PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A FAMÍLIA É O EXERCÍCIO DO AMOR

Adorei este vídeo! Juro que chorei. Mas a vida é isso! Pena que nos esquecemos de sua celeridade!
Realmente ela é efêmera, feito a chama de uma vela. Por isso, os momentos não voltam mais! E daqui, levaremos  apenas os bons momentos guardados nas celas da memória e do coração. Façamo-los bonitos e agradáveis. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ALDEBARAN - O LIVRO DE PATRÍCIA NEME



ALDEBARAN - O LIVRO DE PATRÍCIA NEME 


Patrícia querida,

Acabei de ler o livro – ALDEBARAN, de sua lavra. Gostei muito.
Embora eu não tenha a sua erudição, a evolução espiritual que lhe é nata, identifiquei-me muito com você nas lutas da infância, principalmente.
Ambas sofremos a separação de pais, fomos internas em colégio de freiras, tivemos os mesmos conflitos na adolescência, enfrentamos o front das dificuldades com unhas e dentes, sempre à procura de lenitivos para encontrar a nós mesmas, identificar a nossa essência.

Somos contemporâneas dos fatos sociais e políticos do País.
Estive com você em todos os momentos, fiz-me parceira a cada página e, por vezes, partilhamos o colo, o afeto, as tristezas e as conquistas.
Tomei-a por mestra, guru e amiga. Com você aprendi muitas coisas que me passaram despercebidas nesta existência. Neófita sou diante do espírito que me anima a vida.

Pena que o tempo, com sua celeridade, já nos diga que é hora de descansar, abrandar os ânimos, antes tão abrasados. O tempo arrojado das grandes empreitadas caminha para o fim, arquejando a vulnerabilidade do envólucro físico e das dores do existir.

Tudo tem o seu tempo: semear, colher e se regalar. Gosto de dizer: crescer, evoluir para depois partir.
Do seu relato sofrido, dolorido, edificante, informador e excessivamente belo, com metáforas certas e escorreita linguagem, fica bem calcado o ser-energia que somos, alicerçado na espiritualidade de ancestralidades, cujos compromissos estamos a resgatar. Abre-se uma outra dimensão, da qual temos pouco conhecimento, ainda. Somos seres espirituais em excursão por aqui. A Lei da Reencarnação é uma verdade!

No início, algumas dúvidas, dirimidas ao longo do texto, como a falta da sua mãe... A luta omissa e a pouca referência sobre ela, embora mais tarde você fale de sua partida e da saudade que ainda passeia pelos degraus do tempo de sua vida.

O leitor é um invasor e prima pela curiosidade. Após a edição de um livro, somos públicos e, agora, é ele quem nos ajuda a reescrevê-lo, a cada edição, com seus muitos questionamentos. Há curiosidade sobre a personagem, sempre denominada por “ela”, que depois, vim a deduzir ser um espírito cruel, mas necessário para fazê-la forte, resistente a qualquer embate, portanto passível do seu perdão e do agradecimento. Foi ele o seu personal trainer, ainda nos verdes anos. A ferramenta se molda ao fogo rubro. A bigorna é o buril. E o trabalho resta perfeito. Tudo tem a sua razão. Numa retrospectiva, vejo que tudo valeu a pena e era necessário.

Com você, adentrei às diversidades do espírito que nos anima e percebi que o cuidado é necessário, tanto aqui, quanto na erraticidade. Precisamos de suportes, embora tenhamos os guardiões que nos amparam desde a concepção.

ALDEBARAN é um livro maravilhoso, corajoso, em que a autora se desnuda nas suas incansáveis buscas pelo Cosmos e pelos embates tão sofridos do viver num corpo físico. Os amores que vieram e se foram, plantando-lhe sementes de vidas para acalentar-lhe os dias, cumprindo o maravilhoso mistério da maternidade. Tudo é perfeito nessa vida! Não há fardo pesado para ombros fracos. Tudo significa lições, crescimentos.

Um relato romanceado, com abordagens eruditas, sinceras, descritas por uma mulher consciente, com formação superior na área de engenharia, com vivência na Alemanha e outros países desse mundo de Meu Deus. Uma poliglota/poeta, cujos poemas transcendem os liames de uma aguçada sensibilidade holística.

O coração esgueira-se sempre altaneiro, mensurando-lhe a imensidade do ser-andejo, sedento por dias melhores, ciente de muitos porquês de outras existências por aqui, em tempos pretéritos e que agora se afloram pela exacerbada lembrança que a fazem diferente, acrescida... Um dom, uma missão?

O amor incondicional pela criação de tudo que há no Universo, fez-me cativa. É o amor transcendental que o Cristo nos ensinou e se atrela do reino mineral ao animal, incluindo o homem criado à sua imagem e semelhança.
Realmente, um excelente relato, eivado de grandeza, sabedoria, verdades inconfessáveis e uma enorme busca pelo Eterno, cujas respostas encaixam-se nas máximas tão presentes de que somos caminheiros de outros caminhos, de outras galáxias, em passeios por aqui.

Na verdade Adonai é o seu Senhor, o seu Mestre. E eu sei que a orientou para esse trabalho, sob a forte luz de Aldebaran que se ostenta na Constelação de Taurus, ao lado do Cruzeiro do Sul, visível nas noites estreladas.
Muito bom, o livro! Curvo-me com respeito e agradeço enternecida pelo presente.

Oxalá, muitos o leiam e, como eu, sintam-se com o caminhos alargados e o espírito fortalecido.

Parabéns!

Genaura Tormin

terça-feira, 3 de julho de 2012

MAIS UM ANO EU VIVI




MAIS UM ANO EU VIVI
(Genaura Tormin)

Mês de julho!
Mais um aniversário!
Tudo tão célere
Feito as contas de um rosário.

Cabisbaixa está a silhueta!
Mas a alma ereta, satisfeita
Planta aconchego e canta,
Ouriçando este coração/poeta.

O espelho reflete os sonhos,
Os medos e as verdades,
Arsenal de amores,
Projetos e versos
Legados para a posteridade!

Nesse passo de dança,
Nesse canto que canto,
Debulho toda a esperança
Dessa poeta criança
Que ainda vive em mim.

É meu aniversário!
Quantos anos vivi?
Eu não os conto assim.
Conto pelo que fiz,
Pelo que faço,
Pelos laços e passos,
Pelo bem que pude dividir
Nesta estada por aqui!

Gyn, 03.07.2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

GOSTO DOS VERSOS QUE VIVEM EM MIM


GOSTO DOS VERSOS QUE VIVEM EM MIM
(Genaura Tormin)

Realmente a fotografia registra marcas na vida gente, guardando momentos! 
Santa fotografia!

Eis aí a 2ª edição do PÁSSARO SEM ASAS!
Lembro-me de que a 1ª edição esgotou-se num mês e, numa correria, providenciamos a 2ª edição, quando realmente aconteceu o lançamento. 
Sinto saudades!

Tão fininho, o livro! 
E eu tão bonitinha! 
Foram-se os anos tão céleres! 

Hoje estou diferente, cresci, evolui junto com o vagar do tempo! 
Muitas experiências, aprendizados, ladeiras e descidas... 

E o PÁSSARO SEM ASAS segue comigo na estrada, contando a nossa história. 
                             Já trabalho na 7ª edição! 
Mais de 400 páginas! 

Meu Deus, uma vida que ficará como legado. 
                    Eu gosto de rever o caminho palmilhado. 
Com ele reciclo o meu espírito rebelde e ouriçado. 
Sou, hoje, um SEIXO ROLADO! 

Gosto-me assim. 
Sou a minha própria leitora. 
E gosto do que faço e dos versos que vivem em mim.


__________

domingo, 24 de junho de 2012

AGORA EU QUERO UM AMÔ




AGORA EU QUERO UM AMÔ

(Genaura Tormin)

Onde é memo que ocê
Insqueceu aquele nosso amô?
Pruque ele era tão bão!
Será qu'ele ficou laigado
Lá na berada do corgo?

Se ocê preguntá eu,
Num sei contá, não.
É que ocê me insqueceu!
Tudo cabô memo!
Os cafuné, os chamego...

Eu acho que ocê tá de ôio
Na Maricota, do seu Mané?
Mais pode aquerditá,
Que mió do que eu, não é.

E sabe du'a coisa,
Vamo pará cum essa prosa!
Ocê tá memo é pu lado de
Cabra safado,
Desavegonhado.

Mais eu num tô nem aí, não!
Eu vô é pulá foguêra,
Tumá quentão,
Dançá a noite intêra!

Fazê promessa pro São Juão,
Promodi ele arranjá pra eu
Um home bão.
Num é quinem ocê NÃO!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

EU JURO QUE NÃO SEI



EU JURO QUE NÃO SEI
(Genaura Tormin)
Que é daquele amor,
Tão grande que te dei?
Se a mim perguntares,
Eu juro que não sei!
Ficou nas dobras do tempo,
Afogado na ribanceira,
Ou voou com o vento,
Numa manhã fagueira?
Hoje, vagamos sozinhos,
Em estradas paralelas,
Gemendo dores,
Mendigando carinho.
Éramos tão enamorados,
Ocupando o mesmo ninho,
Cantando no mesmo galho,
Tomando a mesma taça de vinho!
O que aconteceu com a gente?
Você partiu sozinho
E eu tive que seguir em frente!
_______

quinta-feira, 21 de junho de 2012

COMO FAÇO PARA FICAR BONITA


COMO FAÇO PARA FICAR BONITA
(Genaura Tormin)

O conceito de beleza engloba uma gama de particularidades subjetivas. A mostra física é apenas uma pequena parte. O maior cuidado deve ser a persistência em nos manter encantadas com a vida. É por meio desse encantamento que surgem o entusiasmo, o querer crescer, ser apresentável, bonita, conquistar divisas, amores... 

Dele, depende quase tudo: guarda-roupa, preocupação com a alimentação, controle de peso, passeios, preparo intelectivo, trabalho, relacionamentos, amizades, buscas e tantos outros. Essa é a mostra que levaremos ao público.

“É preferível enfeitar o corpo com a beleza da alma, do que a alma com a beleza do corpo”. 

Outra coisa importantíssima! Uma pessoa carrancuda fica feia e assusta. O sorriso enobrece, é prece, é Deus dentro da gente! Sorria sempre!

Agora é a vez de por em prática tão precioso ensinamento.

Doença não combina com felicidade. Quem está feliz não adoece. Está provado que as pessoas otimistas têm sistema imunológico mais resistente.


Então, OTIMISMO É A CHAVE! 

E isso está na caixinha de pensamentos. 
SOMOS O QUE PENSAMOS! 
SOMOS ENERGIA, SABIAM?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

HOMENAGEM - CORAGEM PARA VIVER



 (Que pessoa linda é o Walter! Um ser profissionalmente consciente, capaz, erudito e MUITO humano! Um espírito evoluído, eu posso dizer. Tive o prazer de conhecer-lhe as faces, recentemente nas praias do nordeste brasileiro, pois o coração e a alma, virtualmente eu já os conhecia. Walter é um pregoeiro do BEM!


Quisera eu seguir-lhe as pegadas. 
No dia 04.03.2012 Dia Internacional da Mulher - 2012, eis que me vejo nos jornais de sua terra, lembrada pelo amigo jornalista, ainda virtual naquela época. Agradeço o carinho da homenagem, embora eu não a mereça  tanto. Sei que sou um exemplo vivo da AUTO-HEMOTERAPIA. Não posso me esquecer disso! Obrigada Walter!)

 HOMENAGEM 
 CORAGEM PARA VIVER 
 (Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br)  

A cada ano - há alguns anos - no dia 8 de Março faço uma homenagem a uma mulher, para registrar de forma significativa o seu Dia Internacional. Já homenageei muitas mulheres, no seu dia ou fora dele, em função das lutas que travam diuturnamente por melhores dias para a humanidade.

Neste ano de 2012 envolve-me um desejo de fazer um registro que vem se delineando através dos anos e que considero ser hora de fazê-lo, escolhendo uma amiga que nem conheço pessoalmente, mas que tem um significado imenso para a têmpera de luta dos brasileiros. 

É uma mulher destemida, lutadora, que tem como maior referência o ânimo de superação. Conforme ela mesma conta, num dia qualquer da vida, sem aviso prévio, abruptamente uma mielite transversa meou-lhe o corpo, tornando-a paraplégica.

Há 27 anos, usa uma cadeira de rodas para deambular e enfrenta um turbilhão de dificuldades. Uma limitação gritante, uma vez que se viu banida da locomoção e da sensibilidade tátil. Ficou reduzida a apenas braços e cabeça. 


Mesmo diante de todo esse quadro ela não se julga uma pessoa doente, pois o que tem é a seqüela do triste ocorrido. 

Durante todos esses anos, a nossa amiga, que estava saindo da sua juventude, com 36 anos, precisou de alguns apetrechos e muito exercício de paciência, improviso e capacidade para se adaptar. 

Recorda que um dia uma emergente advogada, moça simpática, inteligente e bonita, ao sair do Tribunal deixou-lhe uma anotação: “Entra no Google e pesquisa auto-hemoterapia - trabalho do Dr. Luiz Moura”. Agradeceu e guardou a anotação. Fez a pesquisa e ficou encantada com o que leu e viu depois no DVD que a mesma advogada lhe passou.

Convencida do efeito benfazejo da auto-hemoterapia, não obstante o ceticismo próprio do cargo de Delegado de Polícia que exerceu durante alguns anos, resolveu experimentar, convicta de que mal não faria. 


Ficou estupefata ao fazer uma ultrassonografia e constatar que um cisto de ovário detectado em exame anterior e que deveria ser objeto de uma cirurgia, havia desaparecido.

Vítima havia anos de uma trombose, que recidivara duas vezes, ficou com a perna esquerda mais grossa do que a outra, incluindo a nádega, o que lhe causava um grande problema postural. Qual não fora a surpresa ao notar que não mais precisava de um calço e que a perna que sofrera a trombose estava quase igual à outra. 

A sua lesão é medular, com ausência de locomoção e sensibilidade a partir do nível T-4 (4ª vértebra torácica), o que significa dizer que estava inerte do peito para baixo. Todas essas passagens estão documentadas com atestados e exames.

Empunhando a bandeira do otimismo, ela tem sucesso como mãe, como esposa e como profissional. Quatro filhos formados e bem endereçados na vida, além de um marido sempre encantado consigo. 


Depois de paraplégica ascendeu, por concurso, aos cargos de Delegado de Polícia e Analista Judiciário, reforçando a certeza de que luta é a sua palavra de comando. Agora as suas taxas estão excelentes.

Tudo dentro da normalidade. A trombose que tinha na perna esquerda foi, totalmente, recanalizada, conforme exame recente. Sua estima está em alta. Nunca se sentiu tão bem. 


Afirma que “No meu sentimento de amor, gostaria que o tema AHT fosse estudado para melhorar a saúde de todos, principalmente daqueles mais carentes de recursos financeiros”. Na declaração mais recente que fez, continua “encantada com a Auto-
Hemoterapia. Encantada e agradecida! Faço-a regularmente”. 


Dentro da sua faixa etária, afirma que está ótima. Acha que não vai mais andar, mesmo por que nunca esperou por isso. Mas dá uma das maiores lições de vida, ao afirmar que “não se anda apenas com as pernas”.

Genaura Tormin, Técnica Judiciária, escritora e poeta em Goiás, pronuncia palavras emocionantes: “Embora não marque o chão com minhas passadas, o meu coração é livre, altaneiro e ganha asas, alicerçado sempre na coragem e na alegria de viver”. 

Por tudo isso, que é apenas uma pequena amostra da grandiosidade desta pessoa humana excepcional, rendo-lhe aqui a minha mais elevada homenagem neste Dia Internacional da Mulher. 

 --- Saiba mais sobre Genaura Tormin no seu blog LEVE, LIVRE E SOLTA
*Jornalista
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domingo, 17 de junho de 2012

PALESTRA PROFERIDA NO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL




PALESTRA PROFERIDA NO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL-GO
(Genaura Tormin)


QUEM SOU

v  Eu sou a Genaura Tormin. Estou paraplégica há 29 anos. Tenho 66 anos de idade e somente 20 de cabeça, alicerçados pelo entusiasmo e pelo encantamento de viver. Esforço-me para ser a campeã dos meus aprendizados. O meu coração é vivo e o sorriso aflora sempre até os cantos das orelhas. Eu estou viva!! Às vezes, quando estamos nos píncaros do sucesso, somos atirados inexoravelmente ao caos. É chegada a hora de uma marcante mudança de vida. É a hora de carpir o terreno para fazê-lo melhor.

COMO REAGI

v  Consciente de que seria mesmo uma paraplégica, preparei-me e prestei concurso para o cargo de Delegado de Polícia de Goiás, e o exerci com presteza, durante 13 anos.

v  Depois também por concurso público, ingressei no Judiciário Federal, atuando, hoje, na Secretaria de Coordenação Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho do meu Estado. O trabalho significa prazer, dignidade.


A PESSOA COM DEFICIÊNCIA TRABALHA! E BEM!



v  Sartre dizia que “o importante não é o que fizeram do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele”. Assim, estou tentando exercitar o aprendizado.
v  Quem falou que deficiente físico não pode trabalhar? Ando de cadeira de rodas e trabalho. Conquistei até o título de “Servidor-padrão”.
v  Deficiência é uma parte natural da experiência humana.
v  Mesmo que nos empreste um visual diferente e algumas dificuldades locomotoras, a mente sã cria soluções para tudo.
v  O trabalho devolve-nos o sentimento de utilidade e supera a defasagem do caminhar.


TENTO SER IGUAL

v  Desafio! Integro-me bem aos grupos de trabalho e luto por tratamento igualitário. Forjada a ferro e fogo, tenho por lema a coragem, e jamais me subjugo às subserviências em busca de protecionismo, benesse, sob o álibi da deficiência.
v  Preocupo-me em mostrar competência, conquistando respeito pelos meus próprios méritos. Sinto-me adaptada à vida! Sei que ela se adaptou a mim também.


IMPORTÂNCIA DA FAMILIA

v  De minha catarse, sou mestra. Entendo que a cadeira de rodas é uma dádiva. Devoto-lhe gratidão.
v  Tenho uma família que me ama e não me castra as oportunidades.
v  Pelo contrário, é um nascedouro de forças, incentivos, que me fazem caminhar mesmo sem o uso das pernas.
v  E isso é de importância vital. Talvez seja o segredo de todo o sucesso que tenho conquistado.
v  A família deve vestir a camisa, e, dentro da responsabilidade-amor, propiciar à pessoa com deficiência espaço arquitetônico viável para que ela descubra o seu novo mundo ou sua nova liberdade.


ESCREVI UM LIVRO

v  Sou escritora. Escrevi PÁSSARO SEM ASAS, já em 6ª edição.
v  É um livro autobiográfico, corajoso, em que me desnudo, viro-me do avesso e conto ao leitor toda a minha trajetória depois dessa nova condição de ‘rodante’: avanços, derrotas, conquistas, aprendizados, até as verdades mais recônditas e inconfessáveis.


UM RELATO VERÍDICO

v  Relato tudo, não como uma história que haja acontecido no estrangeiro, mas um fato verdadeiro, acontecido aqui mesmo, entre nós, cuja protagonista não foi feliz para sempre como nos contos de fadas, mas faz-se feliz, viva e atuante.
v  Mais dois livros: APENAS UMA FLOR e NESGAS DE SAUDADE, também foram editados. Neles, enveredo pelos veios da poesia para acalentar instantes, colorir a vida, fabricar fantasias e sentir-me inteira outra vez.


OTIMISMO

v  A gente não pode viver de passados. A ordem é reinventar a vida, fazer consertos, aplicar remendos e seguir em frente. É ser otimista! Ver tudo pelo lado positivo.
v  Hoje é o momento de agir, de semear! O tempo se esvai como num passo de mágica! É preciso aprender apenas a ser contente. Isso é o começo!


CORAGEM

v  Em paraplegia, adaptar-se é irreversível.
v  Caso contrário, corre-se o risco de sofrer muito.
v  Carrega-se o peso das dificuldades ou o do cadáver.
v  Não podemos viver de passado. Isso nada vai resolver. Devemos valorizar o que ainda podemos fazer. Isso chama-se: CONQUISTA!


E A VIDA CONTINUA !

v  Ainda sou perseguidora de sonhos. As portas me fascinam.
v  A vida ainda acontece inteira no meu coração. Acredito no amanhecer, no poder recomeçar a cada dia.
v  Continuo uma inesgotável fonte de encantamento pelos amores, pelo belo, pela arte de fazer versos.
v  Tudo é uma questão de disposição mental.
v  Somos o que pensamos! Avante é a palavra de ordem.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

UMA CARTA QUE VIERA DO CÉU


Esta é a Talma Alvim

UMA CARTA QUE VIERA DO CÉU
(Genaura Tormin)

Era uma manhã de segunda-feira. Os movimentos ganhavam vida no ir-e-vir lépido da casa. O cheiro de café exalava da cozinha, chegando até o quarto. O marido, odontólogo, já se encontrava na lida, preparando-se para atender ao primeiro paciente daquele dia, cujo consultório era contíguo à residência.

Eu ainda estava na cama quando a paciente que, por sinal era minha colega, adentrou ao meu quarto mostrando-me um calhamaço de papel, cujo manuscrito a lápis, continha letras enormes. Eram 64 laudas.

_ É um texto psicografado que eu quero lhe mostrar em primeira mão. Recebemos no começo dessa madrugada, em Trindade-GO. Leia! É uma mensagem da Talma para a mãe _ dissera-me ela.

Fiquei perplexa. Nunca tinha visto, tão de perto, escrita ditada por alguém que já houvesse falecido. Mas, apesar do ceticismo próprio que me impingira o colégio de freiras, quis saber, pois conhecera a Talma no hospital, quando fiquei abruptamente paraplégica. Ela fora me visitar a pedido de alguma pessoa amiga, no sentido de mostrar-me que a vida ainda era possível.

Ficamos amigas. Fora ela a minha professora na arte de conviver com os passos recolhidos. Por vezes, era o meu divã, o referencial que me indicava direção. Com ela, aprendi a nova maneira de viver bem, sem lamentar o que fazia antes, mas valorizar o que ainda poderia fazer.

Vítima de um tiro acidental de arma de fogo, durante um seminário de capacitação de líderes da América Latina, realizado no Rio de Janeiro, Talma partira primeiro para a outra dimensão da vida, em pleno Dia das Mães. E agora, um ano depois, manifestava-se por meio de uma psicografia.

Eis a mensagem:

“CARTA A UMA MÃE

Querida mãezinha Maria,

Peço ao nosso Deus, sempre misericordioso, que nos envolva em bênçãos de paz e luz, iluminando nossos caminhos com a serena certeza de que Ele sempre esteve do nosso lado.

Mamãe, querida mãezinha, este é um momento de agradecer a Deus por todas as dádivas que recebemos, embora muitas vezes sem merecê-las.

Estou presente respondendo ao seu carinho que jamais esteve ausente. Nossos pensamentos estiveram sempre interligados com as NOSSAS orações.
E, hoje, mãe, vim pedir-lhe que me aceite nessa nova vida em que me encontro.

Ah! Mamãe, a vida aqui é maravilhosa! Tantas surpresas! Tantas novidades!
Aprendi que a vida é sempre um caminho... Um caminho para mais nos aproximarmos de Deus.

Não pense que estou alheia ao seu sofrimento, à sua saudade.
Estamos juntas. Somente peço que não permita que a saudade assuma um caráter de forte algema a aprisionar em lágrimas as nossas carinhosas lembranças.

Mãe querida, a senhora sabe, através de todas as lutas que travei enquanto estava no plano físico, sempre foi por mim um motivo para continuar adiante... Jamais me entreguei ao desânimo, sempre caminhei com resolução para alcançar as metas a que me propunha alcançar.

Não por mim, mas por uma luta de ideais, onde os meus semelhantes conseguissem um espaço nessa interessante luta que se chama “VIVER”.
Todo o meu trabalho eu o realizei com amor. Os que conviviam comigo aprenderam ser este o meu lema de vida.

Naquele dia de maio, enquanto eu estava à procura de maiores chances para demonstrarmos que éramos pessoas capazes de competir com as dificuldades da vida, havia acordado sentindo-me bem disposta.
Cheguei a comentar com a Luiza que estava sentindo uma paz interior muito grande.

Preparei-me para as atividades do dia e, enquanto conversava com a equipe, passando-lhe apontamentos, foi como se de repente houvesse sido tocada por uma descarga elétrica que me percorreu todo o corpo.

Percebi que a bala havia-me alcançado e confesso que tentei esboçar um sorriso de compreensão para aquele amigo que me olhava sem nada entender.

Pude escutar ao longe os gritos, a confusão que se instalou e não vi mais nada. Foi como se tudo de repente sumisse ao meu redor. Senti um sono suave invadir-me e entreguei-me a ele. Dormi, por quanto tempo não sei.

Quando acordei, senti-me disposta e estava bem. Procurei com os olhos, ao meu lado, a minha companheira inseparável (a cadeira de rodas) de tantos anos e não a vi.
Procurei esclarecer meus próprios pensamentos, quando voltei à lembrança daquele dia de maio.

A princípio, julguei-me estar em um hospital e aguardei com paciência que alguém viesse ao meu encontro. Entraram ali algumas pessoas que me encaminharam, confirmando o que eu sentia: estava muito bem.

Fiquei deitada, e foi nesse momento que um senhor de feições simpáticas e bondosas se aproximou de mim e disse:

_ “Filha, levante-se, você agora é perfeitamente normal”.

Aquela voz fez-me ver que estava diante do vovô Joaquim e, a essa simples conclusão, percebi que a verdade de outra vida estava diante dos meus olhos. Naquele instante, lágrimas de emoção escorreram-me pelas faces.
Segurei naquelas mãos que me estendia o vovô e consegui me sentar.

Como uma criança receosa, consegui mover minhas pernas e colocá-las no chão. Havia conseguido ficar de pé.

Chorando de pura emoção, dei os meus primeiros passos na vida espiritual. E foram passos um pouco vacilantes, afinal, as pernas ficaram muito tempo sem fazer esse exercício.

Agradeci a Deus por tudo que me havia proporcionado. Depois fiquei sabendo como estavam todos vocês e pedi calma e confiança.

Desde aquele dia, que não tinha a intenção de deixá-la inconsolável no seu Dia das Mães, logo depois venho me esforçando para conseguir maiores conhecimentos na área que atuava.

Mãezinha, peço-lhe que sempre incentive a minha equipe.
Peça a todos para continuar lutando com coragem para vencer com otimismo as dificuldades do dia-a-dia.

Muitas pessoas não compreendem a luta diária de um paraplégico, mas muitas outras se sentem impelidas a ajudar.

Desejo que diga a eles que não há dor sem razão, que todos nós devemos nos esforçar muito para vencer as imperfeições, principalmente as da alma.
Estarei ao lado de todos, como sempre estive. Minha luta foi de ideais e princípios.

E aqui, quando contemplei meu próprio corpo, vi que a minha amiga “inseparável” (a cadeira de rodas) havia se tornado para mim oportunidade alcançada e iluminada de que necessitava para o reajuste de meus débitos.

Peço a todos os nossos familiares que não culpem situação alguma à minha retirada do plano físico.

Havia chegado a minha hora. A bala disparada acidentalmente encontrou a pessoa certa que a merecia.

Todos devem aceitar plenamente o que nos aconteceu.
Mamãe, peço-lhe que não chore mais. Estamos muito juntas.

Ajudo-a na educação dos meus “amores”. Avisam-me que devo finalizar. Voltarei em outra oportunidade.
Sua filha está feliz, muito feliz.

Abrace papai, abrace a todos por mim: meus filhos, familiares e irmãos, agradecendo-os o bálsamo da oração e o carinho das lembranças.

Com o carinho respeitoso de sempre, sua filha, agora de pé, que beija suas mãos, depositando nelas a gratidão eterna.
O carinho e o amor da sua

TALMA

(Mensagem psicografada no Centro Espírita Apóstolo Paulo, na noite de 11/03/89, em Trindade-GO, pela médium Mary Alves A. Silva)”

Pasmada com tudo aquilo, embora os cantos inaudíveis de minha alma há muito questionassem tantos "porquês", eu reli muitas vezes aquela mensagem, tentando encontrar alguma dúvida, algum ponto discordante que dissipassem as certezas.

Mas tudo me confirmava ser ela - a Talma. Era como se a ouvisse falar. Tantos detalhes! O estilo, as palavras marcantes, como “meus amores”, como ela se referia aos filhos... A equipe, o trabalho, a veracidade de nomes, o afeto dedicado à mãe, os irmãos... O cenário que eu tão bem conhecia.

Realmente, eu estava diante de uma nova tarefa! Procurar portas, abrir janelas, seguir por atalhos e veredas para descobrir algo mais além de mim. E a palavra de ordem era: Estudar, pesquisar para entender e escolher. A fé cega nos anula o raciocínio. Senti que buscava espiritualidade e não religião.

Como dissera a colega, eu estava lendo a mensagem em primeira mão. E isso fora de muita importância para derrubar o meu arraigado ceticismo, numa sabatina em que todos os itens obtiveram nota 10.

E eu cresci, aprendi, evolui! E, principalmente, entendi que: "SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR EXPERIÊNCIAS HUMANAS".

____________________

(Esse texto, à época, foi publicado em "O POPULAR", Diário de renome de Goiânia- GO. Trindade é uma cidade pequena, localizada a uns 30k de Goiânia.)

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)