PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SEXUALIDADE DA PALAVRA



SEXUALIDADE DA PALAVRA
(Genaura Tormin)

Dispo-me!
Mostro-me inteira.
Erótico está o coração.
Palavras quentes,
Fortes, emocionadas,
Desfilam faceiras,
Substituindo a forma desfeita
De um corpo mutilado.

No leito nupcial,
A poesia faz a festa!
Enrosca-se no orgasmo compartilhado.
A libido viaja pelo pranto,
Pelos compartimentos secretos,
Na verve do querer ouriçado.

Exponho minha nudez poética!
Faço amor,
Na sexualidade da palavra,
Que arqueja
Em carinhoso diálogo,
Dando forma, essência e vida
Ao ato sublimado.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A JUSTIÇA DO TRABALHO E A EMENDA 45 QUE LHE AUMENTOU A COMPETÊNCIA


A JUSTIÇA DO TRABALHO E A EMENDA 45 QUE LHE AUMENTOU A COMPETÊNCIA
(Genaura Tormin)

O trabalho remonta aos tempos das cavernas, do homo sapiens, por estar ligado à sobrevivência. Com o passar dos séculos e com a evolução dos povos, naturalmente, necessária se fez a normatização das condutas, consuetudinárias ou não, para garantir direitos às relações entre os indivíduos.

A Justiça do Trabalho representa valiosa conquista na construção de uma sociedade justa e igualitária.

Sabe-se que, com a evolução, surgiu a exploração do homem pelo homem, a escravidão no mundo, entre os egípcios, gregos e, aqui no Brasil, como nos conta a história, em que os escravos eram tidos como objetos e, nessa condição, vendidos.

Na Idade Média, o sistema predominante foi o da servidão, no qual o homem já não era equiparado a um objeto, mas o seu trabalho não dispunha de amparo jurídico. Em troca do trabalho, recebia apenas o suficiente para a alimentação, habitação e vestuário.

A seguir, vieram as corporações, que deram origem aos primeiros agrupamentos profissionais e econômicos, provocando profundas alterações na economia predominante da época. O trabalho humano, contudo, ainda não se encontrava juridicamente regulamentado e protegido.

Em 1789, ocorreu a Revolução Francesa, que defendeu a bandeira da liberdade e igualdade entre os homens.

No mundo inteiro, começa a Revolução Industrial - século XVIII - com suas importantes conquistas, advindas das máquinas a vapor e de fiar, bem como das grandes fábricas, que passam a substituir parte do trabalho humano, provocando desemprego em massa.

As jornadas de trabalho, sem regulamentação jurídica, eram exaustivas, realizadas em condições subumanas, sem normas relativas ao repouso, férias ou intervalos, pois não gozavam de amparo legal.

O Estado passa, então, a interferir nas relações individuais e coletivas de trabalho. Surgem na Inglaterra, França e Alemanha leis que regulam o acidente de trabalho, a proteção aos menores e às mulheres.

O Papa Leão XIII, na Carta do Trabalho, condena os métodos exaustivos de exploração da atividade humana, as condições degradantes em que se trabalhava e a ausência de direitos em retribuição aos deveres imputados. Nasceram, assim, as primeiras normas trabalhistas.

Com a criação da Organização Internacional do Trabalho - OIT em 1919, fruto do Tratado de Versalhes, as leis trabalhistas assumem lugar de relevo entre as nações.

O Direito do Trabalho no Brasil

No Brasil, a legislação do trabalho acompanhou o desenrolar da história do País.

Na fase imperial, o trabalho, essencialmente agrícola, era realizado pelos escravos. Com a abolição da escravatura, inicia-se nova etapa na história brasileira.

São promulgadas leis destinadas a amparar o trabalhador. Em 1917, cria-se o Departamento Nacional do Trabalho, órgão apenas fiscalizador e informativo.

No Estado de São Paulo, são criados os Tribunais Rurais. Surgem as Caixas de Aposentadoria e Pensão dos Ferroviários. Em 30 de abril de 1923, cria-se o Conselho Nacional do Trabalho, vinculado ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.

A reforma constitucional de 1927 delega à União competência para legislar sobre matéria de trabalho. No mesmo ano, é promulgado o Código de Menores.

O Governo Provisório de 1930, sob a égide de Getúlio Vargas, proporciona grande avanço nas políticas sociais e econômicas. É regulamentada a jornada de trabalho dos comerciantes e dos industriários e são estabelecidas normas de proteção ao trabalho. Implanta-se, naquele ano, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e, a seguir, o Departamento Administrativo do Serviço Público - DASP. Ampliam-se os serviços estatais de aposentadoria, o imposto sindical e o salário mínimo.

A Justiça do Trabalho

E nos idos de 1934 a 1937, no nosso torrão brasileiro, sob o domínio de um Presidente altruísta e determinado, o gaúcho Getúlio Vargas, homem de grande visão política das condições existenciais daquela época, nasciam as Comissões Mistas de Conciliação e Julgamento, embrião que veio a se transformar na JUSTIÇA DO TRABALHO, braço do Poder Judiciário, vislumbrada na Constituição do Brasil de 1946.

"Justiça do Trabalho" foi a denominação dada pela Constituição de 1934, considerada a primeira Constituição social-democrática do País, no Governo Getulino. Nessa fase, a Justiça do trabalho (chamada Justiça Laboral) fazia parte do Poder Executivo e tinha a tarefa de simplificar os procedimentos e imprimir celeridade às decisões.

A Constituição de 1937, que substituiu a de 1934, manteve a previsão da Justiça do Trabalho, que continuou como Justiça Administrativa, esperando regulamentação por lei.

Criada no dia 1º de maio de 1939, pelo Decreto-lei nº 1.237, somente foi instalada em 1º de maio de 1941, durante ato público, realizado pelo então Presidente Getúlio Vargas, que, em discurso inflamado, declarou:

"A Justiça do Trabalho, que declaro instalada neste histórico Primeiro de Maio, tem essa missão: Cumpre-lhe defender de todos os perigos nossa modelar legislação social-trabalhista, aprimorá-la pela jurisprudência coerente e pela retidão e firmeza das sentenças. Da nova magistratura outra coisa não esperam Governo, Empregados e Empregadores."

Estruturada em três instâncias, era integrada, em sua base, por Juntas de Conciliação e Julgamento, sob a Presidência de um Juiz de Direito, nomeado pelo Presidente da República, para mandato de dois anos. Os vogais (que depois passaram a ser denominados de juízes classistas, hoje extintos) eram indicados pelos sindicatos, para igual mandato. Em nível intermediário, ficaram os Conselhos Regionais do Trabalho, encarregados de deliberar sobre recursos. E, em nível superior, o Conselho Nacional do Trabalho, integrado por dezenove membros, nomeados pelo Presidente da República, também para mandato de dois anos.

Distribuídas pelo País havia 36 JCJs, oito Conselhos Regionais, origem dos atuais Tribunais Regionais do Trabalho, e o Conselho Nacional do Trabalho, antecessor do Tribunal Superior do Trabalho.

Passou para a estrutura do Poder Judiciário, após reconhecimento constitucional, em 1946.

Surgimento da Justiça do Trabalho no Estado de Goiás

No período de 1939 a 1981, o Estado de Goiás encontrava-se sob a jurisdição do Conselho Regional do Trabalho da Terceira Região, que originou o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, com sede em Belo Horizonte-MG.

A Lei nº 6.927/81 criou a 10ª Região da Justiça do Trabalho, sediada em Brasília-DF. A partir de então, o Judiciário Laboral goiano foi desmembrado do TRT da 3ª Região e agregado ao Regional de Brasília, onde permaneceu até 1989, quando a Lei nº 7.873/89, de 09.11.89, publicada no DOU do dia 10.11.89, Seção I, criou a 18ª Região da Justiça do Trabalho, com sede em Goiânia e jurisdição em todo o Estado de Goiás.

Tribunal Regional do do Trabalho da 18ª Região

Instalado em 30 de novembro de 1990, o TRT goiano teve como seu instalador e primeiro Presidente o Juiz Octávio José de Magalhães Drummond Maldonado, que, em março de 1990, foi promovido por antiguidade do TRT da 10ª Região para o recém-criado TRT da 18ª Região.

Nomeado para presidir os trabalhos necessários à instalação desse Tribunal, o Juiz Octávio Maldonado envidou todos os esforços para que o Estado de Goiás pudesse contar com um órgão especializado nas lides trabalhistas.

Finalmente, após árdua batalha, o sonho torna-se realidade e, em 30 de novembro de 1990, foi instalado o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região. Nessa data, foram empossados sete de seus oito juízes.

Quando das eleições para o 1º biênio, o Presidente declinou do cargo, para cedê-lo a um natural do Estado de Goiás. A escolha recaiu na pessoa do Juiz Luiz Francisco Guedes de Amorim, que exerceu seu mandato no biênio de 30.01.91 a 30.01.93.

Após o primeiro mandato, dirigiram o TRT goiano os seguintes Presidentes, nos respectivos biênios:

Juiz Octávio José de Magalhães Drummond Maldonado - 29.01.93/30.01.95;
Juiz Sebastião Renato de Paiva - 30.01.95/29.01.97;
Juiz Platon Teixeira de Azevedo Filho - 30.01.97/29.01.99;
Juíza Ialba-Luza Guimarães de Mello - 29.01.99/2001;
Juiz Saulo Emídio dos Santos - 2001/2003;
Juíza Kathia Maria Bomtempo de Albuquerque - 2003/2005;
Juíza Dora Maria da Costa - 2005/2007.

Reforma do Judiciário

Tudo começou em 1992, quando o Deputado Hélio Bicudo apresentou, no Plenário da Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição nº 96/92, de sua autoria, com o objetivo de introduzir modificações na estrutura do Poder Judiciário.

- Após vários anos de tramitação, a redação foi aprovada na Câmara dos Deputados, cujo último relator, para vaidade nossa, foi uma mulher - a Deputada Zulaiê Cobra.

- Essa proposta chegou ao Senado no ano 2000, protocolizada como PEC nº 29/2000, onde foi acrescida por relevantes alterações estruturais, formais e procedimentais.

- Encerrou-se a Legislatura sem que o Plenário deliberasse sobre a matéria. Iniciando-se nova Legislatura, determinou-se a oitiva das Lideranças Partidárias, com novos Senadores compondo a Casa, advindo mais debates, inclusive com audiências públicas, com a participação de vários segmentos sociais e políticos, além de várias entidades. Essa reforma, ora aprovada, durou 12 anos, durante os quais juristas e parlamentares debateram as mudanças, com o acompanhamento e participação da sociedade civil. Afinal, a esperança de um povo reside nos poderes constituídos, e o Poder Judiciário é um deles.

Procuraram atacar questões consideradas fundamentais, que causavam insatisfação generalizada, tentando ver melhorado o desempenho do Poder Judiciário, ressaltando a morosidade no andamento dos processos e a ausência de controle por órgão que contivesse representantes da sociedade. Criou-se, então:

- a Súmula vinculante para o Supremo tribunal Federal (esse instituto obriga os juízes de instâncias inferiores a seguirem o entendimento do Supremo Tribunal Federal - STF, para combater a morosidade);

- o Conselho Nacional de Justiça, encarregado do controle externo do Poder Judiciário;

- o Conselho Nacional do Ministério Público (fiscalização e controle disciplinar);

- a quarentena para os membros da Magistratura (carência de três anos para que o juiz aposentado possa atuar como advogado nos tribunais de origem);

- o fim das férias coletivas. Ingresso na carreira só após 3 anos de exercício na advocacia;

- a quarentena para os membros do Ministério Público (medida moralizadora, idêntica para os juízes e integrantes do MP);

- a proibição de nomear parentes (impede a nomeação, por parte dos juízes, de parentes até o segundo grau);

- a federalização dos crimes contra os direitos humanos (deslocamento da competência para a Justiça Federal no caso de julgamento de crimes contra os direitos humanos, visando à sustentação das garantias individuais).

Competência da Justiça do Trabalho

A anterior redação do artigo 114 da Constituição Federal disciplinava o alcance da Justiça do Trabalho para a solução de dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores.

A Emenda Constitucional nº 45 valorizou a Justiça do Trabalho e ampliou sua competência. Novas lides passarão a ser julgadas pela Justiça do Trabalho, como as decorrentes da fiscalização do trabalho, do exercício do direito de greve, as relativas aos sindicatos e os habeas corpus, habeas data e mandados de segurança, quando a matéria relacionar-se com o trabalho.

Com efeito, os juízes do trabalho terão sob sua responsabilidade outras questões, além das tradicionais reclamações trabalhistas, que envolviam somente empregado e empregador.

Agora, exigir-se-á dos juízes do trabalho o domínio sobre outras áreas do Direito, pelo alargamento das matérias, objeto das novas competências. A postura, antes mais voltada à aplicação das regras protecionistas, próprias do Direito do Trabalho, terá caráter mais universal.

A Justiça do Trabalho não se aterá mais a dissídios envolvendo unicamente trabalho subordinado. A partir de agora, autônomos, profissionais liberais, representantes comerciais, corretores, eventuais, entre outros trabalhadores, utilizar-se-ão dessa Justiça especializada para dirimir seus litígios decorrentes das relações de trabalho.

Na verdade, não era razoável o fracionamento das competências, distribuídas por diferentes tribunais, com soluções contraditórias para questões da mesma natureza. Não se justificava confiar questões tipicamente trabalhistas a Tribunais não especializados, como se dava em relação à matéria sindical ou multas administrativas.

Como se vê, a competência da Justiça do Trabalho foi ampliada. Não se limita mais à espécie "relação de emprego". Agora atinge o gênero relação de trabalho e em torno desse novo núcleo passam a gravitar as novas competências daí decorrentes ou correlatas.

Precisa-se de tempo para se determinar o exato alcance da expressão ações oriundas da relação de trabalho. É necessária essa nova dimensão em face da “reconfiguração do direito do trabalho” e revisão do conceito de subordinação e do próprio papel do direito do trabalho na sociedade.

Por situar-se na confluência do econômico, do político e do social, o Direito do Trabalho é mais sensível às diversas alterações ocorridas na coordenação das novas formas de trabalho, motivo pelo qual se confiaram à Justiça do Trabalho novas e relevantes competências.

A Emenda Constitucional nº 45 transferiu para a Justiça do Trabalho as ações relativas às penalidades administrativas, até então submetidas à Justiça Federal.

As ações anulatórias de autos de infração, lavrados pelos auditores fiscais do trabalho, serão decididas por juízes mais afeitos à matéria.

Foi retirada da Justiça Comum a competência em matéria sindical, transferindo-a à Justiça do Trabalho, onde os magistrados têm mais afinidade com o tema.

Não obstante a reforma do Judiciário conter dispositivos de grande relevância, podem ser apontados alguns aspectos negativos.

A imediata transferência dos autos dos processos em curso, tanto da Justiça Comum, quanto da Justiça Federal, para a Justiça do Trabalho, e o ajuizamento das novas ações, por força das novas competências, inevitavelmente provocarão notável impacto e consequente congestionamento na Justiça do Trabalho, pelo menos no início.

Ao constatar o impacto da Emenda em face das novas competências, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vantuil Abdala, esclareceu que tal fato “trará repercussões no direito processual do trabalho e, com isso, a possibilidade de controvérsias sobre questões procedimentais que devemos tentar evitar".

Com exceção de instrumentos judiciais sujeitos a procedimentos específicos, tais como, habeas corpus, mandado de segurança, habeas data e ação rescisória, a Resolução do Pleno do TST mantém o rito ordinário (procedimento comum) ou sumaríssimo, conforme disposições expressas da CLT.

O texto constitucional atual é o seguinte:

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
II - as ações que envolvam exercício do direito de greve;
III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores;
IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição;
V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o;
VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho;
VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho;
VIII - a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir;
IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.
§ 1º Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.
§ 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito.

Para atender a toda essa demanda sabe-se que serão criadas 245 Varas do Trabalho no Brasil, bem como a abertura de concurso público.

O entusiasmo que as mudanças provocam, por vezes, converte-se em pesadelo, muito mais pelo medo que temos de mudar. O espetáculo da mudança pode apresentar um lado negativo, a ponto de nos amarrar ao que não mais existe, impedindo-nos de crescer, de enxergar o novo que está nascendo.

A ameaça recente de extinção dessa Justiça especializada provocou reação por parte dos profissionais do Direito do Trabalho, em especial dos juízes do trabalho, culminando no seu fortalecimento, comprovando-se que é no após-guerra que surge a união, a força e os grandes inventos.

É inegável a valorização da Justiça do Trabalho em função das novas competências, completando-se o ciclo de sua integração ao Poder Judiciário.

O avançado da hora se registra. Esperando ter passado alguma informação sobre o tema que me foi dado, agradeço a atenção de todos.

Obrigada, novamente.


Palestra proferida por Genaura Tormin, Analista Judiciário, da Diretoria de Recursos e Distribuição do TRT-18ª Região, em Goiânia-GO. 26.06.05.

Genaura Tormin

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O QUE É PÁSCOA?


O QUE É PÁSCOA?
(Genaura Tormin)

Seres esquálidos,
Famintos,
Cobertos por andrajos,
Sentam-se ao meu lado.

É páscoa!
O sentido do vocábulo,
Não sei!
Apenas o espanto,
E um enorme gosto de dor
Sufocam-me o peito,
Num grito inaudível.

E somos irmãos!
Será que eu entendo isso?

Meu Deus,
Mais que uma cruz,
Pesam nesses ombros,
Que arquejam e sangram
As crueldades do mundo.

Os corpos apáticos
Pendem do madeiro,
Um a um crucificados,
Sem dignidade!

E eu aqui!!
Tentando renascer...

segunda-feira, 29 de março de 2010

RE-ENCONTRO


São essas menções de carinho que me deixam sem palavras, muda, extática... Essas são as muitas mestras que encontramos pelos caminhos, e que nos impulsionam ao autoconhecimento.
A Selma, todo o meu carinho, a minha admiraçao e um enorme respeito pelo ser iluminado que é.
Nada há a criticar.
Quem sou eu?
Diante de tão belo poema, quedo-me encantada.
Faz bem à alma, ao coração e à amizade que une os nossos espíritos nesse trajeto por aqui. O carinho é recíproco, viu!
Beijo grande da
Genaura Tormin

(...)Escrevi uma coisinha, em lembrança ao que me descreveu do seu recanto de final de semana, dedicada também à alegria e ao privilégio de tê-la comigo. Confesso que fico envergonhada, mas tem tanto carinho em cada palavra, que me atrevo a lhe enviar.
Receba e leia com seu coração, mas critique com sua razão!
Deus a abençoe!
Com amor, a abraço.


RE-ENCONTRO
(Selma Regina de Moraes)

Passarinhos entoam um hino ao Criador
Sob a orquesta do vento que os embala
A tarde ensaia uma coreografia com a natureza
Com as árvores todas em animação festiva
Pelos olhos de uma fada, acompanho o ritual
O pulsar do seu coração denuncia o êxtase
Capaz de alcançar e contagiar o meu próprio

Não estamos sós na imensidão dos mundos
Há sempre sintonia entre os que se irmanam
E mesmo a anos-luz de distância e de silêncio
Caminhando no percurso necessário das existências
A afinidade se encarrega de conduzir ao (re) encontro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

PRIMEIRA VIAGEM DE ÔNIBUS DEPOIS DE PARAPLÉGICA



Assistindo ao capítulo da novela VIVER A VIDA, que exibiu Luciana se transportando de önibus coletivo, vi-me na personagem e voltei no tempo.
Colei aqui excerto do meu livro PÁSSARO SEM ASAS, em que conto façanha similar.
Aproveito do ensejo para elogiar a feliz escolha do tema da novela, com tantos pormenores, alicerçados na realidade fática.
Significa um plantio, uma valoração que, com certeza, redenderá muitos frutos, melhorando a nossa inclusão social e estimulando o respeito.

PRIMEIRA VIAGEM DE ÔNIBUS DEPOIS DE PARAPLÉGICA
(Genaura Tormin)

Mesmo exercendo a titulância de uma delegacia contestadora e pesada, à noite eu lecionava. O magistério sempre me fascinou. Pesa-nos a responsabilidade pelo direcionamento eficaz, mas gratifica-nos pela obra que poderemos erigir.

Dessa vez, a matéria era Deontologia Policial, ciência do que é justo e conveniente que o policial faça. É a ética agindo sobre ele. Estabelece normas diretoras sob o signo da honestidade.

A ética estuda o caráter das pessoas, os usos e costumes com o estabelecimento de um conjunto de normas, regras e valores que se referem ao que a gente chama de: a conduta livre, a conduta justa, e a conduta feliz. Trata da liberdade, da responsabilidade e da felicidade no mundo das paixões, explica Marilena Chauí.

Apesar de não existir, na época, muita matéria didática sobre o assunto, os anos de vivência policial davam-me o passaporte para a cadeira. Minha força de expressão, a capacidade de fazer amigos e a identificação com a matéria majoravam-me a vontade de viver. O conhecimento que passava sempre centrado em exemplos vivos lapidava alguma faceta humana.

Lecionava para agentes, escrivães, escriturários, comissários e para os novos delegados que faziam o curso de formação. Nunca vira turma tão entusiasta como a desses delegandos. Egressos de seleção acurada apresentavam grandes conhecimentos jurídicos e distinguiam-se como pessoas excelentes no contexto social. Muitos tinham sido advogados militantes, assessores jurídicos ou desempenhado outros encargos de responsabilidade. Como exemplo, a Dra. Ivatônia, moça determinada, estudiosa, hoje, juíza no Distrito Federal, além de muitos outros que se destacam em cargos de direção, mandatos eletivos etc.

Felizmente, consegui realizar a tarefa a contento e fazer-me benquista entre eles. Parecia que força maior corroborava os meus ensinamentos.

Numa confraternização do curso, eis-me a caminho do Rio Araguaia, divisa de Goiás. O convite fora-me feito de maneira tão carinhosa que não poderia recusar. A amizade é o elo de estima entre os seres humanos; é ato de valoração e deve ser recíproco.

Dois ônibus conduziam os alunos delegandos. Era a primeira vez que me transportava de ônibus desde que ficara paraplégica. Meu espírito combativo, aventureiro, não hesitara em concorrer à normalidade dentro de um ônibus coletivo. Não existem problemas insolúveis. Entendo que não se deve pautar a vida pela espera sempre. É como esclarece José Ingenieros: “O amanhã é a mentira piedosa com que se iludem as vontades moribundas”. Com criatividade, tudo fica acessível, sem descalabro nem tristeza.

De bermuda, tênis e camiseta, num traje especificamente esportivo como os demais, lá estava eu, ocupando a quarta poltrona do ônibus, logo apelidado de “escolar”, junto ao Alfredo.

A viagem fora animada, como não poderia deixar de ser. O violão soltava sua lira na parte traseira do ônibus, regido pelo Dr. Rosival Reis. Músicas e mais músicas. Agüenta coração!

Na madrugada, cortávamos a cerração que se condensava no alto das colinas feito picos gelados, no desejo de penetrarmos às praias feiticeiras do grande Rio Araguaia. Queríamos sentir o cheiro agreste das matas impregnadas de segredos e lendas, ver o crepúsculo, as revoadas de pássaros, o sol bailando nas águas e a lua namorando a praia.

No trajeto, tomávamos cerveja em lata e até uma pinguinha de engenho por lá aparecera como “cachimbo da paz”.

Como não podia descer para ir ao banheiro, usava a latinha de cerveja como invólucro do mais precioso líquido — xixi. Alfredo havia-me passado uma sonda vesical (foley) para condicionar-me às oito horas de viagem. Assim estava tranqüila. De vez em quando introduzia meu fino pênis (a sonda) na lata e, disfarçadamente, resolvia o problema. Que felicidade! Como tinha a agradecer àquela minúscula latinha que dividia comigo a sua utilidade! A mangueirinha bege, de 20 cm de comprimento, servia de ponte para o jeitinho brasileiro.

Por que ficar triste por isso? Realmente era uma solução diferente, mas não deixava de ser uma solução, o que era mais importante. Quando a gente se aceita como é, tudo fica normal e simples. As dificuldades são creditadas como mérito nosso.

Com o sol avermelhado, qual bola de fogo mostrando a sua cara no horizonte, aos primeiros refegos do vento, colorindo a manhã de púrpura incandescente, chegamos ao Rio Araguaia. Tudo estava envolvente como as imagens que bailavam em nossas mentes. O prefeito de Aruanã, cidade às margens do rio, esperava-nos com foguetes e
churrasco.

Sujeito engraçado, o prefeito! Amável e brincalhão. Conseguira barracas do Exército e montara uma cidade ribeirinha para nós, numa das muitas ilhas do rio.
Logo, formamos um comitê na barraca do casal de delegandos Míriam e Manoel, legítimo representante da turma. Que casalzinho porreta, diziam todos.

Doutor Manoelzinho,
Da turma é a mascote,
Anima o pessoal,
Mas também tem pulso forte,
Ao lado de sua Mirinha,
Conquista de Sul a Norte.

O som do violão, o murmúrio da brisa na fronde das árvores, o remanso das águas e a cadência dos nossos cantores formavam um corolário de amor. Que paz, que transcendência, que convite ao infinito, tão diferente do cotidiano de um Delegado de Polícia em meio à turbulência de uma delegacia — pensava eu, ao tomar a última gota de cerveja do copo.

— Está bem servida, doutora? — perguntara o Dr. Eduardo.
— Estou me sentindo no melhor dia da vida! Sou pacifista e também passional! Gosto da singularidade da natureza. É o verdadeiro altar da existência. O cheiro de mato, o gorjeio dos pássaros, esse sol transverberado nas águas comovem-me, atiçam a minha sensibilidade. A alegria de vocês, a areia deslizando sob os meus pés, e ainda, a lira desse violão, acariciam minha alma, transportam-me ao céu. Se desencarnasse agora, partiria feliz. Vivo todos os momentos como se fosse o último. Mas este momento, este lugar, este ar bordado de aromas excedem os limites de uma mulher-amante. Arranje-me uma caneta e um pedaço de papel. Vou saudar o Rio Araguaia:

Ao Rio Araguaia

Você, que corre sereno,
E a natureza floresce,
Formando ilhotas tão lindas,
Que a nossa alma enaltece,
Oh! Querido Araguaia,
Você parece uma prece!

Os nossos olhos vagueiam
Nas águas deste gigante,
Envolto em orquestras mil
E gorjeios delirantes
De revoadas de pássaros
E pôr-do-sol ofegante.

É a tela mais bonita
Feita pelo Criador,
Com desnudo matizado
Mesclado de aroma e cor,
Que se banha em suas águas
Num espetáculo de amor.

Oh! Meu querido Araguaia!
Pedaço de coração,
Regaço de leite e mel,
Berço de emoção,
Orgulho do chão goiano,
Versos de minha canção!

A turma eclodiu em palmas. Elogios dali, daqui e a vida passando da melhor maneira que podíamos aproveitá-la.

De vez em quando, fazia uma trovinha para ouriçá-los. Sempre em caráter brincalhão, aproveitando as frases soltas em conotações diferentes. Sempre havia um jeitinho para mexer com alguém, provar a esportiva...

O senhor Brasil, tio do Manoelzinho, assava o churrasco e jamais me esquecia. Lógico! Meus passos eram muito pesados na areia. As pernas de aço cavavam o solo, querendo enterrar-se nele. Não vencia distância em pleno areal. O meu direito de ir-e-vir estava comprometido. Só a minha imaginação sobrevoava todo o sacrário ecológico do Araguaia, admirando os fenômenos, a beleza da natureza selvagem desnudada em troncos curtidos, deixados abandonados à margem do remanso.

— Da próxima vez, vou mandar apensar rodas de buggy na minha cadeira.

Cantei uma música em castelhano (Sabor a mi). O Dr. Reni acompanhou-me ao violão. É também um saudosista. A turma gostou. Mas alguém gostou muito mais. Quem sabe, trouxera-lhe o passado, abrira-lhe a cicatriz. Era o “seu” Brasil, que deixou o espeto e deu-me um beijo com a afirmativa de que o fazia como se fosse à sua própria mãe.

Está aqui o Brasil,
Patriota de verdade,
Que guarda a simpatia,
E também a lealdade,
Fala o que é preciso,
Mas só dentro da verdade.

Até um beijo me deu
E de mamãe me chamou.
Eta, bichinho danado,
Que pode ser meu avô,
Pensou em não me ofender,
Mas no meu cordel dançou.

domingo, 21 de março de 2010

UMA REFLEXÃO


UMA REFLEXÃO
(Genaura Tormin)

Um encontro nacional de pessoas com deficiência física, realizado na minha cidade. Eu estava lá, estreando, aprendendo, participando, conhecendo o meu novo habitat.

Como principiante, sentia-me intrusa naquele ambiente que jamais havia sido meu. O visual impregnava-me de compaixão, apesar de os deficientes serem alegres e extrovertidos. Faziam brincadeiras e elogiavam a hospitalidade goianiense e até a alimentação (mísera marmitex industrializada).

Eram humildes, acostumados às crueldades da vida. Via-se que a maioria apresentava baixo poder aquisitivo. Alguns ocupavam cadeiras de rodas, em cujo encosto lia-se em letras garrafais: “DOAÇÃO DO PALÁCIO DO GOVERNO”.

Era o inverso do enunciado bíblico: “Quando deres, faça-o com a mão sem que a outra perceba”.

O ônus pago pela cadeira de rodas, necessidade número um da pessoa que não pode dela prescindir para deambular, era elevado demais. Significava dizer a todos: “Sou tão inválido e pobre que não pude comprar a minha própria cadeira de rodas”.

Era o preço da humilhação, portanto, mais caro do que uma cirurgia de grande porte, pois a ferida não sara e fica sempre à mostra para o escarneo público.

Aquilo para mim era cruel. Era a exploração camuflada de solidariedade para arrebanhar a anuência da massa de manobra, numa vil propaganda. Por isso eles eram a estampa do Cristo Crucificado; espectros de seres, sem auto-estima, vivendo por viver e, ainda, ostentando, aonde quer que vão, a propaganda do GOVERNO-PAI.

Abomino tal conduta, a qual se enquadra como ato típico perfeito de roubo da dignidade. E dói muito quando feito pelos governantes que apenas administram as receitas oriundas dos nossos impostos e têm por obrigação o soerguimento social.

É preciso que haja consciência, que haja voz para denunciar tais deslizes que, por vezes, aleijam mais do que a própria deficiência, pois comprometem a mente, o equilíbrio, a auto-estima e o desejo de continuar vivendo.

Ali, eu era a mais recente paraplégica. Era caloura na profissão de não marcar passadas no chão.

domingo, 14 de março de 2010

MEU FILHO, ÉS UM PRESENTE!


MEU FILHO, ÉS UM PRESENTE!
(Genaura Tormin)

Psiu!!!
Mais um aniversário!
Aqui estou pra te abraçar,
Te dar o meu carinho,
E de amor te falar.

Hoje, volto no tempo.
Sinto-me ainda a paparicar a cria.
Uma gentinha nova envolta em panos,
Que para mim sempre sorria.
Quase não acredito que sou a tua mãe,
Que te peguei no colo, te contei histórias,
Ninei pra te embalar o sono.

Amores são tantos,
Multiplicados, somados, divididos...
Mas o de mãe é sempre único,
Grande, feito o universo.
É um poema que lateja,
Rimado no calor de muitos versos.

O liame de afeto nunca se rompe!
Provém da eternidade,
Quando ainda éramos só espíritos,
E selamos essa cumplicidade.

Vim na frente
Para te preparar o berço,
Te receber em meu ventre,
Ser o adubo para cresceres contente.

Meu filho,
És um presente!
Deus te abençoe,
Hoje e sempre!

Beijo grande da
Mamãe.

TIMONEIRA DO TEMPO


TIMONEIRA DO TEMPO
(Genaura Tormin)

Abrolham em mim
Os espinhos dos penhascos,
As nascentes dos riachos,
E tudo se faz dolente
Ao morrer o sol.

Não há estrelas no firmamento.
Sem magia, sem fantasia,
Sou a timoneira do meu tempo.
A noite é fria e a vida vazia.

Velejo no dorso do vento.
Ancoradouro, já não existe.
Perdeu-se na ribanceira.

À deriva meu barco flutua.
Na pele o chicote da noite
Sob a solidão e o clarão da lua

domingo, 7 de março de 2010

MULHER, MUSA DO AMOR



MULHER, MUSA DO AMOR
(Genaura Tormin)

Mulher, doce escultura,
Musa de todos os versos,
Invólucro de paixão.
Do teu semblante
Irradia a ternura,
A bondade,
O benquerer, a compaixão,
O que a faz criadora e criatura.

Mulher/menina,
Anjo de candura.
Adolescente,
Palco de todos os sonhos.
Sorrisos escancarados,
Cabelos soltos ao vento
Nas algazarras do mais verde tempo.

E os papéis se multiplicam
Em partilhas de amor.
Namorada,
Esposa, mãe, confidente, amiga,
Profissional aguerrida,
Trabalhadora,
Incansável intercessora.
Fada/madrinha,
Sempre benfeitora!
Uma rainha!

Seus ombros
Podem carregar o mundo
E em seu ventre
A vida floresce
Num ninho de amor fecundo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

MINHA CRIA, MINHA VIDA


MINHA CRIA, MINHA VIDA!
(Genaura Tormin)

Trago o meu abraço,
Meus versos, minha canção,
Para um menino bonito
Que mora no meu coração.

É meu filho muito amado,
Elo de minha corrente,
Caráter determinado,
O que me faz muito contente,
Pois além de tudo isso,
Ainda é meu confidente.

Mais um ano palmilhado!
Aqui estou eu pra lhe abraçar,
E dizer que é um prazer,
Ter sempre ao meu lado você,
Até nas lides do Judiciário!

Meu rebento, minha cria!
Hoje é o seu ANIVERSÁRIO!
Muita paz, muita alegria,
Meu colega de trabalho!

Parabéns, FERNANDO!
Amo muito você!
Beijo grande da
Mamãe.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)