PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020



A Melhor Parte de Mim



A Melhor Parte de Mim

(Genaura Tormin)


A melhor parte de mim, é o meu pensamento, meu sentimento o meu alento, não é o meu andar nem o meu bailar.

É o meu sentir, o meu agir me fez assim, simples e completa. 

Apaixonada pela vida, perdi o medo de viver, superei obstáculos, venci!!

Tracei caminhos, deixei rastros e hoje sinto que vou sentir falta da melhor parte mim.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

UM TORNADO PASSOU AQUI



UM TORNADO PASSOU AQUI
(Genaura Tormin)

Um tornado passou, de novo, na minha casa! 
Estou agora tentando fabricar portões, pois minha resiliência não mais se mostra altaneira. 
Parece que a coragem ficou esquecida  em tantas outras curvas do meu caminho. 

Falta uma parte de mim. Justamente aquela que me impulsionava ao desafio, fazia-me corajosa, afoita... 
Aquela a quem eu entregava os trofeus após as muitas batalhas.
Aquela que me acalentava nos medos e incentivava esse meu jeito indomável de querer ser guerreira. - O meu marido.

Quantos anos estávamos na estrada!
Com ele, eu sabia que podia seguir, enfrentar, ousar, pois tinha sempre o suporte de prontidão na retaguarda. 
Tinha o samaritano  na estrada para a ajuda certeira nas tantas quedas que levei. 

Agora é difícil levantar-me sozinha. 
Preciso de um colo, de um ombro para chorar. 
Preciso de um cajado para me guiar.
Pensar que ele se foi para não mais voltar dói demais, torna-me órfã nesse vagar do tempo.

Agora sigo só. 
Miro o horizonte e o vejo tão distante. 
Fico a imaginar o Cosmos para aonde ele partiu sozinho, tão cedinho,  às primeiras luzes da manhã. 
É a conduta de um bom trabalhador que se apresenta na primeira hora. 

Sem questionamentos, sem queixas, eu agradeço,
 mas exponho meu coração dilacerado pela saudade 
que não me deixa, fazendo-me prisioneira, indefesa e triste.

Não há conserto para tanto desmantelo!
Não há remédio para essa minha dor.
Espero no tempo que a tudo responde. 

Hasta luego!

sábado, 6 de maio de 2017

LUTO




LUTO
(Genaura Tormin)

Ainda não consigo falar.
Meu coração está de luto!
A voz arqueja em prantos
E o grito se faz prisioneiro.
A manhã engoliu o gosto do viver
E eu sofro esse fórceps brutal
Que me fere e mata.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta. 
Morto está o meu CORAÇÃO! 

Órfã estou!
Nada mais posso fazer!
Partiu para o infinito
A metade do meu ser,
O pai dos meus filhos,
O meu marido,
O cúmplice de tantas jornadas,
De tantas batalhas,
De tantos afetos, de tanta alegria!

Faltam-me forças.
O fardo é pesado,
O jugo oprime,
A saudade me abraça forte.
Preciso de um colo,
De um ombro...
Mesmo assim
Eu sigo firme na certeza 
Do reencontro.

RÉQUIEM A MEU MARIDO



RÉQUIEM A MEU MARIDO
(Genaura Tormin)

7 dias sem você!
A saudade já golpeia forte!
O seu lugar está vazio à mesa!

Logo pela manhã, aos primeiros raios do sol, você abriu suas asas e alçou seu voo à Casa do Pai! 

Ele precisou de você para novas empreitadas, novos projetos. 
Um bom servidor é sempre lembrado!
Alfredo de Paiva Tormin foi um presente de Deus para a nossa família, para a vida e, especialmente, para mim, que tive a honra de com ele dividir o leito por mais de 48 anos.

Um homem bom, um pregoeiro do bem! Simplicidade era a sua bandeira, respaldada pela sabedoria que lhe era peculiar. 
Um excelente pai, marido e amigo. Sempre foi prazeroso tê-lo por perto.

Também um grande administrador. Prova disso é a prole que assimilou as lições tão bem ensinadas, seguindo o caminho com dignidade e justeza, o que muito nos honra e nos dá o sentimento de dever cumprido.

Grande homem, o meu marido! 
Otimista, guerreiro, atleta...
Um digno Delegado de Polícia, um Dentista que muito amou o seu ofício. 

Enlaçados pelo juramento que fizemos no altar, seguimos juntos, de mãos dadas por todos esses anos.
A cada queda ou dificuldade do meu caminhar diferente havia sempre um cajado, um protetor para me amparar. 
Assim, seguimos nós na construção da família, entregando-a a Deus todos os dias. 

Sinto-me uma obra de arte de suas mãos benfeitoras, do seu incondicional amor.
Por isso ele foi um poeta do amor. 
E que poema lindo conseguiu escrever nesta sua existência!
Obrigada meu amor!

Siga o seu caminho que é de luz! 
Você não morreu, apenas partiu primeiro, tornou-se estrela, anjo guardião, 
agora invisível aos nossos olhos, 
mas sempre presente nos nossos corações.


Sua mulher Genaura Tormin

sexta-feira, 10 de março de 2017

NUA DE ILUSÕES



NUA DE ILUSÕES
(Genaura Tormin)

Faz frio,
Chove forte aqui.
A vidraça molhada,
Parece chorar.
Nua de ilusões, sedenta de afeto,
Revejo a trajetória.
Um caminho truncado,
E um passado sem glória.

Um cheiro de terra molhada,
Trazido pelo vento,
Aquece-me a emoção.
Preciso de aconchego.
Fria está a alma,
Triste e cansado, o coração.
Sigo em frente!
Visto-me de coragem.

Nessa sintonia,
Procuro a rima,
Os versos, a canção, a fantasia,
Esquecidos no armário
Dessa vida vazia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

FÉRIAS NUM RESORT




FALTA ACESSIBIIDADE
(Genaura Tormin)

Vencer barreiras arquitetônicas é um dos grandes desafios enfrentados no dia a dia da pessoa com deficiência física, principalmente a que deambula de cadeira de rodas.
Muitos obstáculos a vencer! Entretanto é necessário conquistar a liberdade de ir e vir, mesmo a duras penas, ingrediente principal que nos garante a inclusão na sociedade.
“Levanta e vem para o meio” é um o tema de uma Campanha da Fraternidade.

Embora o desafio seja a nossa meta para criar consciência popular sobre essas pessoas diferentes, há muito ainda a desejar. A acessibilidade, condição indispensável para que possamos viver com dignidade, é a principal, pois precisamos nos mostrar, exercitar o nosso caminhar. Enfim, viver, como cidadãos que somos.

Para ilustrar, vou contar uma pequena história:
Uma viagem à praia. Um resort à beira-mar adaptado às condições de uma pessoa com deficiência locomotora que não prescinda de uma cadeira de rodas. Tudo acertado com o agente de viagem. Ponte aérea, sol bem arregalado, num cantinho do céu, chamado felicidade.

No aeroporto o veículo estava à nossa espera. Um micro-ônibus, com porta estreita e a informação de que estava emperrada, tornando-se mais estreita, ainda. Não conseguia completar seu curso de abertura. Impossível uma contensão de forças másculas para rebocar-me ao seu interior. Não passaria pela porta envolta em braços.

O agente de viagem embarcou-nos num táxi, à nossa expensas financeira, com a promessa de ressarcimento, o que não aconteceu.

Mas, vamos lá, um problema vencido, característica indômita do brasileiro e do determinismo em reverter situações adversas.
Após o percurso de uma hora mais ou menos, eis-nos à frente de um majestoso resort, com lindas trepadeiras floridas que lhe enfeitavam a entrada.

Logo, o nosso quarto, bonito e aparentemente adaptado às minhas condições de cadeira de rodas. Via-se que passara por uma recente reforma. Amplo e aconchegante, com lindas cortinas e uma sacada, de onde se desnudava o mar bravio que se escondia manhoso depois dos coqueirais balouçantes, com cheiro de brisa e maresia. Um convite a uma estada feliz e renovadora.

O banheiro, cheio de pretensas adaptações distribuídas pelas paredes.
Na verdade, aos olhos do leigo, era possível distinguir-se pelo esmero, e quem sabe, pelo respeito aos seus reais usuários.

Que tristeza! Nada tinha a ver com as necessidades de uma pessoa com deficiência física. Poderia servir aos que andam de muletas, nunca aos que andam de cadeira de rodas.

Num quadrado, de um metro mais ou menos, com paralelas laterais de apoio, sem espaço ao lado para o posicionamento da cadeira de rodas, encontrava-se centrado o vaso sanitário. Era como se o seu usuário, num passo de mágica, ficasse de pé e desse meia volta para se sentar nele. Além disso, havia uma grande distância entre a parte posterior do vaso e a parede. Onde apoiaria as costas? Como fazer os manuseios sem equilíbrio? Qualquer descuido poderia cair para trás.

Impossível, mesmo, usar o sanitário do lindo resort. Precisava apoiar as costas para fazer os manuseios de assepsia e introdução da sonda vesical. Nem mesmo para tentar, teria condições.

O chuveiro, num requintado box, continha uma cadeira minúscula, sem braços, com o assento em tiras, dependurada numa alça de apoio, postada em desconexo com a altura e com os registros misturadores de água quente e fria.

Impossível acioná-los, pois ficavam às costas, numa posição bem acima do desejável. Como lavar os órgãos genitais nessa gangorra, que mais parecia uma balança, pois os pés não alcançavam o chão. Soltar as mãos da alça de apoio postada na parede, nem pensar. Um tombo seria inevitável. Lavar os cabelos? Também não.

Do pomposo banheiro, quase um salão de banho, restava ainda o lavatório, com secador de cabelos, torneira fotocélula (aquela que se abre com a simples aproximação das mãos) e um grande espelho à frente.

Não precisava observar muito para ver que também não podia acessá-lo. Encontrava-se sob o lavatório, um obstáculo - um cano - usado como cabide para as toalhas, impedindo, por sua posição e altura, o encaixe da cadeira de rodas para conseguir usá-lo. Nem lavar as mãos, eu conseguiria. O jeito mesmo era passar uma toalha molhada.
Improvisar para não chorar. Não havia outra saída. O que fazer? Estávamos ali para descansar, para ser felizes. Eu não podia ser o empecilho. Assim, sorriso pra lá, sorriso pra cá e a vida a passar.

“Faz de conta” é a ordem. Afinal o mundo não é adaptado para nós, embora existam leis que determinem esse procedimento.
Em tempo oportuno, tentei conscientizar o responsável administrativo do resort e, lamentavelmente, fui informada de que para toda aquela pretensa adaptação, fora contratada uma assessoria.

Ponho-me a pensar:
Como são desinformados, para não dizer irresponsáveis. Nem uma assessoria, paga para um trabalho especializado, empenhara-se em se informar, em pesquisar para entender as necessidades primárias de um ser humano diferente. Não houvera preocupação em fazer jus, honestamente, ao dinheiro que lhe fora pago.

Os reais usuários, jamais são consultados. É como se fôssemos objetos inanimados, indesejáveis. Por isso costumo dizer que “nada para nós, sem nós”. A gente sabe onde o sapato aperta e o que nos facilita o ir e vir tão diferente.

Essas obras parecem eleitoreiras, ou simplesmente, edificações para burlar as obrigações determinadas pela lei.
Somos um país em desenvolvimento, tão diferente dos países de primeiro mundo! Respeito é uma palavra meio desconhecida por aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A ÚLTIMA HORA



A ÚLTIMA HORA
(Genaura Tormin)

Chega o momento! 
Fico calada. 

Some-me a voz, 
O coração dispara. 
É a despedida!

Fico sozinha 
Com as migalhas 
Desse sentimento, 
Que me toma a alma. 

Emendo retalhos, 
Faço atalhos, 
E mais uma vez, 
Busco um pouco 
Do amor,
Que um dia se fez...


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

CASULO VAZIO


CASULO VAZIO
(Genaura Tormin)

Entre os dedos
Tenho um rosário!
Relicário de emoções
Que se debulham em certezas,
Que ainda desconheço.


Em pedaços de passados
De horas findas,
De afeto cálido, 
Que ainda gotejam 
De meu ser apaixonado,
Reclusa estou.
Um coração amordaçado,
Nas fímbrias do destino.


Os desejos arquejam cansados .
A labereda ainda queima
Em orgasmos descontrolados,
Nos compartimentos de mim.



Em soluços escondidos,
Preciso domar
Essa dor de saudade,
Que medra amor e lágrimas,
Nessa eternidade sem fim.


Sou um casulo vazio,
Uma ostra infértil. 
Uma estranha experiência
Ante as fronteiras
Que me cerceiam a liberdade.


Gyn, 11.01.2016

sexta-feira, 7 de março de 2014

A ÚLTIMA HORA




A ÚLTIMA HORA
(Genaura Tormin)

Chega o momento!
Fico calada.
Some-me a voz,
O coração dispara.
É a despedida!

Fico sozinha,
Com as migalhas
Desse sentimento,
Que me toma a alma.

Emendo retalhos,
Faço atalhos,
Entoo frases
E me despeço.
A hora é chegada!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

FANTOCHE




FANTOCHE
(Genaura Tormin)

O mundo está parado.
O cérebro inerte,
Não pensa,
Não reclama,
Nem mesmo fala,
Apenas existe.

Não tem vontades.
Elas não existem para ele,
Pois é fantoche
E brinca de teatro.

Sorri,
Chora,
E se extravasa em versos
A ver navios que passam.

A jornada é longa,
O caminho comprido
E o cansaço não pode chegar
Ao palhaço que não para de rir,
Porque é,
Simplesmente,
Um FANTOCHE CONVENCIONAL.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

EU JURO QUE NÃO SEI



EU JURO QUE NÃO SEI
(Genaura Tormin)
Que é daquele amor,
Tão grande que te dei?
Se a mim perguntares,
Eu juro que não sei!
Ficou nas dobras do tempo,
Afogado na ribanceira,
Ou voou com o vento,
Numa manhã fagueira?
Hoje, vagamos sozinhos,
Em estradas paralelas,
Gemendo dores,
Mendigando carinho.
Éramos tão enamorados,
Ocupando o mesmo ninho,
Cantando no mesmo galho,
Tomando a mesma taça de vinho!
O que aconteceu com a gente?
Você partiu sozinho
E eu tive que seguir em frente!
_______

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O QUE RESTOU


O QUE RESTOU
(Genaura Tormin)

A tristeza recolheu-se mórbida, arredia.
Enclausurou-se em compartimentos secretos,
Recuos escuros, fragmentados em ecos.
Tudo ficou vazio, amorfo, sem cor...
Acrescido de um enorme gosto de dor.

Na garganta emudeceu o canto.
Foi-se a melodia e toda aquela alegria!
Em cacos desfez-se o sentimento.
Uma tela desfigurada, em garatujas bordada,
Foi o que restou.

Gyn, 01.12.2011

quinta-feira, 23 de abril de 2009

EVIDÊNCIA


EVIDÊNCIA
(Genaura Tormin)

No silêncio
Os lamentos tardios
E as escusas do que se foi.
O cérebro confunde
Os desejos esquecidos.

O tempo está parado,
O vento não encanta,
Como outrora,
Porque as flores
Já não exalam perfumes.

Não há espera...
Ela não é necessária.
Os dias são normais.
O querer se foi
Com o entardecer,
Numa revoada de pássaros.

Mesmo assim,
Eu sinto frio.
Tudo está tão só,
O coração vazio.
No silêncio,
As respostas de perguntas
Feitas ao nada.

quinta-feira, 26 de março de 2009

MASMORRA FRIA


MASMORRA FRIA
(Genaura Tormin)

Abri hoje a caixa
Do meu passado!
Muitas lembranças,
Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias
Já amareladas,
Envelhecidas.
Um caminho de volta!
História de uma vida!

Um filme que se rebobina
Na mente conturbada,
Rodeada de fantasmas.
São restos de alegrias
Enclausurados em celas,
De uma masmorra fria.
Arcabouços de estrutura vazia
Que fenece no tempo.
Para renascer um dia.

terça-feira, 24 de março de 2009

LUTO


LUTO
(Genaura Tormin)

Não há conserto
Para tanto desmantelo,
Nem oficina
Achará o defeito.

Inútil!
Nada a fazer!
Ciclo encerrado,
Porta fechada.
Tudo arqueja no tempo,
E o relógio não pára.

As mãos seguem vazias,
E por companhia,
Um passeio fúnebre
Conta a história,
Em desbotada policromia.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta.
Morto está o CORAÇÃO!

segunda-feira, 23 de março de 2009

RETROSPECTO


RETROSPECTO
(Genaura Tormin)

Pintando estrelas,
contando estórias ao vento,
corro pelas ruas,
pelas casas brancas
a falar de mim.

Escancaro a boca,
num sorriso brusco.
Grito mais alto que os trovões
e ninguém me escuta.

Falo de felicidade...
essa felicidade
que quando vem,
me assusta.

Volta tão depressa!
Mal sinto que ela veio.

Fico triste.
A tinta das estrelas
era lavável
e a chuva tirou.

O vento soprou tanto,
esquecendo as estórias
que gritei
aos quatro cantos.

O sorriso,
transformou-se em choro.
Tudo ficou triste.
A felicidade se foi.

sexta-feira, 20 de março de 2009

ESQUECIMENTO


ESQUECIMENTO
(Genaura Tormin)

O mundo desaba
Sem piedade,
Sem compaixão.

O tempo diminui,
A distância cresce,
O amor esquece
Tantas confidências,
Tantos momentos
De felicidade.

Nada faço.
Nada resta.
Imagem apagada,
Final de festa.

SOBRA


SOBRA
(Genaura Tormin)

Os desejos não latejam,
Não queimam,
Não ouriçam fantasias mortas.

Apenas uma
Parede branca,
Um elo solto,
Um laço roto
E uma lembrança gasta.

REFÉM DE MIM MESMA


REFÉM DE MIM MESMA
(Genaura Tormin)

Encolhidos em mim,
Jazem as tristezas,
Os amores todos,
Os restos de afeto,
De aconchego, de ternura...

No meu casulo,
Minhas saudades
Abrandam e abrasam
Os desejos refreados,
Ainda molhados de sonhos.

As pedras feriram-me os pés!
Os laços foram desfeitos.
A caminhada revela
A fotografia singela
De um corpo mutilado,
Um coração machucado
E uma bandeira a defender.

Agiganta-se a fé
Nos credos que professo.
De aço me revisto inteira.
Sou refém de mim mesma.
Um soldado aguerrido
À frente da trincheira.

MEDITANDO


MEDITANDO
(Genaura Tormin)

Dia comprido,
Sem sol,
Sem flores,
Sem amores.

Frio no tempo,
Cansaço,
Loucura,
E na alma,
O muito que apavora.

Em tudo,
A saudade que queima,
A lâmina que fere,
O frio que aumenta,
A lágrima que cai
E a dor do irreversível.


LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)