PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

Mostrando postagens com marcador Otimismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Otimismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de novembro de 2020



A Melhor Parte de Mim



A Melhor Parte de Mim

(Genaura Tormin)


A melhor parte de mim, é o meu pensamento, meu sentimento o meu alento, não é o meu andar nem o meu bailar.

É o meu sentir, o meu agir me fez assim, simples e completa. 

Apaixonada pela vida, perdi o medo de viver, superei obstáculos, venci!!

Tracei caminhos, deixei rastros e hoje sinto que vou sentir falta da melhor parte mim.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

COLÉGIO DE FREIRAS


Colégio de freiras
Genaura Tormin
Era um lar, o colégio! Daqueles que não existem mais. A educação disciplinada, permeada de trabalho, lazer, esporte e instrução, construíra os alicerces que fizeram de nós o que somos hoje.

M
inhas recordações voltavam à fazenda do meu pai. Ele comprara um caminhão e partira para o nordeste brasileiro para trazer peões, pessoas para o serviço de lavrar a terra. A colheita aproximava-se e ele não poderia prescindir da mão-de-obra.
Na volta, papai encontrara o lar desfeito. A esposa o abandonara. Triste, papai não abdicara das filhas, embora os tios se prontificassem a ficar conosco: eu, Josefa e Zélia. As duas últimas do segundo casamento.
Naquele ano, com o impasse, houvera grande prejuízo nas atividades da fazenda, bem como da casa de farinha. Papai não desanimara. Sempre tivera pulso forte e determinação. Embora não tivesse estudo didático, sabia expôr as suas ideias e conseguir o desejado.
— Vou internar vocês num colégio de freiras. Quero que vençam na vida pelo estudo, pela boa educação. Somente elas poderão ensinar isso a vocês — exclamara papai.
Eu tinha nove anos, naquela época.
Numa madrugada fria, saímos de Minas. A lua branca ainda passeava no céu estrelado, banhando de luz a silhueta do papai. O terreiro de chão batido, o tamboril, o curral, os pés de laranjeiras carregadinhos de frutos, a casa da fazenda de janelas fechadas na calada da noite, ficaram impregnados em mim feito um presságio de saudade e gratidão. Não posso esquecer do seu telhado vermelho, iluminado pela luz da lua, distanciando-se a cada vez que olhávamos para trás. O ar frio daquela madrugada exalava perfume de flores silvestres, misturando-se ao zumbido de insetos e ao chilrear de pássaros notívagos.
Éramos seguidos pelas próprias sombras que se esgueiravam ao lado. O caminho fazia curvas entre os arvoredos e parecia não ter fim. As montanhas se delineavam à frente, como a se despedirem de nós. De vez em quando a lua brincava de esconde-esconde nas frondes das árvores e dos coqueiros, alumiando a plantação de algodão que se debulhava em flocos brancos entre a ramagem verde e viçosa. Ninguém ousava conversar, embora o iminente desbravamento do desconhecido acalentasse as nossas almas. Num clima nostálgico, ouvia-se ao longe o cantar de galos, anunciando os albores da manhã.
Na ponte, o riacho gorgolejava entre as pedras, exibindo os alvos lírios à sua margem, enfeitado pelo cricrilar de grilos no rumorejo do mato denso. As libélulas, em vaporosa dança, faziam reverências ao amanhecer, que despontava em tênue claridade por trás serra. O vapor do riacho deixava visível seu curso pelas terras da fazenda, feito a fumaça de um trem de ferro. Eram lágrimas evaporadas num adeus inaudível. Ao atravessá-lo, não pude conter o pranto. O coração ficava naquelas águas, naquelas margens que nos proporcionaram tanta alegria. Era ali que a nossa fantasia criava asas, voava em histórias de príncipes montados em cavados brancos, de bruxas malvadas, castelos assombrados, portas subterrâneas para lugares encantados, fabricados pela fertilidade do nosso mundo de criança, debulhado em magias.
O cheiro da manhã, impregnado de odores tão queridos, cravava em mim as últimas flechas. Até uma coruja entoara seu canto triste por despedida. A saudade da casa da fazenda, dos folguedos, da comida gostosa feita no fogão à lenha, já se fazia sentir. A ordem era sermos fortes apesar da pouca idade. Assim íamos deixando para trás parte de nós rumo a um novo destino. Com certeza, seria um marco divisor que marcaria o resto de nossas vidas.
Na rodovia, ao tomarmos o ônibus, o coração apertara-se no peito, agitando-me o corpo frágil em tremores e náuseas. Uma saudade cortante remexia-me as vísceras. Era a certeza de um adeus definitivo que se misturava à poeira da estrada deixada para trás. Eu não podia chorar! Percebia que papai estava fazendo o melhor por nós. Mesmo criança, eu entendia que mudar era necessário. O meu espírito já estava sendo previamente preparado para suportar as intempéries da vida. Talvez eu fosse rocha e não soubesse.
Chegando a Goiânia, ficamos em casa de um amigo do papai por alguns dias. No Colégio Santo Agostinho, papai fora bater. Era dirigido por freiras. Infelizmente, não pudemos ficar lá. Os encargos financeiros não estavam ao alcance de um lavrador que, de rico, tinha apenas o espírito altruísta e determinado.
— Vou falar com o Governador para ver se arranjo colégio conveniado. Não posso pagar preço tão elevado!
Um vereador, amigo dos donos da casa onde estávamos hospedados, prometera ajudar papai. Sabia que jamais ele falaria com o Governador. O jeito de lavrador e o chapéu o impediriam.
Dias depois, estávamos no escritório da Madre Hortênsia, diretora do Lar Escola Nossa Senhora de Lourdes.
Papai ficara encantado com as instalações e o trato dispensado às crianças. Muito espaço físico, majestoso refeitório e a algazarra da meninada que brincava ao vento. Havia uma capela, onde entramos por alguns minutos. Na simplicidade de homem do campo, papai ajoelhara-se e nós também. Talvez, agradecesse ou implorasse alguma ajuda.
O certo é que tudo se encaminhava da melhor forma possível. Deus estava mesmo do nosso lado. Parece que a Madre Superiora gostou da gente. Após longa entrevista (tipo cadastro), informou que o colégio era mantido pela Legião Brasileira de Assistência e que papai nada pagaria.
Os primeiros dias de internato foram difíceis. Estávamos acostumadas com a liberdade da natureza, com a produção farta do pomar, com as asas-de-moleque nos píncaros das mangueiras, cajueiros, amoreiras; os banhos, todo fim de tarde, no remanso do riacho. O primeiro copo de leite tomado no curral. Tudo, trocado agora, por uma liberdade metódica, disciplinada, relativa.
Assim vivemos no internato durante nove anos. Crescemos lá. Quanta saudade daquele tempo! Quanta saudade das férias, das festas, dos teatros, das colegas e das freiras. Eram muitas, as nossas mães. Freiras abnegadas que nos emprestavam amor de mãe sem nunca haverem transado a maternidade real. Como as respeito! Num misto de gratidão e saudade, guardo-as no coração.
Era um lar, o colégio! Daqueles que não existem mais. A educação disciplinada, permeada de trabalho, lazer, esporte e instrução, construíra os alicerces que fizeram de nós o que somos hoje.
Quanta saudade dos trabalhos manuais, da culinária, das aulas de violão, encadernação, cartonagem! Quanta saudade! Era o preparo para a criação da família: o passaporte, principalmente, para o casamento.
Lembro-me tanto da festa natalina! Quanta guloseima! As mesas enfeitadas para a ceia, à meia-noite, logo depois da missa. Que alegria, que ansiedade para ver os presentes e os muitos bombons coloridos, sem nunca faltar o pão-de-mel do qual eu gostava tanto. Tudo era feito em segredo, o que aumentava a nossa curiosidade, fazendo-nos sonhar com o grande dia. Quando se abria a larga porta do refeitório, parecia a entrada para o céu. O teto abundantemente iluminado, com estrelas brilhantes de todas as cores e a tradicional música de Natal, fazia-me sentir a criança mais feliz do mundo. Não havia tristeza no Natal. Todas nós exibíamos roupas e sapatos novos, coloridos, lindos... Parecia que, de repente, virávamos princesas. Nesse dia, as freiras não conseguiam conter a algazarra que fazíamos nos dormitórios com a passagem do Papai Noel. O bom velhinho deixava presentes para todas nós. Os olhinhos brilhavam de felicidade. Muitas choravam ao abrirem os presentes e confirmarem que o pedido da cartinha havia sido atendido. Que papai Noel legal!
O café da manhã e o almoço do dia de Natal eram sempre muito gostosos, ouriçando o nosso paladar, tornando grande a espera. Que dia lindo! Até hoje sou encantada com a data natalina e o Jesus-Menino volta-me sempre às origens. Os anos regridem e eu me sinto menina outra vez.
Lembro-me da concepção do Deus que criei para mim. E eu era “Filha de Maria”, uma congregação de moças que usavam traje branco com faixa azul na cintura durante as cerimônias litúrgicas. Lembro-me das missas em latim, das procissões, dos retiros, do aniversário da gente, quando ganhávamos estampas de santinhos com lindas dedicatórias, além dos “parabéns a você” no refeitório repleto de meninas, onde a amizade era o elo da fraternidade, do afeto, dos folguedos cheios de encantamento e sorrisos.
A lembrança das músicas sacras do velho órgão da capela traz de volta o passado tão distante.
Os primeiros sonhos e a primeira poesia. Eu tinha treze anos. De repente senti-me fêmea. Com isso viera o sentimento de que amaria um homem, faria um ninho de amor cheio de bombons, morangos e muitas borboletas, além de um jardim florido, enfeitado de crianças. Na última folha do caderno de matemática grafei a poesia, a confirmação de minha feminilidade e o dom de poetisa.

Espera

Espero-te,
Porque sei que virás!
Lindo,
Como o vejo em pensamento.

Tu, que me dás saudades!
Tu, que não conheço,
Serás meu,
Somente meu!

A ti, contarei dos dias de vigílias
E falarei da solidão.
Sei que tu virás um dia.
E o meu mundo
Será de muitas cores.

Tu, meu amor,
Serás realidade,
Eu sei.

É por isso
Que não me canso
De esperar-te sempre,
No calor dos dias,
No frio das madrugadas.

Quando chegares,
Tudo será dourado,
Cheio de encanto,
Sem pranto.

Esta saudade louca,
Que de ti eu sinto,
Será esquecida
Com a tua presença.

Tu, insubstituivelmente tu,
Serás meu!
Serás ternura!
E eu serei tua,
Amor!

Lembro-me, também, com saudade, da oração da noite, do canto de agradecimento antes e depois das refeições que cultivo até hoje. Lembro-me do jogo de tênis todas as tardes de domingo. Os passeios de trem de ferro. O sucesso na escola. E eu estudava fora dos muros do Colégio. Era bolsista do Colégio Santo Agostinho, onde fiz o ginásio.
De menina-moça fui me tornando mulher. As formas curvilíneas faziam-me altiva, faceira... Desabrochava para a vida. Os ensinamentos recebidos ajudaram-me muito.
Aos dezoito anos, deixei o colégio. Tinha que construir a própria vida, agora sozinha, gerindo os sucessos e incertezas. Josefa e Zélia havia saído antes do Colégio e moravam com o papai em Minas Gerais. Eu optara pelos estudos. Mesmo sem a companhia de minhas irmãs, permaneci no internato. Eu sabia que não era fácil viver. As peripécias que havia enfrentado confirmavam essa verdade. Entretanto acreditava nos meus potenciais e sempre pensei grande. Desde pequena pensava num futuro bordado de estrelas. Mas ele não viria sozinho, é claro, eu precisava ir atrás dele, conquistá-lo, fazer a minha parte. A gente só fracassa quando desiste de tentar.
Embora ao arrepio do papai, mamãe viera morar comigo, ou melhor, viera para que eu morasse com ela. Viera me oferecer apoio para que eu pudesse deslanchar em busca dos sonhos.
Ingressei na Secretaria da Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás como escrituraria contratada, cuja indicação devo-a ao jornalista Altamir Vieira e sua esposa Rosete, que, solidariamente, ofereceram-me o caminho para que eu construísse os passos. Devoto-lhes gratidão. Precisava continuar os estudos e o emprego propiciava isso.
Com a entrada de novo Governador e por contenção de despesas, rescindiram o meu contrato e os de quarenta e seis outros servidores.
Com a pertinácia que me ensinara a vida, não deixei o trabalho e fui nomeada a primeira Delegada Municipal comissionada do Estado de Goiás, pelo então secretário, Dr. Gonzaga Jayme, a quem devo as orientações de verdadeiro pai naquela fase tão primária de minha vida.
Com base na isonomia constitucional é que se pleiteara o cargo de Delegado Municipal, até então inusitado para mulher. Deu certo. Caso contrário, teria perdido o tempo trabalhado e, quem sabe, não seria uma delegada de carreira, formada em Direito, condição indispensável para o ingresso, além do concurso, é claro.
Por ter ascendido a cargo tão esdrúxulo, com tão pouca idade, o jornal Cinco de Março publicara, na ocasião, a manchete: “Moça inexperiente nomeada para combater bandidos no interior de Goiás”. Depois o cargo de escrivão fora regulamentado e submetido a concurso. Prestei-o e efetivei-me na carreira. Era o que melhor me parecia no momento. Os planos eram muitos e eu precisava alcançá-los.
Terminando o curso Técnico de Contabilidade, casei-me com o também funcionário da Segurança Pública, Alfredo de Paiva Tormin, formado em Odontologia, a quem namorava há três anos. Irmanamos os ideais e construímos um lar feliz.
A cada ano, um presente especial: um filho. Formamos um pequeno time de futebol de salão: quatro filhos. Lindos, inteligentes, aumentavam a nossa razão de viver.
Grávida do último filho, Alfredo e eu ingressamos no curso de Direito. Antes de terminá-lo fui promovida ao cargo de Comissário de Polícia.
Quando me preparava para o concurso ao cargo de Defensor Público, que se realizaria em Brasília, eis que a mão da fatalidade cerceia as minhas pernas, paralisa a destreza dos meus passos. Dois dias antes da aplicação do concurso, estava no hospital. Também me submetendo a provas; e que provas! A prova que me aplicava, inexoravelmente, a vida!
A fraqueza teria que se transformar em forças, compulsoriamente. A palavra de ordem era LUTAR.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O TEO E O FRED




O TEO E O FRED
(Genaura Tormin)

O Teo é um poema de pano que acabei de fazer!
Bonito, solidário e querido! 
Logo gostou do cenário e dos colegas. 
O Fred o recebeu com carinho e até se abraçaram.

Uma gracinha!
Isso me incentiva na cria de outros mais.
Uma diversão, um incentivo e, por que não dizer, 
um afeto dividido com os meus leitores 
que parecem gostar do que faço.

Para mim são sempre individualidades.
Sou eu a mais cativada com esse ofício 
que me apareceu tão de repente!
Estou fazendo uma família e 
me aperfeiçoando no feitio que me faz tão bem

Hasta luego!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ESTEJA NO COMANDO



ESTEJA NO COMANDO
(Genaura Tormin)

Siga firme, 
Determinado!
Seja bom e simples,
Esforçado e verdadeiro.

Não ofenda, não se irrite.
Apenas siga  contente.
Deus não o  criou para o fracasso!
Lembre-se disso!

Cultive valores morais e crísticos.
Mostre sua capacidade.
Prepare-se para isso.
Nunca desista antes de tentar!

Os obstáculos?
Existem para serem enfrentados.
Reforçam a coragem e a fé.
Esteja sempre no comando!


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

PROFISSIONAL DE PORTAS



PROFISSIONAL DE PORTAS
(Genaura Tormin)

Eu tinha que cantar!
Não sabia por quanto tempo.
O coração agasalhava o medo.
Tudo atirado ao caos,
Parecia matar-me a alma.

Não havia portas,
Nem janelas.
Eu as teria que fabricar,
Jogar o jogo do contente
E seguir em frente!

O lar cheio de algazarras,
Risadas e alaridos
Havia ficado triste
Em rostinhos inocentes.
Um tornado havia passado
E sem dó desarrumado
O que eu havia colecionado.
Por isso,
Eu tinha que cantar!

Pus-me no trabalho!
Juntei os cacos,
Estanquei lágrimas
E fiz-me forte aos rigores do frio.
Teria que carpir portas!

Hoje,
Abro a janela tempo
E converso com o vento,
Que me açoita os cabelos brancos.

Revejo os feitos e concluo:
Fui uma profissional de portas!
Serviço bom e bem feito.
Por isso,
Eu hoje canto e agradeço!
Tenho mais do que preciso e mereço!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

MEUS PRESENTES




MEUS PRESENTES
(Genaura Tormin

Sou uma caminheira feliz!
Sigo contente a minha estrada!
Tenho muito mais do que mereço!
Obrigada, Senhor!
Tenho um trabalho,
Um amor, um abrigo,
E sempre um lar para voltar!

Uma família!
Filhos amorosos, netos,
Amigos sinceros
E disposição para amar!
O que mais quero?

Mas,
Neste Ano que se avizinha,
Segura-me as rédeas, Senhor,
Frena-me o galopar,
As bestialidades...
Indica-me caminhos
Para que eu possa 
Evoluir, seguir e chegar!

sábado, 9 de maio de 2015

EU SOU A GENAURA TORMIN


Eu sou a 
Genaura Tormin!

Uma mulher experiente, contente, que improvisa a vida e se reputa valente.

Sou a estampa da alegria! 
Faço versos no dorso da poesia. 
Tento driblar o espaço, 
Unir-me às asas dos pássaros, 
E soltar as peias, afrouxar os laços.

Moro em Goiânia, uma cidade bonita, esculpida no meio do cerrado, entre montanhas e vales, na região do planalto, no centro de Goiás, no coração do Brasil. Sua gente é solidária, hospitaleira, de sorriso franco, alegria brejeira.

Fiz o curso de Direito e especializei-me em algumas áreas. 
Sou Delegada de Polícia! 
O tempo legou-me a aposentadoria. 
Irreverente que sou, arranjei outra ocupação. 
Estudei e prestei concursos. 
Sou Analista Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho! 
Adoro o meu trabalho, os meus colegas e superiores.

Ah! As minhas expectativas com o curso? 
_ As  minhas expectativas são as melhores possíveis. 
Gosto de interagir, aprender, conhecer o "novo", acrescenta-me enquanto gente nesta caminhada terrestre. 
Especialmente, gosto da língua pátria, da qual tanto necessito para a escorreita grafia dos meus textos. 
Ah! Esqueci de dizer. 
Sou escritora! 

Tenho 5 livros editados e um blog. www.genaura.blogspot.com
onde escancaro toda a minha sensibilidade num varal de versos, num arsenal de artigos sérios, sob variados temas. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

SOU UM ALBATROZ





SOU UM ALBATROZ
(Genaura Tormin)

Minha alma samba, 
Cavalga em pensamento.
Sou viageira do tempo!
Em passos imaginários,
Nunca me senti estática,
Sentada, parada...
Crio versos e fantasias
E as pegadas se avolumam,
A cada dia.
Defendo a alegria.

As asas se esgarçam,
Crescem...
Sinto-me um albatroz
E cruzo os espaços.
Voejo plagas distantes.
Não tenho cansaços.

Acredito nas leis do universo,
Decanto tudo em versos,
E vou seguindo a estrada.
Nunca estive sentada!
Meu labor é luta,
Mas a conquista me agrada.


Gyn, 02.2014

quinta-feira, 21 de junho de 2012

COMO FAÇO PARA FICAR BONITA


COMO FAÇO PARA FICAR BONITA
(Genaura Tormin)

O conceito de beleza engloba uma gama de particularidades subjetivas. A mostra física é apenas uma pequena parte. O maior cuidado deve ser a persistência em nos manter encantadas com a vida. É por meio desse encantamento que surgem o entusiasmo, o querer crescer, ser apresentável, bonita, conquistar divisas, amores... 

Dele, depende quase tudo: guarda-roupa, preocupação com a alimentação, controle de peso, passeios, preparo intelectivo, trabalho, relacionamentos, amizades, buscas e tantos outros. Essa é a mostra que levaremos ao público.

“É preferível enfeitar o corpo com a beleza da alma, do que a alma com a beleza do corpo”. 

Outra coisa importantíssima! Uma pessoa carrancuda fica feia e assusta. O sorriso enobrece, é prece, é Deus dentro da gente! Sorria sempre!

Agora é a vez de por em prática tão precioso ensinamento.

Doença não combina com felicidade. Quem está feliz não adoece. Está provado que as pessoas otimistas têm sistema imunológico mais resistente.


Então, OTIMISMO É A CHAVE! 

E isso está na caixinha de pensamentos. 
SOMOS O QUE PENSAMOS! 
SOMOS ENERGIA, SABIAM?

segunda-feira, 12 de março de 2012

PONHA EM PRÁTICA! TENTE!



PONHA EM PRÁTICA! TENTE!

Acabei de ler esse texto, recebido por e-mail. Divido com vocês! "Agua mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Quem sabe, essa excelente receita possa se agregar a nós e fazer a diferença!

“... Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Ah, eu adoro essas cortinas...
- Mas a senhora ainda nem viu o seu quarto... Espera um pouco...
- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa.

E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.

Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem..
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?
- Nem tanto. Isto é para quem tem autocontrole e todos podem aprender. Exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência os sentimentos.

Calmamente ela continuou:

- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.

Depois me pediu para anotar:
COMO MANTER-SE JOVEM:

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura.
Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
(Lembre-se disto se for um desses depressivos!)

3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
'Uma mente preguiçosa é a oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!

4. Aprecie mais as pequenas coisas - Aprecie mais.

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele!

6. Quando as lágrimas aparecerem
Aguente, sofra e ultrapasse.
A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refúgio. Não o descarte...

8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhora-la, procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa.

10. Diga às pessoas que as ama e que ama a cada oportunidade de estar com elas.


"O que de nós vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas?"

sábado, 10 de dezembro de 2011

O HOMEM É AQUILO QUE PENSA


O HOMEM É AQUILO QUE PENSA
(Genaura Tormin)

Por isso se desejamos fazer mudanças em nossas vidas, comecemos mudando os nossos pensamentos!

Viver com confiança e otimismo é abrir as portas para a paz e a felicidade. É investir no "eu interior".

O segredo é mesmo vigiar os pensamentos, mantendo-os numa faixa elevada. Exercer o ofício de jardinagem, ajeitando a vibração mental como se fosse um jardim florido e perfumado. Separar o joio do trigo. Assumir as responsabilidades, tentando fazer o melhor perante a vida e perante Deus que nos espera para outra empreitada. E que essa seja melhor, construída da bagagem que hoje estamos a coletar aqui.

Chega um momento em que você fica tão feliz, tão feliz, inundado de paz, e não sabe o porquê. É que você mudou a sua maneira de pensar.
Quando nos sentirmos em paz com a nossa consciência, alegres e felizes, todas as outras coisas convergirão para o nosso bem. Estaremos começando a ser vencedores. Por isso eu desejo:

Que o coração nunca seja agasalho para as coisas espúrias...

Que as intempéries do caminho signifiquem lições de vida, degraus para o progresso, setas indicadoras para o bem.

Que floresça a pureza da criança interior que tanto tem a nos ensinar.

Que o sorriso seja constante, espontâneo, verdadeiro, uma prece que inebria, uma canção que consola... O sorriso é prece. É Deus dentro da gente!

Que a chuva seja o bálsamo para aliviar o pranto, curar as dores, cicatrizar as feridas.

Que os amores contenham a magia, o encanto em cada encontro, o beijo da alegria.

Que a cada amanhecer os olhos possam mirar a vida, dispostos a enxergarem o melhor de cada um e, além de tudo, a coragem, a bravura para as boas aventuras.

Que os dias sejam azeitados pela poesia, propiciando que a alma possa alar voos na alegria de viver, crescer e vencer.

Que em cada contato, em cada diálogo, possas deixar marcas benfazejas inesquecíveis.

Que na solidão e no cansaço, lembra-te de  que tudo passa, tudo se transforma. Haverá sempre um outro dia, uma outra oportunidade.

Que o coração seja contente, solto, voante... E nas asas da espiritualidade, alcance patamares superiores de evolução.

Que por onde andares, a força do AMOR esteja sempre presente, sinalizando direções, amainando as intempéries da estrada.

Que este amor seja a meta, o rumo, a estrela-guia, a tramontana, pelas veredas do bem, transformando os dramas em soluções e o caminhar cansado em passos saltitantes de alegria e felicidade.

Que DEUS  te abençoe sempre e que esta existência seja plena de paz, de aprendizado, de luz...

domingo, 9 de janeiro de 2011

LEGADO


LEGADO
(Genaura Tormin)

Não vou esquecer
O frio da linguagem,
O rosto da imagem,
A lâmina que mata.

Aceitarei tudo,
Concreto ou abstrato,
Com o mesmo canto,
A mesma gargalhada
Que me fazem forte,
Capaz de cantar a morte
E repuxar-lhe a boca de palhaço.

Com sangue,
Deixarei gravadas,
A dor e a ternura,
Marcos indeléveis
Dessa caminhada.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FÁBULA SOBRE O IMPOSSÍVEL


FÁBULA SOBRE O IMPOSSÍVEL

(Achei excelente e publico-o aqui. Penso que, intimamente eu já conhecesse essa força, mesmo que os outros dissessem o contrário. Penso que o desafio é o ingrediente principal para as grandes conquistas. É o que nos tornam valentes! O pensamento é o primeiro projeto para a execuçao da obra, por isso Albert Einsten
tinha razão:“SE PODES IMAGINAR PODES CONSEGUIR”.)


“Certa lenda conta que estavam duas crianças patinando em cima de um lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam sem preocupação. De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água. A outra criança, vendo que seu amiginho se afogava debaixo do gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, conseguindo quebrá-lo e salvar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: “Como você fez? Impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!”
Nesse instante apareceu um ancião e disse: “Eu sei como ele conseguiu.” Todos perguntaram: “Como?” O ancião respondeu: “Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não podia fazer!”


“SE PODES IMAGINAR PODES CONSEGUIR”.
Albert Einsten

quarta-feira, 14 de julho de 2010

UMA QUESTÃO DE ENFRENTAMENTO


UMA QUESTÃO DE ENFRENTAMENTO
(Genaura Tormin)

O pensamento move a vida. Somos o que pensamos. Pense nisso! Se pensarmos em medo, em doenças, em problemas, tudo se instala, causando verdadeiras tormentas. Costumo dizer que as dificuldades só se tornam problemas quando as registramos como tais. Isso é decisão pessoal de cada um. É a maneira de ver as coisas. Observem a diferença:

Dois pobres encarcerados
das mesmas penas culpados
jaziam na mesma cela.
À claridade da lua
chegam ambos à janela
Um vê a luz das estrelas
O outro a lama das ruas.

Se a gente não pensar que é feliz, valorizando o que se tem de bom, como poderemos sê-lo? Trabalhe a seu favor. A felicidade não vem sem esforço. Jogue fora tudo que lhe atormenta, causa-lhe mal estar. Dê uma faxina em sua casa, doando o que não mais está usando. Com certeza, esses pertences estão faltando na casa de outras pessoas, que os espera com ansiedade. Estampe um sorriso no rosto, mude seu penteado, mude o jeito de trajar... Encante-se com você mesmo!!! Essa é a ordem. É o que posso falar com a experiência que tenho, ostentando um corpo diferente. O que seria, se me auto vitimasse?

Pergunte-se sempre se o motivo pelo qual você tem-se irritado, omitido um sorriso, um elogio, vale a pena. Exercite a paciência! Lembre-se de que Kant dizia que ela é amarga, mas seus frutos são doces. Aprenda a perdoar. Quando há entendimento, a mágoa desaparece e não há necessidade de perdão. Ele vem sorrateiro, sem que percebamos. Tudo se reveste de paz, pois o bem é Deus dentro da gente. Evite ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano. Evite ser desse tipo de pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!, bem feito! Evite ser o professor sarcástico, pronto a escarnecer, sem nada fazer.

Ajude, pois benfeitor é o que ajuda e passa. Amigo é o que ajuda em silêncio. Vencedor é o que consegue vencer a si mesmo.
Felicidade é tudo o que está à sua volta. Não jogue a sua felicidade fora. Pelo contrário, adube-a com a sua educação, o seu sorriso, com a sua maneira de olhar, de conversar, de dar um bom dia agradável... Tudo melhora quando nos melhoramos por dentro. Os conflitos estão dentro de nós mesmos, e a mudança é uma decisão, uma sentença. Caso contrário, seremos prisioneiros dos nossos próprios pensamentos desequilibrados.

Seja otimista! Pesquisadores da Clínica Mayo, em Rochester (EUA), confirmaram cientificamente que as pessoas otimistas vivem mais. Segundo os cientistas, a diferença entre otimistas e pessimistas pode chegar a 12 anos de vida.

Tem uma frase que eu repito desde os tempos do Colégio de Freiras: “Quando os nossos pensamentos são leais, Deus nos auxilia”. As portas se abrem e tudo acontece para bem. O amor flui envolvendo a tudo e a todos, formando uma aura de paz ao nosso redor. Quando nos reconciliamos com tudo e com todos, nada temos a temer, pois nada nos fará mal. O amor é uma vacina que nos imunizará contra os males da vida.

O que acontece é que vivemos mais para os outros do que para nós mesmos.
Preocupamo-nos demais com o que os outros possam pensar a nosso respeito. A mídia dita as normas. Somos manipulados pela TV. Precisamos sim, viver uma vida segundo os nossos próprios pensamentos, valorizando mais o SER que somos, pois quando partirmos daqui, os bens ficarão.

Temos medo de mudanças...
Faça a diferença! Tente mudar! Asas existem para voar, e voar alto, voar longe... Veja se as suas não estão se atrofiando. O infinito é o limite na escalada para o bem a si e aos outros.
Plane nesse azul, nessa imensidão construída por Deus.

Para tudo há uma solução que está intrínseca dentro de nós mesmos. O medo, a insegurança, o pavor de perder são inimigos diários que devemos enfrentar com uma só ação: CORAGEM!

sábado, 19 de junho de 2010

MENTE E CORAÇÃO ENERGICAMENTE ANDANTES


MENTE E CORAÇÃO ENERGICAMENTE ANDANTES
(Genaura Tormin)

"A diferença fundamental entre o homem comum e o guerreiro, é que o guerreiro encara tudo como desafio, enquanto o homem comum encara tudo como bênção ou maldição."
(Carlos Catañeda)

Ter uma paraplegia representa uma significativa limitação. Isso não é uma sentença que nos condena ao ostracismo, ao desalento e ao pessimismo, registrando como primeira opção a nossa condição física, com passos recolhidos, como desculpa para avocar a compaixão alheia. Ostentar a bandeira de nossa determinação e procurar alternativas, outras maneiras, outras portas para continuarmos a ser produtivas e felizes é a melhor opção.

A mente ilesa cria inúmeras soluções. Há motivos suficientes para continuar dirigindo o destino, mesmo que por meio de um corpo com funções mutiladas. A limitação não diminui direitos diante da sociedade, que só tem a ganhar, aprendendo a dividir espaço e se permitindo lidar com a diversidade humana. É o exercício da inclusão.

A obstinação e a ousadia vão quebrando barreiras e vencendo obstáculos, conquistando aceitação, respeito e reconhecimento.

Hoje é crescente a disposição legal que nos permite participação na sociedade e no mercado de trabalho. Temos que fazer a nossa parte, vestir a camisa e seguir firmes e resolutas, na certeza de vencer. Se não houvesse o desafio, os circenses não ganhavam a vida em grandes acrobacias. A conquista significa o mérito que laureia o nosso esforço. Tem-se um limão, que tal uma boa limonada?

É preciso ultrapassar as formas físicas e vislumbrar a essência. É preciso empunhar a deficiência com honradez, encontrando, por meio dela, as escadas de ascensão à nossa conduta moral, ao entendimento e à aceitação dessa nova condição. A limitação física significa simplesmente fechamento de uma porta e abertura de um portão, com mais disposição, mais aprendizado e mais consciência, legando exemplo para outras que virão.

Muitas vezes, as provas, as agruras e a limitações físicas, quando bem entendidas, podem reverter-se em privilégio. O alvo é o sucesso, e as pedras do caminho são as ferramentas para alcançá-lo.

Precisamos desenvolver a autoestima, perseguir ambições e habilidades no exercício de nossa crescente capacidade. As pessoas tristes, fatalistas, choronas e reclamadeiras são, geralmente, evitadas. A vida é dura demais para macularmos aos outros com o nosso pessimismo. O fardo só cai em ombros que possam carregá-lo.

Bandeira do Otimismo
(Genaura Tormin)

Não deixem que calem
O amor que me alenta,
A dor que me faz viva,
A ternura do meu peito
E todo este jeito
Que a vida me deu.

Não deixem
Que o meu canto morra,
Que feneça o meu sorriso
E parta de mim
O compromisso
Desta bandeira de otimismo,
Deste meu desejo de querer viver.

As pernas são acessórios e ganham a valoração que a elas impingimos. Costumo dizer que a tecnologia nos oferece, com galhardia, muitas muletas externas.
Todos nós carregamos as cicatrizes do nosso “ontem”, e elas não nos impedirão de sorrir. Tudo se transforma. O que ontem foi tempestade, hoje pode ser bonança.Temos que acreditar!

O pensamento move a vida! Se pensarmos em medo, em doenças, em problemas, tudo isso se instala, causando verdadeiras tormentas. Ademais, as dificuldades só se tornam problemas quando as registramos como tais. É a maneira de ver as coisas.
Somos individualidades, mas poderemos fazer a diferença! O poema abaixo retrata isso.

Dois pobres encarcerados,
Das mesmas penas culpados,
Jaziam na mesma cela.
À claridade da lua,
Chegam ambos à janela.
Um, vê a luz das estrelas,
O outro a lama das ruas.
(Autor desconhecido)

“Viver é muito perigoso” para qualquer pessoa, disse Guimarães Rosa. E viver com uma deficiência física, mais ainda. Por isso, forjadas a ferro e fogo sempre teremos condições de nos erguer quando a dificuldade bater. Não podemos ser excluídos do direito de participar, pois VIDA, não significa somente pernas, ou pernas e braços, mas, sobretudo cabeça, raciocínio, espírito e coração. Enfim, pulsa em nós o fôlego da vida!

Vítimas de problemas congênitos, enfermidades ou causas traumatológicas, o Brasil conta com 24,5 milhões de pessoas com alguma deficiência, de acordo com o último censo elaborado pelo IBGE, no ano de 2000. Isso significa 14,5% de todo o seu contingente. Sabe-se que no mundo inteiro esse montante chega a mais ou menos 625 milhões de pessoas.

Ter um defeito físico, andar numa cadeira de rodas, geralmente significa, aos olhos do leigo, ser inválido, estar cerceada do sagrado direito de se sustentar com o fruto do próprio trabalho. Chamamos a isso de rotulagem despreziva. É um vezo cultural.

Muitos exemplos de determinação e coragem foram legados pela história.
Graças a Deus, não estamos vivendo nos dias do médico alemão Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, que sob o comando de Adolf Hitler exterminava as pessoas com corpos imperfeitos, tentando estabelecer a pureza da raça ariana. Era a teoria em que as vidas humanas sem valor vital deveriam ser eliminadas.

Quantos gênios existiram e existem em corpos imperfeitos! O inglês Stephen Hawking, com esclerose lateral amiotrófica, que lhe paralisou os movimentos, emudeceu-lhe as cordas vocais, é um testemunho perfeito, pois, mesmo assim, continua produtivo e é considerado o mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein. O príncipe Hamlet, na peça de Shakespeare, sentia-se aprisionado na Dinamarca pelas angústias que lhe atormentavam. Mas, ao mesmo tempo, dizia que ainda que dentro de uma casca de noz poderia sentir-se rei do espaço infinito. Creio que, para Hawking, ocorre a mesma coisa. Para o cientista, o universo tem a sua história em tempo imaginário como esfera minúscula.

Exemplo digno de nota é o de Beethoven, o maior gênio da música clássica de todos os tempos, que mesmo depois de ficar surdo em plena atividade musical, continuou compondo, produzindo sua obra mais importante: A nona sinfonia. “O que está em meu coração precisa sair à superfície. Por isso preciso compor” — dizia ele.

Outro exemplo, aqui bem perto de nós, é o de Cláudio Drewes Siqueira, que ficou tetraplégico por causa de um mergulho em águas rasas, quando era adolescente, e mesmo assim, por méritos próprios, mediante acirrados concursos públicos, ascendeu aos cargos de Procurador do Estado de Goiás e em seguida ao de Procurador da República, um dos mais elevados cargos da República Federativa do Brasil. Por meio de uma adaptação presa a um capacete, o competente Procurador folheia livros e processos, além de digitar suas próprias peças, elogiadas pelo excelente conteúdo jurídico. É um exemplo e a certeza de que o querer é poder. É preciso somente que os sonhos estejam acesos.

Quando uma parte do corpo se fragiliza, as outras se encarregam do trabalho, provando que não há problema sem solução.
Foi por isso que, mesmo sendo recém-chegada ao mundo dos que não caminhavam com os pés, quis conquistar uma vaga de Delegado de Polícia. Ainda poderia caminhar com a mente, leve, livre e solta!

A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável, disse Mahatma Gandhi. Vontade era o que não me faltava. Dei asas à imaginação e o meu desejo tomou formas, cores e vida.

O ambiente desafiador é o sucesso do guerreiro, a arma de sua luta, o front de sua trincheira. E eu estava e estou sempre disposta a posicionar-me à frente do batalhão, mantendo acesos os meus sonhos.

A vida a gente faz. Na verdade, é o que fazemos dela. Viver bem ou mal é o que decidimos por princípio, por altruísmo de caráter. Somos individualidades. O que me faz sorrir, às vezes, não faz sorrir ao vizinho. O importante não é o que nos é mostrado, mas como conseguimos enxergá-lo. Os casebres tornam-se castelos e os castelos podem se tornar casebres.

Somos nós que elegemos os valores da vida, desenvolvendo qualidades como o carinho, a bondade e a compaixão, embora sejamos os mais necessitados delas. Com isso se evidencia o significado do nosso esforço.

A felicidade é o estado d’alma, é a maneira pela qual vemos as coisas; é o prisma encaixado em nossas retinas; é a margem de paralax de uma máquina fotográfica. Se a máquina é minha, por ela vou focalizar apenas o que me fizer bem: a transcendência, a paz, a esperança...

Quantas pessoas vislumbram a lua, o sol da manhã, os refegos de ventania, a flor orvalhada, por meio da telha quebrada ou da parede erigida em pau a pique. Tudo é uma questão de ótica. Tenho que ser do tamanho do que consigo enxergar. Dessa forma, com certeza, vou chegar lá, pois tenho os olhos fitos no infinito e o espírito no comando do sucesso. Minha busca não terminará jamais, mesmo que morra na estrada.
Estar feliz não significa percorrer caminhos floridos, estar imune às tempestades... Estar feliz é enfrentar os desafios para torna-se forte, digno de excursionar por este Planeta.

Tinha que recompor o avesso do meu bordado. Tinha que andar nem que fosse sem o uso das pernas. Andar em ideias, em trabalho, em exemplo de vida!

Nos meandros de mim mesma, pensava: e se eu ficar paraplégica para o resto da vida? Receberei mísera pensão por invalidez, que mal dará para comprar remédios. E a inércia, o não fazer nada, a ociosidade... NÃO! Não aceito essa sentença. Vou lutar por mim mesma! Tenho mente sã e posso ser uma delegada! É um cargo de comando, cartorário. Poderei servir de exemplo a outras pessoas com deficiência física. Poderei abrir caminhos. Não vou permitir que a vida me transforme num cadáver vivo! Tenho muito ainda a fazer! Tenho flechas na aljava e mantimento para o caminho.
Tendo o desafio como âncora a me alavancar, comecei a velejar por esse mar bravio da coragem.

Por ser Comissária de Polícia, bacharela em Direito, pertencer aos quadros da Polícia Civil há dezesseis anos, resolvi enfileirar-me entre os concorrentes ao cargo de Delegado de Polícia. Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder. Era a oportunidade que me batia à porta. Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica! Registrei a ideia e parti para o confronto. Talvez o mais ousado de toda a minha vida. Era tudo ou NADA!

“Se teu sonho for maior que ti, alonga tuas asas, esgarça teus medos, amplia teu mundo, e parte em busca da estrela.” (Leda Selma)

Não dera outra: quarto lugar entre os aprovados. Não sabia como adquirira tanta determinação, tanta bravura. Estava pasmada. Reputava de façanha o que acabava de fazer. Ajudara muito o fato de, anteriormente, estar inscrita e estudando para o concurso ao cargo de Defensor Público, embora as matérias não fossem tão correlatas. Com certeza, era uma preparação remota para alicerçar o meu desejo de vencer diante de uma deficiência física tão grande.

Quantas madrugadas ouvindo aulas através de fones de ouvido, quantas lágrimas reprimidas, disfarçadas... Por dentro tudo chorava, mas me encorajava ao desafio, confirmando que a mente pode superar os limites físicos. Eu não ia deixar que os sonhos morressem dentro de mim. Ainda que recuperasse todos os movimentos locomotores, jamais esqueceria dessa façanha. Mereceria todos os diplomas possíveis. Quanta dificuldade tive que enfrentar!

A polícia entrara na minha vida como meio, como ponte para que eu pudesse escalar novos horizontes. Jamais pensei que ela se tornasse fim um dia. As contingências da vida indicaram o caminho. Hoje sou uma Delegada de Polícia e me honro disso. Acredito no trabalho e gosto do que faço.

É uma missão espinhosa, mas farto campo para se fazer uma boa ação. Devemos servir onde precisam de nós. Quanto mais difícil a tarefa, maior satisfação do dever cumprido. Ser delegado é também fazer sacerdócio. É amar o ser humano no sentido total da palavra. É saber admoestá-lo na hora certa ou acalentá-lo nos momentos mais difíceis.

De repente, o mestre tempo, em sua celeridade, alertara-me de que dentro de um ano teria que me aposentar, por tempo de serviço. Quase trinta anos trabalhados! Quem diria! Parece-me que fora ontem: uma mocinha franzina, 18 anos, com mais jeito de menina do que de mulher, deixava um colégio de freiras e o primeiro emprego que conseguira foi na Polícia. Quanto contraste!

Preocupada, vi-me em perfeita forma. Cabeça boa e pernas descansadas, além de pouca idade, pois a vida não começa aos 40? Como seria a vida sem a rotina do trabalho?

“A vida tem dois valores absolutos,
O amor que renova a humanidade,
E o trabalho que dignifica o homem
E impulsiona o progresso.
Do mais - consequências, correlações”.
(Cora Coralina)

A preocupação levara-me a requerer uma licença-prêmio a que fazia jus, e incentivada pela filha Lara Patrícia, que me inscrevera num concurso público, em Brasília, passei a estudar a matéria. De repente, estava fazendo cursinhos, estudando em grupo e me inscrevendo para mais outros concursos.

Fiz uma reciclagem jurídica e consegui assimilar bastante do ensinado. Usei o método do gravador, determinação, persistência, força de vontade e muita disciplina, tão importantes para o sucesso na consecução de qualquer objetivo.

Quando retornei ao trabalho, simultaneamente executava as minhas atividades, ouvindo, por meio de minúsculo fone de ouvido, a aula gravada, cujo gravador era guardado na gaveta central da mesa. Como a repetição faz o mestre, estava sempre a aprender. Quando procedia a inquirições para o bojo dos autos do inquérito policial, apenas desligava o gravador, sem, entretanto tirar os fones dos ouvidos, os quais ficavam escondidos sob as fartas madeixas dos cabelos. Quando a minha escrivã percebeu que eu estava ouvindo aulas, havia-se passado quatro meses.

No retorno a casa, já que necessito ficar deitada para descansar, pois a pessoa paraplégica fica de pé na horizontal, ligava a televisão sem som (para permanecer desperta), e, novamente repunha os fones nos ouvidos para ratificar a aula que assistira pela manhã. Se na madrugada perdia o sono, aproveitava o tempo para ouvir as aulas. Por vezes, o Alfredo, meu marido, na escuridão da noite, emaranhava-se nos fios dos fones de ouvido. Coragem era o que não me faltava, além de uma confiança inabalável na capacidade do meu esforço.

Finalmente, fui aprovada em dois concursos e com boa classificação. Embora fossem em Brasília, aceitei.

Apresentei-me no Ministério Público da União, em cujo concurso havia-me classificado em quarto lugar. Infelizmente não pude ficar lá. A pessoa que me recebera, certamente, nunca tivera contato com trabalhadores deficientes e principalmente com cadeirantes. Senti, perfeitamente, que não seria bem recebida ali. Foram-me apontados vários obstáculos, principalmente a falta de adaptação que me dificultaria as condições de trabalho. Nenhum incentivo, registrando-se a sensação de que “havia lutado tanto e morreria na praia”. Acho que faltara um sentimento de empatia. A cadeira de rodas era a responsável, pois eu tentava me mostrar cordata e afável, além de estampar um sorriso grande.

Restava-me, ainda, outra opção: o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, onde, também, havia sido aprovada em concurso. Dessa vez, em quinto lugar para o cargo de Analista Judiciário, área judiciária. Sem delongas, dirigi-me até lá.
Numa das avenidas de Brasília, encontrava-se o bonito prédio do Tribunal. Viera-me à mente, a figura da deusa Themis — símbolo da Justiça. Um calafrio tomara-me o corpo e a voz estrangulara-se em mim. Um gosto de sentença, decisão, isonomia, divisor de águas, grassava meu interior. Imbuí-me de coragem, ergui a cabeça, temperei a garganta, conferi a voz e segui resoluta, com a certeza de que não me deixaria vencer. A Constituição Federal resguardava-me direitos, e era fulcrada nela que me defenderia se fosse preciso.

Tomei posse numa cerimônia simples, mas com a certeza de que mais uma vez daria a volta por cima e o trabalho acrescentaria mais entusiasmo à minha razão de viver. Enfrentei muitos sacrifícios em ter que sair de Goiânia. A saudade de casa era muita, mas precisava ficar ou trocar o cargo por uma ociosidade que, certamente, conduzir-me-ia à inutilidade e à depressão, quem sabe?

Finalmente fui cedida ao Tribunal Regional do Trabalho de Goiânia, o qual se adaptou para me receber. A recepção foi carinhosa. Parecia uma compensação pelas dificuldades a que me propusera desafiar.

Acredito que a maior limitação é aquela que criamos por afirmações psíquicas. Muitas vezes, damos contornos catastróficos a problemas tão pequenos e tão fáceis de serem resolvidos. Os problemas têm também o seu lado positivo: conduzem-nos à busca de soluções, emprestando-nos crescimentos extraordinários. Neles está sempre presente a semente da oportunidade a serviço de nossa própria evolução. Eles nos levam aos desafios, ressaltando o mérito que conquista a alma, devolvendo-nos a felicidade que é a provedora da qualidade de vida.

Assim, a cada dificuldade vencida, tenho a sensação de que valho mais, sirvo mais e vou me amando mais. Não sei, exatamente, se minha cadeira de rodas constitui problema ou dádiva. Sei apenas que começo a devotar-lhe gratidão. É por meio dela que ando, lido, participo da vida lá fora e nivelo-me aos demais.

Mente e Coração energicamente andantes
(Genaura Tormin)

Quero curtir minha imobilidade,
Mobilizando corações,
Marcando passadas
Em cada gesto,
Em cada grão de areia,
Carreando-os para o infinito.

Quero sentir
O gosto de ter pernas.
Acariciá-las,
Com o tato dos dedos,
Mobilizando todas as moléculas.

Quero sentir-me dançando
Ao som de Beethoven ou Bach,
Transando a paz de minha paraplegia
Ao compasso do coração
E à sincronia do cérebro.

Quero andar,
Mais do que todas as pessoas,
Embora saiba que,
Se externamente,
Não marco o chão
Com minhas pegadas,
Meu espírito se alicerça
Em pernas fortes,
Com mente e coração,
Energicamente andantes.

Mais do que nunca, sinto-me senhora do meu pleno equilíbrio. “Sou como a rocha nua e crua onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo. Posso cair. Caio. Mas caio de pé por cima dos meus escombros”.

Hoje, reputo-me uma pessoa completa, com uma deficiência física que me faz melhor. Por isso eu agradeço às dificuldades que me fazem forte, aos amores que me tornam terna, e aos desafios que me fazem guerreira de minha própria batalha.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Powered By Blogger

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)