam e os que embuçam.

Que eu vá aonde devo ir e, se eu cair no meio do caminho, que fique a lembrança de minha queda para impedir que outros caiam no mesmo abismo.

Que eu chegue, sim, mas, ainda mais importante, que eu faça chegar quem me perguntar, quem me pedir conselho, e acima de tudo, me seguir, confiando em mim.”

O amor produz sempre um efeito positivo em quem o recebe e de maneira mais intensa em quem o pratica.. Ele é e será a melhor opção.

Esperando ter contribuído de alguma forma,
agradeço a atenção e despeço-me pedindo ao Mestre Jesus que nos abençoe,
não só a nós deste recinto, mas a todos os habitantes do Planeta,
principalmente aos que estiverem em hospitais, em abrigos,
nos manicômios, nas penitenciarias, jogados pelas ruas, em conflitos...
Abençoa, também, Mestre amado, aqueles
que ainda não conseguiram te encontrar.

Obrigada!

Palestra proferida por Genaura Tormin no Centro Espírita. Jason Cunha,
em 05.05.2008, em Goiânia-GO

REBELDIA


Sou eu mesma!!
Um voo pelos ares para conferir o mundo!
Rebeldia, ousadia e atrevimento são minhas marcas registradas.
Ousar me faz bem, sinto-me no pedestal do curso de reciclagem que vim fazer aqui.


REBELDIA
(Genaura Tormin)

Rebelde e ousada
Sigo a minha estrada.
Não aceito cabrestos, nem peias.
Sou leve, livre e solta.
Não me subjugo,
Não me quedo a cadeias.

Nasci assim e o serei até o fim.
Peco, muitas vezes.
Não sou perfeita!
Reinicio sempre!
Tentar é o meu lema!
Tenho que experimentar
Para evoluir

Não sou anjo,
Nem demônio.
Sou mulher!
Guerreira por excelência,
Exibo a minha essência.
Faço a hora,
Confesso a minha culpa,
E escrevo a história.

domingo, 15 de novembro de 2009

MENDIGA POR UM INSTANTE


MENDIGA POR UM INSTANTE
(Genaura Tormin)

É preciso ter garra para enfrentar, pois, o preconceito é uma realidade que não podemos negar. Pouco se sabe sobre a nossa capacidade de trabalho, sobre o nosso direito à cidadania.

Ainda recente, inauguraram uma bonita padaria perto de minha residência. Numa dessas caminhadas (de scooter) para tomar um pouco de sol ou resolver algum compromisso, resolvi conhecê-la. Não conseguindo vencer o pequeno degrau, dirigi-me a um rapaz que me parecera ser o gerente e disse:

— Eu queria entrar aí, mas não posso por causa do degrau.
— Eu vou lhe dar um pedaço de pão — disse-me ele, solícito.
Imediatamente determinou a uma das servidoras que o fizesse, a qual, minutos depois, entregava-me o presente num saco de papel. Agradeci e coloquei-o no cestinho do scooter.

Claramente, percebi que, pelo fato de me encontrar num veículo próprio para deficiente físico e isso costumar passar uma ideia de mendicância, havia sido confundida, razão por que resolvi mostrar-me e executar um trabalhinho na seara da conscientização. Manobrei o meu esdrúxulo veículo e dirigi-me ao rapaz, que orientava um profissional que inspecionava a porta de vidro com defeito.

— Você sabe que porta de vidro estilhaça? É mesmo prudente que seja revista. O meu marido tem um consultório aqui perto, no prédio Aquárius Center, e a porta estilhaçou. Ele conseguiu a reposição porque o profissional ainda não lhe havia entregado o serviço. E é cara, sabia? — disse-lhe em tom conhecedor.
O rapaz olhou-me atento e retrucou:

— A senhora vai gostar do pão. É especialidade nossa!
— Com certeza! Faça uma rampinha, que serei sua freguesa. Virei aqui todos os dias.

Despedi-me, agradeci e saí. Ao chegar a casa, peguei o saco de papel e de lá retirei a dádiva: um pedaço de pão, tipo bisnaga, com uma fatia de queijo e uma folha de alface. Como sou meio gordinha, gostei por não conter manteiga ou maionese. Fiz um cafezinho e deliciei-me com ele.

De outra vez, fui conhecer uma boutique de carne, muito requintada, inaugurada na minha rua. As paredes espelhadas multiplicavam o ambiente e as vitrines exibiam as carnes, as mais diversificadas em variados cortes. Os servidores uniformizados indicavam higiene e bom trato.

Deixei-me ficar ali por alguns minutos, quando um senhor bonito, alto, bigode largo, bem vestido, saiu do interior da Casa de Carnes e veio me atender. Como estava apenas passeando, fiquei um tanto sem graça e simplesmente perguntei aleatoriamente o preço da carne em mantas da vitrine que eu estava defronte.

— É carne de sol e está em promoção — dissera-me ele.
— Será que não é muito salgada? — retruquei.
— Não! É especialidade nossa. Isto é picanha, minha senhora!

O preço, realmente, estava bem abaixo. Mas não havia saído para comprar carne. Hesitei um pouco, enquanto ele ainda esperava ao meu lado, não sei se num atendimento diferenciado ou preocupado com a minha presença no local. Para minha surpresa, usou da palavra e em tom educado dissera-me que me faria a carne pela metade do preço.

— Muito desapontada, pedi um quilo da carne, pois, por sorte, portava uma bolsinha que continha alguns trocados, praticamente moedas, que tive que juntar e recontá-las.

Em casa, botei-a no forno, e quando o marido chegou para o almoço achou a carne excelente, além de bem posicionada numa bonita travessa. Realmente dourada e no tempero certo. Também, tratava-se de picanha! Contei o ocorrido e o preço.

— Por que você não comprou uns dez quilos? Mesmo que tivesse que voltar aqui para pegar dinheiro ou cheque — dissera-me ele em tom de brincadeira, acrescentando que eu seria a compradora-mor da casa, a partir daquele dia.

Rimos muito, e mais esse episódio juntou-se ao arsenal de minha trajetória, comprovando que falta ainda muita consciência popular sobre as diversidades. Nossa estampa carrega o estigma do “coitadismo”, causando piedade, temor e quase nunca o respeito. É como se não fôssemos egressos da mesma sociedade.

SOMOS NECESSÁRIOS


SOMOS NECESSÁRIOS
(Genaura Tormin)

Quantas vezes escolhemos a trilha
E a vida nos mostra outro caminho.
Tantas serras, pedregulhos,
Onde nos machucam os espinhos.

Mesmo cansados, estropiados e famintos,
A caminhada vale a pena pelo aprendizado,
Que nos moldará o espírito,
Pois aqui não estamos por acaso.

Somos necessários
Aos que caminham ao lado.
Estamos sempre no lugar certo,
Pois servir é o nosso legado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

É PRECISO SEMEAR


É PRECISO SEMEAR
(Genaura Tormin)

Numa 2ª-feira, aconteceu-me algo inusitado.

Um senhor claro, robusto, com fisionomia que me lembrara o papai, encontrava-se triste, encostado à parede, na entrada da delegacia. Passando, dirigi-lhe um “bom-dia”. Senti vontade de atendê-lo em primeiro lugar, pela lembrança que me causara e por seu estado depressivo. Rodei a cadeira para trás e interpelei-o:

— O senhor vai tratar aqui, na Delegacia de Menores?
— Vou sim — respondeu.
— E qual é o seu problema? — voltei a perguntar.

Olhando-me de cima para baixo, como se estivesse a radiografar-me, o senhor trocou a morbidez por uma fisionomia austera. Comprimiu a testa, expeliu dois muxoxos e, como ainda esperasse, respondeu em tom agressivo:

— O meu assunto diz respeito somente à minha pessoa e ao Delegado de Menores. Não costumo contar os meus problemas para estranhos, ainda mais para uma aleijada.

— Tudo bem! — respondi e saí. Certamente, acordara com o pé esquerdo ou era a oportunidade para mais um trabalho na “seara”.

Menos de uma hora, o referido senhor estava à minha frente.
— Bom-dia! — disse ele.
— Bom-dia! Em que lhe posso ser útil?
— Posso me sentar?
— À vontade.
— Tenho um filho menor de idade que é toxicômano. Foi preso esse fim de semana. Já fiz tudo para tirá-lo desse vício, mas não adiantou. Viciou-se aos 13 anos. Mudamos daqui para o interior, onde ficamos por três anos. Tem uma semana que retornamos. Tudo voltou: a droga e a prisão. Vou desistir — lamentou.

— Não! Os pais jamais podem desistir. Se os filhos não precisassem de pai e mãe, nasceriam feito batata no brejo. Igual à planta. A responsabilidade dos pais é bíblica. Vou ajudá-lo.

Mandei pesquisar o arquivo e eis que o menor contava com passagens por uso de substâncias tóxicas, e agora, cocaína.

— Quem sabe uma clínica para desintoxicar? O senhor arranja a clínica. Para todos os efeitos, ele estará sendo internado pela delegacia. Mandarei levá-lo. Ele não ficará sabendo nem que o senhor esteve aqui. Isso, para preservar o diálogo e o respeito. Depois, em sã consciência poderá aceitar outros tratamentos.

Seu filho nunca deixou de usar tóxico. Como é o seu relacionamento com ele? O senhor sabe quem são os seus amigos? O senhor se preocupa se ele dorme ou não em casa? Já pensou em dar-lhe uma atividade responsável, mesmo em seu ramo de negócios? Ser pai é espinhoso! Será que o senhor tem sido um bom pai? Não tem culpa no cartório? Quase sempre o menor quer revelar uma insatisfação, uma carência, procedendo dessa maneira no mundo das drogas.

Vida é saber se relacionar; é ser enérgico quando precisar; é tratar bem, dialogar, ajudar, dar um sorriso, uma palavra de apoio, uma batidinha no ombro, um gesto de solidariedade, um bom-dia agradável... A propósito, ainda há pouco, uma deficiente física, uma aleijada mesmo, como o senhor disse, dirigiu-lhe a palavra, espargiu-lhe um sorriso, tacitamente lhe oferecendo ajuda. E qual foi a troca? Meu amigo, a mente continua a mesma, o coração muito maior. Continuo sendo gente do mesmo jeito. Com uma diferença: aprendi a discernir o bem e o mal. O sofrimento aparou-me as arestas. Ensinou-me a ver o ser humano pela essência, pela alma que não se encerra nessa caminhada.

Não continuei porque o austero homem chorava. Levantou-se, deu-me um beijo na testa, talvez o primeiro tão humilde e espontâneo de toda a sua vida. À tarde, telefonou-me dando o nome da clínica.

Não fiquei sabendo de mais notícias porque o menor não mais retornou à delegacia.
Será que o pai mudou de atitudes em relação ao filho?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MENSAGEM PÓSTUMA À DESEMBARGADORA IALBA-LUZA


HOMENAGEM PÓSTUMA A DESEMBARGORA IALBA-LUZA GUIMARÃES DE MELLO
do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás
(Genaura Tormin)


Ela se foi em paz! Era chegada a sua hora! Como num passo de mágica, alçou seu vôo ao Cosmos, no mês das flores! Sequer se despediu! Não houve tempo! Talvez tenha ido exercer outras missões urgentes, defender o ser humano junto ao Criador de Vidas.

Ela, aqui, foi uma guerreira, um exemplo de bravura, de ousadia e coragem! Não foi uma magistrada por herança vitalícia! Sua trajetória foi um manancial de sacrifícios, lutas, obstinações para a conquista do cargo e o seu profícuo exercício.

Foi uma precursora da Era de Aquário, principalmente no soerguimento social, no respeito à inclusão. Como presidente, dirigiu com maestria os destinos da Justiça do Trabalho deste Estado.

Uma mulher das leis, comprometida, envolvida em conceitos e questionamentos na busca incessante do Amor Maior, do conhecimento de si mesma, do aperfeiçoamento da alma. Suas palavras eram holísticas. Quem diria que partiria tão cedo?

Ela tinha necessidade de melhorar o porvir. Seus julgamentos transcendiam justeza, estampavam o seu caráter, a sua alma translúcida e bela.

Era enorme a sua vontade de servir. Como mestra, os seus ensinamentos concitavam-nos a uma reestruturação de nós mesmos no vasto campo do existir.

Na mente bailava-lhe a vida, a vontade de superar o tempo, driblar os anos.

Era uma pessoa linda, inteligente, otimista, boa mãe, boa amiga, boa mestra, causídica ferrenha em defesa da justiça. Usava palavras certas, deixava o seu recado em tela matizada de letras, que só ela sabia tão bem escolher a policromia.

Ela partiu, mas os exemplos ficarão como legados na história do Estado que teve o privilégio de possuir tão digna cidadã, tão digna magistrada.

A Dra. Ialba-Luza era uma mestra! Sua sabedoria extrapolava os limites do convencional. Certo dia, dissera-me baixinho: “Experiência maravilhosa é tentar caminhar. Se não der conta, rasteje, mas caminhe!”.

Que criatura especial! O carinho, a simplicidade, a espontaneidade, a capacidade de doar-se e a alma sempre jovial, quebravam a aspereza do cotidiano, embelezavam os momentos, devolviam-nos sempre a paz, a vontade de viver. Ela era o símbolo de vida.

Em um de seus aniversários enviei-lhe o poema:


MEUS VERSOS, MINHA CANÇÃO

Trago o meu abraço,
Meus versos, minha canção,
Para a juíza Ialba-Luza,
Pessoa muito querida,
Que carrega o mundo nas mãos,
Na ponta da sua caneta,
Nos veios do coração.

Uma profissional arrojada,
Mulher forte,
Ombros de aço,
Caráter determinado,
Caminho e caminheira
Deste mundo inacabado.

No rosto, a simpatia,
A loirice das crianças.
Na mente, a sabedoria,
A garra, a crença, a coragem,
Que a tornam uma vencedora,
Um exemplo, uma guru,
Ressaltando a fidalguia,
Dessa juíza querida
Que hoje aniversaria.


Sua passagem pela vida e a relevância dos seus feitos serão marcas inesquecíveis, que concitarão outras mulheres a batalhar pelos seus espaços, vencendo preconceitos, tabus e discriminações, não se subjugando às subserviências, mas fazendo-se respeitar pela competência, pelo preparo técnico-científico e pela coragem que deve encabeçar todos os desejos de conquista.

Haverá sempre uma cadeira vazia, um plenário incompleto, uma lacuna entre os magistrados de Goiás e do Brasil! Uma lacuna entre nós. Uma cicatriz eterna.

Ela fez a diferença! Construiu muralhas de afeto, erigiu castelos de amizade com o sorriso, o jeito de ser, a presteza sempre perene, que ficarão guardados para sempre no coração e na saudade dos que, aqui, tiveram o privilégio de conhecê-la.

Cumpriu-se a vontade do Senhor!

O corpo físico é somente uma vestimenta do espírito quando em missão por este planeta. Isso quer dizer que não morremos, apenas trocamos de vestimenta, na hora certa, no momento exato.

O Criador nos fez à sua imagem e semelhança. Não seria justo que fôssemos apenas matéria finalizada numa tumba fria. O Senhor sabe o que faz!

A Desembargadora IALBA-LUZA GUIMARÃES DE MELLO foi um presente de Deus para a vida, uma trabalhadora do bem, uma profissional aguerrida!

A ela, o nosso preito de gratidão e saudade.

A ternura do olhar, a doçura do coração, dispostos sempre a ajudar, estarão a colorir o Cosmos, a endereçar a terra os seus reflulhos de amor.

Goiânia, setembro de 2008

Genaura Tormin - Analista judiciário do TRT-GO
É escritora - autora dos livros: Pássaro sem Asas,
Apenas uma Flor, Nesgas de Saudade e Borboleteando.
Email: genaura@hotmail.com
http://genaura.blogspot.com

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

GENAURA, QUERIDA


Zany, uma coleguinha linda! Poeta por excelência! Alma grande que sabe ver a essência, o lado bom da vida. Seus versos são eivados de poesia, em que a alegria estampa-se faceira, decantando o amor em seu sentido mais amplo.
Obrigada, amiga querida, por vc haver cruzado o meu caminho nesse mundo tão lindo da sensibilidade poética.

GENAURA, QUERIDA
(Zany Lopes)

Todas as palavras que eu disser aqui
Ainda serão poucas para externar
O carinho e admiração que eu sinto por ti.

És sinônimo de força,
Coragem e perseverança.
És símbolo de amor, carinho e amizade.
És como a pomba da paz
Nos trazendo a esperança...

Teu sorriso sincero
Expressa tudo de bom
O valor da vida, no verbo do amor.
Através das tuas palavras escritas
Aprendi que nesta vida
Tudo tem o seu valor.

Aqui no Planeta, me encanto contigo,
Em cada artigo que leio na tela,
Em cada lição de vida que tu me dás,
Me mostra que a vida é bela,
Basta a gente a tudo amar...

És mulher guerreira!
És mulher completa,
Digna de se contemplar!
És um anjo de Deus
Que na terra veio morar!

domingo, 8 de novembro de 2009

SIMPLESMENTE, GENAURA



JÔ TAUIL, uma pessoa grande, uma alma iluminada que tive o prazer de conhecer nesse universo da virtualidade! Uma poetisa renomada dos versos e da vida. Uma mestre em exercício que nos ajuda a crescer, a melhorar nossos valores e ascender. Obrigada, amiga querida! Fico sempre a dever, mas muito feliz por vc ver tudo isso em mim.

SIMPLESMENTE, GENAURA...
(Maria José Tauil)

Genaura Tormin
mulher inteira
MULHER GUERREIRA
coragem herdada
de Angelina Muribeca
mulher-cultura
mulher - biblioteca
mulher alada
de incríveis vôos
em céus independentes
mulher efervecente
de humor eloqüente
da alegria envolvente
MULHER - ESPERANÇA
que jamais se cansa
a mãe - carícia
de Lara Patrícia
a mãe - paparico
de Flávio, Fernando e Frederico
do Alfredo, a afinidade
preciosa metade
sua grande verdade
apoio...abrigo
amado e amigo
mulher - plenitude
mulher - melodia
mulher - virtude
manto...agasalho
céu...paraíso
MULHER MARAVILHA
dos sonhos, andarilha
mulher sapiência
de bela aparência
pura benevolência
mulher que conquista
mulher - artista
idealista
da vida, contorcionista
malabarista
.................
Genaura - amiga
lealdade a longo prazo
a maior prova
de que aqui não viemos
por acaso...

PARABÉNS, AMIGAAAAA!!!!
QUE DEUS TE ABENÇOE SEMPRE!
TE AMO!!!!!!

MENINA SAPECA


Um comentário de uma leitora/amiga a um poema meu. Emocionada agradeço muito. Não mereço tanto, mas essas menções de carinho aumentam a fé, a garra e a certeza de que de que estou seguindo a minha estrada.


MENINA SAPECA
(Selma Regina de Morais)

Menina sapeca, menina espevitada,
na mesma proporção com que se faz amada!
Se ousadia é o seu nome e rebeldia o sobrenome,
ainda lhe sobram doçura e meiguice como codinome.

A coragem lhe empresta asas; a liberdade dita seu rumo.
Que culpa há a ser confessada, se o bem é seu resumo?
É guerreira mesmo, é forte, é destemida: exemplo de vida.
Sou amiga, sou fã, companheira de jornada, orgulhosa irmã...

sábado, 7 de novembro de 2009

MINHA FAMÍLIA


MINHA FAMÍLIA
(Genaura Tormin)

Sinto-me muito honrada pela família que tenho, restando-me o sentimento de missão cumprida e de muita satisfação. Todos são ótimos filhos. Sem eles minha trajetória não teria dado tão certo. Ganhei um grande problema físico que implica grandes amarras, mas, por retaguarda, construímos uma família maravilhosa, engajada, que me ama e não me castra as oportunidades. Pelo contrário, é um nascedouro de forças, incentivos que me fazem caminhar mesmo sem o uso das pernas. Com ela enfrentaria a guerra sem medo de perder. E isso é de importância vital. Talvez seja o segredo de todo o sucesso que tenho conquistado.

Com certeza, não gostaria de ser andante e ter uma família diferente. Estou realizada! Para mim significa um privilégio. Quantos passam pela vida sem formar uma família! Tive a felicidade de ser mãe dos melhores filhos do mundo. Lembro-me, com carinho, de cada travessura, de cada afeto, de cada aprendizado. O Fernando sempre me consultava ao escolher a roupa.
— Mamãe, esta camisa combina com esta calça?

Lindinho, o Fernando! Uma criança adorável, carinhosa, ordeira e preocupada conosco.
Aos cinco anos dirigira-se ao pai, ao despedir-se para a Escola:
— Papai, não precisa dar dinheiro pra gente comprar lanche! Guarde para você pagar suas dívidas!

Era tão pequeno que a palavra dívidas foi pronunciada de forma muito engraçada. Não posso esquecer a meiguice, os olhos lindos e tristes... Gostava de cantar e encantava a todos. Inundava de luz qualquer ambiente.

Certa vez um policial de trânsito nos abordara. Fernando tomou a defesa:
— Minha mãe é polícia, quero ver! Ela prende você!
Sorrindo, o guarda nos dispensou.

Garoto educado, trabalhador, ótimo em tudo. Um presente de Deus para a vida! Um anjo da guarda polivalente. Hoje um homem! Um lindo rapaz! Dono de todas as virtudes. Um bom filho, um bom colega. Para ele nunca há problemas, sempre soluções. Um espírito evoluído que tivemos o privilégio de chamar de filho.
Pedi-lhe para fazer a orelha da 4ª edição do Pássaro Sem Asas. Sempre que o lembrava da tarefa, ele me mostrava a sua orelha e perguntava:
— Mamãe, esta serve?

— Serve para puxá-la, caso você não me apresente a tarefa na atempação necessária.
Finalmente, a orelha ficou pronta. Linda! Chorei muito ao lê-la. Emocionou-me relembrar do tempo em que fiquei repentinamente paraplégica, causando ruptura tão grande na vida da família. O sentimento, com certeza, ficara registrado na cabecinha de cada filho, e agora, Fernando o transmitia com tanta perfeição, com tanta ternura, na orelha do meu livro.

Ainda há pouco, encontrei o rascunho de uma carta do filho Flávio, a qual me deixou feliz, ciente de que, mesmo por meio de uma interrupção, de uma grande catástrofe, conseguimos emergir e abrir novo rumo, novo caminho para reconduzir a família. Hoje tenho certeza de que as dificuldades, os sofrimentos bem processados transformam-se em adubo fértil para uma boa colheita. A perda nos passa sempre o sentimento de valoração e nos prepara para as novas aquisições.
“(...) Quando mamãe ficou paraplégica, eu tinha dez anos. De certa forma, não tinha maturidade para compreender a dimensão do problema. Foi duro. Tivemos que conviver com muitas dificuldades. Minha irmã tinha 11 anos. Era a mais velha e a mais responsável. Fomos forçados a amadurecer precocemente. Éramos muito pequenos.
Ainda me lembro dos meus dois irmãos menores, questionando por que mamãe não andava mais. Às vezes choravam. E eu também.

Na verdade, as dificuldades tentaram nos colocar em “xeque”. Para vencê-las tivemos que nos unir. Foi uma mudança brusca.

Hoje tenho certeza de que tudo isso serviu para ampliar a minha visão do mundo, a minha segurança diante dos problemas e o determinismo para resolvê-los.
Mesmo tendo a mãe paraplégica, tivemos uma educação baseada na união, solidariedade, honestidade, trabalho e muito espírito de luta. Mesmo pequenos, éramos todos os seus enfermeiros e o fazíamos com muito amor sob a orientação do papai.

Vejo minha mãe como uma supermulher e sempre que chego a casa o meu primeiro olhar é para ela. Até hoje, deito-me ao seu lado para ganhar carinho. Ela foi e continua sendo a minha confidente, a minha orientadora. Além de mãe, é grande amiga”.
Cada filho é uma individualidade à parte, ajudando a formar um só espírito-de-corpo em busca da unidade da família que, assim alicerçada, torna a vida uma maravilhosa aventura.

O Frederico é o último da prole. “A raspa do tacho”. Tem personalidade forte, caráter determinado, impulsivo, ágil, ligeiro, sabe o que quer. Por isso é sempre inteiro, verdadeiro, independente. Sabe perseguir os sonhos. Em tudo, usa a disciplina, a inteligência, os meios corretos, o bom senso para a vida conquistar. Porte elegante, sorriso altaneiro... Cultiva a fraternidade, carisma, crença e coragem. É um mestre em tenra idade! Dele, vêm os conselhos, o compromisso, a responsabilidade, a resolução dos impasses, a fórmula ideal para a felicidade.

A Lara é a primogênita de uma linda história de amor, que tem vencido as contingências da vida, as intempéries do tempo. É o elo de ternura que selou para sempre as nossas vidas, ensinando-me o fascinante segredo da maternidade. O nome, LARA, deve-se ao filme “Dr. Jivago”, que assisti várias vezes quando ainda solteira. Ainda me lembro dos poemas que Jivago escrevia à sua amada, embora fosse tempo de guerra. Os campos de girassóis, onde os poemas esgueiravam-se entre as flores, tocados pelo vento de Varikyno, aos primeiros albores da aurora, e ainda sob um céu encapelado pelos rigores do frio. Lara tem gênio forte, predicado das pessoas determinadas, inteligentes, guerreiras. Com ela aprendi o exercício do amor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

GENAURA FALA SOBRE ENCONTRO LITERÁRIO EM RIO VERDE-GO


GENAURA FALA SOBRE ENCONTRO LITERÁRIO EM RIO VERDE-GO

Aconteceu na cidade de Rio Verde nos dias 6 e 7 de novembro último o I Encontro Cultural Rio Verde/Goiânia. Uma reunião de escritores conhecidos da cultura goiana de ambas as cidades. Um intercâmbio erudito e proveitoso.

O convite fora-me feito com tanto carinho que a alegria de cumpri-lo grassava meu espírito aventureiro. O seu idealizador, o escritor Filadelfo Borges, era credor de minha admiração por causa de seus constantes e edificantes escritos no Jornal "O Popular " de Goiânia, minha cidade .

A Fundação Municipal de Cultura e o Jornal "Vale do Verdão" encarregaram-se do êxito do Encontro. Tudo planejado com perspicácia e denodo, evidenciando-se a alma linda, translúcida e bandoleira de Francisco Bentinho.

A caminho, podíamos avaliar o progresso da região, notadamente pela agricultura, em extensas glebas de plantios, que ladeavam a rodovia.

De repente, à nossa frente, uma linda cidade! Uma mistura de modernismo e tradição, estampando a fartura e o cuidado de um governo responsável. Numa arquitetura arrojada, os espigões erguidos em pontos estratégicos, além do mobiliário da cidade, denotavam exigência e bom gosto do povo rio-verdense. Também o hotel que nos hospedou - Rio Verde Pálace - nada deixou a desejar. Excelentes acomodações, bom trato, beleza e um corpo de servidores refinado, destacando-se sua gerente Ilza, aliás, Dra. Ilza, moça culta, competente, mestra na Universidade que, com seus olhos azuis como safiras e o sorriso peculiar, conquistou a nossa simpatia.

Acompanhada do marido Alfredo, companheiro inseparável de todos os passeios, e do filho Flávio, eis-me no local do evento: O "Palácio da Intendência" – um casarão antigo, devidamente restaurado, que guarda toda a história política de 150 anos de tradição dessa cidade goiana.

Era o povo em festa! As autoridades constituídas, escritores, e a fina flor da cidade ali se encontravam, com destaque para a prefeita Nelcy Spadoni que, pela postura, elegância, harmonia de voz e trato, deixou jorrar a simpatia que a todos impregnou.

Ela, a mulher que se preocupa com o lado poético, com a sensibilidade do homem, enquanto caminheiro dessa estrada. Ela sabe que escrever é um ato de amor. É driblar barreiras, alar o mundo feito borboletas. Escrever é desnudar-se. Sem dúvidas, escrever é ter a coragem por escudo, perscrutando sonhos, definindo realidade. Ela, a mulher que, pela grandeza de coração sabe ouvir o inaudível, os sentimentos mudos, os versos silenciosos da sua gente. Mulher ousada, corajosa, destemida, a criadora da Secretaria de Cultura! Uma prefeita na virada do século! _ pensei encantada.

Após a composição da mesa, a festa rolou até altas horas, regada pelas músicas da pianista Ruth, de quem levantou-se uma detalhada biografia, mostrando o seu valor, cujas raízes remontam à tradicional família rio-verdense.

Muitos discursos, ensinamentos históricos, novas amizades e, naturalmente, uma linda noite de autógrafos. Entre os escritores da terra, como a Zilda Pires, estava eu com o meu livro Pássaro sem asas, o Brasigóis Felício, para mim, o monstro sagrado da literatura goiana, diante de quem curvo-me com respeito. Ainda, o Getúlio Araújo, o poeta-médico da terra dos coqueirais balouçantes, do mar encrespado, das ondas dançarinas...

Valdivino Braz, Aidenor Ayres e o famoso cartunista Jorge Braga, moço de talento inigualável que com suas charges criativas e engraçadas encarrega-se de aflorar o humor dos goianos, lá se encontravam na troca de solidariedade e afeto com os intelectuais de Rio Verde.
Terminamos a noite numa linda churrascaria. Um jantar selou a nossa amizade com aquela gente erudita, cujo carinho estampava-se em sorrisos. Bentinho era a figura central de todo esse carisma: extrovertido, culto, franco... Um poeta do meu querido torrão nordestino!

Realmente, foi um encontro inesquecível! Costumo dizer que o poeta é como a chuva: dá nova roupagem à vida, faz brotar as flores, aninha-se no amor, nos veios da ternura, vestindo de verde todos os momentos.

E naquela noite CHOVEU em Rio Verde!


Genaura Tormin
Publicado no Recanto das Letras em 22/08/2007

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

PEDAÇOS DE MIM - Prefácio


Prefácio para o livro
PEDAÇOS DE MIM
(Da poetisa SANDRA L. FÉLIX DE FREITAS)



Ousada e insinuante, feito ave de arribação, a autora envereda pelos veios da poesia, desvestindo desejos e deixando fluir todas as emoções de viver. Escancara o coração, e sem traves, sem tréguas, sem barreiras, aporta o claustro dos sentimentos, do erotismo, da ânsia do prazer e põe-se a tecer a teia de seus versos.

Poemas lindos, sensuais, sugestivos, líricos, marcados por símbolos fortes, dinâmica fluente, sinceridade metafórica. Um varal de versos para todas as predileções. Vislumbram as várias fases da vida, com suas idas e vindas, perdas e conquistas.

Qual borboleta viageira, pega carona no próprio poema e deixa que o sonho flutue alado pela fantasia, pelo encanto, pela magia, alcançando o cume das montanhas, o azul infinito do cosmo, deixando-se ficar no coração de quem a lê.

Carpindo versos, enxugando lágrimas, emendando pedaços, passeia indefesa pelo passado, pelas machucaduras ainda exangues.
Excursionando pelo imaginário, ousa dizer: “ ... Nesse abraçar/Sem braços, nem laços,/ Do amor-imaginado,/Te quero em mim”.
Sem disfarces, aninha-se no colo da poesia para fazer catarse dos dissabores inaudíveis da existência humana.

Embora diga que as palavras morreram-lhe na garganta, sua poesia mostra-se doce, linda, alada: “Hoje minha alma ganhou asas,/Ganhou o espaço,/Atravessou cidades e matas/E voou para seus braços,/Deitou-se no teu abraço,/Buscando seu calor,/E entregou-se ao teu amor”.

Terna e passional, Sandra vai em busca do príncipe encantado, da alma gêmea para construir seu paraíso. “Tuas mãos errantes,/atrevidas... /Acendem a chama do meu desejo/de ter você, sentir seu beijo”.

Além de bela mulher, com sensibilidade exacerbada e uma incansável busca do conhecimento de si mesma, Sandrinha é altruísta, afetiva, solidária, amiga, o que a faz uma cancioneira incondicional do amor, em todos os seus sentidos. Uma poetisa nata.

A simpatia à flor da pele, a paixão pela vida, pelos amores, voejam no dorso de asas acrobáticas para colorir os momentos desbotados e recolher os pedaços deixados pela estrada, tentando florir as suas margens para alegrar os caminheiros.

Ler poesia significa azeitar a alma. “Pedaços de mim” dá-se a esse papel com galhardia. Os poemas cativam pela multiplicidade de percepções que apascentam o coração. Desfilam faceiros pelas mais diversas circunstâncias, ensinando, acalentando ou envolvendo o leitor em fímbrias de ternura, aumentando-lhe o prazer de viver e a beleza de amar e ser amado. Belo livro! Parabéns, poeta!



Genaura Tormin
Escritora

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ENTREVISTA COM GENAURA TORMIN


ENTREVISTA COM GENAURA TORMIN - Publicada no Jornal da Imprensa de Goiânia-

A volta da sensibilidade

Uma advogada deixou apenas uma anotação para a Analista Judiciário, Genaura Tormin, em seu local de trabalho, no Tribunal Regional do Trabalho, em Goiânia, sem fazer propagandas, sem tentar convencer de qualquer importância. Na mensagem estava escrito: “Entra no Google e pesquisa auto-hemoterapia – trabalho do Dr. Luiz Moura”. Sem nunca ter escutado falar sobre tal procedimento, Dra. Genaura pesquisou na internet e gostou do que leu sobre o assunto. E claro, depois, adquiriu o DVD com a entrevista com o médico Luiz Moura, com a própria advogada. Ficou mais impressionada ainda, como quase todos os que assistem ao vídeo com o médico simpático explicando minuciosamente, e de maneira fidedigna, o que é a auto-hemoterapia.

Mais uma sementinha estava plantada. Mais uma pessoa queria experimentar os métodos terapêuticos do exímio médico, Clínico Geral, Dr. LUIZ MOURA, descritos numa entrevista gravada em DVD. Os frutos, como todos os outros, são os melhores possíveis. Embora se repute cética, Dra. Genaura acreditou e se prontificou a experimentar. Como Delegada de Polícia, hoje aposentada, aprendeu a duvidar e conhecer as pessoas, detectando suas mentiras. Além disso, seu marido é um profissional de saúde. É odontólogo. Ele também ficou impressionado com a técnica e seus benefícios, bem exemplificados pelo médico, cuja dignidade e respeito estampavam-se a cada palavra.

Assim, ela quis experimentar, mais somente para prevenção, tendo em vista a idade e uma trombose na perna esquerda. Não cogitava melhoras para a paralisia, com quem convive há 25 anos, o que a faz usar sonda vesical, além de estar banida da sensibilidade tátil e da locomoção. Ela deambula de cadeira de rodas. Sua lesão é medular e está localizada em nível da 4ª vértebra torácica (T-4).

As duas primeiras aplicações da auto-hemoterapia, ela tomou de 5ml, com o objetivo exclusivo de prevenção. Por causa de um grande cisto no ovário, constatado através de ultra-sonografia, ela aumentou a dose para 10ml.

Já com vistas a uma intervenção cirúrgica, ficou assustada ao fazer outra ultra-sonografia, 4 dias depois do primeiro exame, e constatar que o cisto havia desaparecido. Ela mostra ambos os exames.

Críticas médicas

O médico teve que dar o braço a torcer e a contragosto afirmar que poderia ter sido a auto-hemoterapia a causadora do desaparecimento do cisto, já que tinha sido a única coisa diferente que ela havia feito nos últimos dias. Mas antes disso ele havia rebatido a técnica. Procedimento que a medicina não faz. Não é aceito pelo Conselho, dissera ele. Tanto ele como os outros médicos amigos com quem ela conversou sobre a auto-hemoterapia, mostraram-se contrários, reticentes. Muitos desconheciam, enquanto outros afirmaram que a técnica não fazia sentido.

Após o desaparecimento do cisto (que não era pequeno), ela não parou mais de fazer as aplicações. Já são seis meses ininterruptos. E as melhoras também surgiram e continuam surgindo. Um outro grande passo e incentivo para a continuidade das aplicações da Auto-hemoterapia foi a confirmação de que o inchaço de sua perna esquerda, acometida há anos por uma trombose, havia praticamente desaparecido. Embora não lhe causasse dores, porque ela não tem sensibilidade, provocava-lhe um grande problema postural, forçando-a a usar um calço grande na cadeira para propiciar equilíbrio, uma vez que a nádega esquerda também continha o inchaço. Não há mais necessidade do calço. Também a pressão arterial, mesmo controlada por remédios, era muito alta. Muitas vezes ela fora trabalhar com a pressão verificada em 18 por 10. Ela se nega a faltar ao trabalho. “Nunca faltei ao meu trabalho.” Hoje a pressão arterial não tem apresentado alterações significativas.

A grande surpresa

O que ela não esperava começou a acontecer. Sua sensibilidade está voltando. Muita coisa tem mudado. Sempre há alguma novidade: a sensibilidade que era na altura dos mamilos (T-4), hoje se encontra pouco acima do umbigo. Sente a região lombar encostada no encosto da cadeira de rodas. Consegue contrair o abdome, o que não fazia antes, pois o diafragma não obedecia ao seu comando. Para tossir tinha que dobrar o tronco sobre os joelhos para conseguir forças para tal.

Hoje, ela consegue mexer a "bunda" voluntariamente, quando está em decúbito ventral, direcionando-a para a esquerda ou direita, cuja velocidade se soma a cada dia. Ela até filmou esse movimento e se sente feliz em mostrá-lo às pessoas do seu círculo social ou a quem queira ver. O equilíbrio melhorou muito, e conseqüentemente a qualidade de vida. Se continuar assim, ela acredita que vai recuperar o controle natural das necessidades fisiológicas.

No seu livro Pássaro Sem Asas ela fala sobre a perda da sensação de fome e de sede. Isso, também está sendo recuperado.

Hoje, ao se aproximar da hora do almoço, ela conta que sente uma fome danada. Porém, o que mais lhe agrada é não ter mais que usar fraldas, procedimento que fizera durante esses 25 anos, em que está paraplégica, vítima de uma Mielite Transversa. Usar fraldas era uma grande dificuldade. Agora, sem ela, a vida ficou mais fácil, principalmente quanto a ida ao banheiro. Diminuiu o tempo e o trabalho de ter que ajustá-la. Essa é a melhor parte, conta ela. A sensibilidade tátil continua em ascensão e ela se sente muito entusiasmada. Diz já sentir algum controle dos esfíncteres, o que significa uma grande conquista.

Todos tiveram que se curvar aos benéficos e significativos efeitos da auto-hemoterapia. Seu fisioterapeuta, sua família, e seus amigos médicos. Há ainda quem diga, para justificar, que pode ser uma melhora natural, devido a decorrência do tempo, o que ela rebate veementemente: _ “Fiquei 25 anos sem nenhuma melhora, nenhuma alteração no quadro locomotor ou na sensibilidade! E olha que lutei com unhas e dentes para conseguir alguma independência física. Tive que me contentar com o otimismo e a vontade ferrenha de continuar vivendo,” conta ela.

Uma escritora otimista, uma delegada atriz

Ao comentar a reportagem do programa da Rede Globo, Fantástico, sobre a auto-hemoterapia, cita a existência do quarto poder, que é o dinheiro. Refere-se aos malefícios do cigarro, cuja apologia tácita estampa-se em filmes e novelas, num convite silencioso aos mais incautos, bem como a Coca-Cola, que dissolve até ossos. No entanto, estão aí alardeados por propagandas homéricas na mídia escrita e televisionada, provocando muitas doenças, incluindo o câncer. O homem é mesmo o exterminador do próprio homem, completa ela. Assim, após uma análise consciente, resolveu fazer a auto-hemoterapia, uma vez tratar-se de uma técnica simples, sem nada químico. Com certeza não lhe faria mal. Os mestres tibetanos costumavam dizer: “Cura o teu corpo com o teu próprio corpo”, finalizou ela, tentando respaldar a inocência da conduta.

A auto-hemoterapia não mudou completamente a sua vida. Ela alega não ter pretensões de um dia voltar a andar. Se acontecer, será surpresa, pois a sua lesão está (ou estava) localizada logo abaixo dos seios.
“Tenho uma lesão grave, que não significa doença, mas uma seqüela que me trouxe grandes amarras físicas”, diz ela. Porém, para uma pessoa que não sabia o que era ter sensibilidade dos seios para baixo, não sentia fome, tinha que usar fraldas constantemente, o ganho foi incrível.

Mesmo presa durante todos esses anos numa cadeira de rodas, Dra. Genaura sempre foi uma pessoa otimista, desbravadora, ousada. Além de trabalhar no Tribunal Regional do Trabalho, ela também é escritora e poetisa. Profere palestras no Estado e fora dele. Tem três livros publicados: “Pássaro Sem Asas”, uma auto-biografia; e mais dois de poesias, “Apenas Uma Flor” e “Nesgas de Saudade”. Como ela própria diz, “os poemas são para acalentar a alma, colorir os momentos desbotados e falar de amor”.

Ela também escreve artigos e crônicas e os publica em jornais ou em sites de literatura. Nos textos, ela debate tudo, como uma pessoa de mente aberta que é. Não existem temas proibidos ou tabus da sociedade em que deixe de discutir.

Questões, problemas, elogios, fatos acontecidos com ela mesma, são alguns dos temas, principalmente os vivenciados pelas pessoas com necessidades especiais, que é a sua “praia”. Como deficiente física, aborda todas as dificuldades. Reclama da falta de acessibilidade, principalmente aos banheiros, necessidade primária de um deficiente físico. Como mulher, reclama da opressão sofrida e fala da velada discriminação ao dito sexo frágil. E aos deficientes? E também como Delegada e advogada, discute as leis e o Judiciário. Todos nós temos de ser políticos, diz ela.

Em um texto, em fevereiro deste ano, ela falou sobre auto-hemoterapia e causou polêmica.
O número de leituras do texto “Incríveis Benefícios da Auto-Hemoterapia” já passa dos dezessete mil. Além dos muitos elogios recebidos, muitos testemunhos benfazejos foram deixados no rodapé do texto. Também houve pessoas que discordaram, duvidando da veracidade das informações contidas no artigo.

Delegacia de Polícia

Foram 30 anos de Polícia Civil, passando pelos cargos de Escrivão, Comissário e Delegado de Polícia, sendo este último conquistado depois de paraplégica, por meio de concurso. Uma Delegada que, além de mulher é paraplégica! Bandido nenhum ficaria com medo... Ainda mais que é muito simpática e está sempre com um sorriso aberto. “Eu fazia teatro! Sou uma boa atriz!”, revela a Delegada. Tudo que ela fazia ali era encenação. Quando chegava um marginal, ela olhava firme, falava sério e forte, para que a pessoa ficasse com medo. Um policial aconselhou-a a não se irritar, ao que ela respondera que era apenas “teatro, uma encenação para intimidar o cliente, infrator perigoso da Lei Penal”.

Ao ficar paraplégica aos 36 anos, casada e com quatro filhos ainda crianças, a sua reação foi de tristeza. Não poderia fazer quase nada do que costumava fazer. Perdeu praticamente o direito de ir e vir. Para chegar ao nível da auto-estima que possui hoje, teve que aceitar e se adaptar às muitas dificuldades. Para isso, contou muito com o apoio do marido, Alfredo, seu cúmplice em todas as batalhas, que está sempre ao seu lado ajudando-a a vencer barreiras, conquistar divisas. Uma família que vestiu a camisa. Uma ajuda mútua que inclui muito carinho dos filhos e das pessoas que os conhece e privam de sua amizade. Tudo em sua casa é adaptado para ela. O banheiro, as portas são mais largas, os armários e interruptores da luz são mais baixos.

No fim do livro “Pássaro Sem Asas” que já está em 5ª Edição, Dra. Genaura deixa uma mensagem para os leitores: “Que as minhas experiências o conduzam à reflexão e, de repente, você se descubra a pessoa mais feliz do mundo. Aprenda a encontrar a sua própria felicidade. Ela não é comprada, é conquistada. Deve ser desbravada de dentro para fora. E para isso, é preciso buscar, amando-se em primeiro lugar e repartindo com os demais o amor que lhe vai no peito. Se não amamos a nós mesmos, como poderemos amar aos outros ou permitir que sejamos amados? Dessa forma, você partirá de si para uma conquista global. É uma receita simplista, mas muito verdadeira. Basta querer. Cultive a sua auto-estima, arrume o seu interior e vá a luta!”.
Genaura Tormin
Publicado no Recanto das Letras em 02/09/2007
Código do texto: T635532

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)