PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CARTEIRO SOLIDÁRIO



CARTEIRO SOLIDÁRIO
(Genaura Tormin)


Diversifiquei os poemas!


Hoje os faço também de pano. 


Estou adorando essa nova cria. Ficam tão lindos!


Devaneio-me em situações mil, gosto do que faço e crio historietas, 
sempre de caráter construtivo.

E assim, vou formando uma família, uma leva de pessoinhas boas, risonhas e afetivas. Meus netos adoram!

A cada observação, eu vou, conotativamente, criando uma situação e deixando jorrar um cadinho de afeto, de relações logoterápicas.
Um pouquinho de amor.

_ Mamãe, esse rapazinho está parecendo um carteiro.
Pronto, penso eu!
E aí faço-lhe uma sacola e eis o ZÉ CARTEIRO.

_ Por que você quer ser carteiro Zé? E ele me responde com galhardia.
_ Gosto da vida, gosto de trabalhar!
É a dignidade do homem!

Gosto das pessoas e penso que entregando-lhes cartas estou exercitando a afetividade!

Dessa forma estarei sendo o veículo capaz de fazê-las felizes.
Quantos gritos de alegria ouço ao entregar-lhe as cartas!
Isso me alegra.

Quantas notícias boas eu devo entregar-lhes todos os dias!!
Fico satisfeito e o sorriso maior termina sendo o meu.
Volto para casa feliz!

No caminho, pela cidade, às vezes alguém me chama:
_ Ô carteiro, ajude-me a atravessar a rua!
_ Com prazer, respondo eu. É uma oportunidade de servir!
E, eu gosto de ser chamado de ZÉ CARTEIRO.

sábado, 6 de maio de 2017

RÉQUIEM A MEU MARIDO



RÉQUIEM A MEU MARIDO
(Genaura Tormin)

7 dias sem você!
A saudade já golpeia forte!
O seu lugar está vazio à mesa!

Logo pela manhã, aos primeiros raios do sol, você abriu suas asas e alçou seu voo à Casa do Pai! 

Ele precisou de você para novas empreitadas, novos projetos. 
Um bom servidor é sempre lembrado!
Alfredo de Paiva Tormin foi um presente de Deus para a nossa família, para a vida e, especialmente, para mim, que tive a honra de com ele dividir o leito por mais de 48 anos.

Um homem bom, um pregoeiro do bem! Simplicidade era a sua bandeira, respaldada pela sabedoria que lhe era peculiar. 
Um excelente pai, marido e amigo. Sempre foi prazeroso tê-lo por perto.

Também um grande administrador. Prova disso é a prole que assimilou as lições tão bem ensinadas, seguindo o caminho com dignidade e justeza, o que muito nos honra e nos dá o sentimento de dever cumprido.

Grande homem, o meu marido! 
Otimista, guerreiro, atleta...
Um digno Delegado de Polícia, um Dentista que muito amou o seu ofício. 

Enlaçados pelo juramento que fizemos no altar, seguimos juntos, de mãos dadas por todos esses anos.
A cada queda ou dificuldade do meu caminhar diferente havia sempre um cajado, um protetor para me amparar. 
Assim, seguimos nós na construção da família, entregando-a a Deus todos os dias. 

Sinto-me uma obra de arte de suas mãos benfeitoras, do seu incondicional amor.
Por isso ele foi um poeta do amor. 
E que poema lindo conseguiu escrever nesta sua existência!
Obrigada meu amor!

Siga o seu caminho que é de luz! 
Você não morreu, apenas partiu primeiro, tornou-se estrela, anjo guardião, 
agora invisível aos nossos olhos, 
mas sempre presente nos nossos corações.


Sua mulher Genaura Tormin

sábado, 8 de abril de 2017

PENSANDO ALTO


PENSANDO ALTO
(Genaura Tormin)

Sabiam que em Évora, Portugal, tem a CAPELA DOS OSSOS (de humanos), construída pelos monges franciscanos, no século XVIII? 
Na entrada encontra-se, em letras garrafais, a inscrição:  "NÓS, OSSOS QUE AQUI ESTAMOS, PELOS VOSSOS ESPERAMOS!" 

Uma reflexão! 
Somos efêmeros passageiros! 
Bagagem às costas, esperando o momento, que sequer tem aviso prévio.
Uma fatalidade, uma desculpa, e lá  estamos nós diante do inesperado embarque. Sozinhos, sem lenço nem documento. 

Corpo? Para quê? 
Ele foi uma vestimenta que vestiu o espírito para que pudesse cumprir o seu desiderato por aqui.

O meu corpo será cremado!
Registrado em escritura pública já está, para que não hajam dúvidas.
Longe, bem longe, nem as labaredas quero ver.

Não sou esse amontoado de tecidos, ossos, músculos...
Apenas os meus atos, bons ou maus, seguir-me-ão nessa trajetória, feito uma carteira de trabalho, uma prestação de contas após uma missão.
Simples assim!


Beijos da Genaura Tormin!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

VALEU A PENA



VALEU A PENA
(Genaura Tormin)

Viver é lutar,
Buscar
Recomeçar a cada queda!
Achar portas e janelas
Sonhar e realizar
Na construção de um novo ser,
Lapidado pela dignidade,
Pelo amor
Que exalta e enobrece.

A gente cresce,
Vence a arrogância,
Ambições, orgulho,
Egoismo...
Vence as trincheiras
Na ascensão de si mesmo.
Aí descobre que
Valeu a pena viver!


sábado, 29 de março de 2014

ALDEBARAN - O LIVRO DE PATRÍCIA NEME



ALDEBARAN - O LIVRO DE PATRÍCIA NEME
(Genaura Tormin) 


Patrícia querida,

Acabei de ler o livro – ALDEBARAN, de sua lavra. Gostei muito.
Embora eu não tenha a sua erudição, a evolução espiritual que lhe é nata, identifiquei-me muito com você nas lutas da infância, principalmente.
Ambas sofremos a separação de pais, fomos internas em colégio de freiras, tivemos os mesmos conflitos na adolescência, enfrentamos o front das dificuldades com unhas e dentes, sempre à procura de lenitivos para encontrar a nós mesmas, identificar a nossa essência.



Somos contemporâneas dos fatos sociais e políticos do País.
Estive com você em todos os momentos, fiz-me parceira a cada página e, por vezes, partilhamos o colo, o afeto, as tristezas e as conquistas.
Tomei-a por mestra, guru e amiga. Com você aprendi muitas coisas que me passaram despercebidas nesta existência. Neófita sou diante do espírito que me anima a vida.


Pena que o tempo, com sua celeridade, já nos diga que é hora de descansar, abrandar os ânimos, antes tão abrasados. O tempo arrojado das grandes empreitadas caminha para o fim, arquejando a vulnerabilidade do envólucro físico e das dores do existir.


Tudo tem o seu tempo: semear, colher e se regalar. Gosto de dizer: crescer, evoluir para depois partir.
Do seu relato sofrido, dolorido, edificante, informador e excessivamente belo, com metáforas certas e escorreita linguagem, fica bem calcado o ser-energia que somos, alicerçado na espiritualidade de ancestralidades, cujos compromissos estamos a resgatar. Abre-se uma outra dimensão, da qual temos pouco conhecimento, ainda. Somos seres espirituais em excursão por aqui. A Lei da Reencarnação é uma verdade!


No início, algumas dúvidas, dirimidas ao longo do texto, como a falta da sua mãe... A luta omissa e a pouca referência sobre ela, embora mais tarde você fale de sua partida e da saudade que ainda passeia pelos degraus do tempo de sua vida.

O leitor é um invasor e prima pela curiosidade. Após a edição de um livro, somos públicos e, agora, é ele quem nos ajuda a reescrevê-lo, a cada edição, com seus muitos questionamentos. Há curiosidade sobre a personagem, sempre denominada por “ela”, que depois, vim a deduzir ser um espírito cruel, mas necessário para fazê-la forte, resistente a qualquer embate, portanto passível do seu perdão e do agradecimento. Foi ele o seu personal trainer, ainda nos verdes anos. A ferramenta se molda ao fogo rubro. A bigorna é o buril. E o trabalho resta perfeito. Tudo tem a sua razão. Numa retrospectiva, vejo que tudo valeu a pena e era necessário.

Com você, adentrei às diversidades do espírito que nos anima e percebi que o cuidado é necessário, tanto aqui, quanto na erraticidade. Precisamos de suportes, embora tenhamos os guardiões que nos amparam desde a concepção.

ALDEBARAN é um livro maravilhoso, corajoso, em que a autora se desnuda nas suas incansáveis buscas pelo Cosmos e pelos embates tão sofridos do viver num corpo físico. Os amores que vieram e se foram, plantando-lhe sementes de vidas para acalentar-lhe os dias, cumprindo o maravilhoso mistério da maternidade, significaram reencontros há muito agendados. Tudo é perfeito nessa vida! Não há fardo pesado para ombros fracos. Tudo significa lições, crescimentos.

Um relato romanceado, com abordagens eruditas, sinceras, descritas por uma mulher consciente, com formação superior na área de engenharia, com vivência na Alemanha e outros países desse mundo de Meu Deus. Uma poliglota/poeta, cujos poemas transcendem os liames de uma aguçada sensibilidade holística.

O coração esgueira-se sempre altaneiro, mensurando-lhe a imensidade do ser-andejo, sedento por dias melhores, ciente de muitos porquês de outras existências por aqui, em tempos pretéritos e que agora se afloram pela exacerbada lembrança que a fazem diferente, acrescida... Um dom, uma missão?


O amor incondicional pela criação de tudo que há no Universo, fez-me cativa. É o amor transcendental que o Cristo nos ensinou e se atrela do reino mineral ao animal, incluindo o homem criado à sua imagem e semelhança.
Realmente, um excelente relato, eivado de grandeza, sabedoria, verdades inconfessáveis e uma enorme busca pelo Eterno, cujas respostas encaixam-se nas máximas tão presentes de que somos caminheiros de outros caminhos, de outras galáxias, em passeios por aqui.



Na verdade Adonai é o seu Senhor, o seu Mestre. E eu sei que a orientou para esse trabalho, sob a forte luz de Aldebaran que se ostenta na Constelação de Taurus, ao lado do Cruzeiro do Sul, visível nas noites estreladas.
Muito bom, o livro! Curvo-me com respeito e agradeço enternecida pelo presente.


Oxalá, muitos o leiam e, como eu, sintam-se com o caminhos alargados e o espírito fortalecido.

Parabéns!

Genaura Tormin

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

NATUREZA FLORIDA




NATUREZA FLORIDA
(Genaura Tormin)

Eu canto a liberdade,
Aqui dentro de mim.
Versejo a emoção,
Que me faz alegre assim.

Solfejo uma canção,
E vou seguindo por aí.
Admiro o céu, as flores ,
A vida em movimento,
Nessa terra abençoada
Que eu chamo de jardim.

Sinto-me agraciada
Nesse Paraíso de Deus,
Cavalgando as minhas asas,
Que correm mais do que eu.

Alcanço o céu azulado,
Corro por prados e matas.
Cavalgo no dorso dos pássaros,
Refresco-me nas cascatas.
Tomo água das nascentes,
Admirando o Criador,
Que fez tudo isso pra gente.

Sinto o cheiro das manhãs,
O refrulhar dos riachos,
O canto do rouxinol.
O cheiro de terra molhada,
Adubando a vida.
É uma sinfonia de paz,
Nesta terra tão querida.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

NOVO APRENDIZADO


NOVO APRENDIZADO - 02-2014
(Genaura Tormin)

Ressoa ainda,
Nos meandros de mim,
O brado estridente
De gargalhadas.

Cala-me a voz,
Toma-me o medo.
Ouço a tua alma,
Nesse cadinho complicado,
De um querer perdido.

A voz sibila aos ouvidos,
E no embalo do sonho
Um vulto de homem
Ressurge do passado.
Mistérios velados,
Elos quebrados,
Nesse vagar do tempo.

São lembranças gastas,
De almas reencarnadas,
De um passado sombrio,
Na ânsia desvairada
De novo aprendizado.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

FUI FELIZ



FUI FELIZ
(Genaura Tormin)

Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias.
Histórias de uma vida!
Registros já amarelados,
De lembranças vividas.

Amores, sucessos,
Dificuldades e procelas,
Marcos construtores,
Que me abriram tantas cancelas.

De muitos papéis fui atriz.
E se tivesse que partir agora,
Não lamentaria nada que fiz.
Porque, simplesmente,
FUI FELIZ!

domingo, 1 de dezembro de 2013

UMA PREPARAÇÃO






UMA PREPARAÇÃO?

(Genaura Tormin)

Egressa de colégio de freiras, sempre gostei de comemorações, teatros, festas, desfiles, poesias, presentes artesanais, culinária... Por isso jamais esquecia de organizar a festa de confraternização no fim de ano entre os colegas de trabalho.

Justamente três meses antes da tão súbita paraplegia, fizemos a festa com bolo, revelação de amigo secreto e muita alegria. A turma era excelente, coesa e solidária.

Lembro-me de que nessa ocasião, período de formaturas, passamos defronte de um foto-stúdio que anunciava promoção. Sugeri, irrefletidamente, que estava digna de uma fotografia porque estava produzida. Alfredo anuiu e a fotografia, um pôster, ficou bonita. Entusiasmada, afixei-a na parede da sala, gabando-me de que seria para a posteridade. Uma preparação?

Não sei se somos remotamente preparados para o exercício de nosso carma. Não sei se somos frutos do destino fadados à fatalidade. O certo é que me assusto ao fazer algumas retrospectivas. Parece mesmo que me preparava para uma marcante mudança de vida. Minhas poesias... Ah! as últimas poesias!

Desde mocinha, nos tempos de internato, convivia bem com as palavras. Rabiscava sempre alguma coisa que chamava de poesia. Isso foi se alojando em mim, criando formas e arrebatando os sentimentos de amor do meu serzinho franzino, transportando-os para pedaços de papel. Reputando-me passional, fui decantando a vida além dos muros do colégio de freiras. A chegada e a partida do primeiro amor confirmaram meu dom de poetisa. Cantei todos os enleios, todas as paixões, todos os adeuses. Extrapolei os mais verdes anos e os versos ficaram em mim. Não importa se canto o amor, a dor, a tristeza, a vida, a morte... O que importa é simplesmente cantar, exaltar, extravasar, jogar a lira, transar bem com lápis e papel. O que importa é curtir as palavras lindas, fortes ou tristes. É amar a vida, partilhando-a de alguma forma. 

Escrever é um ato de amor. É driblar barreiras, alar o mundo feito borboleta. É desnudar-se! Mostrar a cicatriz ou a ferida exangue. Sem dúvidas, escrever é ter a coragem por escudo! É perscrutar sonhos, viver fantasias, ou enfrentar realidade. 

Para mim, fazer poesias, falar de amor é a expansão de minha sensibilidade. É o meu interior, o meu coração, o meu Deus interno, estampados em folhas brancas de papel, muitas vezes no quadrilátero do meu quarto. É no meu aconchego que me encontro e faço versos.

Minhas poesias falavam de tristezas. Era como se estivesse a me despedir de mim mesma. “Ficando em tudo uma lágrima e a dor do irreversível”.

Na época, não havia motivos para falar de perdas, mas exaltar conquistas. Tudo estava excessivamente bem. Em ordem. Atravessava a melhor fase da vida em todos os sentidos.

Depois da poesia pronta, ela me assustava. Levava-me a refletir:

— Por que faço isso? Não transo tristeza! É um desrespeito ao meu ser otimista, desbravador, ousado! Melhor do que estou, só festa!

Poesia não se faz: brota feito as lágrimas, o amor, a água que mina da pedra ou o lírio que nasce no pântano. Ela é dom. É inexplicável.

Dizem que o poeta é louco, mas o seu escrito é santo. Ele cria fantasias, ouriça sentimentos, caminha com os astros e faz morada nas estrelas. Eu gosto de ser assim. E no esconderijo de minha fantasia versejo todas as linguagens, vou a todas as paragens e guardo a emoção de todas as imagens, pois o coração não tem porteiras nem cárceres.

sábado, 17 de agosto de 2013

ESCADA QUE SOBE, DESCE!



ESCADA QUE SOBE, DESCE! 

(Genaura Tormin)

A vida é efêmera!
Passa tão depressa!

Tudo se esvai feito as águas do rio que tenta se agarrar às margens, levando consigo o que nelas encontram. Tudo tem a sua fase no seu tempo certo. O tempo de plantar e o tempo de colher. O nascimento, as travessuras de criança, a juventude risonha e doce, a fase adulta e a velhice. 

As experiências adquiridas servirão de alicerces evolutivos para a ascensão a novas experiências. Não se está na vida por acaso. Ninguém veste esta farda de carne sem um propósito, sem uma missão, sem um compromisso. 

O bem deve ser o gestor dos atos, pois o tempo é curto. Essa estada na vida significa apenas uma pequena fase, um estágio, um curso de especialização na matéria em débito, e o passaporte, com certeza, chama-se AMOR. 

Nesse caminho, há também o estrelato que satisfaz o ego, eleva a auto-estima, acalenta o orgulho, a vaidade, a prepotência, mas é passageiro, o que vale dizer que os mesmos degraus que elevam aos píncaros, conduzem aos calabouços. Ora pode-se dar as cartas, dar as ordens, ora recebê-las e cumpri-las humildemente.

A vaidade perniciosa tem preço muito elevado, onerando a matéria e o espírito. Cargos, status, saúde, sofrem a ação do tempo e os rigores da vida. Bens materiais são perecíveis, transitórios. Posições sociais se revezam na gangorra da existência. 

O descer, por vezes, parece injusto, mas é sempre regido pelas sábias leis na natureza em favor do crescimento humano. 

É preciso essa inversão para que se exerça a humildade, ferramenta indispensável para o recomeço, para o autoconhecimento, para a valorização da oportunidade de trilhar esse caminho, chamado vida. 

Entretanto ele é mestre implacável. Justo, por excelência. 

De repente tudo atirado ao nada sem um motivo plausível. Por quê? Porque chegou a hora de mais uma nova lição. Chegou a hora de rever se a trilha está correta e se o objetivo está sendo alcançado.

Antes que a prova bata à porta, é bom que se entenda que a retidão de caráter, a benevolência e o amor são atributos necessários aos caminheiros dessa estrada. Nela, os degraus esgueiram-se à frente. Ora subindo, ora descendo. Escadas avaliam os passantes. Muitos sobem, muitos descem. 

Os que se encontram no topo, por vezes, são arrogantes, prepotentes, impiedosos, cruéis, porque se julgam poderosos, esquecendo-se de que se há o caminho para a subida, com certeza, há também um outro que traz de volta. A escada que sobe, desce também. 

Outros, já na descida da escada, apoiando-se nos corre-mãos, ostentam sentimentos de revolta, de indignação, e até de conformação e piedade, lançando-se, muitas vezes, aos mais execráveis lamaçais e até ao suicídio. É uma questão de individualidade por causa das disposições mentais diferenciadas. 

O espírito bem direcionado, comedido e consciente do seu papel na jornada, significa uma bússola para o bem, ajudando a melhorar o meio em que vive.


Lembro-me de um pequeno poema, de autor desconhecido, que bem estampa esse entendimento: 

Dois pobres encarcerados,
das mesmas penas culpados
jaziam na mesma cela.

À claridade da lua,
chegam ambos à janela.
Um vê a luz das estrelas.
O outro a lama das ruas.


Nessa descida, muitos pedem ajuda, esquecendo-se de que para receber, geralmente, é preciso que se tenha dado. 

Quando se tenta aliviar a dor alheia, a nossa é aliviada por acréscimo. O que fizermos aos outros receberemos em dobro, quer seja bem, quer seja mal. 

Quantos experimentam a miséria e o ostracismo, depois de haver transitado pelos corredores da fama, do sucesso, dos aplausos... 

A Lei de Causa e Efeito é uma verdade e o maior tesouro que se pode construir aqui, resume-se no AMOR. Amor fraternal, conjugal, transcendental...E isso se começa pela família, alicerce seguro de todas as conquistas. É ela o batalhão sempre disposto a socorrer o soldado que tomba na trincheira. 

Consciente desse papel e embasado no bem maior, sob as sábias leis da Criação, é possível exercitar o amor transcendental, que se espargirá pelo caminho, impregnando a todos e fazendo valer essa passagem pela vida.

sábado, 10 de agosto de 2013

MEU PAI, MEU PORTO SEGURO




MEU PAI, MEU PORTO SEGURO
(Genaura Tormin)

Meu pai!
Mais um Dia dos Pais, sem você!
Quanta saudade eu sinto!
Quantos anos se passaram! 
Aqui estou eu, remoendo lembranças!
Carpindo saudades!
Volto ao tempo em que éramos uma oficina, 
um reduto de aprendizado e amor!
Éramos tão felizes em nossas dificuldades 
e não sabíamos!

Meu pai!
Você partiu primeiro para a outra dimensão da vida! 
Não se despediu nem recado deixou. 
Foi habitar outros mundos, singrar outros mares, 
conhecer outras paragens 
sem o peso de sua farda de carne.
Sei que nos reencontraremos uma dia!
Mas continuo pensando 
que os pais não deviam partir! 

Até hoje ainda não sei caminhar sozinha! 
Não me acostumei a ser gente grande. 
Preciso de ajuda, 
de alguém forte que me salve 
dos fantasmas que me agridem. 
E você não está aqui!
Mas posso senti-lo perto de mim! 
Embora não o veja em suas formas físicas, 
no meu coração, você continua vivo, 
feliz e contente esperando a gente. 
Até mais bonito! 

Relembro das nossas renhidas batalhas 
no enfrentamento da vida! 
Quantas dificuldades nos fizeram melhores! 
Você legou essa coragem, esse determinismo 
que fizeram de mim o que sou.
Continuo recruta assídua das agruras 
e posto-me sempre 
à frente da trincheira! Soldado, sou!  
Não me curvarei jamais à inércia, 
ao desalento, à desídia! 

O meu jugo oprime
 e o cansaço já me bate à porta da alma, 
ofuscando-me os caminhos. 
Trôpegos os passos e estropiados os pés!
O comboio parte sempre lotado e 
logo haverá um lugar para mim.  
Devagar vamos nos reunindo outra vez!

Somos seres espirituais e aqui estamos  
para crescer, aprender e voltar pra Casa 
com a bagagem aqui coletada. 
Oferto-lhe, neste dia, 
o meu preito de gratidão e o carinho 
sempre presente neste meu coração!
Parabéns, meu pai! 
Quanta saudade! 
Quanta falta você me faz!
Meu PORTO SEGURO, meu pai!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

DOCE PRESENÇA DE MINHA MÃE



DOCE PRESENÇA DE MINHA MÃE
(Genaura Tormin)

Mortiça luz, 
Ao morrer o dia.
Negras nuvens 
Envolvem a terra.
A solidão se faz e
O ambiente é fúnebre.
A alma dolente 
Se esvai em prantos.
Tudo se perde 
Na confusão dos mundos.

Fecho a cortina,
Volto ao casulo.
Ouço passos... 
Um vulto de mulher 
Ganha formas,
Ocupa o espaço
À minha frente.

Tento falar e não consigo!
Escapa-me a emoção,
E eu me perco na imensidão azul
Dos seus olhos marejados.

Por um instante,
Num mudo diálogo
Senti a doce presença 
De minha MÃE ao meu lado.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A PROFECIA DA LUÍSA



A PROFECIA DA LUÍSA
(Genaura Tormin)


Somos uma família unida, coesa e contente.
Os filhos moram perto da gente, o que facilita o compartilhamento de carinho e cuidados.
São quatro os nossos filhos. Todos casados e endereçados na vida. Os netos aumentam a nossa razão de viver, fazendo-nos mais felizes.

O filho, Frederico (o caçula), mudara-se para um apartamento duplex próximo de nossa casa. O afeto crescera e nós estamos sempre entre eles e vice-versa.

Durante as minhas estadas lá, posto-me no primeiro piso, tendo em vista ser paraplégica e as minhas pernas de roldanas não subirem às escadas para alcançar o piso superior, onde ficam os quartos.

Tendo em vista o pé direito duplo da sala, aureolado por um pergolado na parte superior, é-me possível identificar portas.

Luísa, criança inteligente, linda, esperta, falante, dos “cabelos negros feito as asas da graúna”, imaginava várias maneiras para que eu acendesse ao andar superior.

_ Vovó, quero que você veja o meu quarto, o da mamãe e do papai, o do Pedro e o da Fernanda.

_ E quem é a Fernanda, Luísa?
_ É a minha irmã, vovó!
_ Mas você não tem irmã!
_ O Papai do Céu ainda vai mandar pra gente!
_ Como você sabe disso?
_ Porque sei!

Luísa é a primogênita da família e à época tinha quatro anos. É uma criança doce, terna, amiga do irmãozinho a quem dedica carinho e cuidados. Diz-se a professora dele e se responsabiliza por tudo que ele sabe.

Sempre que eu lá chegava, ela me lembrava de que teria que arranjar um jeito de eu subir as escadas, que costumeiramente me espreitavam de soslaio. Vez por outra eu sentia saudades dos passos saltitantes e faceiros que ficaram num passado tão distante. 

Quase 30 anos sem os seus trejeitos dançarinos. Mas os passos imaginários sempre me alongam as possibilidades de outras formas.

Enfim, surgira o esperado jeito para alçar voo aos dormitórios no piso superior. Carregada nos braços, lá ia eu! Luísa e Pedro eram só sorrisos. Subiam na frente como a preparar o caminho. Verdadeiros cicerones. 

As vozinhas estridentes atropelavam-se faceiras na descrição dos aposentos. 
Tudo muito bonito, decorado com motivos próprios, cheios de graça e bom gosto.

_ Aqui é o quarto da Fernanda, vovó! _ dissera-me Luísa, ensimesmada. Ato contínuo passara a abrir o armário e exibir as roupinhas, fraldas, sapatinhos e outros pertences, com farta descrição sobre a irmãnzinha que o PAPAI do céu mandaria.

_ E quando ela chegará, Luísa?
_ Vovó, a mamãe falou que vai pedir ao Papai do Céu.

_ Ah! Sim! Pois é, eu vou ficar muito contente, sabia? Eu amo vocês! E vou amar também a Fernanda.

O tempo passava célere. E alguns meses depois, via celular, o filho Frederico compartilhava comigo a alegria em ser pai, novamente.

_ Mamãe, você será vovó outra vez! Liana está grávida. Acabamos de pegar o resultado do exame!
_ Que bom, filho! Mais um coadjuvante para arrebanhar a nossa família no caminho do amor, na senda do bem. Quase um time, hein? Serão três filhos, três amores! A Luísa e o Pedro já sabem sobre a criança que está a caminho?
_ Ainda não.
_ Imagino a felicidade de ambos esperando o bebê. Estou muito feliz!

A vida tomara novos contornos na casa dos Antunes Tormins, bem como na casa dos avós e demais parentes.
Era o amor que, mais um vez, batia à porta, em forma de uma gentinha nova.

E a sementinha crescia no ventre da mamãe, cujas formas tornavam-se rechonchudas a cada dia, denudando-lhe a alma agradecida na fisionomia e na ternura do sorriso sempre presente. 

Liana é uma menina bonita, cativante e amiga. Para mim, uma filha! Carinhosamente, chama-me de tia. E eu gosto disso.

A família estava sendo agraciada, pois um filho é sempre um presente de Deus para vida! Uma centelha do Seu amor.

Os dias passavam-se lentos, aguçando a espera, estampada na alegria estridente das crianças, que contavam a novidade a todos. O contentamento era visível em toda a família.

_ Papai do Céu vai mandar pra mim uma irmãzinha vovó! A Fernanda! Eu não falei?
_ Falou, meu amor! E a vovó acreditou. Papai do Céu é muito legal, mesmo! Ele atendeu ao seu pedido e ao da mamãe, não foi?

Ainda não se sabia o sexo.
Tão logo fora possível, o exame foi feito e acusou ser um menino.

Novamente, Frederico passara-me uma mensagem avisando. O casal ficara preocupado sobre como dar a notícia a Luísa.
Chegou-se à conclusão de que isso seria feito com cautela e vagar.

Durante uma de minhas visitas, tentando ajudar, eu comentei sobre o Antônio, o novo irmãozinho que eles iriam ganhar.

Luísa ouvira o meu comentário e, imediatamente, interveio enérgica:
_ Vovó não é não é o Antônio! É a Fernanda! Eu já falei!
_ Mas o exame disse que é um menino!
_ Não é! Vovó, o exame errou! O que apareceu no exame foi o dedinho da Fernanda! A mamãe vai fazer outra vez e é menina, eu sei! É a Fernanda!

Acontece que, realmente, algum tempo depois, em um novo exame, comprovou-se ser uma MENINA. 
Isso não significou surpresa para Luísa, a qual sempre se mostrara segura quanto a vinda da irmã Fernanda.

O tempo passava e, num finzinho de tarde de um dia lindo do mês de fevereiro, quando o sol recolhia-se contente ao horizonte, bordando o céu de róseas pinceladas, chegava a Fernanda para alegrar a vida da gente!

A Luísa, agora com mais de cinco anos de idade, não se cabia de tanta felicidade em ter no colo a irmãnzinha tão esperada, para quem ela mesma escolhera um novo nome: Marina! 

Dizia que tinha que ser um nome que ela soubesse escrever. O finalista foi Malu e depois Marina, bem desenhado com a letrinha de uma criança amante.


Hoje, Marina tem cinco meses. Uma criança linda, sorridente que nos transporta ao Criador de Vidas. Costumo ver Deus nas crianças!

À luz da Doutrina Espírita, sabe-se, que até os sete anos de idade, é comum a criança viver em duas dimensões. É um  período de adaptação à sua nova reencarnação. Nesse período as lembranças são muito fortes. Isso é muito natural para ela. Chega a ter amigos que a gente não vê. Fala deles em histórias fantásticas. 

Por isso a Luísa referia-se a Fernanda com muita convicção e sabia que ela viria.

Nós, os pais, ainda desinformados, pensamos que se trata de fantasia e quase sempre procuramos ajuda psicológica.

A REENCARNAÇÃO É UMA VERDADE! E o véu do esquecimento sobre as existências passadas é uma benção, que nos permite aprender e evoluir sem entraves rumo à perfeição, a qual todos chegaremos um dia.

E assim, cumprira-se a PROFECIA DA LUÍSA!


LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)