PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

FAÇO ANIVERSÁRIO DE NOVO



NOVAMENTE FAÇO ANIVERSÁRIO
(Genaura Tormin)

Setenta e um anos,
Bem vividos.
Não omito a minha idade.
Legado de muita luta
Que significa felicidade.

O espelho já não é o mesmo.
Não me aplaude sorridente!
As marcas se estampam
Feito pérolas diferentes.

O rigor do tempo
Verga-me a silhueta,
Mas eretas estão a alma e a coragem,
Para concluir com galhardia
Essa viagem.

A valentia é a minha arma,
O otimismo, o guia
E o amor me redime
No dorso da poesia.

Muitos mestres
Ensinaram-me a viver!
Do trabalho fiz prece,
Refúgio, meta, rumo,
Escadas para a dignidade.

Sai pela compulsória!
Para descansar,
Tenho a eternidade.
Quantos aniversários ainda farei?

Irmã da natureza,
A existência é finita!
Perece para renascer.
Posto-me de joelhos
E agradeço.
É o meu aniversário!

sábado, 21 de maio de 2016

APENAS UMA FLOR


APENAS UMA FLOR
(Genaura Tormin)

Sou uma flor
Diferente:
Sem adubo
Nem canteiro.

Mas
Chamaram-me de flor!
E eu quero ser flor,
Embora haja tristeza,
Desenganos...
Uma flor de paz,
Sempre de amor, 
Vermelha.

Flor,
Unicamente flor.
Sem primavera
Nem inverno.

Flor no desalento,
Flor nas madrugadas,
No frio,
No tempo,
Nas lágrimas
E nas tormentas.

Flor-rosa,
De espinhos agudos.
Flor-mulher,
Esperança cansada,
Direito negado,
Liberdade tomada.

Mas
Amavelmente
Ou gentilmente,
Chamaram-me de flor.

E eu sou uma flor!
Nada mais.

Fico feliz,
Por ser ainda,
Apenas uma flor.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CRISTAL QUEBRADO



CRISTAL QUEBRADO
(Genaura Tormin)

Náufraga de sonhos,
Tenho saudades de mim mesma.
Guardiã estática
De uma performance em cacos,
Já não sei quem sou.

Quebrou-se o cristal!
Incendeiam-se restos de esperanças,
Multiplicando a inércia dos instantes.
A solidão se faz...
Sonho frustrado.
Permito-me o impossível
Porque as portas me fascinam.

Vivo emoções do tempo que se foi.
Das derrotas,
Guardo o aprendizado.
Não fujo de nada!
Nada em mim petrificado está.
Há muito sentimento
Ainda.

Mergulho nos meus cantos,
Escudo-me na coragem,
Pois inteira sou
Para esta viagem seguir.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A CONCEIÇÃO DE MURILO


      
A CONCEIÇÃO DE MURILO
(Dom Augusto Álvares da Silva)

Já não era uma criança, um maranhal de fios,
Crivava-lhe a fronte cismadora e rude,
Onde uns olhos profundos, tépidos, sombrios
Punham tom de mistérios e índice de virtude.

Desde muito era visto andar pelas esquinas,
A olhar curiosamente a turba circundante
E até fazer parar donzelas e meninas
Para mirar-lhes de perto as linhas do semblante.

Teria enlouquecido? O Rei crente e piedoso
Ordenara-lhe um dia a execução
Do seu desejo ardente: um quadro primoroso,
A cópia fiel da Imaculada Conceição

Por isso é que ele andava inquieto,
Fitando a todo mundo, olhando a toda gente,
Para ver se achava enfim, concretizado ao vivo
O modelo ideal que brincava-lhe na mente.

Esta? Não serve! Aquela? Causa pena vê-la!
Que angústia se encontrava essa alma torturada,
Por não achar nenhum pálido modelo,
Que pudesse traduzir uma alma imaculada.

Junto à prisão do Estado, em pedras úmidas
Das ruas de Madri, o sol já ia posto,
Uma pobre menina, o pranto escondia
Na noite sem véu a aurora do seu rosto.

Murilo aproxima-se delicadamente:
Por que choras assim? Levanta-te! Sê forte!
Ela volveu os olhos e disse simplesmente:
_ Meu pai, senhor, está preso ali... 
Está condenado à morte!

Ao contemplar desnuda, a fronte peregrina,
O artista até estacou e arrebatado vai,
Tomando-lhe pela mão, dizendo-lhe: menina,
Anda, vem comigo e eu libertarei teu pai!

Meu pai, senhor, é mouro, e o Rei nos persegue.
É bárbaro e cruel apesar de cristão.
Dos nossos, nenhum que lhe foi um dia entregue,
Senão para morrer saiu dessa prisão!

Menina, vem comigo! Eu juro! A liberdade
Será dada ao teu pai, herege ou criminoso!
Pois o Rei que dizes mau e afeito à crueldade,
Tem sangue espanhol, ardente e generoso.

Vem!? Vamos, partamos depressa!
Que o teu pai será livre, essa esperança é fato!
Porque o Rei cumprirá fiel a sua palavra
De dar-me o que pedir em troca de um retrato.

Sim, o Rei prometeu, se eu pintasse a gosto
A Conceição sem mancha, espórtula avultada,
E criança, tu tens no rosto,
Os traços mais fieis de uma alma imaculada.

Anda, pois! E ela foi... O artista
Toma diante de si a cabeleira loura, em ondas soltas,
O olhar fitando o céu, e as mãos em cruz no peito,
Quando a murmurar: Então meu pai não volta?!

Quando tudo acabou, nervosamente ufano,
Tomou-a pela mão e alçando a voz lhe disse:
_ Agora vem comigo, ouviste?
O soberano garantiu-me pagar 
O preço que eu pedisse.

Quando chegaram lá, era o Palácio em festa:
Clero, nobreza e povo, a fina flor da Espanha,
Em meio à exposição de um quadro novo,
Emprestam todos, agora ali, solenidade estranha.


Ia-se inaugurar a Virgem de Murilo,
Quando um Oh! de repente, em meio à sala estoura!
Estava junto ao pintor, impávido e tranquilo,
Inquieta e perturbada, a pobrezinha moura!


Nisso, ergue-se a cortina e esplêndido aparece
O retrato fiel da moura ali presente.
O olhar fitando o céu, mimosa boca em prece,
Onde brinca um sorriso ingênuo, inocente!

Nisso, corre a cortina! A sala vibra em palmas.
Olhares vão da menina à tela. E o Rei,
Ao pintor que assim retrata as almas:
_ Pede quanto quiseres! Diz, que te darei!

Senhor, se meu trabalho algum valor alcança,
Se me queres pagar, Murilo principia,
Então, dai liberdade ao pai desta criança
Em nome da beleza e em honra de MARIA!

E as duras férreas portas da prisão,
Abriram-se de par em par,
E das celas sombrias viram sair liberto o condenado
Louvando a Conceição sem mácula de MARIA!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O POETA





O POETA
(Genaura Tormin)


O poeta
É um trabalhador de versos!
Livre para voar alto, solto, longe, 
Ele encanta e se encanta. 
No galope das metáforas, 
Cria fantasias, ouriça sentimentos, 
Pega carona no vento 
E conquista o infinito.

O poeta chora, 
Sorri, acalenta e consola. 
É um artesão do amor! 
Dá asas às esperanças, 
Riso às tristezas, 
Perseguindo caminhos vários
Para cantar chorando
E sofrer sorrindo.

É um manancial de emoções, 
Um caudal, 
Que faz florescer as margens
E seguir cantando para o mar da vida.
O poeta é protetor, 
Amigo, desprendido e benfazejo. 

É metacoração. 
Meio anjo, meio canção.
Escorado na certeza de seus versos,
Veste os dias de esperança 
Na cantiga das mudanças, 
Das promessas, 
Do sorriso fácil
E do amor compartilhado.

Os olhos encantam, 
As palavras confirmam 
E a escrita é a missiva direta ao leitor
Que dela necessita.
Há quem diga que “ler poesia, 
Significa azeitar a alma!”

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)