PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020



A Melhor Parte de Mim



A Melhor Parte de Mim

(Genaura Tormin)


A melhor parte de mim, é o meu pensamento, meu sentimento o meu alento, não é o meu andar nem o meu bailar.

É o meu sentir, o meu agir me fez assim, simples e completa. 

Apaixonada pela vida, perdi o medo de viver, superei obstáculos, venci!!

Tracei caminhos, deixei rastros e hoje sinto que vou sentir falta da melhor parte mim.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

PÉRGULAS DO DESTINO



PÉRGULAS DO DESTINO
(Genaura Tormin)

Sei que incomodo!
Estou além do meu tempo!

Construo pontes, vou às fontes,
Enfrento tornados,
Rebato o desalento,
E me faço contente.

Se brilho?
É só consequência.

Não me rendo! 
As armas empunho.
Procuro sobrevivência.

Pego o meu fardo 
E vou seguindo,
Catarolando pelos caminhos,
Pérgulas do destino.

O coração está sereno,
A alma em paz,
E trânquila 
Está a Consciência.

domingo, 5 de março de 2017

DE ONDE VIEMOS



(Recebi este texto de uma amiga erudita, inteligente, espiritualizada que sempre borda a minha página com ensinamentos que me ajudam a crescer. Obrigada Marília! Você é um amor de pessoa! Um espírito evoluído.)

DE ONDE VIEMOS
Por que buscamos sempre a Paz? Por que estamos sempre em busca de algum lugar inexistente? Desejamos internamente uma vida melhor sempre! Desejamos um amor verdadeiro, desejamos um trabalho que nos dê realização pessoal e ganhos financeiros, desejamos uma família de verdade, e tudo isso é possível quando nos descobrimos como essência pura!
Se a energia divina e o princípio supremo estão em toda parte, porque eles não estariam também em minha própria alma, e ao meu lado, como mestres, protetores e conselheiros? A questão espiritual gira em torno do desafio central que é perceber conscientemente a presença da energia sagrada em cada momento da nossa vida.

Quando conectamos com o Deus interno, o Eu Superior sentiremos a tranqüilidade da alma, o Eu Verdadeiro, a nossa ESSÊNCIA nos mostrar o caminho de paz interna, de felicidade, de harmonia com todos! 

De Onde Viemos... 
Autor desconhecido

“Eu venho de lá, onde o bem é maior”.
De onde a maldade seca, não brota.
De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção.
Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades.
Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações.
Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor.
Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças.
Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria.
Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe.
Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho.
Eu venho de lá e não estou sozinho, “sou catador de lindezas”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem.
Procuro bonitezas e bem querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar.
Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar.
Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim.
Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho…
Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Te digo: tem sim, é fácil encontrar.
Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho.
Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós. Basta a gente buscar.”
(Autor desconhecido)

sábado, 10 de dezembro de 2016

RELEMBRANDO



RELEMBRANDO...
(Genaura Tormin)

Na Delegacia de Crimes de Acidentes de Trânsito, as ocorrências se intensificavam.
Ainda estava de lua-de-mel com a 2ª edição do meu livrinho, e era comum o recebimento de cartas, visitas, telefonemas... Um telefonema marcou-me muito naquela época. Era o de uma senhora, também paraplégica.

— Ganhei de presente o livro Pássaro Sem Asas de sua autoria e já o li três vezes. Fiquei pasmada como você consegue relacionar-se sexualmente com o marido. Desde a fatalidade que me ocorrera não mais fizemos amor. Choro todos os dias. Tenho bolsões sob os olhos. Penso muito em suicidar-me. A vida não tem sentido. Tomo tranquilizante e tenho uma moça para cuidar de mim. Meu marido saiu de casa sob a alegação de trabalho. Só retorna nos fins de semana. Ele se irrita ao me ver chorar. Acho que vai me abandonar — dissera-me ela, sentida.

— Você deve ler o meu livro mais vezes e tentar imitar-me. A vida não é fácil! Você tem de achar uma maneira de comandar-se, tomar as rédeas de sua casa. Na minha, continuo sendo a dona. Não tenho moça para cuidar de mim. Sou eu quem cuida de todos. 

Tudo como antes, embora as pernas não marquem passadas no chão. Por que tranquilizantes, choro, pessimismo? Ninguém vai resolver o seu problema a não ser você mesma! Ninguém gosta de ficar perto de pessoas assim. “Quem se alegra, segue em grupo, quem chora, segue sozinho”. Aja enquanto é tempo! Arrume-se! Tome gosto pela vida. Assuma a sua casa! A mente não sofreu defasagem. Ponha um sorriso no rosto! 

Reconquiste seu marido! Caso contrário, breve vai perdê-lo!
Lógico que ela não esperava essa resposta. Foi como se eu botasse água na fervura. Mas precisava ser assim. Teria que haver um choque para uma tomada de consciência. Senti que ela ficou desapontada e, simplesmente, despediu-se.

Dias depois, um mês talvez, telefonou-me dizendo haver seguido as minhas orientações.
— Estou outra! Joguei a tristeza fora, dei uma ajeitada no visual, reconquistei o marido e já fizemos amor! Valeu a “dura” que você me deu! Fiz do seu livro uma cartilha!

Fiquei feliz com as palavras da colega. Juro que da nossa primeira conversa restou-me um sentimento de culpa por haver sido tão dura. Sei que ela queria um ombro para chorar, mas a situação estava tão acentuada que o tratamento de choque seria a única solução. 

Energia, também, significa amor.
Tempos depois, noutra ligação, ela estava tão bem que queria arranjar um emprego. Queria sair de casa, atuar, trabalhar, participar... Orientei-a como pude. Afinal, tratava-se de uma pessoa erudita, o que facilitava a realização do seu desejo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

VALEU A PENA



VALEU A PENA
(Genaura Tormin)

Viver é lutar,
Buscar
Recomeçar a cada queda!
Achar portas e janelas
Sonhar e realizar
Na construção de um novo ser,
Lapidado pela dignidade,
Pelo amor
Que exalta e enobrece.

A gente cresce,
Vence a arrogância,
Ambições, orgulho,
Egoismo...
Vence as trincheiras
Na ascensão de si mesmo.
Aí descobre que
Valeu a pena viver!


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

SOU UM ALBATROZ





SOU UM ALBATROZ
(Genaura Tormin)

Minha alma samba, 
Cavalga em pensamento.
Sou viageira do tempo!
Em passos imaginários,
Nunca me senti estática,
Sentada, parada...
Crio versos e fantasias
E as pegadas se avolumam,
A cada dia.
Defendo a alegria.

As asas se esgarçam,
Crescem...
Sinto-me um albatroz
E cruzo os espaços.
Voejo plagas distantes.
Não tenho cansaços.

Acredito nas leis do universo,
Decanto tudo em versos,
E vou seguindo a estrada.
Nunca estive sentada!
Meu labor é luta,
Mas a conquista me agrada.


Gyn, 02.2014

sábado, 17 de agosto de 2013

ESCADA QUE SOBE, DESCE!



ESCADA QUE SOBE, DESCE! 

(Genaura Tormin)

A vida é efêmera!
Passa tão depressa!

Tudo se esvai feito as águas do rio que tenta se agarrar às margens, levando consigo o que nelas encontram. Tudo tem a sua fase no seu tempo certo. O tempo de plantar e o tempo de colher. O nascimento, as travessuras de criança, a juventude risonha e doce, a fase adulta e a velhice. 

As experiências adquiridas servirão de alicerces evolutivos para a ascensão a novas experiências. Não se está na vida por acaso. Ninguém veste esta farda de carne sem um propósito, sem uma missão, sem um compromisso. 

O bem deve ser o gestor dos atos, pois o tempo é curto. Essa estada na vida significa apenas uma pequena fase, um estágio, um curso de especialização na matéria em débito, e o passaporte, com certeza, chama-se AMOR. 

Nesse caminho, há também o estrelato que satisfaz o ego, eleva a auto-estima, acalenta o orgulho, a vaidade, a prepotência, mas é passageiro, o que vale dizer que os mesmos degraus que elevam aos píncaros, conduzem aos calabouços. Ora pode-se dar as cartas, dar as ordens, ora recebê-las e cumpri-las humildemente.

A vaidade perniciosa tem preço muito elevado, onerando a matéria e o espírito. Cargos, status, saúde, sofrem a ação do tempo e os rigores da vida. Bens materiais são perecíveis, transitórios. Posições sociais se revezam na gangorra da existência. 

O descer, por vezes, parece injusto, mas é sempre regido pelas sábias leis na natureza em favor do crescimento humano. 

É preciso essa inversão para que se exerça a humildade, ferramenta indispensável para o recomeço, para o autoconhecimento, para a valorização da oportunidade de trilhar esse caminho, chamado vida. 

Entretanto ele é mestre implacável. Justo, por excelência. 

De repente tudo atirado ao nada sem um motivo plausível. Por quê? Porque chegou a hora de mais uma nova lição. Chegou a hora de rever se a trilha está correta e se o objetivo está sendo alcançado.

Antes que a prova bata à porta, é bom que se entenda que a retidão de caráter, a benevolência e o amor são atributos necessários aos caminheiros dessa estrada. Nela, os degraus esgueiram-se à frente. Ora subindo, ora descendo. Escadas avaliam os passantes. Muitos sobem, muitos descem. 

Os que se encontram no topo, por vezes, são arrogantes, prepotentes, impiedosos, cruéis, porque se julgam poderosos, esquecendo-se de que se há o caminho para a subida, com certeza, há também um outro que traz de volta. A escada que sobe, desce também. 

Outros, já na descida da escada, apoiando-se nos corre-mãos, ostentam sentimentos de revolta, de indignação, e até de conformação e piedade, lançando-se, muitas vezes, aos mais execráveis lamaçais e até ao suicídio. É uma questão de individualidade por causa das disposições mentais diferenciadas. 

O espírito bem direcionado, comedido e consciente do seu papel na jornada, significa uma bússola para o bem, ajudando a melhorar o meio em que vive.


Lembro-me de um pequeno poema, de autor desconhecido, que bem estampa esse entendimento: 

Dois pobres encarcerados,
das mesmas penas culpados
jaziam na mesma cela.

À claridade da lua,
chegam ambos à janela.
Um vê a luz das estrelas.
O outro a lama das ruas.


Nessa descida, muitos pedem ajuda, esquecendo-se de que para receber, geralmente, é preciso que se tenha dado. 

Quando se tenta aliviar a dor alheia, a nossa é aliviada por acréscimo. O que fizermos aos outros receberemos em dobro, quer seja bem, quer seja mal. 

Quantos experimentam a miséria e o ostracismo, depois de haver transitado pelos corredores da fama, do sucesso, dos aplausos... 

A Lei de Causa e Efeito é uma verdade e o maior tesouro que se pode construir aqui, resume-se no AMOR. Amor fraternal, conjugal, transcendental...E isso se começa pela família, alicerce seguro de todas as conquistas. É ela o batalhão sempre disposto a socorrer o soldado que tomba na trincheira. 

Consciente desse papel e embasado no bem maior, sob as sábias leis da Criação, é possível exercitar o amor transcendental, que se espargirá pelo caminho, impregnando a todos e fazendo valer essa passagem pela vida.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

ESTOU NO CAMINHO





ESTOU NO CAMINHO
(Genaura Tormin)

Estou na estrada!
Faça sol ou faça frio,
Eu sigo contente.
Meu fardo é pesado
E meu jugo oprime.
Foram as minhas escolhas!

Mas o amor me redime
Faz-me seguir o meu destino,
À procura de  um caminho.
O amor é o escudo,
A bússola que me orienta,
A estrela que me guia.

Na aljava seguem as armas,
A proteção para os meus pés,
O alimento para a alma.
Estou no caminho!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SEIXO ROLADO




SEIXO ROLADO
(A. Carrijo)

Eu era uma pedra,
Cheia de arestas,
De pontas agudas
Que feriam 
Os que me tocavam.

Mas as minhas lágrimas
E os pés que me pisaram
Desbastaram-me as saliências,
Abateram-me as quinas e as agulhas.

Hoje, 
Quando apalpo o meu ser,
Com as mãos da consciência,
Não me reconheço no passado…
Como estou diferente!
Sou um seixo rolado!
Polido pela dor!
Obrigado, Senhor!
_________________
Este poema não é meu. Tenho-o desde mocinha nos compartimentos da mente e do coração. É ele uma oração, a quem recorro sempre, tentando aparar as minhas muitas arestas, para rolar no rio da existência.  

sábado, 26 de janeiro de 2013

ASCENSÃO





ASCENSÃO
(Genaura Tormin)

Sinto no sangue 
O convite ao desafio,
 Na mente,
A impulsão ao combate.
No olhar, vislumbra- se 
A estampa da batalha!

Os músculos infatigáveis 
Se preparam,
O coração se aquece,
Para nova escalada,
Nessa  peleja constante,
Rumo à ascensão 
De mim mesma.

domingo, 3 de junho de 2012

UNIVERSO EM VOCÊ




UNIVERSO EM VOCÊ
(Desconheço o autor)

Cuide de seus pensamentos,
Como quem cuida de um recém nascido.
Embale seus sonhos para presente,
Mas amarre as afrontas, as decepções.
Esqueça o mal que te fizeram.
Segue em frente, firme e  confiante!

Se um amor se foi, outros virão!
Se um emprego se perdeu,
Você pode até virar patrão!
Se uma porta se fechou,
Dezenas abrir-se-ão!

Mas, 
O fundamental, o mais importante,
Aquilo que realmente importa,
Deve ser tratado com carinho, 
Com respeito, como jóia rara,
 Que guardamos em caixa de veludo,
Assim como o jogador famoso
 Que segura as pernas,
Ou o pianista que cuida das mãos
 Com tanto zelo.

Assim, cuide dos seus PENSAMENTOS!
Vigie-os, segure-os, 
Não os deixem viajar sem rédeas!
Onde eles forem,
Levarão parte de você!

Onde eles se fixarem 
Transformar-se-ão em atitudes.
E atitudes mal pensadas geram arrependimento.
E arrependimento, é sempre sinônimo de DOR.

Cuide de você!
Zele pelos seus pensamentos!
O mais importante ainda é o ser maravilhoso,
Essa fonte inesgotável de recursos divinos,
Que é VOCÊ!

"Fundamental mesmo 
É aquilo que você pensa de si mesmo.
Por isso, não se limite, 
Nem se compare a ninguém,
Pois tudo aquilo que sonhar, 
Pode ser ainda muito melhor,
Porque em você,
 O UNIVERSO se expande em possibilidades."

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TEMPO, TEMPO MEU


TEMPO, TEMPO MEU
(Genaura Tormin))

Tempo,
Que me roubou os passos,
Mas que me legou 
Muita segurança,
Muitas experiências, 
Muitos valores, 
Aprendidos com a dor!

Sinto-me feliz, contente!
Uma nova mulher!
Gosto-me assim. 
Embora o caminhar 
Tenha sido substituído,
Pelas rodas inanimadas
De uma cadeira, 
Não me sinto paraplégica!
Apenas diferente.
Amo e sou amada!

A vida,
Ainda acontece inteira
No meu coração!
Eu cumpro, 
E assumo o direito 
De ser MULHER, 
Em toda a sua plenitude.
Significa evolução.
Isso me basta nesta vida!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

RÉQUIEM A MEU PAI


RÉQUIEM A MEU PAI
(Genaura Tormin)

Papai, hoje é o seu dia! O dia dos pais!
Como sinto a sua falta!
Fecho os olhos e vejo você ao meu lado,
Falando das coisas da vida.

As nesgas do sol poente,
Parecem trazer-me, por acalanto,
Os seus recados, a sua presença junto a mim.
Que saudade do nosso convívio,
Da nossa alegria...
Quantas brincadeiras,
Quantas risadas nós dávamos juntos!
E a vida era bela, bela vida!

Lembro-me de você, papai,
Ao meu lado no leito de hospital,
Quando a vida achou por bem me tolher os passos.
Sofregamente, você me afagava os cabelos.
Austero e forte, você fora sempre.

Mas, naquele dia,
Acabrunhado e humilde ao meu lado,
Você sofria!
Como gostaria de ter-lhe evitado tamanha dor!

Depois,
Uma nuvem de tristeza cobriu o nosso lar,
A nossa vida, a sua vida, papai!
Passei a vê-lo cabisbaixo de barba grande...
Logo você que era tão vaidoso.
Eu sabia que você sofria.
É, papai, quanta tristeza eu lhe dei!

Hoje, volto ao passado e vejo que,
Mesmo sem andar, eu caminhei muito!
Tenho os pés cansados da jornada,
Feridos pelas pedras do caminho.
Preciso de um colo para descansar,
Preciso de um ombro para chorar.

Eu tentei caminhar...
Tento, ainda, com “unhas e dentes”.
Insisto sempre!
Recomeço a cada tombo,
A cada caminho truncado.
Se não marco passadas no chão,
Marco-as no coração,
Em trabalho, amor, poesia...

Você foi um motivo para o meu desafio.
Como queria entregar-lhe o troféu do meu esforço!
Mas você foi embora, numa noite fria, sem dizer adeus.
Queria que estivesse aqui para ver os meus rastros
Deixados na estrada da vida.

Papai, que saudade!
Mas que saudade, mesmo!
Receba, neste dia,
O preito de minha gratidão,
Do meu afeto, do meu carinho,
Da minha saudade!


sábado, 19 de junho de 2010

MENTE E CORAÇÃO ENERGICAMENTE ANDANTES


MENTE E CORAÇÃO ENERGICAMENTE ANDANTES
(Genaura Tormin)

"A diferença fundamental entre o homem comum e o guerreiro, é que o guerreiro encara tudo como desafio, enquanto o homem comum encara tudo como bênção ou maldição."
(Carlos Catañeda)

Ter uma paraplegia representa uma significativa limitação. Isso não é uma sentença que nos condena ao ostracismo, ao desalento e ao pessimismo, registrando como primeira opção a nossa condição física, com passos recolhidos, como desculpa para avocar a compaixão alheia. Ostentar a bandeira de nossa determinação e procurar alternativas, outras maneiras, outras portas para continuarmos a ser produtivas e felizes é a melhor opção.

A mente ilesa cria inúmeras soluções. Há motivos suficientes para continuar dirigindo o destino, mesmo que por meio de um corpo com funções mutiladas. A limitação não diminui direitos diante da sociedade, que só tem a ganhar, aprendendo a dividir espaço e se permitindo lidar com a diversidade humana. É o exercício da inclusão.

A obstinação e a ousadia vão quebrando barreiras e vencendo obstáculos, conquistando aceitação, respeito e reconhecimento.

Hoje é crescente a disposição legal que nos permite participação na sociedade e no mercado de trabalho. Temos que fazer a nossa parte, vestir a camisa e seguir firmes e resolutas, na certeza de vencer. Se não houvesse o desafio, os circenses não ganhavam a vida em grandes acrobacias. A conquista significa o mérito que laureia o nosso esforço. Tem-se um limão, que tal uma boa limonada?

É preciso ultrapassar as formas físicas e vislumbrar a essência. É preciso empunhar a deficiência com honradez, encontrando, por meio dela, as escadas de ascensão à nossa conduta moral, ao entendimento e à aceitação dessa nova condição. A limitação física significa simplesmente fechamento de uma porta e abertura de um portão, com mais disposição, mais aprendizado e mais consciência, legando exemplo para outras que virão.

Muitas vezes, as provas, as agruras e a limitações físicas, quando bem entendidas, podem reverter-se em privilégio. O alvo é o sucesso, e as pedras do caminho são as ferramentas para alcançá-lo.

Precisamos desenvolver a autoestima, perseguir ambições e habilidades no exercício de nossa crescente capacidade. As pessoas tristes, fatalistas, choronas e reclamadeiras são, geralmente, evitadas. A vida é dura demais para macularmos aos outros com o nosso pessimismo. O fardo só cai em ombros que possam carregá-lo.

Bandeira do Otimismo
(Genaura Tormin)

Não deixem que calem
O amor que me alenta,
A dor que me faz viva,
A ternura do meu peito
E todo este jeito
Que a vida me deu.

Não deixem
Que o meu canto morra,
Que feneça o meu sorriso
E parta de mim
O compromisso
Desta bandeira de otimismo,
Deste meu desejo de querer viver.

As pernas são acessórios e ganham a valoração que a elas impingimos. Costumo dizer que a tecnologia nos oferece, com galhardia, muitas muletas externas.
Todos nós carregamos as cicatrizes do nosso “ontem”, e elas não nos impedirão de sorrir. Tudo se transforma. O que ontem foi tempestade, hoje pode ser bonança.Temos que acreditar!

O pensamento move a vida! Se pensarmos em medo, em doenças, em problemas, tudo isso se instala, causando verdadeiras tormentas. Ademais, as dificuldades só se tornam problemas quando as registramos como tais. É a maneira de ver as coisas.
Somos individualidades, mas poderemos fazer a diferença! O poema abaixo retrata isso.

Dois pobres encarcerados,
Das mesmas penas culpados,
Jaziam na mesma cela.
À claridade da lua,
Chegam ambos à janela.
Um, vê a luz das estrelas,
O outro a lama das ruas.
(Autor desconhecido)

“Viver é muito perigoso” para qualquer pessoa, disse Guimarães Rosa. E viver com uma deficiência física, mais ainda. Por isso, forjadas a ferro e fogo sempre teremos condições de nos erguer quando a dificuldade bater. Não podemos ser excluídos do direito de participar, pois VIDA, não significa somente pernas, ou pernas e braços, mas, sobretudo cabeça, raciocínio, espírito e coração. Enfim, pulsa em nós o fôlego da vida!

Vítimas de problemas congênitos, enfermidades ou causas traumatológicas, o Brasil conta com 24,5 milhões de pessoas com alguma deficiência, de acordo com o último censo elaborado pelo IBGE, no ano de 2000. Isso significa 14,5% de todo o seu contingente. Sabe-se que no mundo inteiro esse montante chega a mais ou menos 625 milhões de pessoas.

Ter um defeito físico, andar numa cadeira de rodas, geralmente significa, aos olhos do leigo, ser inválido, estar cerceada do sagrado direito de se sustentar com o fruto do próprio trabalho. Chamamos a isso de rotulagem despreziva. É um vezo cultural.

Muitos exemplos de determinação e coragem foram legados pela história.
Graças a Deus, não estamos vivendo nos dias do médico alemão Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, que sob o comando de Adolf Hitler exterminava as pessoas com corpos imperfeitos, tentando estabelecer a pureza da raça ariana. Era a teoria em que as vidas humanas sem valor vital deveriam ser eliminadas.

Quantos gênios existiram e existem em corpos imperfeitos! O inglês Stephen Hawking, com esclerose lateral amiotrófica, que lhe paralisou os movimentos, emudeceu-lhe as cordas vocais, é um testemunho perfeito, pois, mesmo assim, continua produtivo e é considerado o mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein. O príncipe Hamlet, na peça de Shakespeare, sentia-se aprisionado na Dinamarca pelas angústias que lhe atormentavam. Mas, ao mesmo tempo, dizia que ainda que dentro de uma casca de noz poderia sentir-se rei do espaço infinito. Creio que, para Hawking, ocorre a mesma coisa. Para o cientista, o universo tem a sua história em tempo imaginário como esfera minúscula.

Exemplo digno de nota é o de Beethoven, o maior gênio da música clássica de todos os tempos, que mesmo depois de ficar surdo em plena atividade musical, continuou compondo, produzindo sua obra mais importante: A nona sinfonia. “O que está em meu coração precisa sair à superfície. Por isso preciso compor” — dizia ele.

Outro exemplo, aqui bem perto de nós, é o de Cláudio Drewes Siqueira, que ficou tetraplégico por causa de um mergulho em águas rasas, quando era adolescente, e mesmo assim, por méritos próprios, mediante acirrados concursos públicos, ascendeu aos cargos de Procurador do Estado de Goiás e em seguida ao de Procurador da República, um dos mais elevados cargos da República Federativa do Brasil. Por meio de uma adaptação presa a um capacete, o competente Procurador folheia livros e processos, além de digitar suas próprias peças, elogiadas pelo excelente conteúdo jurídico. É um exemplo e a certeza de que o querer é poder. É preciso somente que os sonhos estejam acesos.

Quando uma parte do corpo se fragiliza, as outras se encarregam do trabalho, provando que não há problema sem solução.
Foi por isso que, mesmo sendo recém-chegada ao mundo dos que não caminhavam com os pés, quis conquistar uma vaga de Delegado de Polícia. Ainda poderia caminhar com a mente, leve, livre e solta!

A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável, disse Mahatma Gandhi. Vontade era o que não me faltava. Dei asas à imaginação e o meu desejo tomou formas, cores e vida.

O ambiente desafiador é o sucesso do guerreiro, a arma de sua luta, o front de sua trincheira. E eu estava e estou sempre disposta a posicionar-me à frente do batalhão, mantendo acesos os meus sonhos.

A vida a gente faz. Na verdade, é o que fazemos dela. Viver bem ou mal é o que decidimos por princípio, por altruísmo de caráter. Somos individualidades. O que me faz sorrir, às vezes, não faz sorrir ao vizinho. O importante não é o que nos é mostrado, mas como conseguimos enxergá-lo. Os casebres tornam-se castelos e os castelos podem se tornar casebres.

Somos nós que elegemos os valores da vida, desenvolvendo qualidades como o carinho, a bondade e a compaixão, embora sejamos os mais necessitados delas. Com isso se evidencia o significado do nosso esforço.

A felicidade é o estado d’alma, é a maneira pela qual vemos as coisas; é o prisma encaixado em nossas retinas; é a margem de paralax de uma máquina fotográfica. Se a máquina é minha, por ela vou focalizar apenas o que me fizer bem: a transcendência, a paz, a esperança...

Quantas pessoas vislumbram a lua, o sol da manhã, os refegos de ventania, a flor orvalhada, por meio da telha quebrada ou da parede erigida em pau a pique. Tudo é uma questão de ótica. Tenho que ser do tamanho do que consigo enxergar. Dessa forma, com certeza, vou chegar lá, pois tenho os olhos fitos no infinito e o espírito no comando do sucesso. Minha busca não terminará jamais, mesmo que morra na estrada.
Estar feliz não significa percorrer caminhos floridos, estar imune às tempestades... Estar feliz é enfrentar os desafios para torna-se forte, digno de excursionar por este Planeta.

Tinha que recompor o avesso do meu bordado. Tinha que andar nem que fosse sem o uso das pernas. Andar em ideias, em trabalho, em exemplo de vida!

Nos meandros de mim mesma, pensava: e se eu ficar paraplégica para o resto da vida? Receberei mísera pensão por invalidez, que mal dará para comprar remédios. E a inércia, o não fazer nada, a ociosidade... NÃO! Não aceito essa sentença. Vou lutar por mim mesma! Tenho mente sã e posso ser uma delegada! É um cargo de comando, cartorário. Poderei servir de exemplo a outras pessoas com deficiência física. Poderei abrir caminhos. Não vou permitir que a vida me transforme num cadáver vivo! Tenho muito ainda a fazer! Tenho flechas na aljava e mantimento para o caminho.
Tendo o desafio como âncora a me alavancar, comecei a velejar por esse mar bravio da coragem.

Por ser Comissária de Polícia, bacharela em Direito, pertencer aos quadros da Polícia Civil há dezesseis anos, resolvi enfileirar-me entre os concorrentes ao cargo de Delegado de Polícia. Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder. Era a oportunidade que me batia à porta. Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica! Registrei a ideia e parti para o confronto. Talvez o mais ousado de toda a minha vida. Era tudo ou NADA!

“Se teu sonho for maior que ti, alonga tuas asas, esgarça teus medos, amplia teu mundo, e parte em busca da estrela.” (Leda Selma)

Não dera outra: quarto lugar entre os aprovados. Não sabia como adquirira tanta determinação, tanta bravura. Estava pasmada. Reputava de façanha o que acabava de fazer. Ajudara muito o fato de, anteriormente, estar inscrita e estudando para o concurso ao cargo de Defensor Público, embora as matérias não fossem tão correlatas. Com certeza, era uma preparação remota para alicerçar o meu desejo de vencer diante de uma deficiência física tão grande.

Quantas madrugadas ouvindo aulas através de fones de ouvido, quantas lágrimas reprimidas, disfarçadas... Por dentro tudo chorava, mas me encorajava ao desafio, confirmando que a mente pode superar os limites físicos. Eu não ia deixar que os sonhos morressem dentro de mim. Ainda que recuperasse todos os movimentos locomotores, jamais esqueceria dessa façanha. Mereceria todos os diplomas possíveis. Quanta dificuldade tive que enfrentar!

A polícia entrara na minha vida como meio, como ponte para que eu pudesse escalar novos horizontes. Jamais pensei que ela se tornasse fim um dia. As contingências da vida indicaram o caminho. Hoje sou uma Delegada de Polícia e me honro disso. Acredito no trabalho e gosto do que faço.

É uma missão espinhosa, mas farto campo para se fazer uma boa ação. Devemos servir onde precisam de nós. Quanto mais difícil a tarefa, maior satisfação do dever cumprido. Ser delegado é também fazer sacerdócio. É amar o ser humano no sentido total da palavra. É saber admoestá-lo na hora certa ou acalentá-lo nos momentos mais difíceis.

De repente, o mestre tempo, em sua celeridade, alertara-me de que dentro de um ano teria que me aposentar, por tempo de serviço. Quase trinta anos trabalhados! Quem diria! Parece-me que fora ontem: uma mocinha franzina, 18 anos, com mais jeito de menina do que de mulher, deixava um colégio de freiras e o primeiro emprego que conseguira foi na Polícia. Quanto contraste!

Preocupada, vi-me em perfeita forma. Cabeça boa e pernas descansadas, além de pouca idade, pois a vida não começa aos 40? Como seria a vida sem a rotina do trabalho?

“A vida tem dois valores absolutos,
O amor que renova a humanidade,
E o trabalho que dignifica o homem
E impulsiona o progresso.
Do mais - consequências, correlações”.
(Cora Coralina)

A preocupação levara-me a requerer uma licença-prêmio a que fazia jus, e incentivada pela filha Lara Patrícia, que me inscrevera num concurso público, em Brasília, passei a estudar a matéria. De repente, estava fazendo cursinhos, estudando em grupo e me inscrevendo para mais outros concursos.

Fiz uma reciclagem jurídica e consegui assimilar bastante do ensinado. Usei o método do gravador, determinação, persistência, força de vontade e muita disciplina, tão importantes para o sucesso na consecução de qualquer objetivo.

Quando retornei ao trabalho, simultaneamente executava as minhas atividades, ouvindo, por meio de minúsculo fone de ouvido, a aula gravada, cujo gravador era guardado na gaveta central da mesa. Como a repetição faz o mestre, estava sempre a aprender. Quando procedia a inquirições para o bojo dos autos do inquérito policial, apenas desligava o gravador, sem, entretanto tirar os fones dos ouvidos, os quais ficavam escondidos sob as fartas madeixas dos cabelos. Quando a minha escrivã percebeu que eu estava ouvindo aulas, havia-se passado quatro meses.

No retorno a casa, já que necessito ficar deitada para descansar, pois a pessoa paraplégica fica de pé na horizontal, ligava a televisão sem som (para permanecer desperta), e, novamente repunha os fones nos ouvidos para ratificar a aula que assistira pela manhã. Se na madrugada perdia o sono, aproveitava o tempo para ouvir as aulas. Por vezes, o Alfredo, meu marido, na escuridão da noite, emaranhava-se nos fios dos fones de ouvido. Coragem era o que não me faltava, além de uma confiança inabalável na capacidade do meu esforço.

Finalmente, fui aprovada em dois concursos e com boa classificação. Embora fossem em Brasília, aceitei.

Apresentei-me no Ministério Público da União, em cujo concurso havia-me classificado em quarto lugar. Infelizmente não pude ficar lá. A pessoa que me recebera, certamente, nunca tivera contato com trabalhadores deficientes e principalmente com cadeirantes. Senti, perfeitamente, que não seria bem recebida ali. Foram-me apontados vários obstáculos, principalmente a falta de adaptação que me dificultaria as condições de trabalho. Nenhum incentivo, registrando-se a sensação de que “havia lutado tanto e morreria na praia”. Acho que faltara um sentimento de empatia. A cadeira de rodas era a responsável, pois eu tentava me mostrar cordata e afável, além de estampar um sorriso grande.

Restava-me, ainda, outra opção: o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, onde, também, havia sido aprovada em concurso. Dessa vez, em quinto lugar para o cargo de Analista Judiciário, área judiciária. Sem delongas, dirigi-me até lá.
Numa das avenidas de Brasília, encontrava-se o bonito prédio do Tribunal. Viera-me à mente, a figura da deusa Themis — símbolo da Justiça. Um calafrio tomara-me o corpo e a voz estrangulara-se em mim. Um gosto de sentença, decisão, isonomia, divisor de águas, grassava meu interior. Imbuí-me de coragem, ergui a cabeça, temperei a garganta, conferi a voz e segui resoluta, com a certeza de que não me deixaria vencer. A Constituição Federal resguardava-me direitos, e era fulcrada nela que me defenderia se fosse preciso.

Tomei posse numa cerimônia simples, mas com a certeza de que mais uma vez daria a volta por cima e o trabalho acrescentaria mais entusiasmo à minha razão de viver. Enfrentei muitos sacrifícios em ter que sair de Goiânia. A saudade de casa era muita, mas precisava ficar ou trocar o cargo por uma ociosidade que, certamente, conduzir-me-ia à inutilidade e à depressão, quem sabe?

Finalmente fui cedida ao Tribunal Regional do Trabalho de Goiânia, o qual se adaptou para me receber. A recepção foi carinhosa. Parecia uma compensação pelas dificuldades a que me propusera desafiar.

Acredito que a maior limitação é aquela que criamos por afirmações psíquicas. Muitas vezes, damos contornos catastróficos a problemas tão pequenos e tão fáceis de serem resolvidos. Os problemas têm também o seu lado positivo: conduzem-nos à busca de soluções, emprestando-nos crescimentos extraordinários. Neles está sempre presente a semente da oportunidade a serviço de nossa própria evolução. Eles nos levam aos desafios, ressaltando o mérito que conquista a alma, devolvendo-nos a felicidade que é a provedora da qualidade de vida.

Assim, a cada dificuldade vencida, tenho a sensação de que valho mais, sirvo mais e vou me amando mais. Não sei, exatamente, se minha cadeira de rodas constitui problema ou dádiva. Sei apenas que começo a devotar-lhe gratidão. É por meio dela que ando, lido, participo da vida lá fora e nivelo-me aos demais.

Mente e Coração energicamente andantes
(Genaura Tormin)

Quero curtir minha imobilidade,
Mobilizando corações,
Marcando passadas
Em cada gesto,
Em cada grão de areia,
Carreando-os para o infinito.

Quero sentir
O gosto de ter pernas.
Acariciá-las,
Com o tato dos dedos,
Mobilizando todas as moléculas.

Quero sentir-me dançando
Ao som de Beethoven ou Bach,
Transando a paz de minha paraplegia
Ao compasso do coração
E à sincronia do cérebro.

Quero andar,
Mais do que todas as pessoas,
Embora saiba que,
Se externamente,
Não marco o chão
Com minhas pegadas,
Meu espírito se alicerça
Em pernas fortes,
Com mente e coração,
Energicamente andantes.

Mais do que nunca, sinto-me senhora do meu pleno equilíbrio. “Sou como a rocha nua e crua onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo. Posso cair. Caio. Mas caio de pé por cima dos meus escombros”.

Hoje, reputo-me uma pessoa completa, com uma deficiência física que me faz melhor. Por isso eu agradeço às dificuldades que me fazem forte, aos amores que me tornam terna, e aos desafios que me fazem guerreira de minha própria batalha.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EQUILÍBRIO

Meu marido esquiando!

EQUILÍBRIO
(Genaura Tormin)

Evoluir
É ser inteiro, autêntico,
Despojado, verdadeiro,
Dono de si mesmo.
É semear o bem,
Reconciliar-se
Com tudo e com todos.

Otimismo, emoção e fraternidade
São aliados dessa empreitada.
Nem entorpecidos
Nem hostis os atos.
O equilíbrio é o ideal.
O amor leva à felicidade;
O caráter, ao respeito;
A honestidade, à hamonia,
Justeza, paz e alegria.

O berço induz à conduta.
Errados princípios,
Dificultosos fins.
Há tantos caminhos,
Veredas e atalhos...

A emoção e a razão interagem na alma,
Pois a essência humana é holística,
Presença mimetizada
De conduta crística.

sábado, 28 de março de 2009

SEMEAR


SEMEAR
(Genaura Tormin)

Nuvens alvissareiras
No céu sem limites.
Na bagagem:
O sol matreiro,
A chuva dengosa,
O silêncio dos montes,
Flores e fontes,
O aconchego da noite...

Amplidão cósmica,
Beijos aninhados
No perfume da brisa,
No lamento da saudade...
Tudo é liberdade,
Paz,
Felicidade.

Pássaros viajores
Permeiam a paisagem,
Semeando a ternura do afago,
Doce transparência da imagem.
E a oração se faz
Na doçura do olhar,
No desejo de amar,
De ser bom,
De multiplicar...



LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)