PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

domingo, 29 de dezembro de 2013

ANO NOVO, VIDA NOVA!




ANO NOVO, VIDA NOVA!
(Genaura Tormin)

O Ano Novo se aproxima! 
Mais um ano na história das nossas vidas! 
Mais de 500 anos de Brasil! 
A pátria verde/amarela! 
Sem vulcões, sem terremotos, 
Sem guerras... 

É bom sentir-se brasileiro! 
Mais ainda, é ter uma família, 
Um amigo, um emprego, um lar,
Alegria, paz e harmonia.
Quantos não têm para onde voltar... 

É hora de reflexão! 
Que o amor seja a palavra de ordem 
Para fazer alguém feliz neste final de ano. 
Alguém perto ou longe de você. 
Uma palavra, um carinho, um olhar, 
Um elogio, um gesto são capazes disso. 

Sorria! 
O sorriso é prece! 
É Deus dentro da gente!

Que o feixe de energias positivas 
Seja inquebrantável, 
Indicando muitos caminhos,
Construindo felicidade,
Nesse Ano que se avizinha.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

UMA MENSAGEM DE NATAL PARA UM GAROTO LEGAL


UMA MENSAGEM DE NATAL PARA UM GAROTO LEGAL
(Genaura Tormin)


Oi, Rodrigo!

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Que Deus abençoe os seus caminhos, ilumine os seus dias, o seu futuro, o coraçãozinho ansioso de sua própria idade, que se caracteriza pela busca incessante de dias melhores.
É um tempo de escolhas, questionamentos, auto-conhecimento, revoltas íntimas... Isso se chama adolescência!
Todos nós passamos por ela para nos firmar, experimentar o mundo.
Admiro-o pela pessoa que é, com tantas qualidades, tantas virtudes que o faz doce, amigo e educado, cuja alma se estampa em mim sempre que o vejo.
Parece me pedir colo.
Volta-me ao passado em que seu sorriso franco amenizava qualquer tristeza e sua mãozinha sobre a minha testa alivia-me a dor. Lembra-se? Do pequeno “personal trainer” que me ensinava a fazer exercícios? Do professor mirim que lecionava aulas de astronomia, enumerando estrelas e planetas! Quanta saudade!
Quantas alegrias guardadas aqui no meu peito!
Que é daquele sorriso largo, escancarado que enchia a casa de alegria, inundando-a de felicidade?
Escondeu-se sob a chuva, numa tarde fria ou voou com os condores para terras distantes?
No seu lugar, restaram muitas saudades! O tempo congelou a alma, fez-se deserto, esquecido, como um sapato furado no canto da casa. E a vida passou célere!
O espelho, pendurado na parede, perdeu a luz! Não mais pude ver suas algazarras. Você cresceu! O vento levou-o para longe. Os afazeres aumentaram a distância, diminuindo as presenças.
Mas eu gosto tanto de você!!!!
Gosto de suas ideias e por vezes tomo-o por mestre.
Para mim, você é uma pessoa linda que cruzou o meu caminho na figura de neto.
Você é um buscador, Didigo!
Mas, lembre-se de que tudo tem o seu tempo: o de plantar e o de colher... E eu acrescento – o seu preço também.
Somos individualidades, filho!
Cada um segue no seu passo ao seu turno.
Uns chegam primeiro e sagram-se campeões.
Outros chegam depois, mas se tornam às vezes muito melhores, imprescindíveis!
O tempo é o mestre, dita normas e nos induz à nossa jornada por aqui, entendeu?
Oxalá que ela seja profícua!
Os obstáculos, os desafios, os aclives e declives são aprendizados importantes para nos guiar.
A experiência é tudo!
Quem nunca caiu não sabe como é a dor de um joelho ralado.
E a vida é uma sucessão de joelhos esfolados, desde a nossa primeira infância.
Um dia a gente vai entender e bendizê-los.
O diamante mostra o seu brilho com a força da bigorna.
E eis que o cascalho bruto desnuda-se e deixa a mostra a pedra preciosa de alto valor.
É como a pérola que resulta de um ferimento.
A ostra que não foi ferida não produz pérolas.
Por isso a pérola é uma ferida cicatrizada, sabia?
Assim, somos nós!
Eu, particularmente, agradeço as intempéries, as muitas quedas pela vida afora, que ainda me ferem os pés e o coração.
Tenho-os exangues, mas o cansaço não pode chegar a este meu coração que quer só amar.
Até hoje, Didigo, caio e me levanto para cair de novo!
Ninguém é perfeito nesse palco!
Tudo na vida são fases, mas tudo passa, também!
Sua vó concluiu um curso superior aos 33 anos.
No entanto venceu e vence ainda grandes barreiras, grandes desafios.
Os tempos mudaram e tudo ficou mais fácil, embora com menos aconchego nessa desvairada correria que nos consome. Matamos um leão todos os dias, não é?
Mesmo assim, poderemos fazer sempre de um limão, uma limonada!
E isso, ninguém faz por nós! "O plantio é voluntário, mas a colheita é obrigatória."
Somos os arquitetos de nosso destino, sabia?
Quando a força do amor superar a força pelo Poder, o mundo será melhor!
Passamos por uma inversão de valores. Há uma desvairada corrida pelo TER sem se preocupar com o SER.
Mas poderemos sempre recomeçar e fazer um novo fim, como dizia Chico Xavier.
Foi o que tentei fazer depois dessa bendita paraplegia que me baniu os passos, mas me legou tanto crescimento, tanto entendimento, tanto amor...
Daí, com a minha busca, foram surgindo tantos pés que me transformaram numa centopeia.
Devemos pensar nas soluções.
Essas soluções gritam dentro de nós.
Cada um escreve a sua própria história, depois vai corrigindo o texto.
A sabedoria vem desse Deus invisível, essa força maior, que sempre está a nos direcionar rumo ao bem.
Por vezes, ficamos a pensar de onde vem tanta coragem que nos transforma em gigantes, quando pensamos ser ovelhas?!
É a sabedoria do bem, meu amor, que está cuidando de nós, apontando-nos caminhos, viu?
Acho que você é um guerreiro, aprendendo a lutar!
A você os meus melhores pensamentos neste Natal!
Que o Ano Novo venha feliz, contente, desbravador e ousado para povoar os seus dias, enchê-los de paz, harmonia, esperança e muita fé no futuro.
E que no seu coraçãozinho haja sempre um banquinho cativo para esta vovó que o ama demais.
Aliás, o amor é e será sempre a melhor opção!
Tudo continuará sendo de nós dois, sempre!
Lembra-se desse pacto? Inclui também o meu coração.

Beijos da vovó Genaura Tormin

Natal de 2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

FELIZ ANO DE 2014!




FELIZ ANO DE 2014!
(Genaura Tormin)


Mais um ano se finda na história de nossas vidas! 
Muitos acertos, muitos encontros, desencontros, lágrimas e sorrisos. Muitas experiências, conquistas, sucessos, amores que vieram e se foram. Saudades guardadas no canto da alma. Muito aprendizado com as dificuldades que, compulsoriamente, tivemos que enfrentar! 


Quanto crescimento para o porvir! Se choramos, não importa! As lágrimas nos conduziram na busca de melhores caminhos. O sofrimento é sempre o mestre, o condutor, o gestor de novos e profícuos passos. Resta-nos sempre AGRADECER.

A vida é mesmo um emaranhado de emoções que nos deixam legados de dor e de alegria, tão indispensáveis a nossa evolução enquanto caminheiros desta estrada, além de melhorar a bagagem que aqui estamos a coletar.

É hora de reflexão! Que os acertos sejam intensificados nesse Ano que se avizinha! Que possamos servir mais, amar mais, compartilhando o aconchego, o afeto, a poesia, na construção de um mundo melhor.

Que o amor seja a palavra de ordem para amainar a dor, a fome, a violência, a droga que assola as mentes incautas dos nossos jovens! É para eles, que gerirão o amanhã de nosso País, que especialmente peço neste Natal.

Que o destino da nação siga altaneiro rumo ao bem, alicerçado pelo respeito e pela dignidade na busca pela paz. E como estamos precisando de PAZ! É preciso inovar sempre! Respeitar e respeitar-se. É preciso construir alguma torre de bondade e deixar que o amor fale por nós. O resto será consequência. 

Agradeço a amizade e o carinho de cada leitor que, no decorrer deste ano, aqui me brindou com a presença, valorizando a simplicidade dos meus textos, incentivando-me na criação de outros mais.

Agradeço, igualmente, pelos comentários deixados. São essas menções de carinho que me renovam a fé, a força e a vontade de viver. Vocês serão sempre o maior motivo que me leva a carpir versos, a galopar no eito da poesia, que me dá tanta alegria. 

Desejo que o ano de 2014 – ano da Copa do Mundo em terras brasilianas, seja de muito entendimento, de muita esperança, de muitas conquistas!

Oxalá, o nosso Brasil erga, novamente, a taça de campeão! Sagre-se o melhor do mundo! O que significará muitos avanços, muitos benefícios, muito progresso para a nossa gente. 

O mundo inteiro estará voltado para essa bandeira verde/amarela, pátria do mundo e coração evangelho! 

Que a poesia se faça presente para acalentar algum momento desbotado que a vida nos oferece. E, principalmente, que cada um de nós, use o seu coração, a sua voz, o seu espaço, o seu versejar, no exercício da função social, na incansável tentativa de melhorar o porvir.

FELIZ NATAL!!!!!
E que venha 2014 com muita luz!


Beijo grande da
Genaura Tormin

domingo, 1 de dezembro de 2013

UMA PREPARAÇÃO






UMA PREPARAÇÃO?

(Genaura Tormin)

Egressa de colégio de freiras, sempre gostei de comemorações, teatros, festas, desfiles, poesias, presentes artesanais, culinária... Por isso jamais esquecia de organizar a festa de confraternização no fim de ano entre os colegas de trabalho.

Justamente três meses antes da tão súbita paraplegia, fizemos a festa com bolo, revelação de amigo secreto e muita alegria. A turma era excelente, coesa e solidária.

Lembro-me de que nessa ocasião, período de formaturas, passamos defronte de um foto-stúdio que anunciava promoção. Sugeri, irrefletidamente, que estava digna de uma fotografia porque estava produzida. Alfredo anuiu e a fotografia, um pôster, ficou bonita. Entusiasmada, afixei-a na parede da sala, gabando-me de que seria para a posteridade. Uma preparação?

Não sei se somos remotamente preparados para o exercício de nosso carma. Não sei se somos frutos do destino fadados à fatalidade. O certo é que me assusto ao fazer algumas retrospectivas. Parece mesmo que me preparava para uma marcante mudança de vida. Minhas poesias... Ah! as últimas poesias!

Desde mocinha, nos tempos de internato, convivia bem com as palavras. Rabiscava sempre alguma coisa que chamava de poesia. Isso foi se alojando em mim, criando formas e arrebatando os sentimentos de amor do meu serzinho franzino, transportando-os para pedaços de papel. Reputando-me passional, fui decantando a vida além dos muros do colégio de freiras. A chegada e a partida do primeiro amor confirmaram meu dom de poetisa. Cantei todos os enleios, todas as paixões, todos os adeuses. Extrapolei os mais verdes anos e os versos ficaram em mim. Não importa se canto o amor, a dor, a tristeza, a vida, a morte... O que importa é simplesmente cantar, exaltar, extravasar, jogar a lira, transar bem com lápis e papel. O que importa é curtir as palavras lindas, fortes ou tristes. É amar a vida, partilhando-a de alguma forma. 

Escrever é um ato de amor. É driblar barreiras, alar o mundo feito borboleta. É desnudar-se! Mostrar a cicatriz ou a ferida exangue. Sem dúvidas, escrever é ter a coragem por escudo! É perscrutar sonhos, viver fantasias, ou enfrentar realidade. 

Para mim, fazer poesias, falar de amor é a expansão de minha sensibilidade. É o meu interior, o meu coração, o meu Deus interno, estampados em folhas brancas de papel, muitas vezes no quadrilátero do meu quarto. É no meu aconchego que me encontro e faço versos.

Minhas poesias falavam de tristezas. Era como se estivesse a me despedir de mim mesma. “Ficando em tudo uma lágrima e a dor do irreversível”.

Na época, não havia motivos para falar de perdas, mas exaltar conquistas. Tudo estava excessivamente bem. Em ordem. Atravessava a melhor fase da vida em todos os sentidos.

Depois da poesia pronta, ela me assustava. Levava-me a refletir:

— Por que faço isso? Não transo tristeza! É um desrespeito ao meu ser otimista, desbravador, ousado! Melhor do que estou, só festa!

Poesia não se faz: brota feito as lágrimas, o amor, a água que mina da pedra ou o lírio que nasce no pântano. Ela é dom. É inexplicável.

Dizem que o poeta é louco, mas o seu escrito é santo. Ele cria fantasias, ouriça sentimentos, caminha com os astros e faz morada nas estrelas. Eu gosto de ser assim. E no esconderijo de minha fantasia versejo todas as linguagens, vou a todas as paragens e guardo a emoção de todas as imagens, pois o coração não tem porteiras nem cárceres.

domingo, 29 de setembro de 2013

SÓ PARA LEMBRAR



SÓ PARA LEMBRAR
(Genaura Tormin)


Hoje é domingo!
Uma manhã linda por aqui!
Céu claro, brisa amena.
Tudo sorri dentro de mim.
O sol dança no lago.
Os cisnes também bailam
No meu coração encantado.
Aqui, estou em festa.


Sinto-me feliz, contente.
A mais feliz das criaturas.
Amo, sirvo e agradeço.
Isso é tudo!



domingo, 22 de setembro de 2013

ORAÇÃO DA SOLIDARIEDADE





ORAÇÃO DA SOLIDARIEDADE
(Espírito Carlos Murion=Médium José Medrado)


Que eu possa a quem está com frio dar o cobertor. 

Mas se o frio for da alma, que eu tenha condições de dar afetivo calor. 
Se alguém chorar, que eu possa suas lágrimas enxugar. 
Mas se eu também estiver em dor, que pelo menos possa companhia fazer. 
Porque é chocante, senhor, chorar sem ter alguém para nos consolar; 
sofrer sem ter com quem dividir; 
precisar desabafar e não ter quem ouvir; 
enfermar sem ter com quem contar. 

Assim, Senhor, e por tudo isso, eu te suplico: 
preciso ao próximo servir, tendo tolerância para com a ignorância; 
o desprendimento frente à pobreza; 
a solicitude moral diante dos reclames das crianças; 
atenção e amparo para com a velhice; 
o perdão sem condição; a brandura na exaltação; 
a verdade sem interesse e o amor sem cobranças. 

Mas, se nada disso eu puder ter ou fazer,

que a vida me torne humilde para reconhecer que preciso espiritualmente crescer.

Assim seja.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

PARABÉNS, LARA!





PARABÉNS, LARA!
(Genaura Tormin)

Hoje é o teu aniversário!
Quantos anos nesse liame de amor,
que nos faz crescer sempre mais.
Caindo, levantando, aprendendo, errando,
vivendo grandes alegrias, vamos, nós duas,
adquirindo experiências,
e escrevendo a nossa história,
nessa tão agradável aventura por aqui.

Foste a primogênita de uma linda história de amor,
que tem vencido as contingências da vida,
as intempéries do tempo.
Foste o elo de ternura que selou as nossas vidas para sempre,
ensinando-nos o fascinante segredo da maternidade.

O teu nome, LARA,
deve-se ao filme “Dr. Jivago”,
cuja trilha sonora leva-me sempre a você.

Faz-me lembrar dos poemas que Jivago escrevia a sua amada,
embora fosse tempo de guerra.
Lembra-me o campo de girassóis,
onde os poemas esgueiravam-se entre as flores,
tocados pelo vento de Varikyno,
aos primeiros albores da aurora,
e ainda sob um céu encapelado pelos rigores do frio.
E viver é mesmo estar sempre em combate!
Enfrentar o frio, os rigores do caminhar...
É carregar as cicatrizes ainda exangues da última batalha.

Hoje, volto ao passado tão distante.
Ao mês das flores em que você que crescia
feliz e contente no meu ventre abaulado.
Quantas trocas nesse tempo!
Até hoje, encanta-me dizer : “QUANDO SETEMBRO VIER”.

E quando ele chegou,
descortinando-se em flores,
você foi o primeiro e mais belo presente do Criador de Vidas!
A mais bela flor, exatamente para mim.
Ainda no berçário, parecia sorrir.
Era o bebê mais lindo daquele dia!
Hoje, uma linda MULHER!

Um POEMA que comecei a escrever naquele dia,
e que o trago tatuado na alma, no coração...
Todos os dias acrescento mais um verso
e apresento-o a Deus para correção.
As mães não sabem escrever, sabia?

Hoje, algumas décadas passadas,
resta-me, de joelhos, agradecer por ser a tua mãe,
o veículo privilegiado que te trouxe ao mundo.

Que em mais este aniversário,
Deus te abençoe e ilumine os teus caminhos!
Que a vida não te faça chorar!
Que as lágrimas nunca sejam de dor,
mas sempre um marco extrapolado da própria felicidade.
___________

Parabéns, filha!
Beijos da mamãe

sábado, 17 de agosto de 2013

ESCADA QUE SOBE, DESCE!



ESCADA QUE SOBE, DESCE! 

(Genaura Tormin)

A vida é efêmera!
Passa tão depressa!

Tudo se esvai feito as águas do rio que tenta se agarrar às margens, levando consigo o que nelas encontram. Tudo tem a sua fase no seu tempo certo. O tempo de plantar e o tempo de colher. O nascimento, as travessuras de criança, a juventude risonha e doce, a fase adulta e a velhice. 

As experiências adquiridas servirão de alicerces evolutivos para a ascensão a novas experiências. Não se está na vida por acaso. Ninguém veste esta farda de carne sem um propósito, sem uma missão, sem um compromisso. 

O bem deve ser o gestor dos atos, pois o tempo é curto. Essa estada na vida significa apenas uma pequena fase, um estágio, um curso de especialização na matéria em débito, e o passaporte, com certeza, chama-se AMOR. 

Nesse caminho, há também o estrelato que satisfaz o ego, eleva a auto-estima, acalenta o orgulho, a vaidade, a prepotência, mas é passageiro, o que vale dizer que os mesmos degraus que elevam aos píncaros, conduzem aos calabouços. Ora pode-se dar as cartas, dar as ordens, ora recebê-las e cumpri-las humildemente.

A vaidade perniciosa tem preço muito elevado, onerando a matéria e o espírito. Cargos, status, saúde, sofrem a ação do tempo e os rigores da vida. Bens materiais são perecíveis, transitórios. Posições sociais se revezam na gangorra da existência. 

O descer, por vezes, parece injusto, mas é sempre regido pelas sábias leis na natureza em favor do crescimento humano. 

É preciso essa inversão para que se exerça a humildade, ferramenta indispensável para o recomeço, para o autoconhecimento, para a valorização da oportunidade de trilhar esse caminho, chamado vida. 

Entretanto ele é mestre implacável. Justo, por excelência. 

De repente tudo atirado ao nada sem um motivo plausível. Por quê? Porque chegou a hora de mais uma nova lição. Chegou a hora de rever se a trilha está correta e se o objetivo está sendo alcançado.

Antes que a prova bata à porta, é bom que se entenda que a retidão de caráter, a benevolência e o amor são atributos necessários aos caminheiros dessa estrada. Nela, os degraus esgueiram-se à frente. Ora subindo, ora descendo. Escadas avaliam os passantes. Muitos sobem, muitos descem. 

Os que se encontram no topo, por vezes, são arrogantes, prepotentes, impiedosos, cruéis, porque se julgam poderosos, esquecendo-se de que se há o caminho para a subida, com certeza, há também um outro que traz de volta. A escada que sobe, desce também. 

Outros, já na descida da escada, apoiando-se nos corre-mãos, ostentam sentimentos de revolta, de indignação, e até de conformação e piedade, lançando-se, muitas vezes, aos mais execráveis lamaçais e até ao suicídio. É uma questão de individualidade por causa das disposições mentais diferenciadas. 

O espírito bem direcionado, comedido e consciente do seu papel na jornada, significa uma bússola para o bem, ajudando a melhorar o meio em que vive.


Lembro-me de um pequeno poema, de autor desconhecido, que bem estampa esse entendimento: 

Dois pobres encarcerados,
das mesmas penas culpados
jaziam na mesma cela.

À claridade da lua,
chegam ambos à janela.
Um vê a luz das estrelas.
O outro a lama das ruas.


Nessa descida, muitos pedem ajuda, esquecendo-se de que para receber, geralmente, é preciso que se tenha dado. 

Quando se tenta aliviar a dor alheia, a nossa é aliviada por acréscimo. O que fizermos aos outros receberemos em dobro, quer seja bem, quer seja mal. 

Quantos experimentam a miséria e o ostracismo, depois de haver transitado pelos corredores da fama, do sucesso, dos aplausos... 

A Lei de Causa e Efeito é uma verdade e o maior tesouro que se pode construir aqui, resume-se no AMOR. Amor fraternal, conjugal, transcendental...E isso se começa pela família, alicerce seguro de todas as conquistas. É ela o batalhão sempre disposto a socorrer o soldado que tomba na trincheira. 

Consciente desse papel e embasado no bem maior, sob as sábias leis da Criação, é possível exercitar o amor transcendental, que se espargirá pelo caminho, impregnando a todos e fazendo valer essa passagem pela vida.

sábado, 10 de agosto de 2013

MEU PAI, MEU PORTO SEGURO




MEU PAI, MEU PORTO SEGURO
(Genaura Tormin)

Meu pai!
Mais um Dia dos Pais, sem você!
Quanta saudade eu sinto!
Quantos anos se passaram! 
Aqui estou eu, remoendo lembranças!
Carpindo saudades!
Volto ao tempo em que éramos uma oficina, 
um reduto de aprendizado e amor!
Éramos tão felizes em nossas dificuldades 
e não sabíamos!

Meu pai!
Você partiu primeiro para a outra dimensão da vida! 
Não se despediu nem recado deixou. 
Foi habitar outros mundos, singrar outros mares, 
conhecer outras paragens 
sem o peso de sua farda de carne.
Sei que nos reencontraremos uma dia!
Mas continuo pensando 
que os pais não deviam partir! 

Até hoje ainda não sei caminhar sozinha! 
Não me acostumei a ser gente grande. 
Preciso de ajuda, 
de alguém forte que me salve 
dos fantasmas que me agridem. 
E você não está aqui!
Mas posso senti-lo perto de mim! 
Embora não o veja em suas formas físicas, 
no meu coração, você continua vivo, 
feliz e contente esperando a gente. 
Até mais bonito! 

Relembro das nossas renhidas batalhas 
no enfrentamento da vida! 
Quantas dificuldades nos fizeram melhores! 
Você legou essa coragem, esse determinismo 
que fizeram de mim o que sou.
Continuo recruta assídua das agruras 
e posto-me sempre 
à frente da trincheira! Soldado, sou!  
Não me curvarei jamais à inércia, 
ao desalento, à desídia! 

O meu jugo oprime
 e o cansaço já me bate à porta da alma, 
ofuscando-me os caminhos. 
Trôpegos os passos e estropiados os pés!
O comboio parte sempre lotado e 
logo haverá um lugar para mim.  
Devagar vamos nos reunindo outra vez!

Somos seres espirituais e aqui estamos  
para crescer, aprender e voltar pra Casa 
com a bagagem aqui coletada. 
Oferto-lhe, neste dia, 
o meu preito de gratidão e o carinho 
sempre presente neste meu coração!
Parabéns, meu pai! 
Quanta saudade! 
Quanta falta você me faz!
Meu PORTO SEGURO, meu pai!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

MEU POEMA TEM MAGIA



MEU POEMA TEM MAGIA
(Genaura Tormin)

Miro a eternidade,
Nas encostas dos sonhos.
Alcanço o infinito
E vejo tudo mais bonito.

Cavalgo no pensamento.
No dorso de miragens.
Construo castelos,
Enfeito-os de brisa e canto,
Flores e pranto.

Meu poema tem fantasia,
Melodia de riacho,
Cheiro de pradaria,
Céu estrelado,
Encanto e magia.

No bailado da alegria,
Borboletas voejam
Nas cores da natureza,
No trinado da passarada,
No refrulho da cascata...
Dentro de mim
Desnuda-se o Universo!

DOCE PRESENÇA DE MINHA MÃE



DOCE PRESENÇA DE MINHA MÃE
(Genaura Tormin)

Mortiça luz, 
Ao morrer o dia.
Negras nuvens 
Envolvem a terra.
A solidão se faz e
O ambiente é fúnebre.
A alma dolente 
Se esvai em prantos.
Tudo se perde 
Na confusão dos mundos.

Fecho a cortina,
Volto ao casulo.
Ouço passos... 
Um vulto de mulher 
Ganha formas,
Ocupa o espaço
À minha frente.

Tento falar e não consigo!
Escapa-me a emoção,
E eu me perco na imensidão azul
Dos seus olhos marejados.

Por um instante,
Num mudo diálogo
Senti a doce presença 
De minha MÃE ao meu lado.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A PROFECIA DA LUÍSA



A PROFECIA DA LUÍSA
(Genaura Tormin)


Somos uma família unida, coesa e contente.
Os filhos moram perto da gente, o que facilita o compartilhamento de carinho e cuidados.
São quatro os nossos filhos. Todos casados e endereçados na vida. Os netos aumentam a nossa razão de viver, fazendo-nos mais felizes.

O filho, Frederico (o caçula), mudara-se para um apartamento duplex próximo de nossa casa. O afeto crescera e nós estamos sempre entre eles e vice-versa.

Durante as minhas estadas lá, posto-me no primeiro piso, tendo em vista ser paraplégica e as minhas pernas de roldanas não subirem às escadas para alcançar o piso superior, onde ficam os quartos.

Tendo em vista o pé direito duplo da sala, aureolado por um pergolado na parte superior, é-me possível identificar portas.

Luísa, criança inteligente, linda, esperta, falante, dos “cabelos negros feito as asas da graúna”, imaginava várias maneiras para que eu acendesse ao andar superior.

_ Vovó, quero que você veja o meu quarto, o da mamãe e do papai, o do Pedro e o da Fernanda.

_ E quem é a Fernanda, Luísa?
_ É a minha irmã, vovó!
_ Mas você não tem irmã!
_ O Papai do Céu ainda vai mandar pra gente!
_ Como você sabe disso?
_ Porque sei!

Luísa é a primogênita da família e à época tinha quatro anos. É uma criança doce, terna, amiga do irmãozinho a quem dedica carinho e cuidados. Diz-se a professora dele e se responsabiliza por tudo que ele sabe.

Sempre que eu lá chegava, ela me lembrava de que teria que arranjar um jeito de eu subir as escadas, que costumeiramente me espreitavam de soslaio. Vez por outra eu sentia saudades dos passos saltitantes e faceiros que ficaram num passado tão distante. 

Quase 30 anos sem os seus trejeitos dançarinos. Mas os passos imaginários sempre me alongam as possibilidades de outras formas.

Enfim, surgira o esperado jeito para alçar voo aos dormitórios no piso superior. Carregada nos braços, lá ia eu! Luísa e Pedro eram só sorrisos. Subiam na frente como a preparar o caminho. Verdadeiros cicerones. 

As vozinhas estridentes atropelavam-se faceiras na descrição dos aposentos. 
Tudo muito bonito, decorado com motivos próprios, cheios de graça e bom gosto.

_ Aqui é o quarto da Fernanda, vovó! _ dissera-me Luísa, ensimesmada. Ato contínuo passara a abrir o armário e exibir as roupinhas, fraldas, sapatinhos e outros pertences, com farta descrição sobre a irmãnzinha que o PAPAI do céu mandaria.

_ E quando ela chegará, Luísa?
_ Vovó, a mamãe falou que vai pedir ao Papai do Céu.

_ Ah! Sim! Pois é, eu vou ficar muito contente, sabia? Eu amo vocês! E vou amar também a Fernanda.

O tempo passava célere. E alguns meses depois, via celular, o filho Frederico compartilhava comigo a alegria em ser pai, novamente.

_ Mamãe, você será vovó outra vez! Liana está grávida. Acabamos de pegar o resultado do exame!
_ Que bom, filho! Mais um coadjuvante para arrebanhar a nossa família no caminho do amor, na senda do bem. Quase um time, hein? Serão três filhos, três amores! A Luísa e o Pedro já sabem sobre a criança que está a caminho?
_ Ainda não.
_ Imagino a felicidade de ambos esperando o bebê. Estou muito feliz!

A vida tomara novos contornos na casa dos Antunes Tormins, bem como na casa dos avós e demais parentes.
Era o amor que, mais um vez, batia à porta, em forma de uma gentinha nova.

E a sementinha crescia no ventre da mamãe, cujas formas tornavam-se rechonchudas a cada dia, denudando-lhe a alma agradecida na fisionomia e na ternura do sorriso sempre presente. 

Liana é uma menina bonita, cativante e amiga. Para mim, uma filha! Carinhosamente, chama-me de tia. E eu gosto disso.

A família estava sendo agraciada, pois um filho é sempre um presente de Deus para vida! Uma centelha do Seu amor.

Os dias passavam-se lentos, aguçando a espera, estampada na alegria estridente das crianças, que contavam a novidade a todos. O contentamento era visível em toda a família.

_ Papai do Céu vai mandar pra mim uma irmãzinha vovó! A Fernanda! Eu não falei?
_ Falou, meu amor! E a vovó acreditou. Papai do Céu é muito legal, mesmo! Ele atendeu ao seu pedido e ao da mamãe, não foi?

Ainda não se sabia o sexo.
Tão logo fora possível, o exame foi feito e acusou ser um menino.

Novamente, Frederico passara-me uma mensagem avisando. O casal ficara preocupado sobre como dar a notícia a Luísa.
Chegou-se à conclusão de que isso seria feito com cautela e vagar.

Durante uma de minhas visitas, tentando ajudar, eu comentei sobre o Antônio, o novo irmãozinho que eles iriam ganhar.

Luísa ouvira o meu comentário e, imediatamente, interveio enérgica:
_ Vovó não é não é o Antônio! É a Fernanda! Eu já falei!
_ Mas o exame disse que é um menino!
_ Não é! Vovó, o exame errou! O que apareceu no exame foi o dedinho da Fernanda! A mamãe vai fazer outra vez e é menina, eu sei! É a Fernanda!

Acontece que, realmente, algum tempo depois, em um novo exame, comprovou-se ser uma MENINA. 
Isso não significou surpresa para Luísa, a qual sempre se mostrara segura quanto a vinda da irmã Fernanda.

O tempo passava e, num finzinho de tarde de um dia lindo do mês de fevereiro, quando o sol recolhia-se contente ao horizonte, bordando o céu de róseas pinceladas, chegava a Fernanda para alegrar a vida da gente!

A Luísa, agora com mais de cinco anos de idade, não se cabia de tanta felicidade em ter no colo a irmãnzinha tão esperada, para quem ela mesma escolhera um novo nome: Marina! 

Dizia que tinha que ser um nome que ela soubesse escrever. O finalista foi Malu e depois Marina, bem desenhado com a letrinha de uma criança amante.


Hoje, Marina tem cinco meses. Uma criança linda, sorridente que nos transporta ao Criador de Vidas. Costumo ver Deus nas crianças!

À luz da Doutrina Espírita, sabe-se, que até os sete anos de idade, é comum a criança viver em duas dimensões. É um  período de adaptação à sua nova reencarnação. Nesse período as lembranças são muito fortes. Isso é muito natural para ela. Chega a ter amigos que a gente não vê. Fala deles em histórias fantásticas. 

Por isso a Luísa referia-se a Fernanda com muita convicção e sabia que ela viria.

Nós, os pais, ainda desinformados, pensamos que se trata de fantasia e quase sempre procuramos ajuda psicológica.

A REENCARNAÇÃO É UMA VERDADE! E o véu do esquecimento sobre as existências passadas é uma benção, que nos permite aprender e evoluir sem entraves rumo à perfeição, a qual todos chegaremos um dia.

E assim, cumprira-se a PROFECIA DA LUÍSA!

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)