PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020



A Melhor Parte de Mim



A Melhor Parte de Mim

(Genaura Tormin)


A melhor parte de mim, é o meu pensamento, meu sentimento o meu alento, não é o meu andar nem o meu bailar.

É o meu sentir, o meu agir me fez assim, simples e completa. 

Apaixonada pela vida, perdi o medo de viver, superei obstáculos, venci!!

Tracei caminhos, deixei rastros e hoje sinto que vou sentir falta da melhor parte mim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CARTEIRO SOLIDÁRIO



CARTEIRO SOLIDÁRIO
(Genaura Tormin)


Diversifiquei os poemas!


Hoje os faço também de pano. 


Estou adorando essa nova cria. Ficam tão lindos!


Devaneio-me em situações mil, gosto do que faço e crio historietas, 
sempre de caráter construtivo.

E assim, vou formando uma família, uma leva de pessoinhas boas, risonhas e afetivas. Meus netos adoram!

A cada observação, eu vou, conotativamente, criando uma situação e deixando jorrar um cadinho de afeto, de relações logoterápicas.
Um pouquinho de amor.

_ Mamãe, esse rapazinho está parecendo um carteiro.
Pronto, penso eu!
E aí faço-lhe uma sacola e eis o ZÉ CARTEIRO.

_ Por que você quer ser carteiro Zé? E ele me responde com galhardia.
_ Gosto da vida, gosto de trabalhar!
É a dignidade do homem!

Gosto das pessoas e penso que entregando-lhes cartas estou exercitando a afetividade!

Dessa forma estarei sendo o veículo capaz de fazê-las felizes.
Quantos gritos de alegria ouço ao entregar-lhe as cartas!
Isso me alegra.

Quantas notícias boas eu devo entregar-lhes todos os dias!!
Fico satisfeito e o sorriso maior termina sendo o meu.
Volto para casa feliz!

No caminho, pela cidade, às vezes alguém me chama:
_ Ô carteiro, ajude-me a atravessar a rua!
_ Com prazer, respondo eu. É uma oportunidade de servir!
E, eu gosto de ser chamado de ZÉ CARTEIRO.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

MAIS UMA MENININHA DE CADEIRA DE RODAS



MAIS UMA MENININHA DE CADEIRA DE RODAS!
É A MARI
(Genaura Tormin)


Gostaria que essa situação não existisse.
Mas é real, existe!

São as adversidades, as diferenças!

Felizmente, com o avanço da tecnologia, os acessórios que nos alargam a acessibilidade, facilitando-nos a inclusão têm melhorado muito.
A sensibilidade é maior e temos sido vistos com respeito e carinho pelos mais variados seguimentos sociais.


A inclusão é uma verdade que se aperfeiçoa sempre.
Essa é mais uma cria, cujo prazer estampa-me as faces em contagiantes sorrisos. São poemas de pano especiais, eivados de poesia e sentimentos de gratidão à vida que me permite fazê-los tão bem.


Tudo em que botamos o coração, o amor e o contentamento fica bonito e no final vale a pena, como disse Fernando Pessoa.

Eu também uso uma cadeira de rodas e ostento com prazer essa bandeira, pois não há diferenças que separem almas nem que diminua a capacidade de amar.


Essa garota chama-se Mari!
É tão linda, sorriso farto, estudiosa, gosta de poesia e já as escreve!
Tem um coração de ouro, essa menininha!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

ISA




"ISA”

(Genaura Tormin)



Mais uma cria concluída!

Essa é a Isa!

Amo fazer essas mocinhas!

Dão-me tanto prazer! 


Levam-me a tantos lugares, a muitos momentos lindos de minha vida!

Volto à infância risonha e doce!

Volto à liberdade do campo, do milharal que ouriçavam as maritacas numa sinfonia de paz! 


Volto ao gorgolejar do riacho, enfeitado por aromas mil que até hoje fazem-se presente em minhas lembranças. 

Foram as minhas origens no seio da natureza verde e florida! Sacrário de minha infância!


Depois o Colégio de Freiras aonde passei 9 anos desse meu tempo descobridor, tão encantado com tudo.

Como aprendi a viver!


Quantos ensinamentos, quantas brincadeiras, colegas... as freiras.

Eram muitas as nossas mães! 

Freiras abnegadas que nos emprestaram amor de mãe, sem nunca haverem experimentado a maternidade real.


E hoje, eis-me aqui a passear pelo meu passado e fazer bonecas.

A vida têm-me sido pródiga. Meu fardo tem sido leve e o meu jugo não oprime. Carrego-o com galhardia, deixando jorrar pelos caminhos o meu canto.

Não me canso de ser feliz! 


O resto são ensinamentos de que tanto preciso para moldar meu coração galopante pelas estradas dessa vida.

Assim, agradeço por ter nascido fêmea, poeta e entusiasmada pelos amores, pela vida, pela arte de fazer versos, incluindo agora os poemas de pano que me transformam em sorrisos.


Agradeço à prole que, por mim viera ao mundo, devolvendo-me agora netos lindos e carinhosos para quem eu aprendi a “bonecar”.

Hasta luego!


sexta-feira, 13 de julho de 2018

UM FEEDBACK




UM FEEDBACK
(Genaura Tormin)

Depois da reunião, 
Beto e Suzi conversam sobre o que ali foi tratado, 
assegurando o êxito dos projetos e conquistas. 

Realmente, não estamos à deriva, conclui Beto. 
O trabalho é dignidade do homem.
 
Suzi respalda: 
“Não se deve dar ao homem o que ele pode ganhar 
com o fruto do seu trabalho, 
sob pena de roubar-lhe a dignidade”! 

Estamos no front, finaliza Beto!

DISCUTINDO METAS



DISCUTINDO METAS
(Genaura Tormin)

Reunidos para um lazer?
Que nada! Conversa séria! Projetos! 
Que povinho animado!
Conversa é o que não falta. 
Pensam em tudo e pleiteiam melhoras para a categoria. 
Os ensinamentos são muitos. 

Costumam dizer: para nós, nada sem nós. 
Isto é, quem sabe é quem experimenta. 
Certíssimo! 

Estudam, trabalham e participam do exercício da vida, 
pois ter uma deficiência física não significa estar obstaculizado de perseguir sonhos, 
conquistar divisas e ocupar um lugar ao sol no contexto social, 
dentro da qualificação e competência que lhe sejam peculiares.
Exercer a cidadania é um direito de todos.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

UM PAPO DESCONTRAÍDO



UM PAPO DESCONTRAÍDO
(Genaura Tormin)

Duas amigas: a Cida e a Nanda, 
sentadas para 
um “papo” descontraído. 
Do que falam, eu não sei.

São minhas crias. 
Há muito amor envolvido, muito prazer, 
chegando a ser terapia... como gosto de dizer. 

São os meus poemas de panos, versos que só agora 
aprendi a fazê-los para suprir lacunas, 
espantar a solidão, 
a saudade do marido que partiu para a 
outra dimensão da vida 
 e fabricar felicidade.

CIDA E LU



CIDA E LU
(Genaura Tormin)


Aqui, a Lu auxiliando a Cida, pois, nem sempre 
o mobiliário das cidades oferecem-nos 
acesso para o ir e vir. 
São as barreiras de concreto que nos tornam diferentes.
Costumo dizer que a pessoa com deficiência
é uma campeã de si mesma!
Devidamente inserida num ambiente
plenamente adaptado produz e se evidencia,
pois o desafio é sua arma, seu cajado. 

Ambas foram feitas por mim. 
São versos de poemas diferentes,
eivados de poesia e satisfação.


O auxílio espontâneo e amistoso 
faz parte da felicidade, do amor crístico, 
da solidariedade com o irmão em dificuldade. 
É também amizade, 
respeito e carinho.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Bonequinha "ISA" - mais um poema de pano


BONEQUINHA “ISA” - MAIS UM POEMA DE PANO
(Genaura Tormin)

Mais uma cria concluída!
Essa é a Isa!
Amo fazer essas mocinhas!
Dão-me tanto prazer! 
Levam-me a tantos lugares, a muitos momentos lindos de minha vida!
Volto à infância risonha e doce!
Volto à liberdade do campo, do milharal que ouriçavam as maritacas numa sinfonia de paz! 

Volto ao gorgolejar do riacho, enfeitado por aromas mil que até hoje fazem-se presentes em minhas lembranças. 
Foram as minhas origens no seio da natureza verde e florida! Sacrário de minha infância!
Depois o Colégio de Freiras aonde passei 9 anos desse meu tempo descobridor, tão encantado com tudo.

Como aprendi a viver! 
Quantos ensinamentos, quantas brincadeiras, colegas... as freiras.
Eram muitas as nossas mães! 
Freiras abnegadas que nos emprestaram amor de mãe, sem nunca haverem experimentado a maternidade real.
E hoje, eis-me aqui a passear pelo meu passado e fazer bonecas.
A vida têm-me sido pródiga. Meu fardo tem sido leve e o meu jugo não oprime. Carrego-o com galhardia, deixando jorrar pelos caminhos o meu canto.
Não me canso de ser feliz! 

O resto são ensinamentos de que tanto preciso para moldar meu coração galopante pelas estradas dessa vida.
Assim, agradeço por ter nascido fêmea, poeta e entusiasmada pelos amores, pela vida, pela arte de fazer versos, incluindo agora os poemas de pano que me afloram os sorrisos.

Agradeço à prole que,  por mim viera ao mundo, devolvendo-me agora netos lindos e carinhosos para quem eu aprendi a “bonecar”.

Hasta luego!



sábado, 7 de julho de 2018

MAIS UMA MENININHA DE CADEIRA DE RODAS



(Fui eu quem a fez. Chamo a isso de poemas de pano. Estou diversificando o poemar.)

MAIS UMA MENININHA DE CADEIRA DE RODAS!
(Genaura Tormin)


Gostaria que essa situação não existisse.
Mas é real, existe!
São as adversidades, as diferenças!
Felizmente, com o avanço da tecnologia, os acessórios que nos alargam a acessibilidade, facilitando-nos a inclusão têm melhorado muito.
A sensibilidade é maior e temos sido vistos com respeito e carinho pelos mais variados seguimentos sociais.

A inclusão é uma verdade que se aperfeiçoa sempre.
Essa é mais uma cria, cujo prazer estampa-me as faces em contagiantes sorrisos. São poemas de pano especiais, eivados de poesia e sentimentos de gratidão à vida que me permite fazê-los tão bem.

Tudo em que botamos o coração, o amor e o contentamento fica bonito e no final vale a pena, como disse Fernando Pessoa.
Eu também uso uma cadeira de rodas e ostento com prazer essa bandeira, pois não há diferenças que separem almas nem que diminua a capacidade de amar.

Essa garota chama-se Mari!
É tão linda, sorriso farto, estudiosa, gosta de poesia e já as escreve!
Tem um coração de ouro, essa menininha!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

UMA CASA PLENAMENTE INCLUSIVA




UMA CASA PLENAMENTE INCLUSIVA


Reportagem exibida hoje (22.08.2017) no Jornal "O Popular" de minha cidade - Goiânia - sobre arquitetura e decoração inclusivas. 
Uma reflexão sobre um segmento da sociedade que também produz, cria e se evidencia em competência, predileções e sonhos. Por que não? 
De maneira sutil, os profissionais dessa área têm mostrado talento e sensibilidade ao criar ambientes bonitos, confortáveis e harmônicos para pessoas com deficiência que deambulam, principalmente de cadeira de rodas, como é, em especial, o meu caso. 
Uma nova concepção de beleza, sem os rastros de algemas que deprimem, limitam com ares de tristeza. 
Novo mercado se engaja nesse ministério, em nome da beleza e do viver saudável e feliz.
Deficiência não é uma opção pessoal. 
É uma experiência natural da vida humana!


sábado, 10 de dezembro de 2016

RELEMBRANDO



RELEMBRANDO...
(Genaura Tormin)

Na Delegacia de Crimes de Acidentes de Trânsito, as ocorrências se intensificavam.
Ainda estava de lua-de-mel com a 2ª edição do meu livrinho, e era comum o recebimento de cartas, visitas, telefonemas... Um telefonema marcou-me muito naquela época. Era o de uma senhora, também paraplégica.

— Ganhei de presente o livro Pássaro Sem Asas de sua autoria e já o li três vezes. Fiquei pasmada como você consegue relacionar-se sexualmente com o marido. Desde a fatalidade que me ocorrera não mais fizemos amor. Choro todos os dias. Tenho bolsões sob os olhos. Penso muito em suicidar-me. A vida não tem sentido. Tomo tranquilizante e tenho uma moça para cuidar de mim. Meu marido saiu de casa sob a alegação de trabalho. Só retorna nos fins de semana. Ele se irrita ao me ver chorar. Acho que vai me abandonar — dissera-me ela, sentida.

— Você deve ler o meu livro mais vezes e tentar imitar-me. A vida não é fácil! Você tem de achar uma maneira de comandar-se, tomar as rédeas de sua casa. Na minha, continuo sendo a dona. Não tenho moça para cuidar de mim. Sou eu quem cuida de todos. 

Tudo como antes, embora as pernas não marquem passadas no chão. Por que tranquilizantes, choro, pessimismo? Ninguém vai resolver o seu problema a não ser você mesma! Ninguém gosta de ficar perto de pessoas assim. “Quem se alegra, segue em grupo, quem chora, segue sozinho”. Aja enquanto é tempo! Arrume-se! Tome gosto pela vida. Assuma a sua casa! A mente não sofreu defasagem. Ponha um sorriso no rosto! 

Reconquiste seu marido! Caso contrário, breve vai perdê-lo!
Lógico que ela não esperava essa resposta. Foi como se eu botasse água na fervura. Mas precisava ser assim. Teria que haver um choque para uma tomada de consciência. Senti que ela ficou desapontada e, simplesmente, despediu-se.

Dias depois, um mês talvez, telefonou-me dizendo haver seguido as minhas orientações.
— Estou outra! Joguei a tristeza fora, dei uma ajeitada no visual, reconquistei o marido e já fizemos amor! Valeu a “dura” que você me deu! Fiz do seu livro uma cartilha!

Fiquei feliz com as palavras da colega. Juro que da nossa primeira conversa restou-me um sentimento de culpa por haver sido tão dura. Sei que ela queria um ombro para chorar, mas a situação estava tão acentuada que o tratamento de choque seria a única solução. 

Energia, também, significa amor.
Tempos depois, noutra ligação, ela estava tão bem que queria arranjar um emprego. Queria sair de casa, atuar, trabalhar, participar... Orientei-a como pude. Afinal, tratava-se de uma pessoa erudita, o que facilitava a realização do seu desejo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

FÉRIAS NUM RESORT




FALTA ACESSIBIIDADE
(Genaura Tormin)

Vencer barreiras arquitetônicas é um dos grandes desafios enfrentados no dia a dia da pessoa com deficiência física, principalmente a que deambula de cadeira de rodas.
Muitos obstáculos a vencer! Entretanto é necessário conquistar a liberdade de ir e vir, mesmo a duras penas, ingrediente principal que nos garante a inclusão na sociedade.
“Levanta e vem para o meio” é um o tema de uma Campanha da Fraternidade.

Embora o desafio seja a nossa meta para criar consciência popular sobre essas pessoas diferentes, há muito ainda a desejar. A acessibilidade, condição indispensável para que possamos viver com dignidade, é a principal, pois precisamos nos mostrar, exercitar o nosso caminhar. Enfim, viver, como cidadãos que somos.

Para ilustrar, vou contar uma pequena história:
Uma viagem à praia. Um resort à beira-mar adaptado às condições de uma pessoa com deficiência locomotora que não prescinda de uma cadeira de rodas. Tudo acertado com o agente de viagem. Ponte aérea, sol bem arregalado, num cantinho do céu, chamado felicidade.

No aeroporto o veículo estava à nossa espera. Um micro-ônibus, com porta estreita e a informação de que estava emperrada, tornando-se mais estreita, ainda. Não conseguia completar seu curso de abertura. Impossível uma contensão de forças másculas para rebocar-me ao seu interior. Não passaria pela porta envolta em braços.

O agente de viagem embarcou-nos num táxi, à nossa expensas financeira, com a promessa de ressarcimento, o que não aconteceu.

Mas, vamos lá, um problema vencido, característica indômita do brasileiro e do determinismo em reverter situações adversas.
Após o percurso de uma hora mais ou menos, eis-nos à frente de um majestoso resort, com lindas trepadeiras floridas que lhe enfeitavam a entrada.

Logo, o nosso quarto, bonito e aparentemente adaptado às minhas condições de cadeira de rodas. Via-se que passara por uma recente reforma. Amplo e aconchegante, com lindas cortinas e uma sacada, de onde se desnudava o mar bravio que se escondia manhoso depois dos coqueirais balouçantes, com cheiro de brisa e maresia. Um convite a uma estada feliz e renovadora.

O banheiro, cheio de pretensas adaptações distribuídas pelas paredes.
Na verdade, aos olhos do leigo, era possível distinguir-se pelo esmero, e quem sabe, pelo respeito aos seus reais usuários.

Que tristeza! Nada tinha a ver com as necessidades de uma pessoa com deficiência física. Poderia servir aos que andam de muletas, nunca aos que andam de cadeira de rodas.

Num quadrado, de um metro mais ou menos, com paralelas laterais de apoio, sem espaço ao lado para o posicionamento da cadeira de rodas, encontrava-se centrado o vaso sanitário. Era como se o seu usuário, num passo de mágica, ficasse de pé e desse meia volta para se sentar nele. Além disso, havia uma grande distância entre a parte posterior do vaso e a parede. Onde apoiaria as costas? Como fazer os manuseios sem equilíbrio? Qualquer descuido poderia cair para trás.

Impossível, mesmo, usar o sanitário do lindo resort. Precisava apoiar as costas para fazer os manuseios de assepsia e introdução da sonda vesical. Nem mesmo para tentar, teria condições.

O chuveiro, num requintado box, continha uma cadeira minúscula, sem braços, com o assento em tiras, dependurada numa alça de apoio, postada em desconexo com a altura e com os registros misturadores de água quente e fria.

Impossível acioná-los, pois ficavam às costas, numa posição bem acima do desejável. Como lavar os órgãos genitais nessa gangorra, que mais parecia uma balança, pois os pés não alcançavam o chão. Soltar as mãos da alça de apoio postada na parede, nem pensar. Um tombo seria inevitável. Lavar os cabelos? Também não.

Do pomposo banheiro, quase um salão de banho, restava ainda o lavatório, com secador de cabelos, torneira fotocélula (aquela que se abre com a simples aproximação das mãos) e um grande espelho à frente.

Não precisava observar muito para ver que também não podia acessá-lo. Encontrava-se sob o lavatório, um obstáculo - um cano - usado como cabide para as toalhas, impedindo, por sua posição e altura, o encaixe da cadeira de rodas para conseguir usá-lo. Nem lavar as mãos, eu conseguiria. O jeito mesmo era passar uma toalha molhada.
Improvisar para não chorar. Não havia outra saída. O que fazer? Estávamos ali para descansar, para ser felizes. Eu não podia ser o empecilho. Assim, sorriso pra lá, sorriso pra cá e a vida a passar.

“Faz de conta” é a ordem. Afinal o mundo não é adaptado para nós, embora existam leis que determinem esse procedimento.
Em tempo oportuno, tentei conscientizar o responsável administrativo do resort e, lamentavelmente, fui informada de que para toda aquela pretensa adaptação, fora contratada uma assessoria.

Ponho-me a pensar:
Como são desinformados, para não dizer irresponsáveis. Nem uma assessoria, paga para um trabalho especializado, empenhara-se em se informar, em pesquisar para entender as necessidades primárias de um ser humano diferente. Não houvera preocupação em fazer jus, honestamente, ao dinheiro que lhe fora pago.

Os reais usuários, jamais são consultados. É como se fôssemos objetos inanimados, indesejáveis. Por isso costumo dizer que “nada para nós, sem nós”. A gente sabe onde o sapato aperta e o que nos facilita o ir e vir tão diferente.

Essas obras parecem eleitoreiras, ou simplesmente, edificações para burlar as obrigações determinadas pela lei.
Somos um país em desenvolvimento, tão diferente dos países de primeiro mundo! Respeito é uma palavra meio desconhecida por aqui.

sábado, 30 de agosto de 2014

CÉLULAS TRONCO




CÉLULAS-TRONCO
(Genaura Tormin)


Cumpro e assumo o direito de ser MULHER em toda a plenitude.



Quem sabe poderia estar andando de muletas, ou até sem elas, se não fosse o desinteresse e a insensibilidade dos profissionais que me assistiram naquela época.

Não atribuo a fatalidade a ninguém. Nada agora me devolverá as pernas. A ordem é aceitar-me como estou para viver melhor. Luta é a minha palavra de comando! E o campo de batalha é o meu “habitat”.

Sei que as pesquisas científicas avançam. Estamos diante de uma revolução médico-tecnológica, sem precedentes, desencadeadora de processos curativos extraordinários nas áreas neurológica e genética. É o marco deste milênio, que enfoca o uso da clonagem de embriões, principalmente nas pesquisas das chamadas células-tronco, tentando buscar a superação dos problemas do ser humano.

A experiência com célula-tronco no Brasil deixa o campo da teoria e passa a ser implementada na prática, após experimentos positivos em laboratório, tentando substituir a célula morta por outro tecido saudável.

“Células-tronco são células progenitoras(que geram outras), capazes de originar qualquer tipo de célula no organismo, dependendo do meio em que se encontram.

Até recentemente, encontrada apenas em embriões, trata-se, na verdade, da mais importante célula do corpo humano, já que possui a capacidade de se transformar em qualquer tecido ou órgãos perfeitos.
Simplificando, pegue uma célula-tronco e implante-a num coração e ela se transformará em célula de coração. Coloque-a num fígado e se transformará em célula de fígado; num cérebro, e ela se tornará numa célula cerebral.

Essas células-tronco, denominadas autólogas ou  adultas, são coletadas do sangue da pessoa, expandidas em cultura laboratorial e injetadas perto do local da lesão, com o objetivo de que se transformem na célula faltante”. Por isso não há implicações éticas envolvendo a experiência.  O estudo não sofre influência da Lei de Biossegurança.

Não há dúvidas de que as suas potencialidades são enormes, e pode-se esperar um novo tipo de Medicina que resultará em saúde e longevidade. Um verdadeiro tesouro!

O mundo inteiro está engajado nessas pesquisas. No Brasil, essas células-tronco têm apresentado sucesso nas áreas da cardiologia, neurologia, ortopedia, endocrinologia e outras mais.

Entretanto, as células-tronco mais importantes são as embrionárias que possuem o atributo da pluripotência, o que quer dizer que são capazes de originar qualquer tipo de célula do organismo, exceto a célula da placenta.

São as únicas que podem dar origem a qualquer um dos 216 tipos de tecidos que formam o corpo humano.

Somos uma nação organizada, tutelada! Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, diz a nossa Lei Maior.

Assim, a questão foi disciplinada na lei de Biossegurança, art. 5º

O art. 5º da Lei de Biossegurança, de 2005 (Lei 11.105, de 24.03.2005),

Artigo 5º - É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições:

I – sejam embriões inviáveis; ou

II – sejam embriões congelados há três (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem três (três) anos, contados a partir da data de congelamento.

§ 1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores.

§ 2º Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa.

§ 3º É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no artigo 15 da Lei no 9.434, de quatro de fevereiro de 1997.

Contra esse artigo, foi proposta a Ação Direta de Inconstitucionalidade, pelo então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que defendeu que o embrião pode ser considerado vida uma humana.

A polêmica quanto às células-tronco embrionárias é que a maioria das técnicas implementadas implica na destruição do embrião.

A questão dividiu opiniões entre os diferentes setores da sociedade. A igreja disse que a Constituição garante a inviolabilidade do direito à vida e a dignidade da pessoa, e parte do princípio de que esses direitos são extensivos ao embrião, porque a vida começaria na concepção, por meio de uma célula chamada zigoto, que no 2º dia se biparte, originando a princípio da VIDA.

A defesa se alicerçou no fato de que:
- 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida.

- Embriões de má qualidade, que não têm potencial de gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.

 - A certeza de que células-tronco embrionárias humanas podem produzir células e órgãos que são geneticamente idênticos ao do paciente, ampliaria a lista de pacientes elegíveis para tal terapia.

- É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo, daí a três anos?

- E conclui: Ao utilizar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos de um paciente não estaríamos criando uma vida?

E finalmente no dia 29 de maio de 2008, foi votado constitucional  o artigo 5º da Lei de Biossegurança, questionado pela ADIN 3510.

Na Índia esses estudos científicos estão adiantados, e há muita esperança na cura para doenças degenerativas como mal de Parkinson, diabetes e de portadores de deficiência física.

Há milênios, Sófocles em Antígona disse: na natureza há remédio para todos os males.
Os mestres tibetanos também costumavam dizer: Cura o teu corpo com o teu próprio corpo!

São 28 países que já realizam pesquisas com células-tronco, entre eles Inglaterra, Austrália, Canadá, China, Japão, Holanda, África do Sul, Alemanha e outros países da Europa.

O benefício alcançará o grande número de pessoas com deficiência física. Na América Latina totaliza 85 milhões, dos quais 24,5 milhões no Brasil, sendo que 82% vivem abaixo da linha da pobreza.

Imaginemos um mundo em que a paralisia não exista e que um simples enxerto de células possa devolver os movimentos a quem sofreu lesão medular em função de acidente automobilístico, ferimento por tiro ou queda!

Ou imaginemos, ainda, um mundo sem atrofiados musculares ou sem a incidência da doença de Alzheimer ou do Mal de Parkinson... Sem doentes do fígado ou do coração...

Esse é um mundo que promete passar do imaginário à realidade em poucos anos no Brasil - disse a Dr.ª Erika Barros



Entretanto o deficiente tem que manter a cabeça erguida, continuar fazendo fisioterapia para que as articulações mantenham-se flexíveis e a musculatura não se atrofie. A receita é cuidar-se, manter-se ativo, com uma grande dose de autoestima para ser sempre um candidato apto a receber o tratamento celular que, com certeza, brevemente baterá à porta.


Durante séculos, a existência da condição de “deficiência” era considerada um problema da pessoa, de sua família ou mesmo da esfera religiosa. Gradualmente, a sociedade passou a adotar uma outra postura, baseada em valores filantrópicos ou assistencialistas.

No entanto, cresce a consciência de que a inclusão destas pessoas é um direito, que vem sendo árdua e cotidianamente conquistado. Os avanços têm sido mais frequentes que os retrocessos.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)