PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

COLÉGIO DE FREIRAS


Colégio de freiras
Genaura Tormin
Era um lar, o colégio! Daqueles que não existem mais. A educação disciplinada, permeada de trabalho, lazer, esporte e instrução, construíra os alicerces que fizeram de nós o que somos hoje.

M
inhas recordações voltavam à fazenda do meu pai. Ele comprara um caminhão e partira para o nordeste brasileiro para trazer peões, pessoas para o serviço de lavrar a terra. A colheita aproximava-se e ele não poderia prescindir da mão-de-obra.
Na volta, papai encontrara o lar desfeito. A esposa o abandonara. Triste, papai não abdicara das filhas, embora os tios se prontificassem a ficar conosco: eu, Josefa e Zélia. As duas últimas do segundo casamento.
Naquele ano, com o impasse, houvera grande prejuízo nas atividades da fazenda, bem como da casa de farinha. Papai não desanimara. Sempre tivera pulso forte e determinação. Embora não tivesse estudo didático, sabia expôr as suas ideias e conseguir o desejado.
— Vou internar vocês num colégio de freiras. Quero que vençam na vida pelo estudo, pela boa educação. Somente elas poderão ensinar isso a vocês — exclamara papai.
Eu tinha nove anos, naquela época.
Numa madrugada fria, saímos de Minas. A lua branca ainda passeava no céu estrelado, banhando de luz a silhueta do papai. O terreiro de chão batido, o tamboril, o curral, os pés de laranjeiras carregadinhos de frutos, a casa da fazenda de janelas fechadas na calada da noite, ficaram impregnados em mim feito um presságio de saudade e gratidão. Não posso esquecer do seu telhado vermelho, iluminado pela luz da lua, distanciando-se a cada vez que olhávamos para trás. O ar frio daquela madrugada exalava perfume de flores silvestres, misturando-se ao zumbido de insetos e ao chilrear de pássaros notívagos.
Éramos seguidos pelas próprias sombras que se esgueiravam ao lado. O caminho fazia curvas entre os arvoredos e parecia não ter fim. As montanhas se delineavam à frente, como a se despedirem de nós. De vez em quando a lua brincava de esconde-esconde nas frondes das árvores e dos coqueiros, alumiando a plantação de algodão que se debulhava em flocos brancos entre a ramagem verde e viçosa. Ninguém ousava conversar, embora o iminente desbravamento do desconhecido acalentasse as nossas almas. Num clima nostálgico, ouvia-se ao longe o cantar de galos, anunciando os albores da manhã.
Na ponte, o riacho gorgolejava entre as pedras, exibindo os alvos lírios à sua margem, enfeitado pelo cricrilar de grilos no rumorejo do mato denso. As libélulas, em vaporosa dança, faziam reverências ao amanhecer, que despontava em tênue claridade por trás serra. O vapor do riacho deixava visível seu curso pelas terras da fazenda, feito a fumaça de um trem de ferro. Eram lágrimas evaporadas num adeus inaudível. Ao atravessá-lo, não pude conter o pranto. O coração ficava naquelas águas, naquelas margens que nos proporcionaram tanta alegria. Era ali que a nossa fantasia criava asas, voava em histórias de príncipes montados em cavados brancos, de bruxas malvadas, castelos assombrados, portas subterrâneas para lugares encantados, fabricados pela fertilidade do nosso mundo de criança, debulhado em magias.
O cheiro da manhã, impregnado de odores tão queridos, cravava em mim as últimas flechas. Até uma coruja entoara seu canto triste por despedida. A saudade da casa da fazenda, dos folguedos, da comida gostosa feita no fogão à lenha, já se fazia sentir. A ordem era sermos fortes apesar da pouca idade. Assim íamos deixando para trás parte de nós rumo a um novo destino. Com certeza, seria um marco divisor que marcaria o resto de nossas vidas.
Na rodovia, ao tomarmos o ônibus, o coração apertara-se no peito, agitando-me o corpo frágil em tremores e náuseas. Uma saudade cortante remexia-me as vísceras. Era a certeza de um adeus definitivo que se misturava à poeira da estrada deixada para trás. Eu não podia chorar! Percebia que papai estava fazendo o melhor por nós. Mesmo criança, eu entendia que mudar era necessário. O meu espírito já estava sendo previamente preparado para suportar as intempéries da vida. Talvez eu fosse rocha e não soubesse.
Chegando a Goiânia, ficamos em casa de um amigo do papai por alguns dias. No Colégio Santo Agostinho, papai fora bater. Era dirigido por freiras. Infelizmente, não pudemos ficar lá. Os encargos financeiros não estavam ao alcance de um lavrador que, de rico, tinha apenas o espírito altruísta e determinado.
— Vou falar com o Governador para ver se arranjo colégio conveniado. Não posso pagar preço tão elevado!
Um vereador, amigo dos donos da casa onde estávamos hospedados, prometera ajudar papai. Sabia que jamais ele falaria com o Governador. O jeito de lavrador e o chapéu o impediriam.
Dias depois, estávamos no escritório da Madre Hortênsia, diretora do Lar Escola Nossa Senhora de Lourdes.
Papai ficara encantado com as instalações e o trato dispensado às crianças. Muito espaço físico, majestoso refeitório e a algazarra da meninada que brincava ao vento. Havia uma capela, onde entramos por alguns minutos. Na simplicidade de homem do campo, papai ajoelhara-se e nós também. Talvez, agradecesse ou implorasse alguma ajuda.
O certo é que tudo se encaminhava da melhor forma possível. Deus estava mesmo do nosso lado. Parece que a Madre Superiora gostou da gente. Após longa entrevista (tipo cadastro), informou que o colégio era mantido pela Legião Brasileira de Assistência e que papai nada pagaria.
Os primeiros dias de internato foram difíceis. Estávamos acostumadas com a liberdade da natureza, com a produção farta do pomar, com as asas-de-moleque nos píncaros das mangueiras, cajueiros, amoreiras; os banhos, todo fim de tarde, no remanso do riacho. O primeiro copo de leite tomado no curral. Tudo, trocado agora, por uma liberdade metódica, disciplinada, relativa.
Assim vivemos no internato durante nove anos. Crescemos lá. Quanta saudade daquele tempo! Quanta saudade das férias, das festas, dos teatros, das colegas e das freiras. Eram muitas, as nossas mães. Freiras abnegadas que nos emprestavam amor de mãe sem nunca haverem transado a maternidade real. Como as respeito! Num misto de gratidão e saudade, guardo-as no coração.
Era um lar, o colégio! Daqueles que não existem mais. A educação disciplinada, permeada de trabalho, lazer, esporte e instrução, construíra os alicerces que fizeram de nós o que somos hoje.
Quanta saudade dos trabalhos manuais, da culinária, das aulas de violão, encadernação, cartonagem! Quanta saudade! Era o preparo para a criação da família: o passaporte, principalmente, para o casamento.
Lembro-me tanto da festa natalina! Quanta guloseima! As mesas enfeitadas para a ceia, à meia-noite, logo depois da missa. Que alegria, que ansiedade para ver os presentes e os muitos bombons coloridos, sem nunca faltar o pão-de-mel do qual eu gostava tanto. Tudo era feito em segredo, o que aumentava a nossa curiosidade, fazendo-nos sonhar com o grande dia. Quando se abria a larga porta do refeitório, parecia a entrada para o céu. O teto abundantemente iluminado, com estrelas brilhantes de todas as cores e a tradicional música de Natal, fazia-me sentir a criança mais feliz do mundo. Não havia tristeza no Natal. Todas nós exibíamos roupas e sapatos novos, coloridos, lindos... Parecia que, de repente, virávamos princesas. Nesse dia, as freiras não conseguiam conter a algazarra que fazíamos nos dormitórios com a passagem do Papai Noel. O bom velhinho deixava presentes para todas nós. Os olhinhos brilhavam de felicidade. Muitas choravam ao abrirem os presentes e confirmarem que o pedido da cartinha havia sido atendido. Que papai Noel legal!
O café da manhã e o almoço do dia de Natal eram sempre muito gostosos, ouriçando o nosso paladar, tornando grande a espera. Que dia lindo! Até hoje sou encantada com a data natalina e o Jesus-Menino volta-me sempre às origens. Os anos regridem e eu me sinto menina outra vez.
Lembro-me da concepção do Deus que criei para mim. E eu era “Filha de Maria”, uma congregação de moças que usavam traje branco com faixa azul na cintura durante as cerimônias litúrgicas. Lembro-me das missas em latim, das procissões, dos retiros, do aniversário da gente, quando ganhávamos estampas de santinhos com lindas dedicatórias, além dos “parabéns a você” no refeitório repleto de meninas, onde a amizade era o elo da fraternidade, do afeto, dos folguedos cheios de encantamento e sorrisos.
A lembrança das músicas sacras do velho órgão da capela traz de volta o passado tão distante.
Os primeiros sonhos e a primeira poesia. Eu tinha treze anos. De repente senti-me fêmea. Com isso viera o sentimento de que amaria um homem, faria um ninho de amor cheio de bombons, morangos e muitas borboletas, além de um jardim florido, enfeitado de crianças. Na última folha do caderno de matemática grafei a poesia, a confirmação de minha feminilidade e o dom de poetisa.

Espera

Espero-te,
Porque sei que virás!
Lindo,
Como o vejo em pensamento.

Tu, que me dás saudades!
Tu, que não conheço,
Serás meu,
Somente meu!

A ti, contarei dos dias de vigílias
E falarei da solidão.
Sei que tu virás um dia.
E o meu mundo
Será de muitas cores.

Tu, meu amor,
Serás realidade,
Eu sei.

É por isso
Que não me canso
De esperar-te sempre,
No calor dos dias,
No frio das madrugadas.

Quando chegares,
Tudo será dourado,
Cheio de encanto,
Sem pranto.

Esta saudade louca,
Que de ti eu sinto,
Será esquecida
Com a tua presença.

Tu, insubstituivelmente tu,
Serás meu!
Serás ternura!
E eu serei tua,
Amor!

Lembro-me, também, com saudade, da oração da noite, do canto de agradecimento antes e depois das refeições que cultivo até hoje. Lembro-me do jogo de tênis todas as tardes de domingo. Os passeios de trem de ferro. O sucesso na escola. E eu estudava fora dos muros do Colégio. Era bolsista do Colégio Santo Agostinho, onde fiz o ginásio.
De menina-moça fui me tornando mulher. As formas curvilíneas faziam-me altiva, faceira... Desabrochava para a vida. Os ensinamentos recebidos ajudaram-me muito.
Aos dezoito anos, deixei o colégio. Tinha que construir a própria vida, agora sozinha, gerindo os sucessos e incertezas. Josefa e Zélia havia saído antes do Colégio e moravam com o papai em Minas Gerais. Eu optara pelos estudos. Mesmo sem a companhia de minhas irmãs, permaneci no internato. Eu sabia que não era fácil viver. As peripécias que havia enfrentado confirmavam essa verdade. Entretanto acreditava nos meus potenciais e sempre pensei grande. Desde pequena pensava num futuro bordado de estrelas. Mas ele não viria sozinho, é claro, eu precisava ir atrás dele, conquistá-lo, fazer a minha parte. A gente só fracassa quando desiste de tentar.
Embora ao arrepio do papai, mamãe viera morar comigo, ou melhor, viera para que eu morasse com ela. Viera me oferecer apoio para que eu pudesse deslanchar em busca dos sonhos.
Ingressei na Secretaria da Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás como escrituraria contratada, cuja indicação devo-a ao jornalista Altamir Vieira e sua esposa Rosete, que, solidariamente, ofereceram-me o caminho para que eu construísse os passos. Devoto-lhes gratidão. Precisava continuar os estudos e o emprego propiciava isso.
Com a entrada de novo Governador e por contenção de despesas, rescindiram o meu contrato e os de quarenta e seis outros servidores.
Com a pertinácia que me ensinara a vida, não deixei o trabalho e fui nomeada a primeira Delegada Municipal comissionada do Estado de Goiás, pelo então secretário, Dr. Gonzaga Jayme, a quem devo as orientações de verdadeiro pai naquela fase tão primária de minha vida.
Com base na isonomia constitucional é que se pleiteara o cargo de Delegado Municipal, até então inusitado para mulher. Deu certo. Caso contrário, teria perdido o tempo trabalhado e, quem sabe, não seria uma delegada de carreira, formada em Direito, condição indispensável para o ingresso, além do concurso, é claro.
Por ter ascendido a cargo tão esdrúxulo, com tão pouca idade, o jornal Cinco de Março publicara, na ocasião, a manchete: “Moça inexperiente nomeada para combater bandidos no interior de Goiás”. Depois o cargo de escrivão fora regulamentado e submetido a concurso. Prestei-o e efetivei-me na carreira. Era o que melhor me parecia no momento. Os planos eram muitos e eu precisava alcançá-los.
Terminando o curso Técnico de Contabilidade, casei-me com o também funcionário da Segurança Pública, Alfredo de Paiva Tormin, formado em Odontologia, a quem namorava há três anos. Irmanamos os ideais e construímos um lar feliz.
A cada ano, um presente especial: um filho. Formamos um pequeno time de futebol de salão: quatro filhos. Lindos, inteligentes, aumentavam a nossa razão de viver.
Grávida do último filho, Alfredo e eu ingressamos no curso de Direito. Antes de terminá-lo fui promovida ao cargo de Comissário de Polícia.
Quando me preparava para o concurso ao cargo de Defensor Público, que se realizaria em Brasília, eis que a mão da fatalidade cerceia as minhas pernas, paralisa a destreza dos meus passos. Dois dias antes da aplicação do concurso, estava no hospital. Também me submetendo a provas; e que provas! A prova que me aplicava, inexoravelmente, a vida!
A fraqueza teria que se transformar em forças, compulsoriamente. A palavra de ordem era LUTAR.

sábado, 28 de abril de 2018

UM ANO SEM AMOR



UM ANO SEM AMOR
(Genaura Tormin)

Lembranças de um tempo que ainda eclode no meu coração desavisado
 e ainda tão machucado!

Eu não fui avisada. 
Não houve acordo nem aviso prévio e nem despedidas!
Tudo, tão de repente! Sem recomendações, sem agendamentos! 
Simplesmente uma ida sem volta, uma janela aberta e uma saudade eterna.
E o tempo célere contabiliza os dias.

Já faz um ano que esse amor partiu para não mais voltar! O meu marido! 
Meu parceiro de tantas jornadas!
Eis-me sem dono e sem companhia!
Eu não me formei em solidão! 
Não tinha essa matéria no meu currículo.

Minha casa está grande e fria! Estamos no outono!
As flores murcharam, caíram ao relento  do frio, 
do vento, do tempo e do meu coração ferido.
E aqui estou eu! 
Resta-me seguir! 

Há uma grande fila indiana, na qual há muito estamos listados, 
de mochilas às costas para o embarque.
O que alenta é que não há finitude nesse processo, mas apenas transição.
Somos eternos! 

A farda de carne perece, como uma veste gasta e obsoleta que se fragmenta pelo caminho.
Assim, o espírito, feito uma borboleta, alçou seu voo ao infinito de onde partiu um dia, aportando em terras brasilianas, especialmente para que eu seguisse com ele nesse jornadeio de experiências e crescimentos. 

Sou agradecida!
Acredito que crescemos e propagamos a espécie!
Meu lema é foco, força e fé!
Sigo resoluta e firme!

Hasta luego, meu amor!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

UM TORNADO PASSOU AQUI



UM TORNADO PASSOU AQUI
(Genaura Tormin)

Um tornado passou, de novo, na minha casa! 
Estou agora tentando fabricar portões, pois minha resiliência não mais se mostra altaneira. 
Parece que a coragem ficou esquecida  em tantas outras curvas do meu caminho. 

Falta uma parte de mim. Justamente aquela que me impulsionava ao desafio, fazia-me corajosa, afoita... 
Aquela a quem eu entregava os trofeus após as muitas batalhas.
Aquela que me acalentava nos medos e incentivava esse meu jeito indomável de querer ser guerreira. - O meu marido.

Quantos anos estávamos na estrada!
Com ele, eu sabia que podia seguir, enfrentar, ousar, pois tinha sempre o suporte de prontidão na retaguarda. 
Tinha o samaritano  na estrada para a ajuda certeira nas tantas quedas que levei. 

Agora é difícil levantar-me sozinha. 
Preciso de um colo, de um ombro para chorar. 
Preciso de um cajado para me guiar.
Pensar que ele se foi para não mais voltar dói demais, torna-me órfã nesse vagar do tempo.

Agora sigo só. 
Miro o horizonte e o vejo tão distante. 
Fico a imaginar o Cosmos para aonde ele partiu sozinho, tão cedinho,  às primeiras luzes da manhã. 
É a conduta de um bom trabalhador que se apresenta na primeira hora. 

Sem questionamentos, sem queixas, eu agradeço,
 mas exponho meu coração dilacerado pela saudade 
que não me deixa, fazendo-me prisioneira, indefesa e triste.

Não há conserto para tanto desmantelo!
Não há remédio para essa minha dor.
Espero no tempo que a tudo responde. 

Hasta luego!

sábado, 6 de maio de 2017

RÉQUIEM A MEU MARIDO



RÉQUIEM A MEU MARIDO
(Genaura Tormin)

7 dias sem você!
A saudade já golpeia forte!
O seu lugar está vazio à mesa!

Logo pela manhã, aos primeiros raios do sol, você abriu suas asas e alçou seu voo à Casa do Pai! 

Ele precisou de você para novas empreitadas, novos projetos. 
Um bom servidor é sempre lembrado!
Alfredo de Paiva Tormin foi um presente de Deus para a nossa família, para a vida e, especialmente, para mim, que tive a honra de com ele dividir o leito por mais de 48 anos.

Um homem bom, um pregoeiro do bem! Simplicidade era a sua bandeira, respaldada pela sabedoria que lhe era peculiar. 
Um excelente pai, marido e amigo. Sempre foi prazeroso tê-lo por perto.

Também um grande administrador. Prova disso é a prole que assimilou as lições tão bem ensinadas, seguindo o caminho com dignidade e justeza, o que muito nos honra e nos dá o sentimento de dever cumprido.

Grande homem, o meu marido! 
Otimista, guerreiro, atleta...
Um digno Delegado de Polícia, um Dentista que muito amou o seu ofício. 

Enlaçados pelo juramento que fizemos no altar, seguimos juntos, de mãos dadas por todos esses anos.
A cada queda ou dificuldade do meu caminhar diferente havia sempre um cajado, um protetor para me amparar. 
Assim, seguimos nós na construção da família, entregando-a a Deus todos os dias. 

Sinto-me uma obra de arte de suas mãos benfeitoras, do seu incondicional amor.
Por isso ele foi um poeta do amor. 
E que poema lindo conseguiu escrever nesta sua existência!
Obrigada meu amor!

Siga o seu caminho que é de luz! 
Você não morreu, apenas partiu primeiro, tornou-se estrela, anjo guardião, 
agora invisível aos nossos olhos, 
mas sempre presente nos nossos corações.


Sua mulher Genaura Tormin

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MILAGRE DO RENASCER



Milagre do renascer
(Genaura  Tormin)

Como gosto do  perfume das manhãs,
Do orvalho da lavoura enternecida,
Como a render graças
Ao sol  que desponta incandescente.

Em verdadeira sinfonia,
Ouço o chilrear de pássaros,
A dança das folhas tocadas pela ventania,
O refrulho do riacho,
O zumbido das abelhas...
Tudo, sob um céu azulado,
Bordado de nuvens viajeiras.

A vida se agita,
Tudo se movimenta
No ir e vir do trabalho,
No milagre do renascer.
A isso eu chamo VIVER!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A FORÇA DO AMOR



A FORÇA DO AMOR
(Genaura Tormin)

A vida seguia seu curso.
A família unida e engajada.
Podia-se dizer que era regida pelo slogan: Um por todos e todos por um, desde os mais tenros anos.

Problemas sempre vencidos e vitórias conquistadas.
Quatro filhos, o que favorecia as brincadeiras, passeios, amizade, tarefas... e a interação de amor que era partilhado no sorriso e na gratidão.

Todos bons filhos, bons amigos, bons alunos, e os mais lindos do mundo no meu coração de mãe.

Uma bênção em nossas vidas!
Agora já cursavam a Universidade.
Nós, os pais, éramos a estampa do contentamento, do sorriso farto e da alegria.
O caçula ingressara aos dezessete anos de idade, no Curso de Direito da Universidade Federal. Os filhos, geralmente, tentam seguir a profissão dos pais.

A adolescência, transcorrera sem problemas, numa família onde o diálogo se fazia presente e a autoridade também. Acredito mesmo, que ela deve ser uma empresa, por isso carece de uma boa gerência em todos os sentidos.

Errados princípios, dificultosos fins, costumava dizer sempre a minha mãe.
As etapas devem ser queimadas ao seu tempo, sem atropelamentos.

A fiscalização cabe aos pais, na tarefa responsável de endereçar suas crias na senda do bem, estimulando a fé e a crença no porvir, através do estudo, da educação e do trabalho, sempre sob as forças do bem, do amor e da fraternidade.

Como nós, eles também serão pais um dia.
A história dessa caminhada significam livros escritos na memória da família, no vagar do tempo, para a posteridade.

Frederico, como o último da prole, perquiria seu lugar nos escaninhos do nosso afeto.
Certo dia, chegou em casa acompanhado por uma linda garota que, ao me ver, estampou um largo sorriso e me chamou de tia.

Foi amor à primeira vista.
A danadinha, embora ainda criança, conquistou o meu afeto.
Cursava o segundo grau do colégio.

Posteriormente a sua família viera morar no nosso prédio. Agora éramos vizinhos!
Dessa época, eu me lembro que se alargaram os horizontes da amizade, fazendo-nos amigos de verdade.

De vez em quando, a menininha de cabelos pretos, olhos brilhantes, ternura à flor da pele, chegava em visita à nossa casa.

O sorriso iluminava o rosto daquele ser, ainda tão criança. Era o verdor dos seus quatorze anos de idade.

Chegava depressinha, feito a abelha que viceja a flor. Logo se despedia, sob a alegação de tarefas escolares.

Nos meandros de mim eu pensava: que menininha que estuda!? Será que estuda mesmo? Tantas tarefas assim?

Vou investigar. Afinal, sou delegada _ pensei eu.
Dias depois, lá vem a mocinha! Era a namoradinha do meu filho e a pergunta era quase sempre a mesma.

_ Tia, o Fred está?
E logo vinham as despedidas, com a explicação de que tinha que estudar.
_ Por que você estuda tanto, além da frequência à Escola? - Arrisquei perguntar.
_ Sabe, tia, meu pai morreu quando eu era bem pequena.

Somos três irmãs!
Minha mãe trabalha muito e é ela quem nos paga a escola e tudo o mais que precisamos. É mesmo uma guerreira e eu sinto que tenho que ajudar de alguma forma.

Na minha Escola, quem consegue classificar-se em primeiro lugar entre os demais alunos, não paga a mensalidade.

E é isso que tenho feito. É o mínimo que posso fazer! É o jeito para demonstrar-lhe minha gratidão, minha participação. Emociona-me dizer-lhe ao final do mês:
_ Mãe, eu tirei primeiro lugar de novo!

Foi uma explicação tão linda, que me embargou a voz, marejando-me os olhos, numa admiração incontida por uma garotinha de 14 anos.

E a vida a passar... dias, meses, anos!
Agora, a mocinha terminava o colegial e, sem cursinho, fora aprovada no vestibular para o Curso de Direito da Universidade Federal.

Ao término do curso, vieram as muitas aprovações em concursos públicos.
Hoje, ela é uma Promotora de Justiça!

Invertendo o refrão de minha mãe, eu digo, sem medo de errar:
Princípios certeiros, finais felizes!

E o amor a gerir toda uma vida!
Ele é sempre a maior e a melhor de todas as opções!
É Deus dentro da gente!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

UMA HOMENAGEM MERECIDA

 
UMA HOMENAGEM PRA LÁ DE MERECIDA
(Genaura Tormin)


 Como oradora da Associação dos Delegados de Polícia, por vezes, cabia a mim certos pronunciamentos em eventos sociais da classe.
Em especial, gostaria de transcrever parte de um discurso, cuja figura maior muito me pertence: (…)
 É com muita honra que faço uso da palavra para cumprimentar os colegas delegados, aniversariantes do mês de setembro.
Em nome da classe, parabenizo-os, desejando muita paz, muita alegria em família, no trabalho e em sociedade, tornando sempre profícuas e necessárias as suas existências.
 Particularmente, dirijo os meus cumprimentos ao Dr. Alfredo Tormin, aniversariante do dia 12 deste mês primaveril.
 Homem singularmente especial que esparge semblante humilde, mas os ombros podem carregar o mundo.
Homem introspectivo num franzino corpo, invólucro da mais respeitosa sabedoria técnico/científica, além de relevantes valores positivos no direcionamento da vida.
 Ser humano combativo que sabe lapidar os percalços, transformando-os em progressob.
Dr. Alfredo, mestre, pai, irmão, sacerdote e marido.
 Força transformadora nas peripécias!
Presença constante, alento seguro em todo fim de guerra!
 As palavras são obsoletas para traduzirem esta homenagem, mas a minha vida, os avanços e sucessos são mostras fiéis das suas mãos de mestre, do seu entendimento maior que chega a divinizar-lhe as feições.
 Sou feliz por ser a sua MULHER e mãe dos seus filhos!
Parabéns!
E hoje, novamente, é o seu aniversário!
 Repito tudo que disse naquela época.
 E nesse vagar do tempo, só tenho a agradecer a Deus pela sua vida, pela nossa vida e da família maravilhosa que ELE nos permitiu construir nesta existência.
Parabéns, meu amor!
Muita paz, muita saúde, muita luz!

 ❤️
🐝🎸👏☕️👼🏽☘🎁

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

PROFISSIONAL DE PORTAS



PROFISSIONAL DE PORTAS
(Genaura Tormin)

Eu tinha que cantar!
Não sabia por quanto tempo.
O coração agasalhava o medo.
Tudo atirado ao caos,
Parecia matar-me a alma.

Não havia portas,
Nem janelas.
Eu as teria que fabricar,
Jogar o jogo do contente
E seguir em frente!

O lar cheio de algazarras,
Risadas e alaridos
Havia ficado triste
Em rostinhos inocentes.
Um tornado havia passado
E sem dó desarrumado
O que eu havia colecionado.
Por isso,
Eu tinha que cantar!

Pus-me no trabalho!
Juntei os cacos,
Estanquei lágrimas
E fiz-me forte aos rigores do frio.
Teria que carpir portas!

Hoje,
Abro a janela tempo
E converso com o vento,
Que me açoita os cabelos brancos.

Revejo os feitos e concluo:
Fui uma profissional de portas!
Serviço bom e bem feito.
Por isso,
Eu hoje canto e agradeço!
Tenho mais do que preciso e mereço!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

UMA VOLTINHA AO PASSADO




UMA VOLTINHA AO PASSADO
(Genaura Tormin)

Bom dia chuvoso por aqui. 
Traz-me o passado de volta, na fazenda.


Até o cheiro parece chegar-me às narinas. 

Como a gente foi feliz naquele tempo!

A liberdade ao vento sibilante, pelos caminhos e atalhos, saltitava aos nossos olhos brilhantes, que criavam tanto encanto!


As manhãs eram sempre presentes de um Deus bom e acolhedor.

A vida é assim! 

Tem as suas fases, os seus ciclos evolutivos para a confecção da criatura de Deus. 

Hoje, eis-me em plagas tão distantes daquele cantinho, que se perdeu entre a neblina, nas ramagens da existência.


De tudo, restou-me apenas saudades! 

Muitas saudades para relembrar tanta vida entre a natureza florida, grávida de flores e frutos, cor e essência. 

Era a existência que, a cada dia, renascia no salão verde do milharal, com suas bonecas loiras e ruivas. 


Tudo perece para renascer em ninhos na natureza!

No meu coração também renasciam tantos desejos, tantos projetos de futuro!

E é nesse futuro que estou agora, após tantos anos que nem mais sei mensurar.

Ao lado do beiral da janela do meu quarto, posso ver a manhã envolta em densa cerração. 


Volto no tempo e me vejo passeando pelo meu passado tão longínquo.

Quantos anos se passaram! 

Esvaíram-se por entre os meus dedos ávidos.

Eu cresci, principalmente, amparada pelos percalços, pelos tombos, pelos amores e sucessos que fizeram de mim esse gigante que sou hoje.

Era a bigorna forjando a obra, a ferro e fogo.

Por isso sou soldado de minha própria batalha e sigo no front.

Creio que tudo se transforma e passa! Um novo dia chegará radioso, cheio de soluções e encantos.

O que é registrado no coração, a alma confirma, Deus abençoa e a vida eterniza.

Nesse estágio, fui criatura e criadora! Decantei em verso e prosa tudo que vi. Fiz poemas, pintei e bordei o que desbotado encontrei.
Mas a minha melhor e mais bonita obra de arte foram os quatro filhos que pari. Minhas crias!


Significam razão de vida e a perpetuação dessa família que tivemos a honra de construir.


Meus ombros podem carregar o mundo!

De menina franzina, ingênua, à mulher guerreira ante às muitas intempéries, que reputo benfazejas. Amém.


LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)