PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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sexta-feira, 13 de julho de 2018

FAUNA DE SONHOS


                  Embora a agressão das dificuldades, da saudades tão grande do meu marido que foi morar na outra dimensão da vida, da solidão que me dilacera o peito, eu tenho que seguir, erguer meu brado altaneiro para acalentar o meu avesso tão sofrido.
                 Vasculho cantos, volto ao passado e canto.


FAUNA DOS SONHOS
(Genaura Tormin)

O tempo levou-me os sonhos,
Tantas esperanças,
Retratados em desejos mil,
Na fértil imaginação de criança.
Como era feliz e não sabia!
Sem máscaras, sem disfarces...
Apenas eu mesma: sorriso escancarado,
Correndo ao vento,
Aos píncaros dos folguedos do meu tempo.

No céu talhado de nuvens,
Bordava as fantasias 
Com os flocos dançarinos de algodão.
E as mágicas aconteciam,
Em carruagens, reis e rainhas,
Príncipes e lagos encantados.

Foram-se os anos, 
Tão rápidos, tão velozes,
Até que me descobri adulta.
Vi, com tristeza, que o sol radiante 
Havia mutilado as nuvens,
Os flocos de espuma, a fauna de sonhos,
Esconderijo dos meus desejos.

Em troca, restaram-me meras coisas,
Sem formas, vazias,
Dispersas em fumaça, em dores,
Que poluíram o azul de minha vida.
O horizonte, nem sei se existe mais.
Quisera ter impedido o sopro do vento.
Quisera ter retido as nuvens do meu tempo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

PÁSSARO SEM ASAS CHEGOU AO FIM


PÁSSARO SEM ASAS CHEGOU AO FIM
(Genaura Tormin)


Concluída, enfim, uma história verdadeira, 
um acalanto a esse nosso altruísmo aguerrido

de seguir no front das muitas batalhas 
que nos fizeram vencedores
Eis as úlltimas palavras: 
Deponho as armas, guardo a caneta, fecho o livro!
Chegou ao fim!
Sentar-me-ei para refletir e agradecer a cada um 
dos leitores que me seguiram nessa jornada.

Valeu a pena essa minha caminhada por aqui!

E quando eu me for, nas asas do vento 
de uma tarde linda, com mistérios e cores, 
o Pássaro Sem Asas planará faceiro, 
contando um pouco dessa 
história de amor, 
desse meu jeito guerreiro, faceiro, 
valente de enfrentar desafios, 
cantar a vida e seguir sempre. 

À família,
Aos filhos e netos,
Deixarei saudades...
Presença silenciosa.
Frases inaudíveis
Ecoarão no ar.
Só, seguirei a minha estrada...
Nada levarei.
Não é necessário.

Para trás,
Um lar vazio,
Uma lembrança gasta,
Uma janela aberta...
Mas se um dia,
Sentirem a minha falta,
Juro, não é covardia,
Deixem rolar o pranto,
Espantem essa agonia.

Em nome dessa partilha,
E da felicidade
Que nos uniram um dia,
Relembrem os bons momentos.
E se eu puder,
Virei enxugar-lhes o pranto,
Num raio de sol,
Num bater de asas,
Num sopro de vento.

A você, meu marido, eis a obra concluída!
Uma ode de amor a nós dois, que soubemos fazer da 
existência uma pista de dança, 
num bailado perfeito de passos 
executados com a mente bem direcionada, cujo mestre era você, 
que sempre me dava a mão para a próxima dança.

E nesse cuidado, partiu primeiro para me apascentar o caminho, 
receber-me na chegada!

Hasta luego!

sábado, 6 de maio de 2017

RÉQUIEM A MEU MARIDO



RÉQUIEM A MEU MARIDO
(Genaura Tormin)

7 dias sem você!
A saudade já golpeia forte!
O seu lugar está vazio à mesa!

Logo pela manhã, aos primeiros raios do sol, você abriu suas asas e alçou seu voo à Casa do Pai! 

Ele precisou de você para novas empreitadas, novos projetos. 
Um bom servidor é sempre lembrado!
Alfredo de Paiva Tormin foi um presente de Deus para a nossa família, para a vida e, especialmente, para mim, que tive a honra de com ele dividir o leito por mais de 48 anos.

Um homem bom, um pregoeiro do bem! Simplicidade era a sua bandeira, respaldada pela sabedoria que lhe era peculiar. 
Um excelente pai, marido e amigo. Sempre foi prazeroso tê-lo por perto.

Também um grande administrador. Prova disso é a prole que assimilou as lições tão bem ensinadas, seguindo o caminho com dignidade e justeza, o que muito nos honra e nos dá o sentimento de dever cumprido.

Grande homem, o meu marido! 
Otimista, guerreiro, atleta...
Um digno Delegado de Polícia, um Dentista que muito amou o seu ofício. 

Enlaçados pelo juramento que fizemos no altar, seguimos juntos, de mãos dadas por todos esses anos.
A cada queda ou dificuldade do meu caminhar diferente havia sempre um cajado, um protetor para me amparar. 
Assim, seguimos nós na construção da família, entregando-a a Deus todos os dias. 

Sinto-me uma obra de arte de suas mãos benfeitoras, do seu incondicional amor.
Por isso ele foi um poeta do amor. 
E que poema lindo conseguiu escrever nesta sua existência!
Obrigada meu amor!

Siga o seu caminho que é de luz! 
Você não morreu, apenas partiu primeiro, tornou-se estrela, anjo guardião, 
agora invisível aos nossos olhos, 
mas sempre presente nos nossos corações.


Sua mulher Genaura Tormin


LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)