PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

domingo, 10 de maio de 2020

E-book - MAROLA, VELEIRO e VENTO.

Eis MAROLA, VELEIRO E VENTO!

Um livrinho virtual, uma casinha para os poemas meus.
Um brinde ao leitor que enfeita minha vida, acalenta o meu coração,
deixando- me tão feliz! E agora, mãos à obra! Vamos velejar, sentir
o vento e ver as marolas do meu mar! E se o vento te tocar, pode
comentar. Eu vou gostar. Afinal é para vocês que canto!

Beijos da Genaura Tormin

Obs.: Pause a música do blog quando for visualizar o livro.



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terça-feira, 1 de novembro de 2016

A FORÇA DO AMOR



A FORÇA DO AMOR
(Genaura Tormin)

A vida seguia seu curso.
A família unida e engajada.
Podia-se dizer que era regida pelo slogan: Um por todos e todos por um, desde os mais tenros anos.

Problemas sempre vencidos e vitórias conquistadas.
Quatro filhos, o que favorecia as brincadeiras, passeios, amizade, tarefas... e a interação de amor que era partilhado no sorriso e na gratidão.

Todos bons filhos, bons amigos, bons alunos, e os mais lindos do mundo no meu coração de mãe.

Uma bênção em nossas vidas!
Agora já cursavam a Universidade.
Nós, os pais, éramos a estampa do contentamento, do sorriso farto e da alegria.
O caçula ingressara aos dezessete anos de idade, no Curso de Direito da Universidade Federal. Os filhos, geralmente, tentam seguir a profissão dos pais.

A adolescência, transcorrera sem problemas, numa família onde o diálogo se fazia presente e a autoridade também. Acredito mesmo, que ela deve ser uma empresa, por isso carece de uma boa gerência em todos os sentidos.

Errados princípios, dificultosos fins, costumava dizer sempre a minha mãe.
As etapas devem ser queimadas ao seu tempo, sem atropelamentos.

A fiscalização cabe aos pais, na tarefa responsável de endereçar suas crias na senda do bem, estimulando a fé e a crença no porvir, através do estudo, da educação e do trabalho, sempre sob as forças do bem, do amor e da fraternidade.

Como nós, eles também serão pais um dia.
A história dessa caminhada significam livros escritos na memória da família, no vagar do tempo, para a posteridade.

Frederico, como o último da prole, perquiria seu lugar nos escaninhos do nosso afeto.
Certo dia, chegou em casa acompanhado por uma linda garota que, ao me ver, estampou um largo sorriso e me chamou de tia.

Foi amor à primeira vista.
A danadinha, embora ainda criança, conquistou o meu afeto.
Cursava o segundo grau do colégio.

Posteriormente a sua família viera morar no nosso prédio. Agora éramos vizinhos!
Dessa época, eu me lembro que se alargaram os horizontes da amizade, fazendo-nos amigos de verdade.

De vez em quando, a menininha de cabelos pretos, olhos brilhantes, ternura à flor da pele, chegava em visita à nossa casa.

O sorriso iluminava o rosto daquele ser, ainda tão criança. Era o verdor dos seus quatorze anos de idade.

Chegava depressinha, feito a abelha que viceja a flor. Logo se despedia, sob a alegação de tarefas escolares.

Nos meandros de mim eu pensava: que menininha que estuda!? Será que estuda mesmo? Tantas tarefas assim?

Vou investigar. Afinal, sou delegada _ pensei eu.
Dias depois, lá vem a mocinha! Era a namoradinha do meu filho e a pergunta era quase sempre a mesma.

_ Tia, o Fred está?
E logo vinham as despedidas, com a explicação de que tinha que estudar.
_ Por que você estuda tanto, além da frequência à Escola? - Arrisquei perguntar.
_ Sabe, tia, meu pai morreu quando eu era bem pequena.

Somos três irmãs!
Minha mãe trabalha muito e é ela quem nos paga a escola e tudo o mais que precisamos. É mesmo uma guerreira e eu sinto que tenho que ajudar de alguma forma.

Na minha Escola, quem consegue classificar-se em primeiro lugar entre os demais alunos, não paga a mensalidade.

E é isso que tenho feito. É o mínimo que posso fazer! É o jeito para demonstrar-lhe minha gratidão, minha participação. Emociona-me dizer-lhe ao final do mês:
_ Mãe, eu tirei primeiro lugar de novo!

Foi uma explicação tão linda, que me embargou a voz, marejando-me os olhos, numa admiração incontida por uma garotinha de 14 anos.

E a vida a passar... dias, meses, anos!
Agora, a mocinha terminava o colegial e, sem cursinho, fora aprovada no vestibular para o Curso de Direito da Universidade Federal.

Ao término do curso, vieram as muitas aprovações em concursos públicos.
Hoje, ela é uma Promotora de Justiça!

Invertendo o refrão de minha mãe, eu digo, sem medo de errar:
Princípios certeiros, finais felizes!

E o amor a gerir toda uma vida!
Ele é sempre a maior e a melhor de todas as opções!
É Deus dentro da gente!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

VIDA, VIDA MINHA!



VIDA! VIDA MINHA!
(Genaura Tormin)

A vida vai continuar! 
Serei uma caçadora, uma ave a voejar caminhos, procurar galho para fazer outro ninho! 
Meus poemas ficarão para a posteridade! 
Minha vida, decantada em prosa e verso alentará pessoas, restando assim, ainda um pouco de mim.
E quando eu me for, nas asas do vento, nos refegos da ramagem de uma tarde linda, com mistérios e cores, O Pássaro Sem Asas planará faceiro, contando um pouco desse meu jeito guerreiro, valente, de enfrentar desafios, cantar a vida e ser contente.

Despedida


Quando eu partir
Deixarei saudades...
Presença silenciosa.
Frases inaudíveis 
Ecoarão no ar.
Só, seguirei a minha estrada...
Nada levarei. 
Não é necessário.


Para trás,
Um lar vazio,
Uma lembrança gasta,
Uma janela aberta...
Mas se um dia,
Sentirem a minha falta,
Juro, não é covardia,
Deixem rolar o pranto,
Espantem essa agonia.


Em nome dessa partilha,
E da felicidade 
Que nos uniram um dia,
Relembrem os bons momentos.
E se eu puder,
Virei enxugar-lhes o pranto,
Num raio de sol, 
Num sopro do vento.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

NOVO CICLO



Novo ciclo
(Genaura Tormin)


Numa restropectiva de mim mesma, do alto de 70 anos vida, alicerçada pela minha abençoada cadeira de rodas, revejo a caminhada e agradeço! 
Tudo me veio na medida certa e no tempo exato. 
O Feitor da Vida sabe o que faz! 

Talvez se não tivesse sido assim, não teria tido tantos sucessos e as empreitadas não significavam conquistas no pódio de tantas vitórias. 
Um projeto bem sucedido! E não fui eu a arquiteta. Tudo chegava a seu turno, galopando em dinossauros ou burrinhos. 

E eu entendia o tamanho do esforço que haveria de fazer. Aprendi a ler as entrelinhas, bordadas por frases construtivas, nas encostas de tantos caminhos. E eu as segui!
Os motivos, pequenos ou grandes, eram tão convincentes para alavancar essa indômita vontade de viver que me estampa o ser. 

Aprendizado, sucessos e desafios mesclaram-se em todas as jornadas, fazendo-me sempre à prova de bala! E essa camisa de força nunca se apartou de mim! Eu a ostentarei até o fim.
Deus, família e trabalho foram sempre os meus melhores motivos. A razão de minha estada por aqui!

O ciclos foram-se encerrando para que outros tivessem lugar. 
Isso é o exercício da vida. 
O trabalho foi sempre a minha religião e o maior mestre. 
Novo ciclo se exibe agora garboso!

Acabo de ingressar no rol dos aposentados, companheiros de 3a. Idade!
Preciso domar esse meu coração valente!
Preciso aceitar e me despedir do meu oficial trabalho!

Queridos colegas:

Procurarei não ser prolixa para que os sentimentos não abram as comportas dos meus olhos, tão bem tarameladas para aqui estar
Cheguei!

Avalio o caminho, revejo os pés e no calendário do tempo, confiro os 70 anos de vida feliz e bem vivida, dos quais 51 anos ininterruptos de vida pública dedicada ao meu País.

O espelho ainda me fala de sorriso, otimismo, alegria e alguma beleza. 
Isso, porque tudo que fiz foi sob o comando do amor, da qualificação, da satisfação do fazer e do respeito ético.

E eis que chego neste final de estrada, com o sentimento de missão cumprida!
Mochila às costas, diante de vcs, para um abraço, um agradecimento, um até logo ou um até breve.
Chegou a hora de ir! Não estranhem se acaso eu chorar.

Egressa de um concurso para Analista Judiciário do TJDFT, aqui estou há 21 anos.
Foi um tempo de paz, de crescimento, de trabalho para que a prestação jurisdicional chegasse em tempo célere ao jurisdicionado, em que eu me senti feliz, contente, contribuindo com a Justiça do Trabalho do meu Estado.

Durante todos esses anos integrei-me bem às equipes, irmanando um só espírito-de-corpo, pois jamais me subjugo às subserviências em busca de protecionismo sob o álibi da cadeira de rodas que ocupo há 34 anos.
Ela não me posterga, pelo contrário, enobrece-me!
Convida-me ao desafio.
E eu gosto disso.

O nosso Tribunal potencializa os recursos e tecnologias assistivas visando à plena acessibilidade das pessoas com deficiência.
Isso se chama respeito, inclusão.
Nunca me senti diferente, discriminada.
Acredito que não há discriminação que resista à competência.
Não é necessário paternalismo nem diferenciação, apenas respeito às leis e à célebre frase de Rui Barbosa: “... tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam”.

Mas agora chegou a hora de ir.
Muitas saudades levarei.
Lembrar-me-ei de todos os companheiros de labor, com quem aqui convivi.
Essa linda história de trabalho neste Tribunal será um marco de saudade nas celas de minhas recordações no acalanto dos dias.

Mas a história ainda não acabou. Conotativamente fui formiga a vida inteira, agora vou ser cigarra: cantar a vida, bordar horizontes, irmarnar-me às asas dos pássaros e rever prados, campinas e montes, solfejando a lira dos poemas meus.

Nunca me esquecerei do tempo que aqui servi como formiga e fui tão, tão feliz.
Esta Corte de Justiça continuará minha também. 
Os Camaradas-formigas terão um lugarzinho cativo no meu coração.
Mas, agora, adeus!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

UM PASSEIO COM PAPAI



UM PASSEIO COM PAPAI
(Genaura Tormin)


Eu e minhas irmãs!
Que saudade!

Todo tempo tem o seu sabor, os seus encantos, a sua magia!
Egressas da zona rural, nessa época, éramos internas num colégio de freiras, onde ficamos por 9 anos.
Tempo bom e bem vivido!
Linda infância.

A foto foi tirada durante um passeio com papai.
Como eram encantadoras essas saídas para desbravar o mundo sob a proteção do homem mais forte, mais bonito e mais valente! 
Um guerreiro!

E ele era o MEU PAI!
Quanto orgulho sentia eu!
Hoje, tudo é comprado com presentes!

Meu Deus, quanto vale um afeto!!!!!
Quanto vale o chegar perto, afagar, sorrir, apertar as mãos e sentir-se cria, parte integrante daquele ser a quem Deus nos confiou neste mundo!

Mas, estamos pobres desse aconchego!
Falta a qualidade, o jeito gostoso...
Falta tempo!

E esse tempo é tão veloz e cruel!
Somente as lágrimas dirão mais tarde que fizemos tudo errado com as crias que Deus nos concedeu!

ESQUECEMO-NOS DO ABRAÇO!
Foi enviado pela virtualidade!

Desconhecidos, hoje, crias e pais seguem estradas paralelas tentando se encontrar.
QUE PENA!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

UMA CARTA QUE RECEBI




UMA CARTA QUE RECEBI
(Genaura Tormin)

Dra. Genaura,

(...) Conhecendo um bocado de sua família maravilhosa, sempre soube que a senhora era forte, nunca me inspirou compaixão ou comiseração, mas não sabia dessa potência de seu espírito, que descobri ao ler as fluentes páginas de seu livro que é como um riacho: as estórias correm gostosas e suaves, lavando-nos a alma com águas límpidas e cristalinas.

Parabéns pela fortaleza e pela poetisa que é.
A senhora, trilhando uma vida permeada de dificuldades, fez dela um baile e dançou encantando a todos à sua volta. A perene transposição de obstáculos é um empurrão aos lânguidos, um grito aos adormecidos, uma bronca aos tíbios.

Quando descreve o senso de responsabilidade do filho caçula, que às vezes deixava de brincar para terminar os seus afazeres (“Estou varrendo a casa!”), é como se estivesse ali o Frederico-homem de hoje (“Estou estudando!”).

Livro bom! Se chorei, também sorri.

Não sei se era para sorrir, mas o fiz quando a senhora descreve a cena em que cai no banheiro, estando sozinha em casa. Pensei como essa mulher é forte, faz da toalha molhada um cobertor e da queda uma oportunidade para tirar uma soneca. Quando os filhos chegam a encontra vivinha da silva. 
Outra cena de que gostei muito foi quando, entre os colegas deficientes, não aceita pedir migalhas em semáforos, a títulos de pedágio. Que dicotomia de sentimentos, hein? Foi chamada de orgulhosa, mas entendo perfeitamente, era uma encruzilhada da vida que a fez, naquele momento, renegar a fraqueza e optar pela dignidade. Que nervos de aço com o sangue da coragem e da bravura!

A senhora e o marido, que é um gigante de sorriso doce, um baixinho de ombros hercúleos, construíram uma família feliz e moral, psicológica, intelectual e espiritualmente saudável. Parabéns a ambos!

José Cardeal dos Santos Filho – Justiça Federal”
Goiânia - Go.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

FÉRIAS NUM RESORT




FALTA ACESSIBIIDADE
(Genaura Tormin)

Vencer barreiras arquitetônicas é um dos grandes desafios enfrentados no dia a dia da pessoa com deficiência física, principalmente a que deambula de cadeira de rodas.
Muitos obstáculos a vencer! Entretanto é necessário conquistar a liberdade de ir e vir, mesmo a duras penas, ingrediente principal que nos garante a inclusão na sociedade.
“Levanta e vem para o meio” é um o tema de uma Campanha da Fraternidade.

Embora o desafio seja a nossa meta para criar consciência popular sobre essas pessoas diferentes, há muito ainda a desejar. A acessibilidade, condição indispensável para que possamos viver com dignidade, é a principal, pois precisamos nos mostrar, exercitar o nosso caminhar. Enfim, viver, como cidadãos que somos.

Para ilustrar, vou contar uma pequena história:
Uma viagem à praia. Um resort à beira-mar adaptado às condições de uma pessoa com deficiência locomotora que não prescinda de uma cadeira de rodas. Tudo acertado com o agente de viagem. Ponte aérea, sol bem arregalado, num cantinho do céu, chamado felicidade.

No aeroporto o veículo estava à nossa espera. Um micro-ônibus, com porta estreita e a informação de que estava emperrada, tornando-se mais estreita, ainda. Não conseguia completar seu curso de abertura. Impossível uma contensão de forças másculas para rebocar-me ao seu interior. Não passaria pela porta envolta em braços.

O agente de viagem embarcou-nos num táxi, à nossa expensas financeira, com a promessa de ressarcimento, o que não aconteceu.

Mas, vamos lá, um problema vencido, característica indômita do brasileiro e do determinismo em reverter situações adversas.
Após o percurso de uma hora mais ou menos, eis-nos à frente de um majestoso resort, com lindas trepadeiras floridas que lhe enfeitavam a entrada.

Logo, o nosso quarto, bonito e aparentemente adaptado às minhas condições de cadeira de rodas. Via-se que passara por uma recente reforma. Amplo e aconchegante, com lindas cortinas e uma sacada, de onde se desnudava o mar bravio que se escondia manhoso depois dos coqueirais balouçantes, com cheiro de brisa e maresia. Um convite a uma estada feliz e renovadora.

O banheiro, cheio de pretensas adaptações distribuídas pelas paredes.
Na verdade, aos olhos do leigo, era possível distinguir-se pelo esmero, e quem sabe, pelo respeito aos seus reais usuários.

Que tristeza! Nada tinha a ver com as necessidades de uma pessoa com deficiência física. Poderia servir aos que andam de muletas, nunca aos que andam de cadeira de rodas.

Num quadrado, de um metro mais ou menos, com paralelas laterais de apoio, sem espaço ao lado para o posicionamento da cadeira de rodas, encontrava-se centrado o vaso sanitário. Era como se o seu usuário, num passo de mágica, ficasse de pé e desse meia volta para se sentar nele. Além disso, havia uma grande distância entre a parte posterior do vaso e a parede. Onde apoiaria as costas? Como fazer os manuseios sem equilíbrio? Qualquer descuido poderia cair para trás.

Impossível, mesmo, usar o sanitário do lindo resort. Precisava apoiar as costas para fazer os manuseios de assepsia e introdução da sonda vesical. Nem mesmo para tentar, teria condições.

O chuveiro, num requintado box, continha uma cadeira minúscula, sem braços, com o assento em tiras, dependurada numa alça de apoio, postada em desconexo com a altura e com os registros misturadores de água quente e fria.

Impossível acioná-los, pois ficavam às costas, numa posição bem acima do desejável. Como lavar os órgãos genitais nessa gangorra, que mais parecia uma balança, pois os pés não alcançavam o chão. Soltar as mãos da alça de apoio postada na parede, nem pensar. Um tombo seria inevitável. Lavar os cabelos? Também não.

Do pomposo banheiro, quase um salão de banho, restava ainda o lavatório, com secador de cabelos, torneira fotocélula (aquela que se abre com a simples aproximação das mãos) e um grande espelho à frente.

Não precisava observar muito para ver que também não podia acessá-lo. Encontrava-se sob o lavatório, um obstáculo - um cano - usado como cabide para as toalhas, impedindo, por sua posição e altura, o encaixe da cadeira de rodas para conseguir usá-lo. Nem lavar as mãos, eu conseguiria. O jeito mesmo era passar uma toalha molhada.
Improvisar para não chorar. Não havia outra saída. O que fazer? Estávamos ali para descansar, para ser felizes. Eu não podia ser o empecilho. Assim, sorriso pra lá, sorriso pra cá e a vida a passar.

“Faz de conta” é a ordem. Afinal o mundo não é adaptado para nós, embora existam leis que determinem esse procedimento.
Em tempo oportuno, tentei conscientizar o responsável administrativo do resort e, lamentavelmente, fui informada de que para toda aquela pretensa adaptação, fora contratada uma assessoria.

Ponho-me a pensar:
Como são desinformados, para não dizer irresponsáveis. Nem uma assessoria, paga para um trabalho especializado, empenhara-se em se informar, em pesquisar para entender as necessidades primárias de um ser humano diferente. Não houvera preocupação em fazer jus, honestamente, ao dinheiro que lhe fora pago.

Os reais usuários, jamais são consultados. É como se fôssemos objetos inanimados, indesejáveis. Por isso costumo dizer que “nada para nós, sem nós”. A gente sabe onde o sapato aperta e o que nos facilita o ir e vir tão diferente.

Essas obras parecem eleitoreiras, ou simplesmente, edificações para burlar as obrigações determinadas pela lei.
Somos um país em desenvolvimento, tão diferente dos países de primeiro mundo! Respeito é uma palavra meio desconhecida por aqui.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

UMA HOMENAGEM MERECIDA

 
UMA HOMENAGEM PRA LÁ DE MERECIDA
(Genaura Tormin)


 Como oradora da Associação dos Delegados de Polícia, por vezes, cabia a mim certos pronunciamentos em eventos sociais da classe.
Em especial, gostaria de transcrever parte de um discurso, cuja figura maior muito me pertence: (…)
 É com muita honra que faço uso da palavra para cumprimentar os colegas delegados, aniversariantes do mês de setembro.
Em nome da classe, parabenizo-os, desejando muita paz, muita alegria em família, no trabalho e em sociedade, tornando sempre profícuas e necessárias as suas existências.
 Particularmente, dirijo os meus cumprimentos ao Dr. Alfredo Tormin, aniversariante do dia 12 deste mês primaveril.
 Homem singularmente especial que esparge semblante humilde, mas os ombros podem carregar o mundo.
Homem introspectivo num franzino corpo, invólucro da mais respeitosa sabedoria técnico/científica, além de relevantes valores positivos no direcionamento da vida.
 Ser humano combativo que sabe lapidar os percalços, transformando-os em progressob.
Dr. Alfredo, mestre, pai, irmão, sacerdote e marido.
 Força transformadora nas peripécias!
Presença constante, alento seguro em todo fim de guerra!
 As palavras são obsoletas para traduzirem esta homenagem, mas a minha vida, os avanços e sucessos são mostras fiéis das suas mãos de mestre, do seu entendimento maior que chega a divinizar-lhe as feições.
 Sou feliz por ser a sua MULHER e mãe dos seus filhos!
Parabéns!
E hoje, novamente, é o seu aniversário!
 Repito tudo que disse naquela época.
 E nesse vagar do tempo, só tenho a agradecer a Deus pela sua vida, pela nossa vida e da família maravilhosa que ELE nos permitiu construir nesta existência.
Parabéns, meu amor!
Muita paz, muita saúde, muita luz!

 ❤️
🐝🎸👏☕️👼🏽☘🎁

domingo, 11 de setembro de 2016

PARABÉNS, LARA!


Oi, Lara!
(Genaura Tormin)

Hoje o amanhecer foi maravilhosamente belo!
O sol, em raios púrpura, numa incandescência luminosa, feito facho de pedras preciosas, num bosque encantado, fazia rastros rendados no meu quarto, sob a orquestra de pássaros cantores. 
A brisa sorrateira, com seu atrevimento peculiar e gostoso, confidenciava-me lembranças, voltava-me ao passado, e eu senti em meus braços o maior presente que uma mulher possa almejar: um filho! 
E esse filho era Você! 
Linda, esperta, olhinhos buliçosos... 
O bebê mais bonito daquele dia! 
E até hoje, ouso dizer sem medo de errar: Uma linda mulher, dona de todas as virtudes e do amor incondicional que a tudo cura, a tudo dá um jeito.
Sabe, foi justamente no mês das flores! Na primavera do amor.
Naquela época eu me sentia uma rainha ao dizer e sentir: “Quando setembro vier”! 
O ventre abaulado, para mim, era um orgulho, uma centelha do amor de Deus que eu carregava em mim.
E setembro veio, tão lindo, tão encantador como esta manhã.
Era a minha estreia nesse maravilhoso ministério de ser mãe. Nesse exacerbado jeito de amar. 
Embora tenha-se passado  muitas luas, muitos verões, eu ainda guardo todos os detalhes, todos os encantamentos, do antes, do depois e do AGORA.
Hoje é o seu aniversário, FILHA!
Elevo minha prece ao Criador para, de joelhos, agradecer. 
Não há ser humano mais feliz do eu! 
Pude meus filhos parir, e com eles crescer nessa tão linda aventura que chamamos de vida.
Com você aprendi tanto e aprendo sempre até hoje!
Família é o elo de amor que une, cala e consola! 
É a oficina para o exercício do amor, da sublimação rumo ao que Deus espera da gente nessa pós-graduação que aqui estamos a fazer. 
Aqui estou para, mais uma vez, abraça-la e ratificar o tão grande amor que nos une.
Que Deus a abençoe sempre, iluminando os seus caminhos, gerindo a sua vida! Que o fardo seja leve e o jugo não oprima.
Muita paz, muita alegria no seio dessa linda família que Deus lhe permitiu construir!
Parabéns, minha filha!
Feliz Aniversário!
Beijos dos seus pais:

Genaura e Alfredo
Gyn. 11.09.2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

PROFISSIONAL DE PORTAS



PROFISSIONAL DE PORTAS
(Genaura Tormin)

Eu tinha que cantar!
Não sabia por quanto tempo.
O coração agasalhava o medo.
Tudo atirado ao caos,
Parecia matar-me a alma.

Não havia portas,
Nem janelas.
Eu as teria que fabricar,
Jogar o jogo do contente
E seguir em frente!

O lar cheio de algazarras,
Risadas e alaridos
Havia ficado triste
Em rostinhos inocentes.
Um tornado havia passado
E sem dó desarrumado
O que eu havia colecionado.
Por isso,
Eu tinha que cantar!

Pus-me no trabalho!
Juntei os cacos,
Estanquei lágrimas
E fiz-me forte aos rigores do frio.
Teria que carpir portas!

Hoje,
Abro a janela tempo
E converso com o vento,
Que me açoita os cabelos brancos.

Revejo os feitos e concluo:
Fui uma profissional de portas!
Serviço bom e bem feito.
Por isso,
Eu hoje canto e agradeço!
Tenho mais do que preciso e mereço!

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)