PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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sábado, 28 de abril de 2018

UM ANO SEM AMOR



UM ANO SEM AMOR
(Genaura Tormin)

Lembranças de um tempo que ainda eclode no meu coração desavisado
 e ainda tão machucado!

Eu não fui avisada. 
Não houve acordo nem aviso prévio e nem despedidas!
Tudo, tão de repente! Sem recomendações, sem agendamentos! 
Simplesmente uma ida sem volta, uma janela aberta e uma saudade eterna.
E o tempo célere contabiliza os dias.

Já faz um ano que esse amor partiu para não mais voltar! O meu marido! 
Meu parceiro de tantas jornadas!
Eis-me sem dono e sem companhia!
Eu não me formei em solidão! 
Não tinha essa matéria no meu currículo.

Minha casa está grande e fria! Estamos no outono!
As flores murcharam, caíram ao relento  do frio, 
do vento, do tempo e do meu coração ferido.
E aqui estou eu! 
Resta-me seguir! 

Há uma grande fila indiana, na qual há muito estamos listados, 
de mochilas às costas para o embarque.
O que alenta é que não há finitude nesse processo, mas apenas transição.
Somos eternos! 

A farda de carne perece, como uma veste gasta e obsoleta que se fragmenta pelo caminho.
Assim, o espírito, feito uma borboleta, alçou seu voo ao infinito de onde partiu um dia, aportando em terras brasilianas, especialmente para que eu seguisse com ele nesse jornadeio de experiências e crescimentos. 

Sou agradecida!
Acredito que crescemos e propagamos a espécie!
Meu lema é foco, força e fé!
Sigo resoluta e firme!

Hasta luego, meu amor!

sábado, 6 de maio de 2017

LUTO




LUTO
(Genaura Tormin)

Ainda não consigo falar.
Meu coração está de luto!
A voz arqueja em prantos
E o grito se faz prisioneiro.
A manhã engoliu o gosto do viver
E eu sofro esse fórceps brutal
Que me fere e mata.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta. 
Morto está o meu CORAÇÃO! 

Órfã estou!
Nada mais posso fazer!
Partiu para o infinito
A metade do meu ser,
O pai dos meus filhos,
O meu marido,
O cúmplice de tantas jornadas,
De tantas batalhas,
De tantos afetos, de tanta alegria!

Faltam-me forças.
O fardo é pesado,
O jugo oprime,
A saudade me abraça forte.
Preciso de um colo,
De um ombro...
Mesmo assim
Eu sigo firme na certeza 
Do reencontro.

RÉQUIEM A MEU MARIDO



RÉQUIEM A MEU MARIDO
(Genaura Tormin)

7 dias sem você!
A saudade já golpeia forte!
O seu lugar está vazio à mesa!

Logo pela manhã, aos primeiros raios do sol, você abriu suas asas e alçou seu voo à Casa do Pai! 

Ele precisou de você para novas empreitadas, novos projetos. 
Um bom servidor é sempre lembrado!
Alfredo de Paiva Tormin foi um presente de Deus para a nossa família, para a vida e, especialmente, para mim, que tive a honra de com ele dividir o leito por mais de 48 anos.

Um homem bom, um pregoeiro do bem! Simplicidade era a sua bandeira, respaldada pela sabedoria que lhe era peculiar. 
Um excelente pai, marido e amigo. Sempre foi prazeroso tê-lo por perto.

Também um grande administrador. Prova disso é a prole que assimilou as lições tão bem ensinadas, seguindo o caminho com dignidade e justeza, o que muito nos honra e nos dá o sentimento de dever cumprido.

Grande homem, o meu marido! 
Otimista, guerreiro, atleta...
Um digno Delegado de Polícia, um Dentista que muito amou o seu ofício. 

Enlaçados pelo juramento que fizemos no altar, seguimos juntos, de mãos dadas por todos esses anos.
A cada queda ou dificuldade do meu caminhar diferente havia sempre um cajado, um protetor para me amparar. 
Assim, seguimos nós na construção da família, entregando-a a Deus todos os dias. 

Sinto-me uma obra de arte de suas mãos benfeitoras, do seu incondicional amor.
Por isso ele foi um poeta do amor. 
E que poema lindo conseguiu escrever nesta sua existência!
Obrigada meu amor!

Siga o seu caminho que é de luz! 
Você não morreu, apenas partiu primeiro, tornou-se estrela, anjo guardião, 
agora invisível aos nossos olhos, 
mas sempre presente nos nossos corações.


Sua mulher Genaura Tormin

quarta-feira, 13 de julho de 2016

NOTA DE PESAR A UMA AMIGA


NOTA DE PESAR A UMA AMIGA
(Genaura Tormin(

Querida Zoélia,

Junto-me a você nesse momento.
Empresto-lhe o ombro, o colo e o coração em prece.
Quero dizer-lhe que hoje, no céu, há festa pela chegada de sua mãe.
Ela não morreu! Apenas partiu primeiro.
Somos espíritos imortais e aqui estamos a serviço, numa experiência humana.
O corpo físico é apenas uma vestimenta, um invólucro, um embrulho para propiciar essa nossa estada por aqui. 

Essa excursão tem prazo e hora marcados para o término na Agenda do Criador.  
Os motivos são ferramentas a serviço da Lei Maior.
Era chegada a hora do embarque de sua mãe! 
Ela, há muito o esperava no caís! 
A missão estava cumprida! E bem cumprida!

Construiu uma família linda e a educou pelos veios do amor e do bem servir, entregando-a a Deus todos os dias. 
A prova de seus passos ficará para os coevos e pósteros, multiplicando-se em valores morais que marcarão um tempo. Como cascata de amor, jorrará por muitas gerações, melhorando o porvir.

E hoje, dona Joaquina se foi em paz, sutil, como num farfalhar de asas. Retornou à Casa do Pai!
Justamente no mês de julho! No mês de férias! 

Foi encontrar-se com o CRIADOR DE VIDAS, falar dos amores, dos filhos, dos netos, da existência... Foi entregar a Ele  o relatório da missão que cumpriu por aqui. 
Ela está muito bem, agora, passeando por outras paragens, sem o peso de sua farda de carne,  revendo outras maravilhas, tendo por cicerones os entes queridos que lá estão e que a esperavam com saudades.

Aqui, dona Quinô (como é carinhosamente chamada), foi uma pregoeira do bem, uma mulher aguerrida, feliz, contente! Uma exímia vencedora  de obstáculos, que dela fizeram um gigante na arte de amar e servir. 
Um exemplo a ser seguido! 

Um legado para todos que tiveram o prazer de com ela conviver.
Felizes os que a chamaram de MÃE, de VOVÓ, de amiga! 
O amor vazava distâncias para alcançar filhos e netos, estampado sempre em mimos, que perpetuavam esse elo de sangue, florindo o afeto, espargindo carinho.   
Ela era um ser humano especial, um espírito predestinado que aqui aportou para fazer a diferença. 

No final do dia, às primeiras horas de hoje, recolheu-se à Casa do Pai, a sua verdadeira Pátria.
Mesmo sabendo da continuidade da VIDA  e acreditando nos designios de Deus, quedamos-nos abatidos diante da partida.

Tudo fica revirado. Parece um tornado que desarruma sem dó a cumeeira de nossa casa.
O que conforta é a certeza do reencontro, pois, apenas a farda desgastada aqui fica para voltar ao pó, enquanto o espirito eclode feliz e faceiro rumo à outra dimensão da Vida.
Por isso, amiga querida, pegue seu fardo e siga!
Para a saudade não há conserto, nem remédio. 

Ela restará cortante e terá lugar cativo em nossos corações.
Somos seres gregários e gratos, especialmente a quem nos trouxe à luz da vida, ensinando-nos a caminhar, acudindo-nos nas quedas e encaminhando-nos na senda do bem e do amor.

Num corpo etéreo, sua mãe estará por aqui a cuidar de suas crias como sempre o fizera. Pense nisso!
Saudades! 
Resta-me, apenas, dizer: Conte conosco! 

Genaura Tormin e família
Gyn, 13.07.2016 


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

QUE SAUDADE DE VOCÊ, GRAÇA LUCENA!





QUE SAUDADE DE VOCÊ,  GRAÇA LUCENA!
Aceite as flores que eu lhe dou!
(Genaura Tormin)

(Hoje, remexendo guardados, encontrei essa mensagem enviada a uma amiga. Um sentimento bateu-me forte, rasgando-se em saudades, fragmentando-se em solidão... Nela  falo de minha irmã, Graça, que não mais está entre nós. Algum tempo depois dessa missiva, ela partiu para não mais voltar. Foi singrar outros mares, conhcer outras dimensões junto ao Criador de Vidas. Dessa época em que pedi colo a essa amiga, a Graça ainda estava seguindo  o seu calvário, digladiando-se  entre as caidas e recaídas de um câncer que  depois veio a lhe banir a vida. E ela se foi... Um dia, com certeza, encontrar-nos-emos para pôr a conversa em dia e dividir o afeto, sem necessidade de linhas telefônicas, como o fazíamos sempre.)



... Zezé, querida,
Eu soube com pesar da passagem do seu irmão. Junto-me a ti. Doença maldita, o câncer!

A minha irmã, a Graça Lucena, luta com contra ela há 7 anos.
Sabe quem é ela?

Incentivei-a escrever no Planeta. Hoje saiu o lançamento do seu livro, CANTAROLANDO, pela AVBL. Até pensei que não fosse ver o livro. Saiu da UTI há 3 dias. Estava em coma.

Meu Deus, como a vida é frágil!

Nisso tudo, temos que ter coragem, pois, mesmo nos preparando para essa partida, não aceitamos.
A gente fica inerme, fragilizada, feito fantasmas ambulantes, sem nada fazer.

Graças a Deus que a Graça está bem.
Foi a primeira vez que ficou em coma, e do nada.

Simplesmente tombou sobre o volante.

Levaram-na para o Hospital e pelo celular identificaram a família.

Há muita solidariedade humana! Ainda bem.

Mas, como o ser humano é falho, frágil, carente!

Perdoa-me, por isso!

Vim para emprestar-lhe meu ombro, e estou usando o seu.

Meu Deus, meu Deus!
Mas, vc sabe tanto quanto eu, que a vida é efêmera!

Um sopro de vela!

Ainda bem que essa existência não é em vão. Aqui aprendemos, evoluímos...

A alma transcende à Casa do Pai, que é a verdadeira morada do espírito.

Sei que seu irmão era novo, encantado pela vida, pela filha, pela mulher...

Mas, querida, chegou a hora, o momento exato. Quem somos nós para questionar?

Não cai um fio de cabelo, uma folha de árvore sem a permissão de Deus.

Vc sabe disso! Acho que tudo tem o seu porquê.

Aqui, há sempre uma lição a aprender.
Quantas vezes, fazendo uma retrospectiva avaliatória, chegamos a conclusão que sem essa ou aquela dificuldade grande que achávamos que os nossos ombros não suportariam, não haveríamos galgado tanto crescimento, tanta descoberta benfazeja, tanto amadurecimento...

A dor é buril, forjando a obra, esculpindo a alma... Eu sou um testemunho vivo disso.

A cada dificuldade, fico a pensar o que virá de bem.
Fico pensando que a morte também deve ter uma compensação assim e muito, muito melhor.

Sei e tenho certeza de que não morremos, apenas trocamos de farda.
Assim, outras missões esperam o seu irmão. Deixa-o ir em paz!

Ele continuará velando pelos que ama aqui. Pode ter certeza.

Nós é que somos tão pequenos e egoístas que não entendemos a vontade de Deus.

A vida, ele nos deu! Ele nos tira quando chega a hora!

Resta agradecer e não lamentar.
Agradecer o tempo que Deus permitiu que ele ficasse para ver a filha, conviver mais um pouco com a família.
Lembra-se?

Acho que dessa época em que compartilhamos com vc essa fase tão doída, passaram-se uns 2 anos, não?
Zezé, falei tanto!

Nessas horas, todas as palavras tornam-se arcaicas, obsoletas...

O momento é duro e eu sei disso.

Talvez o silêncio, o estar perto sem nada dizer, fosse o melhor.

Mas, na virtualidade, não há esse meio termo.
A escrita significa o sinal da nossa presença, o tamanho do nosso afeto.

Assim, querida, vamos em frente!

Emprestar esse afeto, esse ombro amigo, aos que ficaram.

Há todo um caminho a palmilhar!
Beijo grande.

Fica com Deus.


Genaura Tormin

segunda-feira, 21 de maio de 2012

APENAS UMA PALAVRA E UM ABRAÇO


APENAS UMA PALAVRA E UM ABRAÇO
(Genaura Tormin)


Queridos amigos:
Doutor Gentil e Regina,  
 Junto-me a vocês nessa saudade. Empresto-lhes o colo, o ombro e o verbo, embora saiba que nesses momentos todas as palavras ficam arcaicas, vazias, obsoletas... 
    A melhor linguagem seria mesmo o silêncio. 
    Dona BOADINA não morreu! Apenas partiu primeiro! 
    Tentando acalentar, afirmo que o corpo físico é somente uma vestimenta da alma, enquanto caminheira por este planeta. Entretanto o que mais nos acalenta agora é a certeza do reencontro. 
    Não estamos aqui por acaso! O Criador nos fez à sua imagem e semelhança. Não seria justo se fôssemos apenas matéria finalizada numa tumba fria. O Senhor sabe o que faz! 
    Doutor gentil, já era chegada a hora de sua mãe! E ela se foi, leve e livre, com a missão cumprida e bem cumprida, cuja prole, tão bem esculpida em valores morais, éticos e cristãos, é a estampa de suas mãos benfeitoras e do grande amor que lhe comandava a existência. Dona BOADINA foi singrar outros mares, passear sem o peso de sua farda de carne! Foi conhecer outras maravilhas, esquecer o sofrimento que lhe recolheu ao leito e à UTI. 
    Num corpo etéreo, ela estará sempre entre vocês, velando pela família que aqui construiu e amou. Pense nisso! A existência é um aprendizado duro. É uma constante superação de obstáculos. Somente com esse material poderemos construir asas e alçarmos ao céu. E sua mãe foi pra lá, viu! 
    A cada dificuldade, fico a pensar que um bem maior está a caminho. Como a raposa do Pequeno Príncipe (Saint Exupery), começo a ser feliz por antecipação. 
    Isso é uma verdade e eu a comprovo a cada subida, apoiada em tantas muletas que me fazem gemer a dor da escalada. 
    A morte também é uma compensação assim e muito, muito melhor. Sei que não morremos, apenas emergimos do casulo para voar, feito borboleta. 
    Nós somos tão pequenos, egoístas e não procuramos entender os desígnios do Criador. A vida, ele nos deu! Ele nos tira quando chega a hora! Quando a missão estiver cumprida. 
    Mesmo sabendo que essa passagem por aqui é apenas uma viagem, um curso de pós-graduação para que se possa ascender a patamares mais altos, e que há um Deus perfeito e maravilhoso que nos espera para outras jornadas, outros afazeres, quedamos-nos abatidos diante da partida. 
    Tudo fica revirado. Parece um tornado que nos tenta levar a alma. A gente fica inerme, fragilizado, feito fantasmas ambulantes, a perambular sem rumo. 
    Contudo, saibam que os seus entes queridos, que já partiram, dar-lhe-ão guarida e afeto, ciceroneando-a pelos novos caminhos. Disso, tenho certeza. 
    Força, amigo! Pegue seu fardo e siga! 
    Para a saudade não há remédio nem conserto. Ela terá lugar permanente em nossos corações, pois somos seres gregários, sensíveis e gratos, principalmente a quem nos trouxe à vida, nos alimentou com a seiva do próprio ser, fazendo-nos crescer no caminho do bem e do amor. 
    Vocês estarão sempre num lugarzinho cativo no meu coração. 
    Deus os abençoe! 
    Beijos da Genaura Tormin

Maio de 2012

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

RÉQUIEM A MEU PAI


RÉQUIEM A MEU PAI
(Genaura Tormin)

Papai, hoje é o seu dia! O dia dos pais!
Como sinto a sua falta!
Fecho os olhos e vejo você ao meu lado,
Falando das coisas da vida.

As nesgas do sol poente,
Parecem trazer-me, por acalanto,
Os seus recados, a sua presença junto a mim.
Que saudade do nosso convívio,
Da nossa alegria...
Quantas brincadeiras,
Quantas risadas nós dávamos juntos!
E a vida era bela, bela vida!

Lembro-me de você, papai,
Ao meu lado no leito de hospital,
Quando a vida achou por bem me tolher os passos.
Sofregamente, você me afagava os cabelos.
Austero e forte, você fora sempre.

Mas, naquele dia,
Acabrunhado e humilde ao meu lado,
Você sofria!
Como gostaria de ter-lhe evitado tamanha dor!

Depois,
Uma nuvem de tristeza cobriu o nosso lar,
A nossa vida, a sua vida, papai!
Passei a vê-lo cabisbaixo de barba grande...
Logo você que era tão vaidoso.
Eu sabia que você sofria.
É, papai, quanta tristeza eu lhe dei!

Hoje, volto ao passado e vejo que,
Mesmo sem andar, eu caminhei muito!
Tenho os pés cansados da jornada,
Feridos pelas pedras do caminho.
Preciso de um colo para descansar,
Preciso de um ombro para chorar.

Eu tentei caminhar...
Tento, ainda, com “unhas e dentes”.
Insisto sempre!
Recomeço a cada tombo,
A cada caminho truncado.
Se não marco passadas no chão,
Marco-as no coração,
Em trabalho, amor, poesia...

Você foi um motivo para o meu desafio.
Como queria entregar-lhe o troféu do meu esforço!
Mas você foi embora, numa noite fria, sem dizer adeus.
Queria que estivesse aqui para ver os meus rastros
Deixados na estrada da vida.

Papai, que saudade!
Mas que saudade, mesmo!
Receba, neste dia,
O preito de minha gratidão,
Do meu afeto, do meu carinho,
Da minha saudade!


segunda-feira, 26 de julho de 2010

NÃO MORRERAM, PARTIRAM PRIMEIRO

(Uma singela homenagem de Regina Helena à Poeta Graça, que partiu primeiro)

NÃO MORRERAM, PARTIRAM PRIMEIRO
(Amado Nervo)

Choras os teus mortos com tanto desalento
que parece até que és eterno

Eles não morreram, apenas partiram primeiro.

Como lobo faminto, te agitas impaciente, na ansiedade de desvendar os mistérios que poderão ser simples, transparentes e brilhantes aos quais terás acesso quando tu mesmo morreres.

Eles não morreram, apenas partiram primeiro, diz sabiamente o provérbio inglês.

Eles partiram antes... Por que insistis em questionar o porque?

Deixa-os sacudir o pó da estrada.

Deixa-os curar no colo do Pai os pés feridos da longa caminhada.

Deixa-os descansarem os olhos nos verdes pastos da paz.

Antes, preparas a tua bagagem, pois o comboio te espera.

E essa sim, é uma tarefa prática e eficiente.

Verás os teus mortos, e isso é um fato próximo e inevitável. Então não tenhas a menor pressa em alterar as poucas horas do teu descanso.

Eles, num impulso quebraram as barreiras do tempo e te esperam pacientemente.

Apenas foram num comboio anterior.

A morte é uma alegria, e esse conhecimento é dado por Deus aos que se aproximam dela, e oculto aos que ainda irão percorrer longa etapa de vida, para que sigam naturalmente o caminho.

Tradução livre por Regina Helena e Maria Madalena

domingo, 25 de julho de 2010

EXISTÊNCIA FINDA



UMA VIDA
(Genaura Tormin)

Uma vida, uma história,
Uma passagem no tempo.
E a meta é aprender
Mesmo com o sofrimento.

Tudo passa, tudo fenece,
Mas a vida segue em frente,
Para florescer depois,
Fruto de uma boa semente.

Vede a natureza,
Os pássaros, a flor,
A humanidade...
O invólucro se desfaz
Mas o espírito permanece,
Pois morrer é um disfarce,
O início de nova empreitada,
Uma troca de vestimenta,
O término de mais uma etapa.

A Graça Lucena, minha irmã, partiu ontem.
Foi singrar outros mares, escrever poemas para outro público, passear sem o peso de sua farda de carne!
Foi conhecer outras maravilhas e esquecer o tão grande sofrimento que um CANCER devassador lhe causou, roubando-lhe o sorriso e os versos do poema.

Meu Deus, como a vida é frágil!
Nisso tudo, temos que ter coragem, pois, mesmo nos preparando para essa partida, não a aceitamos. Tudo fica revirado. Parece um tornado que tenta nos levar a alma.
A gente fica inerme, fragilizada, feito fantasmas ambulantes, a perambular sem rumo.

Graças a Deus que essa passagem por aqui é apenas uma viagem, um curso de pós-graduação para que se possa ascender a patamares mais altos. Há um Deus perfeito e maravilhoso que nos espera para outras jornadas, outros afazeres.

Fico a pensar como o ser humano é falho, frágil, carente!

Perdoem-me pelo desabafo! Meu Deus, meu Deus! Sabemos todos que a vida é efêmera.

Ainda bem que essa existência não é em vão. Aqui erramos, aprendemos, evoluímos para que a alma transcenda leve, livre e solta à Casa do Pai, nossa verdadeira morada.

Sei que a Graça, uma pessoa sempre encantada pela vida, pelo belo, pelo versos no eito das cordas sonoras de um violão, será uma flor plantada em nossos corações. Uma saudade que perdurará no tempo.

Mas era chegada a sua hora, o momento exato! Quem somos nós para questionar?
Depois o sofrimento era grande, quase insuportável.

Nada acontece por acaso. Há sempre uma lição a aprender, um degrau para ascender.

Fazendo uma retrospectiva, chego a conclusão de que sem essa ou aquela dificuldade tão grande, que por vezes acredita-se que os ombros não possam suportar, não haveria tanto crescimento, tanta descoberta benfazeja, tanto amadurecimento...
A dor é o buril, forjando a obra, esculpindo a alma...

Eu sou um testemunho vivo disso.

A cada dificuldade, fico a pensar que um bem maior está a caminho. Como a Raposa do Pequeno Príncipe (Saint Exupery), começo a ser feliz por antecipação.

Isso é uma verdade e eu a comprovo a cada subida, apoiada em tantas muletas que me fazem gemer a dor da escalada.

A morte também deve ter uma compensação assim e muito, muito melhor. Sei que não morremos, apenas trocamos de farda, de vestimenta. Assim, outras missões, outros afazeres esperam a minha irmã.

Ela continuará velando pelos que ama aqui. Os nossos entes queridos que antes se foram, dar-lhe-ão guarida e afeto, ciceroneando-a pelos novos caminhos. Disso, tenho certeza.

Nós é que somos tão pequenos e egoístas que não procuramos entender os designos do Criador. A vida, ele nos deu! Ele nos tira quando chega a hora! Quando a missão estiver cumprida.

Resta, então, humildemente agradecer. Por isso, agradeço a Deus pelo o tempo que Ele permitiu que ela ficasse por aqui.

Nessa partilha, tento pedir colo para dividir o sufoco que me sai do peito. Nesses momentos, todas as palavras tornam-se arcaicas, obsoletas, vazias... O momento é duro e eu sinto isso. Talvez o silêncio fosse a melhor opção.

Nessa virtualidade, não há meio termo. O pedido e o colo se fazem presente, em tempo real.
A escrita significa o sinal da nossa presença, o tamanho do nosso afeto e também o tamanho da dor que nos consome, embora eu saiba que TUDO PASSA.

A Maria das Graças o meu preito de saudade.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MENSAGEM PÓSTUMA À DESEMBARGADORA IALBA-LUZA


HOMENAGEM PÓSTUMA A DESEMBARGORA IALBA-LUZA GUIMARÃES DE MELLO
do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás
(Genaura Tormin)


Ela se foi em paz! Era chegada a sua hora! Como num passo de mágica, alçou seu vôo ao Cosmos, no mês das flores! Sequer se despediu! Não houve tempo! Talvez tenha ido exercer outras missões urgentes, defender o ser humano junto ao Criador de Vidas.

Ela, aqui, foi uma guerreira, um exemplo de bravura, de ousadia e coragem! Não foi uma magistrada por herança vitalícia! Sua trajetória foi um manancial de sacrifícios, lutas, obstinações para a conquista do cargo e o seu profícuo exercício.

Foi uma precursora da Era de Aquário, principalmente no soerguimento social, no respeito à inclusão. Como presidente, dirigiu com maestria os destinos da Justiça do Trabalho deste Estado.

Uma mulher das leis, comprometida, envolvida em conceitos e questionamentos na busca incessante do Amor Maior, do conhecimento de si mesma, do aperfeiçoamento da alma. Suas palavras eram holísticas. Quem diria que partiria tão cedo?

Ela tinha necessidade de melhorar o porvir. Seus julgamentos transcendiam justeza, estampavam o seu caráter, a sua alma translúcida e bela.

Era enorme a sua vontade de servir. Como mestra, os seus ensinamentos concitavam-nos a uma reestruturação de nós mesmos no vasto campo do existir.

Na mente bailava-lhe a vida, a vontade de superar o tempo, driblar os anos.

Era uma pessoa linda, inteligente, otimista, boa mãe, boa amiga, boa mestra, causídica ferrenha em defesa da justiça. Usava palavras certas, deixava o seu recado em tela matizada de letras, que só ela sabia tão bem escolher a policromia.

Ela partiu, mas os exemplos ficarão como legados na história do Estado que teve o privilégio de possuir tão digna cidadã, tão digna magistrada.

A Dra. Ialba-Luza era uma mestra! Sua sabedoria extrapolava os limites do convencional. Certo dia, dissera-me baixinho: “Experiência maravilhosa é tentar caminhar. Se não der conta, rasteje, mas caminhe!”.

Que criatura especial! O carinho, a simplicidade, a espontaneidade, a capacidade de doar-se e a alma sempre jovial, quebravam a aspereza do cotidiano, embelezavam os momentos, devolviam-nos sempre a paz, a vontade de viver. Ela era o símbolo de vida.

Em um de seus aniversários enviei-lhe o poema:


MEUS VERSOS, MINHA CANÇÃO

Trago o meu abraço,
Meus versos, minha canção,
Para a juíza Ialba-Luza,
Pessoa muito querida,
Que carrega o mundo nas mãos,
Na ponta da sua caneta,
Nos veios do coração.

Uma profissional arrojada,
Mulher forte,
Ombros de aço,
Caráter determinado,
Caminho e caminheira
Deste mundo inacabado.

No rosto, a simpatia,
A loirice das crianças.
Na mente, a sabedoria,
A garra, a crença, a coragem,
Que a tornam uma vencedora,
Um exemplo, uma guru,
Ressaltando a fidalguia,
Dessa juíza querida
Que hoje aniversaria.


Sua passagem pela vida e a relevância dos seus feitos serão marcas inesquecíveis, que concitarão outras mulheres a batalhar pelos seus espaços, vencendo preconceitos, tabus e discriminações, não se subjugando às subserviências, mas fazendo-se respeitar pela competência, pelo preparo técnico-científico e pela coragem que deve encabeçar todos os desejos de conquista.

Haverá sempre uma cadeira vazia, um plenário incompleto, uma lacuna entre os magistrados de Goiás e do Brasil! Uma lacuna entre nós. Uma cicatriz eterna.

Ela fez a diferença! Construiu muralhas de afeto, erigiu castelos de amizade com o sorriso, o jeito de ser, a presteza sempre perene, que ficarão guardados para sempre no coração e na saudade dos que, aqui, tiveram o privilégio de conhecê-la.

Cumpriu-se a vontade do Senhor!

O corpo físico é somente uma vestimenta do espírito quando em missão por este planeta. Isso quer dizer que não morremos, apenas trocamos de vestimenta, na hora certa, no momento exato.

O Criador nos fez à sua imagem e semelhança. Não seria justo que fôssemos apenas matéria finalizada numa tumba fria. O Senhor sabe o que faz!

A Desembargadora IALBA-LUZA GUIMARÃES DE MELLO foi um presente de Deus para a vida, uma trabalhadora do bem, uma profissional aguerrida!

A ela, o nosso preito de gratidão e saudade.

A ternura do olhar, a doçura do coração, dispostos sempre a ajudar, estarão a colorir o Cosmos, a endereçar a terra os seus reflulhos de amor.

Goiânia, setembro de 2008

Genaura Tormin - Analista judiciário do TRT-GO
É escritora - autora dos livros: Pássaro sem Asas,
Apenas uma Flor, Nesgas de Saudade e Borboleteando.
Email: genaura@hotmail.com
http://genaura.blogspot.com

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)