PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

UMA PALAVRA DE BOAS VINDAS AOS NOVOS SERVIDORES - TRT-GO




UMA PALAVRA DE BOAS VINDAS AOS NOVOS SERVIDORES
(Genaura Tormin) 

É com prazer que recebemos os novos colegas!
A Casa é nossa. 
Sintam-se à vontade!

Parabenizamo-lhes pelo sucesso na aprovação de tão acirrado concurso.
Realmente vocês foram os mais bem preparados e, com certeza, demonstrarão toda essa garra e competência no exercício dos afazeres judiciais.

O trabalho é o meio para nos realizarmos economicamente, socialmente e psicologicamente. Significa a dignidade da pessoa.
Por isso consta como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil.

Agora, como serventuários desta Justiça, devemos emprestar-lhe, além do nosso trabalho, a cordialidade, a lhaneza de trato, a presteza, a determinação, inovando sempre, para que a prestação jurisdicional seja mais rápida e a sua seriedade continue pautando o convívio social, resguardando-lhe a liberdade, a igualdade e a harmonia na preservação e garantia de direitos.

Para bem desempenharmos essas atividades, precisamos ter a consciência do nosso papel, das responsabilidades e gostarmos do que estivermos a fazer, lembrando-nos sempre de que outras pessoas esperam pela nossa interação de trabalho no final de um processo. Por isso, amem de todo o coração a causa que escolheram e persigam fazer sempre o melhor!

Trabalho é a palavra-chave e o tempo bendirá o fruto desse esforço.
Realmente, fomos criados para escrever a história, marcar o tempo e melhorar o porvir.
O nosso Tribunal é como se fosse uma grande máquina em que até as minúsculas peças são únicas e imprescindíveis para o bom desempenho de todo o aparato legal.

Essa é a tutela jurisdicional que o Estado tem o dever de prestar ao seu povo.
E como servidores desta Corte, temos a obrigação e a satisfação de impulsioná-la para frente e para o alto. Muitos de vocês serão lotados na Varas do Trabalho, razão desta justiça e verdadeira escola para a ascensão a superiores cargos.

Antes de trabalhadores, somos seres humanos com emoções, sensibilidades e fraquezas.
E aqui, procura-se lembrar disso.

A valorização do servidor, como pessoa, ganha destaque.
O coleguismo e o respeito pautam o nosso convívio, aumentando-nos a autoestima e a qualidade do servir.

A preocupação com a saúde física e psicológica dos servidores, por meio de um corpo especializado, composto pelos Setores de Assistência Médica, Odontológica e Psicológica, ajuda a fazer do TRT-GO uma grande família, agora aumentada e qualificada com novos e competentes membros.

Sejam muito bem-vindos!

Genaura Tormin
 Analista Judiciário – SCAD - TRT-GO


DISCURSO SOBRE O TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO GOIANO





TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 18a. REGIÃO
(Genaura Tormin)


Senhora Juíza-Presidente deste Tribunal Regional do Trabalho,
Senhor Deputado Federal Pedro Wilson,
Ilustres autoridades, aqui presentes,
Meus colegas serventuários da Casa,
Senhores e senhoras:

          Somos uma Nação organizada, tutelada! Todo poder emana do povo e em  seu nome será exercido, diz a nossa Lei Maior.

          Como princípios fundamentais encontram-se a cidadania, a dignidade da pessoa, os valores sociais do trabalho, entre outros.

          E o trabalho remonta aos tempos do homo sapiens, das cavernas, por estar ligado à sobrevivência. Com o passar dos séculos e com a evolução dos povos, naturalmente, necessário se fez a normatização das condutas, consuetudinária ou não, para garantir direitos às relações entre os indivíduos.

          E no século que ora se finda, mais precisamente, nos idos de 1934 a 1937,  no nosso torrão brasileiro, sob o domínio de um Presidente altruísta e determinado, o gaúcho Getúlio Vargas, homem de grande visão política das condições existenciais daquela época, nascia as Comissões Mistas de  Conciliação e Julgamento, embrião  que veio a se transformar na JUSTIÇA DO TRABALHO, braço do Poder Judiciário, vislumbrada na Constituição do Brasil, ainda getulina, de 1946, ano de minha estréia como ser vivente em terras nordestinas deste meu querido Brasil! Conotativamente, o meu desvelo pelo trabalho, pela satisfação de poder emprestar  minha participação, embora, agora,  numa cadeira de rodas.

          A Constituição de 1988, considerada a Constituição-Cidadã, que legou aos  brasileiros as mais amplas garantias individuais e sociais da história, não  pode ser modificada. E nela encontra-se a Justiça do Trabalho a partir dos artigos  111 até o 117.

          Mas agora, senhores, por meio da CPI do Judiciário (diga-se de passagem, considerada inconstitucional) e com fulcros em duas denúncias de irregularidades, já sub judice, dos TRTs de São Paulo e da Paraíba, querem destruir a Justiça do Trabalho. Os inocentes não podem pagar pelos pecadores. Alguns joios não podem macular a integridade de toda uma colheita que está sendo pródiga, próspera e benfazeja!

          Conhecedora da sua eficácia, por integrar-lhe os quadros há alguns anos e por me preocupar com o lado sociológico do nosso povo, posso afirmar sem medo de errar, que se trata da justiça mais acessível, mais célere e a mais democrática deste  país! Com certeza, tal intento  não chegará ao fim colimado! Não é possível  que o povo, de quem emana o poder, permita tal retrocesso!

           Reformar, sim! E dentro dos liames institucionais e processuais, para que melhor se ajuste aos referenciais de cidadania conquistados na Carta Magna. E depois, é bem verdade que o Brasil cresceu em tecnologia, principalmente na informática, industrialização, e agora com a globalização, aumentando as relações sociais e também as demandas que sobrecarregam o Judiciário.

          É preciso que continuemos a angariar divisas, e a Justiça do Trabalho é uma conquista.
          Especializada, como a de vários outros países do mundo, como a da Alemanha que se parece muito com a nossa, a da Inglaterra, a da Suécia, a da França, a da Bélgica e outras mais, tem que ser preservada, e por que não  aumentada a sua competência?

          Dados estatísticos apontam dois milhões de ações recebidas e decididas  por ano pela Justiça do Trabalho. É morosa, esta Justiça, senhores? Muito pelo contrário, é ágil, descomplicada, barata e voltada para o social, uma vez que o salário, as verbas rescisórias, objeto das litigâncias, têm, em regra,  natureza alimentar. É um direito diferenciado, especial. Por essa razão, a especialização da Justiça do Trabalho.  Por assim entenderem os constituintes, o contrato de trabalho foi o único contrato regulamentado pela Constituição Federal.    
     
          É preciso que fiquemos atentos, pois o retrocesso marginalizaria o país em detrimento de sua classe  produtora, principalmente daqueles que com o suor do rosto e com as mãos laboriosas sustentam a nossa economia, como a décima do planeta.

          Confiando no poder de luta, no poder de persuasão do povo brasileiro e dos parlamentares que os representam, finalizo conclamando: Que a Justiça do Trabalho continue viva, para o bem da Nação, do capital e do trabalhador!

Obrigada!

     (Proferido por Genaura Tormin  no auditório do Tribunal Pleno em 1999)


domingo, 24 de outubro de 2010

PARABÉNS, DR. MARCOS


HOMENAGEM AO DR. MARCOS ANTUNES
(Genaura Tormin)


Olhar seguro, tranquilo,
Inteligência e muita simpatia,
Além da lhaneza que o distingue.

Seus gestos transcendem
E a simplicidade encanta
A todos que o conhecem.

Vocês sabem de quem estou falando?
Sim, é de você, Dr. Marcos!
E que bom homenageá-lo!

Hoje é o seu aniversario!
Não podíamos esquecer,
Por isso estamos aqui
Para uma vez mais lhe dizer:
Gostamos muito de você!

Sabe por quê?
Porque você exercita a bondade:
Tem tempo para sorrir, para elogiar, reconhecer,
Compartilhar saberes
E dar espaço às pessoas que estão ao seu lado.
Você é um ser humano especial,
Perseguidor do bem.
Um incentivador!
Por tudo isso,
Nós gostamos muito de você!

Fazer aniversário é uma oportunidade especial de renovação.

O Criador, na sua infinita sabedoria, deu à natureza a capacidade de se enflorar a cada primavera, ornando os caminhos, embelezando a vida.

Também a nós, deu a possibilidade de recomeçar a cada ano, fazendo novos plantios para a colheita de novas primaveras, novos crescimentos rumo à perfeição.

Deu-nos, assim, a oportunidade de ver mais arco-íris, luares, espreitar estrelas, correr atrás dos sonhos, na construção da tão almejada felicidade.

Fazer aniversário é ter a possibilidade de fazer novos amigos.

E um amigo é
Um aliado contra os perigos.
Divide as experiências,
As conquistas, as dores,
E os segredos.
Não perdoa nada,
Mas desculpa tudo.

Um amigo cobra,
Xinga, adverte e critica.
Mas empresta o colo,
A palavra, o sorriso,
A cumplicidade e o incentivo.

Está sempre junto na dor,
Presente na alegria.
É causídico ferrenho na defesa,
Embora a bronca venha depois.

Um amigo,
Vibra com o sucesso, e ampara nos fracassos,

"... amigos são testemunhas vivas de nossas vidas". Fazem parte de nossa história, e nunca se ausentam de nossas saudades. A cada lembrança, vem-nos a fotografia singela daquele amigo, em momento distinto, de um lugar do passado.
Amigos são muito mais do que momentos. São alianças que fazemos para a eternidade.

Tudo isso, para dizer que você tem lugar cativo em nossos corações. Sabe com galhardia ser chefe e amigo. Uma mistura de pai e irmão. Realmente, você dignifica a classe e o meio em que se encontra.

E aqui o trabalho gratifica tanto! Não há o estigma do medo, da coação, da opressão ou da discriminação. A valoração impulsiona-nos a subir cada vez mais alto após cada novo feito. O elogio é mesmo uma mola propulsora para o progresso, aumentando a nossa vontade de bem servir.

Sua postura íntegra, ilibada, franca e decidida, além da bagagem jurídica, vivencial e humana, fazem de você um ser completo. Um exemplo, um Mestre!

E o exemplo é transformador de vidas! Afinal, fomos criados para escrever a nossa história, conquistar sucessos, aprender e ensinar novas lições.

E agora, num só pensamento, numa só voz, unimos os nossos corações e pedimos a Deus que o ilumine e abençoe, não só hoje, nesta data genetlíaca, mas durante todos os dias de sua vida.

Parabéns!

Servidores da SCJ


Homenagem ao Dr. MARCOS DOS SANTOS ANTUNES, pelo seu aniversário,
em 19.10.2010, na Secretaria de Coordenação Judiciária do TRT-18ª., em Goiânia, feita por
Genaura Tormin

domingo, 3 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DE PÁSSARO SEM ASAS EM RIO VERDE-GO



LANÇAMENTO DE PÁSSARO SEM ASAS EM RIO VERDE-GO
(Genaura Tormin)

Como relembrar é viver, publico aqui o discurso de lançamento da 3a. edíção de Pássaro Sem Asas (hoje já está em 6a. edição), na cidade de Rio Verde, em 1998. Quanta saudade! Penso que tudo isso ficará registrado na memória do tempo e na cela do meu coração.

Senhores e Senhoras,

Para mim é muito fácil e prazeroso assumir todas as idades, todos os papéis. Mas, este de paraplégica não estava no script. Apesar de esquisito, estou tentando sair-me bem.

Agora, não pulo corda, não chuto bola, não ando de bicicleta... Recebi uma dura sentença por crime que não cometi nesta vida. Mataram minhas pernas em mim. Poderia tê-las usado muito mais vezes! Poderia ter andado descalça, feito grandes caminhadas, pisado na grama, na areia, no barro... Poderia ter evitado veículos...

Enfim, poderia ter usado muito mais o meu caminhar faceiro, dançarino, rebolante.
Mesmo assim, ainda corro atrás da vida para que ela não corra atrás de mim. Corro atrás de minha evolução como caminhante dessa íngreme estrada. E na minha fantasia, sou a campeã dos meus aprendizados. Se minhas pernas fisicamente estão mortas ou incapacitadas, o meu coração é vivo, o meu desejo latente e o sorriso aflora sempre até os cantos das orelhas. Eu estou viva!!!

Com isso eu quero demonstrar que a vida é efêmera, finita, e as fatalidades não avisam. Não escolhem status, raça, cor, sexo ou credo. Por isso não devemos deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Devemos viver todos os momentos como se fosse o último, procurando ser feliz e fazer felizes as pessoas que nos cercam. Às vezes, quando estamos nos píncaros do sucesso somos atirados inexoravelmente ao caos.

Foi o que aconteceu comigo!
Após uma festa em minha casa, quando me sentia de bem com mundo e comigo mesma, dormi sã e acordei paraplégica, vítima de uma virose que me meou o corpo, sem nem sequer me alertar com uma subida de temperatura. Na realidade, um turbilhão de dificuldades nunca imaginadas. Uma jovem mulher reduzida a cabeça, seios e braços. O resto, morbidamente alheio ao meu comando; dormente como se não fosse meu.

Não obstante haja envidado muitos esforços para reverter o descalabro da situação, eis-me, após todos esses anos, irreversivelmente paraplégica. Com uma vida de muitas batalhas para não ser escória de uma sociedade que, geralmente, só aceita os fortes, perfeitos e vencedores.

Guimarães Rosa dizia que viver é muito perigoso. Por isso devemos ser forjados a ferro e fogo para termos condições de nos erguer quando a dificuldade bater. Afinal, a mente estando ilesa, há motivos suficientes para dirigirmos ainda o nosso destino, mesmo através de um corpo com funções mutiladas. Não podemos ser excluídos do sistema socioeconômico e político do País, pois, VIDA, não significa somente pernas, mas, sobretudo cabeça, mente, raciocínio, alma e coração. O resto, dá-se um jeito.

E foi por isso que resolvi escrever PÁSSARO SEM ASAS. Um livro autobiográfico, corajoso, em que me desnudo, viro-me do avesso e conto ao leitor toda a minha trajetória depois dessa nova condição de rodante: avanços, derrotas, conquistas, aprendizados, até as verdades mais recônditas e inconfessáveis. Não como uma história que haja acontecido no estrangeiro, mas um fato verdadeiro, acontecido aqui mesmo, entre nós, cuja protagonista não foi feliz para sempre, como nos contos de fadas, faz-se feliz, viva e atuante.

Paraplegia não é problema apenas de quem a tem, mas um problema de contexto, pelo menos familiar, já que em nível de Estado, há muito a desejar.
A família deve vestir a camisa, inserir-se no esquema e, dentro da responsabilidade/amor, propiciar à pessoa com deficiência um espaço arquitetônico viável e adaptações domésticas para que ele descubra seu novo mundo ou sua nova liberdade. Essa descoberta dar-se-á com mais coragem, maior obstinação se for encabeçada pela consciência da intensidade do amor que lhe é dedicado pela família.

Esse amor de que falo, não deve ser entendido como excesso de paternalismo que tanto mal nos faz, impedindo-nos de alçar voos às conquistas, mas, sobretudo, deve ser o amor/respeito que não nos destitui da condição de ser humano atuante e não nos rotula de inválidos, pois a verdadeira invalidez está na mente de quem não tem e não sabe transmitir otimismo e coragem.

O trabalho é de muita importância no cotidiano de uma pessoa com deficiência física! É uma verdadeira terapia ocupacional, que nos devolve o sentimento de utilidade. É a oportunidade merecida para provar que poderemos ser, não apenas força produtiva, mas força transformadora, aumentando a esperança num País justo e progressista, diminuindo-lhe os problemas sociais, além de podermos conviver com diversidades e servirmos de motivação e incentivo aos muitos paralíticos andantes que se alicerçam na ociosidade para nada fazerem ou mal fazerem.

Não devemos permitir que os sentimentos de compaixão ou repulsa releguem-nos à inutilidade, conduzindo-nos à inércia. Com tenacidade mostraremos o valor do nosso trabalho e as discriminações só persistirão se nós as aceitarmos, fazendo-nos de vítimas da vida, apresentando indolência, insegurança, subserviência, buscando protecionismo sob o álibi da deficiência física.

Precisamos lutar pelo reconhecimento da igualdade jurídica e pelo direito ao trabalho, máxima maior estampada na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Lutar, igualmente, pela acessibilidade ambiental e urbanística, requisito básico para que a pessoa com deficiência viva com dignidade. O código de edificações urbanas deveria rever esse assunto. As calçadas e os meios-fios sem rebaixamentos. Transportes coletivos sem as mínimas condições para a abordagem de um paraplégico.

Bom seria se houvesse leis que obrigassem a feitura e a execução de PROJETO UNIVERSAL, com integração de acessibilidade a todos. É o que se chama Projetar Acessível. Afinal formamos uma sociedade heterogênea. Onde estão os nossos velhos, as nossas crianças, as pessoas com deficiência?

É dever do Estado cuidar da habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência, integrando-a no mercado de trabalho, além de preocupar-se com o atendimento especializado nas áreas da educação e da formação profissional, pois, muitas vezes, para essa pessoa, o trabalho pode ter fins terapêuticos, melhorando sensivelmente sua saúde física e mental, aumentando-lhe a autoestima, respeitando assim a sua dignidade de pessoa humana, como um dos fundamentos da Constituiçao Federativa do Brasil, a Carta Maior que rege o País. Por isso é preciso correr atrás do estado de felicidade. Ocupar a mente, trabalhar, doar-se, é a melhor receita.

Com esse entendimento e alicerçada no incentivo da família, que me ama e não castra as oportunidades, mesmo ao arrepio de toda a deficiência física, preparei-me e classifiquei-me muito bem para o cargo de Delegado de Polícia de Goiás, e o exerci com presteza, durante 12 anos, ocasião em que, também por concurso público, ingressei no Judiciário Federal, atuando, hoje, no Tribunal Pleno da Justiça Trabalhista do meu Estado.

Quero dizer que os problemas só existem se nós os registrarmos como tais. Quando a gente se aceita como é, tudo fica normal e simples. As dificuldades são creditadas como mérito nosso. Aliás as maiores limitações são as que criamos em termos de afirmações psíquicas. Quantas vezes damos contornos catastróficos a problemas tão pequenos e tão fáceis de serem resolvidos.

Hoje me sinto adaptada à vida! Sei que ela se adaptou a mim também. Entretanto já entendo que a minha cadeira de rodas é uma dádiva. Devoto-lhe gratidão. É por meio dela que ando, lido, participo da vida lá fora e nivelo-me aos demais. É, também, é por meio dela que me permito fazer algum bem, passar algum alento de experiência, de trabalho, de coragem às pessoas com quem mantenho algum diálogo ou que leem o meu livro. Não é para isso que estamos neste trajeto que chamamos de vida? Não poderemos partir de mãos vazias!

PÁSSARO SEM ASAS - uma história de vida ou memórias romanceadas - caracteriza-se por sua mensagem positiva, desbravadora, alicerçada no otimismo, transformando derrotas em conquistas. Para mim, é quase uma missão.

Jean Paul Sartre dizia que o importante não é o que fizeram do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele. Acredito estar assimilando a sua máxima. Confiram no meu livro! Leiam-me!

Para finalizar, sinto-me muito cativada pela a presença e pelo carinho da Prefeita NELCY SPADONI, pessoa simpática que tive a honra de conhecer na Pousada do Rio Quente. Na ocasião, ela também ocupava uma cadeira de rodas, motivo que nos aproximou naquele dia.

Gratidão ao ANTONIO ARANTES, Secretário de Cultura e ao escritor FILADELFO BORGES, que em nome da Academia Rioverdense de Letras, Artes e Ofícios, convidou-me para lançar o meu livro nesta linda e progressista cidade do sudoeste goiano, berço de 150 anos de tradição, que ora me brinda com tanto afeto, propiciando-me conhecer todos vocês e falar de PÁSSARO SEM ASAS, meu tema predileto, por levar a todos uma consciência valorativa sobre as pessoas portadoras de deficiência física, mostrando que a vida é possível e o trabalho também.

Agradeço o carinho dos presentes: autoridades, escritores, moradores, que me emocionam, tornando este dia um dos mais felizes da minha vida.

Em caráter especial, dedico homenagem MAIOR aos meus quatro filhos, centelhas de amor que Deus permitiu-me nesta vida, alicerce seguro de todas as minhas conquistas; nascedouro inesgotável de forças, incentivos, que me fazem caminhar, mesmo sem o uso das pernas.

Em particular, ao meu marido ALFREDO, que em nenhum momento tem-se cansado da caminhada. Combativo, determinado, não tem poupado esforços para devolver-me não duas pernas, mas uma miríade delas. Sinto-me uma CENTOPEIA. Nossa cumplicidade tornou-nos imbatíveis e unos. A ele o carinho dos seguintes versos:


INDIVISIBILIDADE

Quando tu partires
irei contigo.
Levarei o aconchego da noite
para te fazer feliz.

Serei suave,
feito o balanço do mar,
para te amar,
amor.

Irei contigo
aonde fores.
Tuas pegadas
serão as minhas pegadas,
e eu te adorarei
em todos momentos.

Não choraremos
porque as lágrimas secaram
com o sol da manhã,
fazendo-nos fortes
a qualquer embate.

Irei contigo
até o infinito,
onde tudo é perfeito,
sem dor,
sem mutilação,
sem horror.

Irei contigo,
amor,
porque faço parte de ti.
Tu és tudo
que sempre cultivei em mim.

Assim,
seremos indivisíveis,
unos e eternos.


Obrigada!

Genaura Tormin

Goiânia, 06 de novembro de 1998.

Lançamento da 3a. edição do livro Pássaro sem asas, de minha autoria, na Academia Rioverdense de Letras, Artes e Ofícios, em Rio Verde - GO.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O ÚLTIMO DISCURSO QUE FIZ DE PÉ



Revendo guardados, encontrei este pequeno discurso, escrito a mão, já amarelado, envelhecido, desbotado... Juro que ao lê lo, não pude conter as lágrimas. Como a vida nos transforma! Lembrei-me desse encerramento de ano, dessa festinha que foi tão linda, tão descontraída. A turma era coesa, amiga... Embora simples a minha fala, vejo que me preparava para uma marcante mudança de vida! (...Aliás, a vida é uma constante luta. Se não o fosse, não teríamos nada para agradecer, pois o que não nos custa nada, pouco vale). Bom que eu não depus as armas. Até hoje as tenho sempre em punho. Sou uma guerreira, sempre à frente da trincheira. A cada dia ganho mais destreza para enfrentar as intempéries que ainda me serão oferecidas.

O ÚLTIMO DISCURSO QUE FIZ DE PÉ
(Genaura Tormin)

Discurso de encerramento do ano de 1981 no Posto Policial do Hospital das Clínicas, de cujo Posto eu era a supervisora.

Meus queridos colegas de trabalho!
Meus amigos:

Hoje é um dia diferente para nós! Não um dia de vigília, de trabalho, mas um dia de lazer, em que os nossos corações se aproximam cheios de festa, e unidos damos as mãos para encerrar mais um ano de luta.

Aliás, a vida é uma constante luta. Se não o fosse, não teríamos nada para agradecer, pois o que não nos custa nada, pouco vale.

Prezados colegas,

Formamos aqui uma família, onde não há o maior nem o menor. Todos nós somos iguais, amigos e estamos no mesmo barco, remando com solidariedade para que ele não afunde.

Somos pequenos, mas como diz o velho adágio: o importante não é sermos grandes ou pequenos, mas sermos nós mesmos nos realizando com a missão que nos foi confiada.

Portanto, vamos dar largas à criança que vive dentro de nós. Vamos encerrar o ano com alegria! E dentro da amizade descontraída da nossa gente, brincar de amigo secreto e pagar a prenda ou a penitência se for necessário.

Como porta voz de vocês, quero agradecer de coração a cada um por dias tão maravilhosos que me proporcionaram neste posto. Obrigada!!

Genaura Tormin (3 meses depois fiquei inesperadamente paraplégica e sem motivo plausível)

domingo, 25 de outubro de 2009

DISCURSO DE INAUGURAÇÃO DA 1ª DELEGACIA DA MULHER EM GOIÂNIA-GO


DISCURSO DE INAUGURAÇÃO DA 1ª DELEGACIA DA MULHER EM GOIÂNIA-GO
(Genaura Tormin)



Relembrar é viver!
Uma volta ao passado significa um filme a se rebobinar nos meandros de nós mesmos. Em folhas amareladas, encontrei esse discurso.
Tempos idos, lembranças guardadas nas celas da memória.

Dra. Ludovina e eu fomos designadas para a recém-criada DELEGACIA DA MULHER.

Coube-me fazer o discurso de inauguração.
Relendo-o, acho que continuo a mesma, com as mesmas convicções e valores.

Esse escrito antigo nada tem a acrescentar a vocês, mas, numa divisão de afeto, senti vontade de publicá-lo nesse recanto de paz, onde me sinto muito à vontade, muito feliz.

Não tenho palavras capazes de traduzir o grande carinho que sinto por vocês, queridos leitores, queridos colegas!


DISCURSO DE INAUGURAÇÃO DA 1ª DELEGACIA DA MULHER EM GOIÂNIA-GO-1985!!



Hoje é um dia diferente para nós! Um dia festivo em que se inaugura em nossa Capital a 2ª Delegacia da Mulher criada no Brasil!
Uma vitória para a mulher goiana!

É bem sabido que desde a década dos anos 60, a mulher passa por uma fase de transição, empenhada na conquista de seus espaços, abandonando o modelo de doméstica, objeto sexual, fardo nos ombros do marido, declinado pela sociologia antiga, para reconhecer o seu próprio valor, ingressando, paralelamente ao homem na vida empresarial e pública, revelando-se de grande valia, sem prejuízo de suas atividades no lar.

Entretanto, há muito tempo essa tutela já se encontrava estampada em dispositivo da Constituição Federal do Brasil, nossa Carta Magna: "o homem e a mulher perante a lei são iguais".

Muitas discriminações existem contra a mulher, talvez pela sua disposição física, principalmente perante o marido que, por vezes, a faz de saco de pancadas, violando o seu direito de ser humano, reduzindo-a à condição análoga à de escravo, sem se falar nos crimes de lesões corporais, homicídios, estupros, posse sexual mediante fraude, induzimento ao suicídio, ao aborto, e outros mais elencados na parte especial da legislação vigente.

Constrangida, a mulher vítima de tais violências pouco tem procurado as Delegacias de Polícia, por saber que ali vai encontrar, como delegado, um outro homem e todo um corpo policial masculino a quem, por vergonha, princípios ou ameaças do próprio marido, não relatará com a exatidão necessária a intensidade da violência sofrida, continuando assim sua vida de calvário, muitas vezes até a morte, como foi o caso Maria Augusta, sabido de todos nós, e muitos outros por esse Brasil a fora.

Esta Delegacia, que ora se inaugura, destinada exclusivamente a apurar os crimes cometidos contra a MULHER, será o marco indelével de uma gestão responsável, atenta às necessidades de seu povo.

Com um corpo policial exclusivamente feminino, reciclado e treinado pela Academia de Polícia de Goiás, contando com delegadas qualificadas do quadro da Secretaria de Segurança Pública do Estado e comprometidas com a causa, temos certeza, Sr. Governador, que esta Delegacia se destacará no desempenho de suas atribuições em prol da ordem, da segurança e da paz social a um amplo segmento da sociedade que perfaz 52% do eleitorado brasileiro.

Pretendemos não só proceder à instauração de Inquéritos policiais, mas fazer concomitantemente um trabalho de orientação, apoio psicológico, conscientização e soerguimento do casal em litígio, defendendo também os valores axiológicos da família, mola mestra de uma sociedade sadia, respeitando, é claro, os ditames e rigores da lei. Por isso consta do efetivo desta Casa Policial, assistente social, psicóloga e médica legista.

Queremos parabenizar a louvável idéia da vereadora Maria Dagmar em propor a criação de uma Delegacia da Mulher em nossa Capital! Um sonho que passa hoje a uma realidade, encontrando para tal o respaldo irrestrito e solidário do Secretário da Secretaria da Segurança Pública, Deputado Frederico Jaime e do Governador do Estado Iris Rezende Machado, a quem igualmente parabenizamos agradecidas.

Obrigada

Genaura Tormin
(Delegada de Polícia da Delegacia da Mulher de Goiânia-GO)

Obs.: Fiquei paraplégica em março de 1982, portanto em 1985 eu já exercia o meu cargo do alto de uma cadeira de rodas, vindo depois a Constituição de 1988 que reguardou direitos à pessoa com deficiência física no mercado de trabalho.

Por isso eu Rendo gratidão aos espíritos evoluídos dos meus superiores da Secretaria da Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás que me conservaram no cargo, valorizando a minha competência, embora a natureza do trabalho exercido ali fosse, em princípio, um paradoxo à minha condição física.

Entenderam que o maior potencial está na disposição para vencer, além do preparo técnico-científico inerente ao exercício do cargo.

Naquela época, trabalhar numa cadeira de rodas era um fato estranho, quase inusitado, embora a deficiência constitua uma parte natural da experiência humana.

E o exemplo ficou para todos os órgãos públicos e privados.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)