PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

UMA VIAGEM AO CARIBE



 UMA VIAGEM AO CARIBE
(Genaura Tormin

Estivemos no Caribe. Uma viagem programada juntamente com marido, filhos e netos. Um lindo resort em Punta Cana, na República Dominicana.
Lá o vento ouriça a copada das muitas palmeiras que enfeitam as praias. O mar de um azul infinitamente belo confunde-se com o céu altaneiro, numa policromia indescritível refletida na incandescência dos raios de sol.

Tudo muito bonito, numa arquitetura rebuscada entre jardins, à beira do mar. Fartos restaurantes e bares, onde os drinks e guloseimas se multiplicam na diversidade da predileção de vários povos, com seus muitos costumes e dialetos. Os serviçais gentis e contentes. Um paraíso, pensei.

O apartamento a nós destinado era grande, bonito, bem servido por varanda, leito nupcial convidativo, com brancos lençóis, ar refrigerado e uma saleta para a reunião da família, incluindo um cafezinho feito na hora, cuja cafeteira elétrica postava-se num canto.

Entretanto, o sorriso que me aflorava, impulsionado pela satisfação, recolheu-se medroso, arredio, pois, apesar de o banheiro ser espaçoso era disposto de maneira que não permitia o acesso da cadeira de rodas à bacia sanitária, a qual também não era assessorada por ducha higiênica. O chuveiro postado sobre uma banheira ser-me-ia também impossível usá-lo.

_ Todos os banheiros têm a mesma disposição arquitetônica, informou-nos em espanhol um assistente na recepção. Nada a fazer,  pensei.

Somente a aceitação e a força do amor teríamos à nossa disposição, naquele momento. Afinal, quase 10 horas de voo pelos céus das Américas significavam a obstinação pelo esperado descanso naquelas praias caribenhas.

Não poderia perder o entusiasmo, pois a minha decepção contaminaria o grupo familiar. E isso, eu não faria jamais. O jeito era tocar em frente, feliz e contente.

O cheiro do mar e o barulho de suas vagas incitavam-nos a desbravá-lo. Isso eu poderia fazer! O mar sempre me encantou pelo marulhar de suas ondas. Vejo Deus em suas águas. 
Qual não foi a surpresa ao notar que as minhas asas rodantes não alcançavam às suas margens. Não havia por ali uma passarela que nos levasse até lá.

Apenas pude ver de longe o seu babado de espuma que se desfazia distante. O areal arqueado e longo, com suas muitas choupanas, era o empecilho que, mesmo de longe, não me deixava ver a família entre as suas vagas. Tive que reverter a tristeza em largos sorrisos e agradecer o que eu ainda poderia fazer.

Ora, restavam-me outros enleios: as flores, a diversidade daquela gente, comunicando-se em vários idiomas, o poder estar ali com a família, os netos que se debulhavam em gracejos e alegria, as refeições juntos, os passeios pelas alamedas e o parque que tanto encantou às crianças e a mim também.

Eu estava sempre presente, interagindo, torcendo, sorrindo, conduzindo as crianças no meu scooter, como se fosse um grande velocípede em trilhas. E assim, eu dava e recebia amor.

Com o enfrentamento das dificuldades, não me foi possível voltar ilesa. Um ferimento foi adquirido na na região glútea, ao  atirar-me sobre o sanitário incompatível com as minhas necessidades.
Foi o que pude fazer. Mesmo ajudada, a marca ficou e precisa ser tratada.

A palavra INCLUSÃO é meio desconhecida por ali, apesar de eu haver visto muitos idosos e com deficiências, perambulando pelos seus jardins.

Que pena! 

MEU BRASIL BRASILEIRO, COMO GOSTO DE VOCÊ!!!!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

BELINHA!

BELINHA

Isa bela,
Bela Isa!
Belinha!

Isabella é minha neta!
Uma criança linda!
Educada, contente,
Carinhosa e amiga!

Igual a Belinha não existe!
Já é uma mocinha!
Seis aninhos ela tem
E é mesmo uma gracinha.

E a vovó
Ama demais
Essa bela menininha!


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MARIA CLEUZA ANIVERSARIA




MARIA CLEUZA ANIVERSARIA
(Genaura Tormin)

Hoje é o aniversário
De uma pessoa querida,
Que Deus me deu por irmã,
No jornadeio da vida.

O olhar é bem tranquilo,
O sorriso é de ternura
Seu coraçãozinho é de ouro,
E ela é um anjo de candura.

Sua alma transcende o belo,
Sua espontaneidade encanta,
Enfeitada pelo carinho,
Que a faz sempre criança.

Minha querida irmãzinha,
Quantos anos se passaram!
E nesse aniversário,
Estou aqui para abraçá-los.

Muita paz,  muita saúde,
Junto com o seu maridinho
Que lhe dá muita alegria,
Muito amor, muito carinho.

Um casalzinho bonito,
Amigo, por excelência,
Que vence os anos juntinhos,
Fazendo a diferença. 

Que Deus os abençoe! 
E lá do céu, com certeza, 
Virá uma chuva de bênçãos 
Para amparar vocês dois.


Beijo grande da

Genaura Tormin
22.10.2012




GOIÂNIA COMPLETA 79 ANOS


Linda, florida, acolhedora, Goiânia abre os braços aos abraços neste seu aniversário!


GOIÂNIA É O MEU LUGAR
(Genaura Tormin)


Minha cidade, Goiânia,
Esculpida no meio do cerrado,
Entre montanhas e vales,
Na região do planalto,
No centro de Goiás,
No coração do Brasil.
Cidadã do mundo,Goiânia é varonil.


Sua gente é solidária, hospitaleira,
De sorriso franco, alegria brejeira,
Que cultiva o afeto, a cordialidade...
Por isso tem todas as idades,
Todos os sotaques e naturalidades.
O Brasil inteiro se encontra aqui,
Onde a esperança se multiplica
Num crescimento harmônico,
Com todas as vocações de progresso.


A biosfera se debulha em festa
E o céu de nuvens viajeiras,
À noite, veste-se de estrelas,
Para colorir os sonhos dessa gente guerreira,
Desse povo feliz, entusiasmado,
Que mostra a sua cara na economia,
Na arquitetura, no esporte,
Na gastronomia,
Nas ciências médicas,
No lazer e nas artes.


Aqui, filosofa-se a natureza,
Com amplas avenidas arborizadas
De ipês floridos, palmeiras imperiais,
Flamboyants e flores de mais.
Uma “cidade jardim”!
Lagos e chafarizes enfeitam-se de sorrisos,
Onde crianças brincam ao vento,
Num clima ameno e saudável.
A qualidade de vida é marco de felicidade.
A ordem aqui é AMAR!


Essa é a minha cidade, 
O meu lugar!



ANÚNCIO PARA VENDER UM APARTAMENTO

Flores que se esgueiram do meu apartamento para espiarem a rua por mim.

ANÚNCIO PARA VENDER UM APARTAMENTO
(Genaura Tormin)

Vendo um apartamento no Setor Bueno.
Um por andar,
Situado no  quinto piso do Edifício Avoriaz. 
Espaçoso, bonito, arejado,
Bem servido por  armários, 
Churrasqueira, varandas, 
Janelas grandes, encimadas por floreiras, 
Cujos gerânios se esgueiram faceiros. 

A brisa circula livre, 
Aumentando o aconchego. 
O sol nascente é o companheiro das manhãs. 
E até a lua, no seu manto de estrelas, 
Invade a suíte do casal, nas noites de verão. 

Mais importante é que ali mora a felicidade. 
Um lar alicerçado por uma família feliz, 
Engajada, lutadora, otimista e valente,  
Cujas energias, impregnadas no ambiente, 
Ficarão de presente para os novos moradores. 
Deus sempre está presente!

Os vizinhos são amigos, 
Educados e contentes. 
Próximo, há uma praça
Linda e bem arborizada, 
Com flores, chafariz e muitos bancos. 
Um convite ao lazer e ao descanso. 
Lá, a lua vaza a ramagem dos arvoredos, 
Rendilhando o chão. 
Uma festa para os olhos e paz para o coração. 

domingo, 21 de outubro de 2012

MEUS FILHOS


MEUS FILHOS
(Genaura Tormin)


Razão dos dias meus.
Dádivas do Criador de Vidas.
Carne de minha carne,
Fímbrias de meu coração.
Alegrias tão queridas!

Nem que o mar desapareça,
Nem que eu a tudo pereça,
Jamais vou deixar de amá-los.
Mesmo na noite escura,
Com trovoadas e frio,
Meu amor há de ampará-los.

Desta vida que palmilho,
Dos amores, das conquistas,
Das alegrias que tive,
Vocês foram as mais queridas,
Que me transformaram a vida
Nesse solfejar de alegria,
De rimas, acordes e liras.

SEXO E OBSESSÃO




SEXO E OBSESSÃO
(Genaura Tormin)
Palestra 

É um prazer encontrar-me novamente entre vocês!
Saúdo a todos, inclusive aos espíritos desencarnados aqui presentes. Que a paz esteja sempre entre nós!

Pedindo a intercessão dos espíritos protetores para, mais uma vez, ajudar-me a tocar os nossos corações no plantio de uma boa semente, vamos, numa só voz, reafirmar o nosso compromisso de amor:

_ "Irmãos de toda Terra, amai-vos uns aos outros!!! (3 vezes)

Hoje, falaremos sobre Sexo e Obsessão. Um tema difícil, controvertido, de grande responsabilidade,  razão por que eu peço, humildemente, o assessoramento da espiritualidade para guiar-me nessa empreitada, tendo em vista as diferenças e as disposições mentais diversificadas.

O exercício do sexo é a sublimação do amor, o berço do eterno renascer... O berço da vida humana. Por isso cada um de nós foi feito de amor e por meio do amor numa doação coroada.

O sexo não deve ser profano e o seu desempenho chega a ser místico, feito uma cerimônia litúrgica. Afinal foi Deus o seu criador.

Mas, muitos o deturpam, de forma doentia e perversa, angariando débitos tenebrosos. 

Uma avalanche de espíritos permeia o espaço.
Quantos aqui estão! Precisamos vibrar no bem, para que possamos auxiliá-los, doutriná-los para que encontrem o caminho da luz. E nós também.

A sociedade terráquea está enferma e se digladia na arena da violência, dos conflitos morais, principalmente os que se relacionam com o sexo. Entre eles, a pederastia, a pedofilia, os comportamentos psicopatas, depravados, sádicos, promíscuos e doentios que, sem dúvida, são ancoradouros que arrastam as vítimas às traições, às drogas, ao fumo, à prática de crimes hediondos e a uma gama de outras vilanias, que empobrecem o espírito, acumulando dívidas para o futuro, senão aqui, nas próximas encarnações, pois não morremos, apenas mudamos de vestimenta, no momento certo e continuamos na trajetória, dando continuidade às experiências que elegemos durante o transcurso no corpo físico e antes dele. Despertamos além da morte com a bagagem que armazenamos antes do desencarne.

Práticas pervertidas, embora legadas por tempos remotos, têm ganhado espaço e muitos as exibem por falta de valores éticos, por interesses financeiros, por imaturidade, imitando modelos excêntricos, e até por distúrbios mentais. Sexualmente, falando,  o ato contraria o fim biológico do homem e as leis da criação, além de molestar o segundo parceiro, muitas vezes induzido, arrastado, atraído ou enganado. E se for criança, pior ainda. Sua vida física e psíquica poderá sofrer danos irreparáveis. 

Ninguém consuma práticas assim sem passar por estágios gradativos de perversões, principalmente psicológicas. É um desvio do instinto, uma vez que os próprios órgãos genitais masculinos e femininos demonstram a sabedoria da natureza: acoplam-se perfeitamente, propagando a espécie. Há quem diga que Deus criou o amor mas não especificou que seria entre sexos opostos. Realmente, Deus criou o amor transcendental que constitui o segundo mandamento da Lei de Deus: "Amai ao próximo como a ti mesmo".

Entretanto, é bíblico a palavra do Criador: "Crecei-vos e multiplicai-vos!" . Com certeza, trata-se do amor conjugal dentro da instituição familiar, alicerce seguro que resiste ao tempo, encarregado da propagação da espécie humana, da população do planeta e de seu encaminhamento rumo ao bem, preservando os valores éticos e morais que permitem a harmonia entre os povos. 

É preciso que se cuide da família. É missão nossa. É ela o berço dos muitos espíritos que aqui chegam para evoluir, contribuir, resgatar e partir, conforme as sábias leis da reencarnação.

As notícias sobre o ultraje aos bons costumes e à moralidade revelam que a pedofilia é uma das práticas mais abjetas e pestilentas. É um desequilíbrio moral e sexual. Saturados pelos excessos sexuais que se permitem, os algozes procuram novas experiências aberrantes e cruéis, utilizando-se de crianças indefesas e incautas para o triste mercado de atrocidades, deixando-as marcadas para sempre. Quando praticado pelos pais, clama os céus, corta o coração, pois foram a eles que Deus confiou a missão de zelar, educar e proteger. Por isso, é preciso vigiar, pois amanhã poderá ser tarde demais. Na escola, bem que os professores poderiam orientar as crianças a se defenderem.

No meio artístico, os transformistas (homens, teatralmente transvestidos de mulheres) ganham destaque na mídia. A televisão, os jornais, a internet, propagandas comerciais, revistas, teatros, música, parecem que se coligaram para o livre comércio da lascívia, num banquete de selvageria, onde se expõem bumbuns, seios e genitálias, além da pornografia, tudo convergindo para a quebra dos valores éticos, morais e crísticos, em detrimento da instituição familiar. Tudo isso invade compulsoriamente os lares, impregnando, através de hipnose ou lavagem cerebral, as mentes jovens dos nossos filhos, incitando-os a comportamentos parecidos. A isso eu chamo de perversidade a longo prazo. Será uma tentativa de obsessão coletiva?

A droga contribui para esse estado de coisas! Meu Deus, tende misericórdia! Feito um câncer, a droga corrói a mente tenra de nossos adolescentes tão necessitados de afeto, tão necessitados de aconchego de família! Necessitados de DEUS! Enquanto nos esquecemos do abraço, a droga abre as suas garras malfadadas, num abraço devastador, semeando um chão de lágrimas e um porvir de dor.  Pais, atentem para isso! O que adianta tanto sucesso financeiro e profissional se a família é relegada ao abandono? É aí que se inicia o começo do caos, à mercê dos mestres maléficos da drogadição e outros mais. A nossa estada por aqui é curta. Quando se planta, há-de se seguir a colheita. O adubo é necessário para que os frutos restem sadios e suas sementes possam outros frutos reproduzir.  É a Lei! 

As nossas meninas estão engravidando muito cedo em nome dessa liberalidade mal orientada, que  banaliza o sexo. E assim, o filho, fruto dessa irresponsabilidade, será encaminhado ao porvir com uma carência muito grande de afeto, de segurança, de valores familiares. É preciso que tomemos as rédeas de nossa família. É preciso conciliar família, trabalho, respeito e autoridade. A família é uma empresa e a administração é necessária. Aliás, a submissão é um dever do filho com relação aos pais. É preciso que se determinem limites para a organização familiar, pois a energia também é amor. É questão de inteligência e muito mais de amor. Excesso de permissividade prejudica, e o maior e melhor remédio é o AMOR. Sabemos que os filhos não são nossos. São missões a nós confiadas para educá-los e endereçá-los à trilha do bem, pelo que teremos que prestar contas no Tribunal da vida, noutras experiências reencarnatórias, quem sabe?

O tempo não espera. Um belo dia a gente descobre que fez tudo errado, obedecendo aos ditames da mídia, aos galanteios dos cifrões, que nos transformam em pessoas sem tempo. E o mais lastimável é que não há conserto. Não há dinheiro que consiga recuperar o que foi perdido. E o lado espiritual? Será que Deus esteve presente em nossos lares?

Sabemos, também, que os filhos são espíritos velhos, veículos de muitas experiências evolutivas e que fazem parte de nossa árvore genealógica por alguma necessidade de ajuste de vidas passadas. Será que ainda partiremos de mãos vazias, na condição de devedores? 

Em troca dessa desvairada corrida, dessa loucura infrene, dessa busca incessante por prazeres doentios, através de aberrações sexuais, estampada e veiculada desavergonhadamente pelos órgãos de comunicação de massa, o ser humano está pagando o preço física, moral e espiritualmente. A AIDS é o castigo pelo excesso desrespeitoso ao corpo, invólucro do espírito. É natural que se pague o que se deve, pois ninguém pode fugir às Leis de Deus impressas na consciência. Por isso somos carcereiros de nós mesmos.

E essa chaga moral tem suas raízes no passado, na era greco-romana, entre os imperadores devassos, e também na França, que nos forneceu o famigerado marquês de Sade, que além dos depravados malefícios sexuais, incluindo literaturas escritas no manicômio, que ganham até hoje realce no teatro e no cinema, ainda por 200 anos comandou a sua monstruosidade do outro lado da vida, para depois, juntamente com os seus comparsas mais arraigados ostentarem corpos físicos esculpidos na idiotia, nas paralisias e deformidades gritantes. Tudo isso para refazerem o que foi destruído, pois ninguém alcança patamares de tamanha miséria, de sofrimento corpóreo, sem haver transitado pelos pântanos de erros escabrosos, dos quais carrega as marcas por muitas encarnações, carecendo esforço e sofrimento para consertar o desmantelo.

Entretanto, Deus, em sua infinita misericórdia oferece-nos a bênção da reencarnação, que amortece as lembranças das vidas pretéritas e abre espaço para novos relacionamentos com os nossos desafetos do passado. Esses desafetos estão agora na condição de um filho, de um irmão, de um cônjuge, possibilitando o exercício da fraternidade e da compaixão, responsáveis por elos de amizade e afeto, capazes de refazer o bem que foi maculado em existência passada. É o processo de evolução mais compatível com a Justiça de Deus e, ainda, as orientações do "espiritismo" que, neste momento é a chave de todo o conhecimento para a ascensão espiritual da humanidade; é o cumprimento da promessa de Jesus em torno de O Consolador que Ele enviaria aos seus discípulos, de forma que pudessem ser recordadas as suas lições, que seriam esquecidas, conforme aconteceu, e ditas coisas novas que (então) não se podiam suportar, e que tem cabido à ciência desvendar-lhes os conteúdos profundos, qual vem sucedendo".

A doutrina espírita tem a finalidade de nos despertar para as nossas responsabilidades enquanto no corpo físico e depois dele, pois o espírito é eterno. Nenhuma ovelha é abandonada à margem do caminho. O verdadeiro espírita tenta se instruir para evoluir moralmente, empregando esforço para domar suas más inclinações e servir na Seara do bem. É luta diária.

Não quero dizer que devamos nos enclausurar em comportamentos extremos. Apenas,  defendo a prática do bem. Deus é bem. Todos os extremos são condenáveis. É preciso que usemos o livre arbítrio com responsabilidade. E depois, devemos sempre nos perguntar se a conduta AJUDA ou prejudica. Se não pudemos fazer um bom começo, que façamos um bom fim.

Acho mesmo que uma epidemia obsessiva grassa os nossos dias, principalmente na área sexual. Parece que o sexo figura como o maior objetivo da existência, numa mostra de sensualidade depravada com o fito de angariar não sei o quê. Até cursos e palestras sob os títulos de sedução, apologia ao adultério, dicas para alucinar o parceiro com ensinamentos de práticas esdrúxulas, têm sido ministrados, aqui mesmo em nossa cidade, sem se dar conta de que o amor é o mais exímio professor de todo o afeto, de toda a ternura e de todo o enternecimento que unem dois corações e consequentemente dois corpos, pois não somos mercadorias e não estamos à venda. Não precisamos de markting, nem propagandas. O amor fala por si mesmo!

O sexo tem sido objeto de lenocínio e servidão, anunciados, inclusive, em classificados de jornal, panfletos entregues em sinaleiros, onde se mercadejam corpos, através de propaganda corpo a corpo. Há, ainda, lojas especializadas em produtos eróticos para satisfação da lascívia, simulando uma euforia irreal, além do monstro, chamado drogadição. Muitos psicopatas eróticos estão aí praticando os atentados ao pudor, os estupros, a necrofilia, os escândalos e a prostituição. A paranoia sexual está tão arraigada que, até para a consecução de empregos ou aceitação social em determinados grupos, por vezes, usa-se da sensualidade, numa amostragem explicita de seios e bumbuns, além de trejeitos e gestos insinuativos.

Cabeça oca é oficina para o diabo. Assim, a sociedade vazia de sentimentos, vazia de Deus, sempre dispõe de tempo para a prática do mal, exercitando comportamentos contrários à dignidade e à moral crística e, assim, angariar a anuência da massa, como se certo fosse. Faz-me lembrar de Sodoma e Gomorra.

O intercâmbio entre os humanos e a espiritualidade cresce a cada dia, tornando-nos mais conscientes das razões dos dramas existenciais que tanto nos maltratam. Com certeza, diante desses crescentes mananciais de informações, chegará o dia em que o amor redimirá a terra, a paz se fará entre os povos, e no coração do homem haverá lugar para a compaixão, a solidariedade, como se fôssemos todos irmãos de um mesmo sangue. 

Aí, tendo o amor por escudo, todas as ações humanas serão construtivas. Os malfeitores  protegerão as suas vítimas do passado, reencarnados agora, reunindo a grande família universal. Os maus se conscientizarão de que devem ser bons para alcançarem a felicidade, construindo um mundo bem melhor. E essa transição já está decretada e em processo de execução.

Deus, na sua infinita misericórdia, deu ao homem a inteligência, a razão e a liberdade para escolher entre o bem e o mal, tornando-lhe responsável por suas ações. É o que chamamos de livre arbítrio. O que significa que a escolha é voluntária, mas a colheita é obrigatória.

O avançado da hora se registra e eu quero dizer que o Brasil é a pátria do evangelho! Há muitos obreiros no plantio da Seara. Muitos espíritos evoluídos estão reencarnando para conduzir a Transição de mundo de provas e expiações rumo a um mundo de Regeneração. 

Repensar as nossas atitudes é a ordem. A caridade é o estandarte de nossa doutrina. O segredo é mesmo vigiar os pensamentos, mantê-los numa faixa elevada voltada ao bem.  Exercer o ofício de jardinagem, ajeitando a vibração mental como se fosse um jardim florido e perfumado. Separar o joio do trigo. Assumir nossas responsabilidades, tentando fazer o melhor perante nós, perante a vida e perante Deus que nos espera para outra empreitada. E que essa seja melhor, construída da bagagem que hoje estamos a coletar aqui. Que assim seja! 

Obrigada!

Palestra proferida por Genaura Tormin,
no Centro Maria de Nazaré, em Goiânia-Go.


A PESSOA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA




A PESSOA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA
(Genaura Tormin)

Tenho a responsabilidade de lhes falar, hoje, sobre um outro assunto. Sobre a pessoa com deficiência física, de quem sou lídima representante. Aquela, em que num dia qualquer da vida perde o direito de caminhar com os próprios pés, passando a fazê-lo com a mente, com o coração.

Viver é muito perigoso. E viver com uma deficiência física, mais ainda. Por isso, devemos ser forjados a ferro e fogo para termos condições de nos erguer quando a dificuldade bater. Mas o espírito sabe tirar proveito evolutivo das experiências adversas para convertê-las em ascensão. Ainda bem que o espiritismo é a grande esperança e o Consolador da humanidade encarnada.

Somos minoria. E como tal relegada a segundo plano. Somos rotulados de inválidos e a cadeira passa sempre a idéia de mendicância. Não há consciência popular valorativa, esquecendo-se, inclusive, de que, cristicamente falando, somos todos irmãos.

Graças a Deus, não estamos vivendo nos dias do médico alemão Josef Mengele - o Anjo da Morte, que sob o comando de Adolf Hitler, exterminava as pessoas com corpos imperfeitos, tentando estabelecer a pureza da raça ariana.

Quantos gênios existiram e existem em corpos imperfeitos! O inglês Stephen Hawking, com esclerose lateral amiotrófica, que lhe paralisou os movimentos, emudeceu-lhe as cordas vocais, é um testemunho perfeito, pois, mesmo assim, continua produtivo e é considerado o mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein.”

Outro exemplo, aqui bem perto de nós, é o do Dr. Cláudio Drewes Siqueira, que ficou tetraplégico, quando ainda era adolescente, e mesmo assim, por méritos próprios, ascendeu aos cargos de Procurador do Estado de Goiás e em seguida ao de Procurador da República. Por meio de uma adaptação presa a um capacete, o competente Procurador folheia livros e processos, além de digitar suas próprias peças, elogiadas pelo excelente conteúdo jurídico. É um exemplo e a certeza de que o querer é poder. Tudo é possível quando a mente está ilesa e bem direcionada.

É raro vermos um deficiente ocupando um cargo público de comando. E quando isso acontece, ele terá de ser imbatível. Caso contrário, os pequenos e naturais deslizes, policialescamente vigiados, serão creditados à sua deficiência física, com o mero objetivo de torná-lo inválido.

É um marco da personalidade brasileira e do preconceito arraigado da maioria dos governantes, tão desinformados e mal preparados, que não sabem buscar, transformar, aproveitar, mesmo tanto tempo depois da teoria de Lavoisier onde: "...nada se perde, tudo se transforma".

A mídia, como formadora de opiniões, é a grande responsável por essa imagem tão negativa do deficiente. Fulcrada em desinformações, as novelas banem até a sua sexualidade, forçando-o, mesmo, a tornar-se um cadáver vivo.

É costume, também, mostrar a penúria, a fatalidade, a invalidez da pessoa com deficiência, e nunca a sua competência, o seu trabalho digno, o seu esforço para vencer barreiras.

Apesar de não sermos detentores dos nossos movimentos físicos, não precisamos da caridade pública e não devemos ser excluídos do direito de participar da vida do País, como cidadãos que somos. Ouso dizer que não se deve dar ao homem o que ele pode conseguir com o fruto do seu trabalho, sob pena de roubar-lhe a dignidade.

Precisamos lutar pelo reconhecimento da igualdade jurídica e pelo direito ao trabalho, máxima maior estampada na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Lutar, igualmente, pela acessibilidade ambiental, urbanística, requisito básico para que possamos viver com dignidade. É bom lembrar que o poder dos governantes emana do povo e em seu nome é exercido, pois somos uma nação organizada, tutelada.

Na área hospitalar, falta acessibilidade. Os banheiros não nos permitem acesso: as portas são estreitas, acontecendo por vezes de perdermos consultas por termos de retornar a casa para usar o banheiro, sem se falar do desconhecimento da Lei 10.048 de 8.11.2000, que nos garante atendimento prioritário.

Para executarmos uma tarefa, é lógico que precisamos dos apetrechos inerentes à sua feitura. E nós, paraplégicos, precisamos de pernas de roldanas para substituir o nosso caminhar. “É o faz de conta”. É a condição sine qua non para irmos à vida, para sermos produtivos.

Contudo, é muito triste depararmos com colegas deficientes, em cujas cadeiras de rodas há tarjas indicando em letras garrafais que foram doadas. Abomino tal conduta, a qual se enquadra como ato típico perfeito de roubo da dignidade.

E dói muito quando feito pelos governantes que apenas administram as receitas oriundas dos nossos impostos e têm por obrigação o soerguimento social.

Se um deficiente precisa de uma cadeira, tem de pagá-la com o ônus da humilhação. Fica mais cara do que uma cirurgia de grande porte, pois a ferida não sara e fica sempre à mostra para o escárnio dos que por ele passam.

É preciso que haja consciência, voz para denunciar deslizes que, por vezes, aleijam mais do que a própria deficiência, comprometendo a mente, o equilíbrio, a auto-estima e o desejo de viver.

Não queremos paternalismo nem diferenciação, queremos apenas respeito e igualdade de oportunidades para mostrarmos a nossa capacidade de conquista, de trabalho, embasados na célebre frase de Rui Barbosa: "... tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam".
Esse estado de coisas tem que mudar, e vai mudar! Temos que aprender a escolher os governantes.
Não obstante os muitos cerceamentos que sofremos na pele, impostos pela deficiência, temos que rebatê-los com uma só ação: CORAGEM!

Resta-nos exigir o cumprimento das leis. Necessário se faz um trabalho conscientizador que pode e deve partir do próprio deficiente e da sua família, estendendo-se à sociedade e governantes.

Eu abro um parêntese para endereçar uma menção de carinho ao excelentíssimo Governador, Marconi Perillo, rapaz jovem, cônscio de suas obrigações, que tem demonstrado sensibilidade, principalmente aos deficientes, com a construção do Centro de Reabilitação e Readaptação. Uma tecnologia de ponta que, com certeza, servirá de exemplo para outros Estados.

Referindo-me à política desenvolvida nos Estados Unidos sobre a reabilitação, acessibilidade arquitetônica e o trabalho do deficiente, gostaria de dizer que o retorno é de sete para cada dólar aplicado nesse sentido, pois tornando-o reabilitado, independente e produtivo, não só ele estará liberado para o mercado de trabalho, mas também a pessoa que o assistia no ambiente doméstico.

É um investimento social, uma vez que o deficiente deixará de ser um consumidor de políticas de previdência e assistência social para capacitar-se como produtor de receitas públicas, mediante o recolhimento de impostos sobre os rendimentos decorrentes de sua atividade profissional.

A vida continua. Ainda sou perseguidora de sonhos. As portas me fascinam. A vida ainda acontece inteira no meu coração. Acredito no amanhecer, no poder recomeçar a cada dia.

Sei que tenho um papel a desempenhar neste Plano, por isso tento ajudar a construir um mundo melhor, formando mentalidades, fazendo denúncias, cobranças, exigindo respeito a quem, num dia qualquer da vida, vê romper-se a "farda de carne", para dar início a uma vida de sacrifícios e desafios diários.

O avançado da hora se registra e eu espero haver plantado uma semente, que crescerá e renderá frutos formadores de consciência popular valorativa, capazes de melhorar a aceitação do deficiente na sociedade, além da afetividade e do respeito com essas pessoas que, no exercício da vida, caminham sem pernas ou de outras formas aparentemente dolorosas.
Muito obrigada!
Genaura Tormin



Palestra proferida por Genaura Tormin em 08.10.2003,
na Irradiação Espírita Cristã, em Goiânia-GO.
10 minutos.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)