PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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sábado, 28 de abril de 2018

UM ANO SEM AMOR



UM ANO SEM AMOR
(Genaura Tormin)

Lembranças de um tempo que ainda eclode no meu coração desavisado
 e ainda tão machucado!

Eu não fui avisada. 
Não houve acordo nem aviso prévio e nem despedidas!
Tudo, tão de repente! Sem recomendações, sem agendamentos! 
Simplesmente uma ida sem volta, uma janela aberta e uma saudade eterna.
E o tempo célere contabiliza os dias.

Já faz um ano que esse amor partiu para não mais voltar! O meu marido! 
Meu parceiro de tantas jornadas!
Eis-me sem dono e sem companhia!
Eu não me formei em solidão! 
Não tinha essa matéria no meu currículo.

Minha casa está grande e fria! Estamos no outono!
As flores murcharam, caíram ao relento  do frio, 
do vento, do tempo e do meu coração ferido.
E aqui estou eu! 
Resta-me seguir! 

Há uma grande fila indiana, na qual há muito estamos listados, 
de mochilas às costas para o embarque.
O que alenta é que não há finitude nesse processo, mas apenas transição.
Somos eternos! 

A farda de carne perece, como uma veste gasta e obsoleta que se fragmenta pelo caminho.
Assim, o espírito, feito uma borboleta, alçou seu voo ao infinito de onde partiu um dia, aportando em terras brasilianas, especialmente para que eu seguisse com ele nesse jornadeio de experiências e crescimentos. 

Sou agradecida!
Acredito que crescemos e propagamos a espécie!
Meu lema é foco, força e fé!
Sigo resoluta e firme!

Hasta luego, meu amor!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

UM TORNADO PASSOU AQUI



UM TORNADO PASSOU AQUI
(Genaura Tormin)

Um tornado passou, de novo, na minha casa! 
Estou agora tentando fabricar portões, pois minha resiliência não mais se mostra altaneira. 
Parece que a coragem ficou esquecida  em tantas outras curvas do meu caminho. 

Falta uma parte de mim. Justamente aquela que me impulsionava ao desafio, fazia-me corajosa, afoita... 
Aquela a quem eu entregava os trofeus após as muitas batalhas.
Aquela que me acalentava nos medos e incentivava esse meu jeito indomável de querer ser guerreira. - O meu marido.

Quantos anos estávamos na estrada!
Com ele, eu sabia que podia seguir, enfrentar, ousar, pois tinha sempre o suporte de prontidão na retaguarda. 
Tinha o samaritano  na estrada para a ajuda certeira nas tantas quedas que levei. 

Agora é difícil levantar-me sozinha. 
Preciso de um colo, de um ombro para chorar. 
Preciso de um cajado para me guiar.
Pensar que ele se foi para não mais voltar dói demais, torna-me órfã nesse vagar do tempo.

Agora sigo só. 
Miro o horizonte e o vejo tão distante. 
Fico a imaginar o Cosmos para aonde ele partiu sozinho, tão cedinho,  às primeiras luzes da manhã. 
É a conduta de um bom trabalhador que se apresenta na primeira hora. 

Sem questionamentos, sem queixas, eu agradeço,
 mas exponho meu coração dilacerado pela saudade 
que não me deixa, fazendo-me prisioneira, indefesa e triste.

Não há conserto para tanto desmantelo!
Não há remédio para essa minha dor.
Espero no tempo que a tudo responde. 

Hasta luego!

sábado, 6 de maio de 2017

LUTO




LUTO
(Genaura Tormin)

Ainda não consigo falar.
Meu coração está de luto!
A voz arqueja em prantos
E o grito se faz prisioneiro.
A manhã engoliu o gosto do viver
E eu sofro esse fórceps brutal
Que me fere e mata.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta. 
Morto está o meu CORAÇÃO! 

Órfã estou!
Nada mais posso fazer!
Partiu para o infinito
A metade do meu ser,
O pai dos meus filhos,
O meu marido,
O cúmplice de tantas jornadas,
De tantas batalhas,
De tantos afetos, de tanta alegria!

Faltam-me forças.
O fardo é pesado,
O jugo oprime,
A saudade me abraça forte.
Preciso de um colo,
De um ombro...
Mesmo assim
Eu sigo firme na certeza 
Do reencontro.

RÉQUIEM A MEU MARIDO



RÉQUIEM A MEU MARIDO
(Genaura Tormin)

7 dias sem você!
A saudade já golpeia forte!
O seu lugar está vazio à mesa!

Logo pela manhã, aos primeiros raios do sol, você abriu suas asas e alçou seu voo à Casa do Pai! 

Ele precisou de você para novas empreitadas, novos projetos. 
Um bom servidor é sempre lembrado!
Alfredo de Paiva Tormin foi um presente de Deus para a nossa família, para a vida e, especialmente, para mim, que tive a honra de com ele dividir o leito por mais de 48 anos.

Um homem bom, um pregoeiro do bem! Simplicidade era a sua bandeira, respaldada pela sabedoria que lhe era peculiar. 
Um excelente pai, marido e amigo. Sempre foi prazeroso tê-lo por perto.

Também um grande administrador. Prova disso é a prole que assimilou as lições tão bem ensinadas, seguindo o caminho com dignidade e justeza, o que muito nos honra e nos dá o sentimento de dever cumprido.

Grande homem, o meu marido! 
Otimista, guerreiro, atleta...
Um digno Delegado de Polícia, um Dentista que muito amou o seu ofício. 

Enlaçados pelo juramento que fizemos no altar, seguimos juntos, de mãos dadas por todos esses anos.
A cada queda ou dificuldade do meu caminhar diferente havia sempre um cajado, um protetor para me amparar. 
Assim, seguimos nós na construção da família, entregando-a a Deus todos os dias. 

Sinto-me uma obra de arte de suas mãos benfeitoras, do seu incondicional amor.
Por isso ele foi um poeta do amor. 
E que poema lindo conseguiu escrever nesta sua existência!
Obrigada meu amor!

Siga o seu caminho que é de luz! 
Você não morreu, apenas partiu primeiro, tornou-se estrela, anjo guardião, 
agora invisível aos nossos olhos, 
mas sempre presente nos nossos corações.


Sua mulher Genaura Tormin

sexta-feira, 10 de março de 2017

NUA DE ILUSÕES



NUA DE ILUSÕES
(Genaura Tormin)

Faz frio,
Chove forte aqui.
A vidraça molhada,
Parece chorar.
Nua de ilusões, sedenta de afeto,
Revejo a trajetória.
Um caminho truncado,
E um passado sem glória.

Um cheiro de terra molhada,
Trazido pelo vento,
Aquece-me a emoção.
Preciso de aconchego.
Fria está a alma,
Triste e cansado, o coração.
Sigo em frente!
Visto-me de coragem.

Nessa sintonia,
Procuro a rima,
Os versos, a canção, a fantasia,
Esquecidos no armário
Dessa vida vazia.

sábado, 7 de maio de 2016

MINHA QUERIDA MÃE


MINHA QUERIDA MÃE 
(Genaura Tormin)

A cada conta que rapasso
Do meu rosário de saudades,
De prece, de solidão, de queixas,
Tu não estás aqui!
E eu choro!
Como sinto o teu cheiro!
A falta do teu carinho dengoso,
Do teu coração desnudo em versos,
Poemas e canções. 
Os sábios conselhos, ainda ouço.
Era o alento de segurança 
À criança que ainda sou.

Como te preciso, Minha mãe!
Não sei andar sozinha.
Ainda tenho medo de escuro.
Posso cair e não sei me levantar.
São tantos os fantasmas
Que me assustam!

Eu sou teu fruto, minha mãe!
Tua essência, teu amor!
Dizias que eu era o teu tesouro.
Mamãe, não consigo viver só.
Não houve volta 
Dessa tua viagem!
Vivo ainda a te esperar aqui.
Alegro-me com rostos parecidos,
Que me levam a ti.

Encontro-te nos meus sonhos,
Mas tudo se desfaz!
E outra vez me deixas.
Logo irei ao teu encontro,
Aconchegar-me em teus braços,
Acolher-me ao teu regaço,
Para nunca mais chorar.
_____________________

Em mais esse Dia das Mães, o meu preito de gratidão e saudade à minha mãe, 
que hoje habita no Cosmos, junto ao Criador de Vidas

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A ÚLTIMA HORA



A ÚLTIMA HORA
(Genaura Tormin)

Chega o momento! 
Fico calada. 

Some-me a voz, 
O coração dispara. 
É a despedida!

Fico sozinha 
Com as migalhas 
Desse sentimento, 
Que me toma a alma. 

Emendo retalhos, 
Faço atalhos, 
E mais uma vez, 
Busco um pouco 
Do amor,
Que um dia se fez...


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

CASULO VAZIO


CASULO VAZIO
(Genaura Tormin)

Entre os dedos
Tenho um rosário!
Relicário de emoções
Que se debulham em certezas,
Que ainda desconheço.


Em pedaços de passados
De horas findas,
De afeto cálido, 
Que ainda gotejam 
De meu ser apaixonado,
Reclusa estou.
Um coração amordaçado,
Nas fímbrias do destino.


Os desejos arquejam cansados .
A labereda ainda queima
Em orgasmos descontrolados,
Nos compartimentos de mim.



Em soluços escondidos,
Preciso domar
Essa dor de saudade,
Que medra amor e lágrimas,
Nessa eternidade sem fim.


Sou um casulo vazio,
Uma ostra infértil. 
Uma estranha experiência
Ante as fronteiras
Que me cerceiam a liberdade.


Gyn, 11.01.2016

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SÍNDROME DO NINHO VAZIO





SÍNDROME DO NINHO VAZIO
(Genaura Tormin)

Na primavera nasceu a nossa filha, linda, sadia, uma flor!
Um sonho realizado, o meu corolário de amor.
Arrumei o cabelo, maquiei o rosto,
E vesti um penhoar bordado de vermelho
Para conhecê-la no berçário,
Embora já trocássemos carinhos diários.

O coração batera forte e o meu ser se enternecera.
Sem poder conter o pranto, postei-me a agradecer.
O meu presente era ela: o bebê mais lindo daquele dia,
Feito de amor, com as fímbrias da alma em harmonia,
Sob a guarda do coração enamorado.

Da primeira palavra, eu não posso esquecer.
Quando a descobri de pé, sorrindo para mim;
Os primeiros passos, o primeiro dentinho...
Ah, isso, nunca esqueci, até parece que estou a ver.
E a vida virou eterna primavera, cheia de anjinhos.
Mais três irmãozinhos vieram para nos fazer companhia
E encher a nossa vida de alegria.
Uma árvore cheia de passarinhos!

Lembro-me do primeiro dia de aula, da palavra MAMÂE,
Desenhada com a sua letrinha, das redações, dos poemas,
Das bonecas nas casinhas... e dela, como professorinha,
A ensinar aos irmãozinhos com tanto carinho.
Do sucesso na escola, dos passeios de veraneio,
Do papai Noel que dava moedinhas...
Entusiasmados, eles guardavam nos cofrinhos.
Que alegria era a nossa família!

Depois, eles cresceram: faculdade, bacharelado...
E nós torcíamos a cada vitória, chorávamos nas formaturas,
Nas aprovações de concursos,
Nas investiduras de cargos...
Sentíamo-nos também vencedores,
Pois a felicidade dos filhos sempre foi a nossa realização.

E como esses filhos cresceram!
Em tamanho e em valores, fazendo-nos felizes.
A cada ano, um deixava o aconchego do lar,
Para o próprio caminho palmilhar,
Ao lado de um grande amor.
Até que o último pássaro alçou seu voo.

O ninho ficou vazio, a árvore solitária...
Desapareceram as risadas, as conversas,
O afeto gostoso de todo fim de tarde.
Esconderam-se, feito estrelas em noites de chuva.
Tudo ficou triste, nem a lua restou por companhia.
Somente saudades daquele convívio, daquela alegria...

Agora, a "síndrome do ninho vazio".
Um tédio ambulante passeia pela casa,
Os ecos se formam pelos cantos em soluços inaudíveis.
As camas sem hóspedes, sem donos...
As luzes não se acendem mais.
Tudo ficou desnecessário!
Falta a alegria, falta o vozerio...
Há um gosto de saudade impregnado no ar.

À mesa, as cadeiras desocupadas
Parecem encharcadas de abandono.
Os talheres não mais têm vida.
Não tamborilam sobre a mesa.
Tudo se resumiu a dois lugares marcados.
Justamente como no início: eu e seu pai.

Hoje, mais experientes,
Pois superamos as dificuldades,
Vivenciamos a dor e encaminhamos vocês
Na trilha do bem, na trilha do amor.
Resta-nos o sentimento de dever cumprido.
Embora longe dos nossos cuidados,
Do nosso carinho, do afeto diário,

Sempre seremos nós os pais de vocês.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

SEGUIMOS LADO A LADO






SEGUIMOS LADO A LADO
(Genaura Tormin)

Não sei onde nos perdemos.
A distância, soluço do tempo,
Separou nós dois.
As palavras veladas 
Fizeram crateras em mim.
Macularam-nos a alma.
O silêncio se fez cortante.
A borboleta arredia
Voltou sofrida ao casulo. 

Ainda ouço a nossa melodia,
Mas a teia está vazia, 
Escura e fria…
Há trevas pelos cantos,
Espantos tantos!
Perguntas esquecidas,
Nas encruzilhadas,
Nas masmorras forjadas,
Nas palavras não ditas.

O passado ainda acelera
O amor que arqueja.
E esse jeito de fêmea indomável
Boia-me dos olhos marejados.
Nesse mar
Navego sozinha,
Sem timoneiro nem remo,
Às procelas do caminho.

Tornados levaram o afeto
E o amor, talvez.
O encanto vestiu-se de pranto.
Restou tanta saudade,
De mim, de ti, de nós…
No entanto,
Ainda somos peregrinos do tempo,
E nas paralelas da vida,
Seguimos lado a lado.


Gyn, 02.2014

domingo, 27 de janeiro de 2013

PROGNÓSTICO




PROGNÓSTICO
(Genaura Tormin)

Quando a tarde cair,
Eu estarei aqui,
No mesmo lugar,
Como o ontem,
O hoje
E o amanhã.

Não usarei máscaras.
Serei,
Apenas eu
A denudar sonhos
No vazio do NADA.

Serei o riso,
O choro,
O canto,
Porque faço parte!
Sou parceira,
Caminheira
Desse aprendizado.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

POEMA RECLUSO


POEMA RECLUSO
(Genaura Tormin)

No horizonte,
Moribundo se curva o sol poente.
Um dia a mais passou sem que eu te visse.
O poema recolheu-se medroso
Ao frio de minha tristeza.
Tudo extremamente só!

Os momentos se arrastam
E a nossa música agoniza,
Chegando a ferir os meus ouvidos.
Há um marasmo no ar.
Um gosto fúnebre,
Uma carência dolorida.
Tudo tão eterno, feito a saudade tua.

Não há aroma de flores,
Nem cantar de pássaros...
O vento está parado,
Nem sibila a ramagem lá fora.
Apenas a companhia de fantasmas.

Parece o fim!
Faz frio na alma,
E congelado está o amor
Nos compartimentos de mim.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

GRILOS ATREVIDOS


GRILOS ATREVIDOS
(Genaura Tormin)


Sob a luz fina do abajur,
Em fímbrias multicores,
A aranha solitária
Tece a sua teia.

O coração a planger,
Se alumbra das migalhas
Do amor que teve.
Tece fios de seda
Do sonho ainda exangue.
Fausto tempo se foi
Emoldurado de graça e riso.

Passam-se os dias,
Noites, meses e anos...
O trabalho continua o mesmo:
Cerzir feridas,
Orquestradas por grilos atrevidos.

Hoje,
A teia é o abrigo,
Iluminado pela mortiça luz
Do abajur antigo.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

O AMOR ARQUEJA NO TEMPO


O AMOR ARQUEJA NO TEMPO
(Genaura Tormin)

A inteireza da felicidade,
Essa pulsão incontrolável,
Consome-me aos poucos.
Envolta em mistérios,
Quero um amor romântico,
Mesclado de paixão,
No enlevo de saudades.

A transcendência
Ficou no passado.
O pranto, o encontro,
Em bites mascarados,
Não têm o mesmo encanto.

Os elos se partiram.
Não há ancoradouro,
Apenas uma amplidão a ermo...
Perdeu-se a unidade
Em aventuras passageiras.
Em cacos,
O amor arqueja
Na enfermidade do tempo.

sábado, 22 de maio de 2010

CONJECTURAS DO NADA


CONJECTURAS DO NADA
(Genaura Tormin)

As horas se foram caladas,
Num gélido silêncio.
Estática, aqui parada,
Pasmada ainda estou
Ante às conjecturas do NADA.

Foi-se aquela felicidade!
Aquele gosto de fruta madura,
Que de tanta ternura
Era o manancial de sorrisos
De uma alegria pura.

A passear no meu céu,
Restaram apenas os versos,
Tristes, solitários, vazios...

Cansada de tanto reverso,
Senti-me à margem do caminho,
Forçada a construir outro ninho.

domingo, 14 de março de 2010

TIMONEIRA DO TEMPO


TIMONEIRA DO TEMPO
(Genaura Tormin)

Abrolham em mim
Os espinhos dos penhascos,
As nascentes dos riachos,
E tudo se faz dolente
Ao morrer o sol.

Não há estrelas no firmamento.
Sem magia, sem fantasia,
Sou a timoneira do meu tempo.
A noite é fria e a vida vazia.

Velejo no dorso do vento.
Ancoradouro, já não existe.
Perdeu-se na ribanceira.

À deriva meu barco flutua.
Na pele o chicote da noite
Sob a solidão e o clarão da lua

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

EXÍLIOS DOS DIAS


EXÍLIO DOS DIAS
(Genaura Tormin)

Célere, caminha a vida!
Tudo se transforma.
A silhueta ganha nova roupagem!
Em vez de viçoso botão,
É flor, agora voltada para o chão.

Persistem os enlevos do amor.
Mas faltam a magia, a fantasia,
O entusiasmo dos encontros,
E toda aquela alegria.

Em dificuldades lavrada,
A escritura conta a história de uma vida,
Anunciando o prenúncio da partida.

Tantos projetos em feérica harmonia!
Tantas primaveras acorrentadas agora
No frio exílio de cada dia.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TUDO FICA SEM EIRA NEM BEIRA


TUDO FICA SEM EIRA NEM BEIRA
(Genaura Tormin)

A coragem se desvanece.
O arco-íris não mais existe!
Os dias se tornaram cinza.
O medo cresce,
Enquanto o amor,
Que era belo na primavera,
Recolheu-se ao frio do inverno.

A tristeza tolda a vidraça,
E tudo fica sem eira nem beira.
O coração se estilhaça,
Feito fogo que crepita na lareira.

Entre o céu e o inferno,
Digladiam-se demônios,
Invólucros da dor que espezinha,
Fazendo-me pequena,
Indefesa e tão sozinha.

domingo, 23 de agosto de 2009

QUE PENA


QUE PENA
(Genaura Tormin)

Lua matreira,
Namoradeira,
Lançando sombras,
Rendilhando o chão.
Por companhia,
Pássaros cantores,
Notívagos companheiros,
Na calada fria.

Vestido de solidão,
Bem longe da fantasia,
Está o coração,
Que palpita em agonia.
Que pena!
Foi-se a alegria.
A noite está fria!
A vida vazia!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

NUA E CRUA


NUA E CRUA
(Genaura Tormin)

Em suspiros arquejas,
Ó alma minha!
A emoção pranteia-me as faces,
No desalento do nada.
Foi-se o sorriso frouxo,
Bordado do meu rosto.

Reclusa, arredia,
Também se foi a poesia.
Nada sobra,
Nada resta.
Apenas uma saudade gasta,
Num final de festa.

Medroso se escondeu o sol.
Na noite,
Algumas estrelas fugidias,
Sem magia, sem lua,
Sem guarida, sem fantasia.
Tudo é solidão!
A realidade nua e crua
Enfrenta-me sem compaixão.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)