PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

domingo, 10 de maio de 2020

E-book - MAROLA, VELEIRO e VENTO.

Eis MAROLA, VELEIRO E VENTO!

Um livrinho virtual, uma casinha para os poemas meus.
Um brinde ao leitor que enfeita minha vida, acalenta o meu coração,
deixando- me tão feliz! E agora, mãos à obra! Vamos velejar, sentir
o vento e ver as marolas do meu mar! E se o vento te tocar, pode
comentar. Eu vou gostar. Afinal é para vocês que canto!

Beijos da Genaura Tormin

Obs.: Pause a música do blog quando for visualizar o livro.



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sexta-feira, 10 de março de 2017

NUA DE ILUSÕES



NUA DE ILUSÕES
(Genaura Tormin)

Faz frio,
Chove forte aqui.
A vidraça molhada,
Parece chorar.
Nua de ilusões, sedenta de afeto,
Revejo a trajetória.
Um caminho truncado,
E um passado sem glória.

Um cheiro de terra molhada,
Trazido pelo vento,
Aquece-me a emoção.
Preciso de aconchego.
Fria está a alma,
Triste e cansado, o coração.
Sigo em frente!
Visto-me de coragem.

Nessa sintonia,
Procuro a rima,
Os versos, a canção, a fantasia,
Esquecidos no armário
Dessa vida vazia.

terça-feira, 7 de março de 2017

A MULHER ESTÁ CONQUISTANDO O SEU ESPAÇO





A MULHER ESTÁ CONQUISTANDO O SEU ESPAÇO
(Genaura Tormin)

A mulher e o homem foram criados para se interagirem, para se completarem. Eles se precisam mutuamente. Deveriam ser iguais as asas de um pássaro, que não se subjugam, mas se equilibram lado a lado propiciando a plenitude do vôo. “Amar não significa tornar o outro adaptado, submisso ou semelhante a nós. Amar significa libertá-lo, deixá-lo livre, deixá-lo viver”. (Penny Mc Lean)

A discriminação e o preconceito contra a mulher são tão antigos quanto o mundo, cujos registros de tamanhas inculturações remontam aos escritos dos mais célebres filósofos da Antigüidade, bem como códigos, constituições e tratados, incluindo poetas, santos e teólogos. Até Napoleão Bonaparte, imperador francês, teria dito que: “As mulheres nada mais são do que máquinas de fazer filhos”. Por isso a mulher tem sido uma guerreira! Tem-se sobressaído com galhardia, enfrentado o desafio com unhas e dentes na tentativa de conquistar o seu espaço, a sua cidadania, o seu direito de competir e mostrar que é capaz.

Não obstante as muitas dificuldades provenientes do resquício desse obsoletismo que permeia as mentes acanhadas da sociedade e, particularmente, do machismo arraigado de muitos maridos, a mulher tem mostrado a sua cara! Hoje, representa 52% do eleitorado e se engaja nas mais variadas profissões no mercado de trabalho. A Constituição de 1988, especificamente, resguardou-lhe direitos de cidadania.

Estamos em transição. É chegada a hora de o homem descer do seu pedestal para dividir conosco as tarefas domésticas em nome dessa igualdade de direitos e da justeza, claro. Hoje, somos parceiras: dividimos responsabilidades financeiras e carinho. Seguimos lado a lado. O estereótipo de fardo, de objeto sexual, foi banido. Podemos nos sustentar com o fruto do nosso trabalho. Com isso, estamos a resgatar a nossa identidade e o respeito, mais do que devidos.

Estamos no páreo, e exemplos dignos nos concitam a batalhar pela cidadania plena, pelo direito de participar da vida socioeconômica e política do País, vencendo esses preconceitos velados, não nos subjugando às subserviências, mas, sobretudo, fazendo nos respeitar pela competência e pela coragem que nos alicerçam, mesmo enfrentando jornada dupla de trabalho para conciliar os deveres domésticos e a criação da prole.

A condição de fêmea, sujeita à sublime missão da maternidade, tem sido impedimento para consecução de empregos. A diferenciação de salários para trabalhos iguais aos do homem é mais uma forma de opressão. Entretanto sabemos que não há discriminação que resista à competência. Basta a oportunidade para provar.

Mesmo sendo denominada de sexo frágil, herdeira da submissão dos meus antepassados, orgulho-me de ser mulher! Carrego na bagagem muitos preconceitos, muitos rótulos, além de uma deficiência locomotora e uma cadeira de rodas para deambular. As dificuldades dribladas dão-me oportunidades, e em nome dessa bandeira que ostento, teço sonhos de igualdade. Vou à luta! O meu nome é trabalho!

A mulher é mãe da humanidade. É o único ser criador, uma vez que concebe, transporta, alimenta, dá à luz e cria um novo ser. A história nos faz recordar de todas as heroínas anônimas que, em nome do amor, se transformaram em mães.

A mulher é a base das nações. O sustentáculo. A fornecedora de homens para todas as guerras, além do elo de amor que une, cala e consola. É um misto de criadora e criatura, “invencível pelas lágrimas e capaz de todos os martírios”.

domingo, 5 de março de 2017

DE ONDE VIEMOS



(Recebi este texto de uma amiga erudita, inteligente, espiritualizada que sempre borda a minha página com ensinamentos que me ajudam a crescer. Obrigada Marília! Você é um amor de pessoa! Um espírito evoluído.)

DE ONDE VIEMOS
Por que buscamos sempre a Paz? Por que estamos sempre em busca de algum lugar inexistente? Desejamos internamente uma vida melhor sempre! Desejamos um amor verdadeiro, desejamos um trabalho que nos dê realização pessoal e ganhos financeiros, desejamos uma família de verdade, e tudo isso é possível quando nos descobrimos como essência pura!
Se a energia divina e o princípio supremo estão em toda parte, porque eles não estariam também em minha própria alma, e ao meu lado, como mestres, protetores e conselheiros? A questão espiritual gira em torno do desafio central que é perceber conscientemente a presença da energia sagrada em cada momento da nossa vida.

Quando conectamos com o Deus interno, o Eu Superior sentiremos a tranqüilidade da alma, o Eu Verdadeiro, a nossa ESSÊNCIA nos mostrar o caminho de paz interna, de felicidade, de harmonia com todos! 

De Onde Viemos... 
Autor desconhecido

“Eu venho de lá, onde o bem é maior”.
De onde a maldade seca, não brota.
De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção.
Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades.
Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações.
Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor.
Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças.
Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria.
Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe.
Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho.
Eu venho de lá e não estou sozinho, “sou catador de lindezas”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem.
Procuro bonitezas e bem querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar.
Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar.
Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim.
Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho…
Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Te digo: tem sim, é fácil encontrar.
Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho.
Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós. Basta a gente buscar.”
(Autor desconhecido)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MILAGRE DO RENASCER



Milagre do renascer
(Genaura  Tormin)

Como gosto do  perfume das manhãs,
Do orvalho da lavoura enternecida,
Como a render graças
Ao sol  que desponta incandescente.

Em verdadeira sinfonia,
Ouço o chilrear de pássaros,
A dança das folhas tocadas pela ventania,
O refrulho do riacho,
O zumbido das abelhas...
Tudo, sob um céu azulado,
Bordado de nuvens viajeiras.

A vida se agita,
Tudo se movimenta
No ir e vir do trabalho,
No milagre do renascer.

A isso eu chamo VIVER!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ESTEJA NO COMANDO



ESTEJA NO COMANDO
(Genaura Tormin)

Siga firme, 
Determinado!
Seja bom e simples,
Esforçado e verdadeiro.

Não ofenda, não se irrite.
Apenas siga  contente.
Deus não o  criou para o fracasso!
Lembre-se disso!

Cultive valores morais e crísticos.
Mostre sua capacidade.
Prepare-se para isso.
Nunca desista antes de tentar!

Os obstáculos?
Existem para serem enfrentados.
Reforçam a coragem e a fé.
Esteja sempre no comando!


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

UM PASSEIO INESQUECÍVEL



UM PASSEIO INESQUECÍVEL
(Genaura Tormin)

Uma excursão de ônibus para testar limites.
Doida para conhecer o "novo", conferir possibilidades.
É um grande desafio que espero ao final, sentir que, mais uma vez, 
enfrentei e VENCI! 

Minha caminhada tem sido um arsenal de rebordosas
que se quedam sob a coragem que me alicerça.
Agradeço pelas oportunidades que me forjam assim.
O Senhor é o meu Pastor e não me faltará. 
Acredito nisso!

Estamos seguindo...
O ônibus muito confortável, justificando a façanha para mim.
Tudo bem legal.

Suporte para elevação das pernas, muito espaço, sistema de som, 
geladeira, banheiro, sala de jogos, internet, ar condicionado, filmes e boa companhia. 
E o melhor: não viaja à noite.
A equipe e o serviço de bordo são excelentes!!
Hasta luego!

Vou dando notícias. 
E lá vamos nós!
O marido segue junto, e o enfermeiro para auxílios necessários em lugares que nos possam surpreender.
Permiti-me a todos os eventos com a turma, sem medo de ser feliz.
Assistimos à chegada do Ano Novo, à beira-mar, ao brilho e ao som dos fogos, brindados com champanhe e abraços.

Espaço plenamente adaptado. Tudo perfeito para nós.
Atravessamos a fronteira para um dedinho de prosa com los hermanos.
Senti-me inteira.
Fomos até as Cataratas do Iguaçu, onde tudo me foi possível. 
Acesso até o fim do mundo!

Comemorei de braços abertos, diante da natureza debulhada em sons e beleza, 
sob um céu de anil e a grandeza do Criador!
Senti-me dona do mundo!

Conhecemos muitos lugares, hotéis, restaurantes, vinícolas, onde eu ia conferindo o respeito às leis da Inclusão.
Estivemos em São Francisco do Sul - Santa Catarina, cujos casarios remontam à sua história indígena. É a terceira cidade mais antiga do País. 

Lá, passamos um dia no Barco Príncipe,
com almoço e grande animação, incluindo uma foto com o Comandante.
Muitas outras cidades encantaram os nossos olhos, com sua beleza e progresso. Especialmente Presidente Prudente, em cujo hotel, conheci a mais perfeita adaptação para bem acolher uma pessoa com deficiência, que deambula de cadeira de rodas, além de excelente café da manhã, limpeza e bom trato. 
Finalmente, a hora de voltar.

Realmente, Aristóteles Onassis tinha razão quando disse: "O homem só fracassa quando desiste de tentar. Todos os dias me levanto para vencer!"
Pois é, acabo de imitá-lo! Venci!
Resta-me um gosto incrível de conquista e uma sensação de prazer e poderio.
Tenho asas e galgo todos os espaços.

Para concluir o passeio, em alto estilo, comemoramos com um lauto e fraterno jantar, numa bela churrascaria, com um show ao vivo e muitos sorrisos...
Fomos felizes, alargando-se o elo de amizade que trouxemos na bagagem.

Pessoas lindas, sensíveis, que bordaram os nossos corações de afeto.
Finalmente ouso dizer, plagiando o o poeta Fernando Pessoa:
"Tudo vale a pena se a alma não é pequena."

E essa viagem foi a confirmação de que nada é impossível para uma mente altruísta e determinada.

domingo, 18 de dezembro de 2016

SOBRE PÁSSARO SEM ASAS



PÁSSARO SEM ASAS


Genaura, minha querida!

Acabei de ler seu “PÁSSAROS SEM ASAS”.
Continuo em estado de graça. O livro chegou-me em boa hora.
Estava desanimada, para baixo e desde que o vi, comecei a ler sem parar.
Eu chorei, eu ri, eu me emocionei, mas principalmente, eu me animei.

Vivo a cada minuto e a cada passo lembrando você, sua luta, sua força, sua garra e sua vitória. Me policio cada vez que tenho pensamentos negativos, lembrando você como se fosse uma luz num farol mostrando o caminho para a navegação.

Eu já tinha por você um grande amor cheio de admiração. Sabia de sua luta, mas sabe-lo em detalhes, cada mínima dificuldade por você superada, deixou-me ainda mais admirada com sua força.

Sinceramente, não é para qualquer um.
E você é uma heroína. Uma grande mulher de quem tenho grande orgulho de ser amiga.

Agradeço a Deus o dia em que colocou você no meu caminho, pois é exemplo a ser passado para todos, todos os dias.

Vou passar seu livro adiante, emprestando a tanta gente que sei que encontrarão nele um alento e uma muleta para mudar a vida.

Genaura, você não é capaz de imaginar o que seu relato de vida é capaz de fazer às pessoas.

Continuo como disse, em estado de graça.

Obrigada por compartilhar comigo seu PÁSSARO SEM ASAS, que de “SEM ASAS” nada tem, pois é alado e capaz e sobrevoar sobre outras vidas  trazendo no bater das asas, a brisa que traz o perfume da compreensão, do amor, do exemplo e da superioridade de uma mente evoluída.

Parabéns querida!
E obrigada por tudo.

Marilene Mees Pretti
Taió- SC”



sábado, 10 de dezembro de 2016

RELEMBRANDO



RELEMBRANDO...
(Genaura Tormin)

Na Delegacia de Crimes de Acidentes de Trânsito, as ocorrências se intensificavam.
Ainda estava de lua-de-mel com a 2ª edição do meu livrinho, e era comum o recebimento de cartas, visitas, telefonemas... Um telefonema marcou-me muito naquela época. Era o de uma senhora, também paraplégica.

— Ganhei de presente o livro Pássaro Sem Asas de sua autoria e já o li três vezes. Fiquei pasmada como você consegue relacionar-se sexualmente com o marido. Desde a fatalidade que me ocorrera não mais fizemos amor. Choro todos os dias. Tenho bolsões sob os olhos. Penso muito em suicidar-me. A vida não tem sentido. Tomo tranquilizante e tenho uma moça para cuidar de mim. Meu marido saiu de casa sob a alegação de trabalho. Só retorna nos fins de semana. Ele se irrita ao me ver chorar. Acho que vai me abandonar — dissera-me ela, sentida.

— Você deve ler o meu livro mais vezes e tentar imitar-me. A vida não é fácil! Você tem de achar uma maneira de comandar-se, tomar as rédeas de sua casa. Na minha, continuo sendo a dona. Não tenho moça para cuidar de mim. Sou eu quem cuida de todos. 

Tudo como antes, embora as pernas não marquem passadas no chão. Por que tranquilizantes, choro, pessimismo? Ninguém vai resolver o seu problema a não ser você mesma! Ninguém gosta de ficar perto de pessoas assim. “Quem se alegra, segue em grupo, quem chora, segue sozinho”. Aja enquanto é tempo! Arrume-se! Tome gosto pela vida. Assuma a sua casa! A mente não sofreu defasagem. Ponha um sorriso no rosto! 

Reconquiste seu marido! Caso contrário, breve vai perdê-lo!
Lógico que ela não esperava essa resposta. Foi como se eu botasse água na fervura. Mas precisava ser assim. Teria que haver um choque para uma tomada de consciência. Senti que ela ficou desapontada e, simplesmente, despediu-se.

Dias depois, um mês talvez, telefonou-me dizendo haver seguido as minhas orientações.
— Estou outra! Joguei a tristeza fora, dei uma ajeitada no visual, reconquistei o marido e já fizemos amor! Valeu a “dura” que você me deu! Fiz do seu livro uma cartilha!

Fiquei feliz com as palavras da colega. Juro que da nossa primeira conversa restou-me um sentimento de culpa por haver sido tão dura. Sei que ela queria um ombro para chorar, mas a situação estava tão acentuada que o tratamento de choque seria a única solução. 

Energia, também, significa amor.
Tempos depois, noutra ligação, ela estava tão bem que queria arranjar um emprego. Queria sair de casa, atuar, trabalhar, participar... Orientei-a como pude. Afinal, tratava-se de uma pessoa erudita, o que facilitava a realização do seu desejo.

UM CONTO DE FÉRIAS


UM CONTO DE FÉRIAS
(Genaura Tormin)

Férias! 
Oba! 
Uma ocasião muito esperada. 
Planos muitos bailavam em nossos corações, cheios de fantasias. 
Eu tinha quase quinze anos nessa época. 
Reclusa num Colégio de Freiras desde os 9 anos de idade. 
Aprendi a viver assim.

As colegas, a rotina, a disciplina e o aprendizado eficaz eram a preparação para a vida. 
Cuidados responsáveis do meu pai. 
Eu era feliz!

Esperta, traquina, diziam que eu era inteligente. 
Naquele tempo, eu já fazia poemas levada pelos sonhos que bordavam a minha juventude, desnudada em sorrisos doces e trejeitos faceiros.
O meu mundo era muito pequeno, embora eu fizesse o curso ginásial fora dos muros do internato. 

Era bolsista no Colégio Santo Agostinho, dirigido por freiras agostinianas.
Egressa da zona rural, sentia saudades. Sonhava com a liberdade da natureza florida do meu torrão natal: o riacho que passava no fundo do quintal, o monjolo no seu árduo e cadenciado cantarolar, acompanhado pelo sonoro jato dágua, que impulsionava o seu trabalho. 

Saudade dos passeios pelos caminhos floridos, no lombo do cavalo. 
O céu, o cheiro do mato, da terra arada, o trinar dos pássaros alegravam a minha vida. 
Como eu era feliz e não sabia! 

Isso foi uma fase. Tudo é fase na vida. E tem que ser assim.
Agora, significavam saudades, naquele lugar distante, de arrojada arquitetura de concreto, bem diferente do meu antigo teto. 
Ali, a vida era pautada pela disciplina, muito longe do palco de tantos folguedos de menina, do mugido do gado, do cheiro de café sendo coado e leite fervendo, pela manhã. 
Mas isso era preciso!

O futuro batia à porta e papai pensava no melhor para nós. 
Homem austero, centrado, trabalhador, com grande senso de responsabilidade pela prole.
Ouriçadas com a chegada das férias, esperávamos ansiosas a hora da partida. 
Fazíamos vinhetas e cantarolávamos ao léu:

“Tá, tá chegando 
A hora das internas irem embora.
Papai me espera no portão!
Ai como é que vai ser bom!"

Dessa feita, fomos para a casa de uma tia, na fazenda, onde um córrego gorgolejava, com muitos seixos rolados e muitas árvores frutíferas, gado, cavalos... 

E à noite o céu estrelado bordava o limpo terreiro, rendilhando o chão. Que tempo bom!
Era quase a estampa da fazendinha de papai que nos viu crescer e tantas fantasias nos legou.

Ali, a fartura do pomar, as pamonhas roliças e gostosas, a comidinha feita no fogão à lenha, o feijão preto com arroz quentinho e costelinha de porco são lembranças que, ainda hoje, aguçam-me o paladar. 
Que saudade! 

A carne era frita e enlatada na banha de porco, para conservação, pois não havia geladeira. 
Tudo muito empírico, gostoso e sadio. 
Eu era quase uma mocinha. Sentia-me aflorar a libido. 

A feminilidade fazia-me bonita, faceira. 
As mudanças estampavam-se no meu corpo de menina-moça, exibindo-me as curvas, fazendo-me elegante. 

Nessa ocasião fomos à uma festa, um baile (um pagode, como era por lá conhecido), numa fazenda vizinha.
Era a primeira vez que iria à uma festa dançante. 
A empolgação tomava-me o coração! 

Tudo muito novo, diferente! 
E agora na condição de mocinha, cujas pretensões afofavam a mulher que pulsava em mim.
Na zona rural as meninas namoram cedo, assim, logo me apareceu um pretendente. 
Sorriso fácil, olhar cativante... 
Uma máscula figura que me ouriçou os hormônios, num gostoso tremor.
Um mancebo principesco que se conduzia num majestoso cavalo. 
Só faltava ser branco.

No verdor de sua idade, era falante, galanteador. 
Isso é inerente, como arma de conquista.

Sei que o meu sorriso o encantou. 
A corte logo se fez e meu coração pulsava altaneiro, descontrolado, abismado com a nova fase.
Não sabia que o amor era tão gostoso.
Como me lembro disso! 

Mas papai jamais aprovaria e as férias estavam no final. 
No dia seguinte retornaríamos ao Colégio. 
O ano letivo estava prestes a começar e eu teria que me esforçar.
Como lembrar é viver, eis a lembrança que guardei de um tempo tão distante. 
O meu ingresso na arte de ser mulher!

Não sei se posso chamar de primeiro namorado. 
Mas que gostei, ah, isso eu gostei muito. 
A noite não pode conciliar o meu sono, pois a alegria sacudia-me, aos borbotões, em desejos mil, diante das lembranças do que me havia acontecido. 
Lindo episódio que marcou um tempo, machucou meu coração e se foi qual revoadas de pássaros ao entardecer. 

Até hoje, parece que vejo e sinto aquele olhar másculo, que fitava com carinho, afagando o meu ser/mulher, encantado e enamorado.

Naquela noite, ao som de um violão, aos refegos de passos de dança, lastreado pelo salão, eu me senti MULHER!

Simples assim, a minha estreia!

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)