PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

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sábado, 10 de dezembro de 2016

RELEMBRANDO



RELEMBRANDO...
(Genaura Tormin)

Na Delegacia de Crimes de Acidentes de Trânsito, as ocorrências se intensificavam.
Ainda estava de lua-de-mel com a 2ª edição do meu livrinho, e era comum o recebimento de cartas, visitas, telefonemas... Um telefonema marcou-me muito naquela época. Era o de uma senhora, também paraplégica.

— Ganhei de presente o livro Pássaro Sem Asas de sua autoria e já o li três vezes. Fiquei pasmada como você consegue relacionar-se sexualmente com o marido. Desde a fatalidade que me ocorrera não mais fizemos amor. Choro todos os dias. Tenho bolsões sob os olhos. Penso muito em suicidar-me. A vida não tem sentido. Tomo tranquilizante e tenho uma moça para cuidar de mim. Meu marido saiu de casa sob a alegação de trabalho. Só retorna nos fins de semana. Ele se irrita ao me ver chorar. Acho que vai me abandonar — dissera-me ela, sentida.

— Você deve ler o meu livro mais vezes e tentar imitar-me. A vida não é fácil! Você tem de achar uma maneira de comandar-se, tomar as rédeas de sua casa. Na minha, continuo sendo a dona. Não tenho moça para cuidar de mim. Sou eu quem cuida de todos. 

Tudo como antes, embora as pernas não marquem passadas no chão. Por que tranquilizantes, choro, pessimismo? Ninguém vai resolver o seu problema a não ser você mesma! Ninguém gosta de ficar perto de pessoas assim. “Quem se alegra, segue em grupo, quem chora, segue sozinho”. Aja enquanto é tempo! Arrume-se! Tome gosto pela vida. Assuma a sua casa! A mente não sofreu defasagem. Ponha um sorriso no rosto! 

Reconquiste seu marido! Caso contrário, breve vai perdê-lo!
Lógico que ela não esperava essa resposta. Foi como se eu botasse água na fervura. Mas precisava ser assim. Teria que haver um choque para uma tomada de consciência. Senti que ela ficou desapontada e, simplesmente, despediu-se.

Dias depois, um mês talvez, telefonou-me dizendo haver seguido as minhas orientações.
— Estou outra! Joguei a tristeza fora, dei uma ajeitada no visual, reconquistei o marido e já fizemos amor! Valeu a “dura” que você me deu! Fiz do seu livro uma cartilha!

Fiquei feliz com as palavras da colega. Juro que da nossa primeira conversa restou-me um sentimento de culpa por haver sido tão dura. Sei que ela queria um ombro para chorar, mas a situação estava tão acentuada que o tratamento de choque seria a única solução. 

Energia, também, significa amor.
Tempos depois, noutra ligação, ela estava tão bem que queria arranjar um emprego. Queria sair de casa, atuar, trabalhar, participar... Orientei-a como pude. Afinal, tratava-se de uma pessoa erudita, o que facilitava a realização do seu desejo.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

ALFORRIA





ALFORRIA
(Genaura Tormin)

Tenho que reinventar a vida
Para espantar o medo,
Aprisionar a agonia.
Vou decretar alforria
Para a solidão!

Não a quero por companhia!
Prefiro o vento, a brisa,
Mistério, magia,
E os enlevos de ventania.

Quero um vendaval de sorrisos,
Escancarados, atrevidos,
Para gargalhar a vida!
Quero esquecer a saudade,
Na conquista da alegria.

Tenho que encontrar saída,
Para não acelerar
O relógio do tempo.
Não quero a vida vazia!
Estou pedindo alforria!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PROFISSIONAL DE PORTAS


PROFISSIONAL DE PORTAS
(Genaura Tormin)

Eu tinha que cantar!
Não sabia por quanto tempo.
O coração agasalhava o medo.
Tudo atirado ao caos,
Parecia matar-me a alma.

Não havia portas,
Nem janelas.
Eu as teria que fabricar,
Jogar o jogo do contente
E seguir em frente!

O lar cheio de algazarras,
Risadas e alaridos
Havia ficado triste
Em rostinhos inocentes.
Um tornado havia passado
E sem dó desarrumado
O que eu havia colecionado.
Por isso,
Eu tinha que cantar!

Pus-me no trabalho!
Juntei os cacos,
Estanquei lágrimas
E fiz-me forte aos rigores do frio.
Teria que carpir portas!

Hoje,
Abro a janela tempo
E converso com o vento,
Que me açoita os cabelos brancos.

Revejo os feitos e concluo:
Fui uma profissional de portas!
Serviço bom e bem feito.
Por isso,
Eu hoje canto e agradeço!
Tenho mais do que preciso e mereço!

(7 meses de um difícil aprendizado de mim mesma, numa postura de faz-de-conta na incrível busca pela sobrevivência)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

ESTOU NO CAMINHO





ESTOU NO CAMINHO
(Genaura Tormin)

Estou na estrada!
Faça sol ou faça frio,
Eu sigo contente.
Meu fardo é pesado
E meu jugo oprime.
Foram as minhas escolhas!

Mas o amor me redime
Faz-me seguir o meu destino,
À procura de  um caminho.
O amor é o escudo,
A bússola que me orienta,
A estrela que me guia.

Na aljava seguem as armas,
A proteção para os meus pés,
O alimento para a alma.
Estou no caminho!

domingo, 27 de janeiro de 2013

ORQUESTRA




ORQUESTRA
(Genaura Tormin)

Quisera vencer meus medos.
Partir para um lugar distante,
Junto ao refrulho do mar,
À sinfonia de pássaros,
Onde minha alma,
Em paz,
Pudesse repousar.

Ficar comigo mesma!
No silêncio
Escutar meus pensamentos,
Entoar os acordes do tempo,
Quedar-me nas emoções,
E me deixar seguir
Por entre vales e fontes,
Penhascos e montes,
No solfejar do vento,
Na orquestra
Dos meus sentimentos.

Gyn 28.01.2013

domingo, 29 de janeiro de 2012

ASAS DE CERA


ASAS DE CERA
(Genaura Tormin)

Assim foi embora 
O meu último sonho de andar! 
Esgazeou-se na amplidão,
Escondeu-se entre as nuvens,
Derramou-se em lágrimas 
Ante às conjeturas do nada. 

Mesmo desafiando, 
Como Ícaro, 
Voei em direção ao sol,
Sem perceber 
Que as asas eram de cera. 

Eu não podia mais voar!
O sol derretera-me as asas,
E o sonho acordou sozinho,
De olhos vermelhos,
A procurar de novo
Outro jeito de ser feliz. 
Afinal sonhar é preciso,
E a vida tem que continuar!

domingo, 6 de setembro de 2009

FRAGMENTOS DO MEU CANTO


FRAGMENTOS DO MEU CANTO
(Genaura Tormin)

Alma aberta,
Leve, livre e solta...
Com o coração vadio,
Disperso pela vida,
Sigo à cata do imensurável
Questionar da existência,
Com suas dores,
Seus amores,
Suas finitudes.

Nessa velocidade,
Desfolho-me.
Deixo jorrar pelos atalhos,
Veredas e trilhas,
Fragmentos do meu canto,
Restos de poesia.

Que sirvam de incentivo
Aos viandantes,
Caminheiros cansados,
Pelas intempéries do tempo.

Se esquecidos,
Abandonados ao relento,
Sirvam, apenas, de adubo,
Para alcatifar os passos,
Indicar o riacho,
A tramontana do caminho.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

ASAS


ASAS
(Genaura Tormin)

Asas do vento,
Asas do meu tempo,
Asas da alma!
Asas!
As minhas asas!!

Para que as quero?
Para alar meu corpo,
Banir amarras,
Soltar os laços,
Singrar outros mares,
Vencer percalços,
Alcançar o sol!

Mesmo que sejam de cera
As minhas asas,
Quero tentar, enfrentar...
Quero todas as asas
Para o amor aconchegar.

Preciso navegar,
Cavalgar o tempo,
Ser pássaro,
Ser sonho,
Ser sentimento...
Quero carpir
A vida em versos,
Deixar o casulo,
Ser dona do universo!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

LIBERDADE


LIBERDADE
(Genaura Tormin)

Crescem-me as asas!
Descubro-me inteira!
Os laços se romperam.
Não tenho cadeias.
As algemas se partiram.
Não há limites.

Plaino no ar,
na imensidão do cosmos.
Sobrevoo o que restou.
Escombros não me pertencem.
Sou toda liberdade...
Já não tenho corpo!
A essência salta-me em demasia
Vejo-me sem peias,
Sem máscaras, sem fantasia.

sábado, 21 de março de 2009

ESSÊNCIA LIBERTA


ESSÊNCIA LIBERTA
(Genaura Tormin)

De asas quebradas,
A ave não pode voar.
O invólucro é prisioneiro,
Mas a essência é liberta,
Bandoleira...

Crescem-lhe asas perfeitas,
Imaginárias.
As peias se partem na amplidão.
Desatam-se os laços!
Ilimitado é o espaço
Para voejar versos,
Soltar a emoção
E sentir-se uma estrela andeja.

segunda-feira, 16 de março de 2009

ALFORRIA


ALFORRIA
(Genaura Tormin)

Tenho que reinventar a vida
Para espantar o medo,
Aprisionar a agonia.

Vou decretar alforria
Para a solidão!
Não a quero por companhia!
Prefiro o vento, a brisa,
Mistério, magia,
E os enlevos de ventania.
Quero um vendaval de sorrisos,
Escancarados, atrevidos,
Para gargalhar a vida!

Quero esquecer a saudade,
Na conquista da alegria.
Tenho que encontrar saída,
Para não acelerar
O relógio do tempo.
Não quero a vida vazia!
Estou pedindo alforria!

quinta-feira, 12 de março de 2009

POEMA LIBERTO


POEMA LIBERTO
(Genaura Tormin)

Presos,
Ao lado do coração,
Ressoam badalos,
Fragmentos de versos,
Arco-íris perdido,
Desejos conturbados,
No peito da agonia.

Insanos,
Esbaforidos,
Querem sair,
Extravasar a lira...

Em alforria,
Mostrar-se ao mundo,
Fazer a poesia,
Cantar a liberdade,
A alegria.

Em signos,
Crio-lhes pontes,
E os dedos ágeis tamborilam
Sobre o teclado,
Dando passagem triunfal
Ao condenado.
Abrem-se as férreas grades,
E o poema ainda amedrontado,
Eclode em liberdade.


LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)