PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

sábado, 6 de agosto de 2011

PAR DE TÊNIS


PAR DE TÊNIS
(Genaura Tormin)

É um par de tênis velho,
Surrado,
Desbotado,
Que tenho guardado.

Aguça-me a memória,
E eu volto ao passado.
Seu solado gasto,
E a forma encarquilhada,
Relembram-me as batalhas.

Era o coadjuvante,
O suporte da minha teia,
Na disciplina da vida,
No ir-e-vir lépido e faceiro...

Era o enfeite preferido
Dos meus pés andejos,
Que bailavam em
Passos apressados, lentos,
Jocosos, manhosos...
Quantas divisas,
Quantas conquistas!

Hoje,
Meu par de tênis,
Quieto no armário,
Ainda me espreita de soslaio,
Contando a minha história,
Reclusa no relicário,
Deste peito que ainda chora.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

SOBRE PÁSSARO SEM ASAS


SOBRE PÁSSARO SEM ASAS


Genaura, minha querida!

Acabei de ler seu “PÁSSAROS SEM ASAS”.
Continuo em estado de graça. O livro chegou-me em boa hora.
Estava desanimada, para baixo e desde que o vi, comecei a ler sem parar.
Eu chorei, eu ri, eu me emocionei, mas principalmente, eu me animei.

Vivo a cada minuto e a cada passo lembrando você, sua luta, sua força, sua garra e sua vitória. Me policio cada vez que tenho pensamentos negativos, lembrando você como se fosse uma luz num farol mostrando o caminho para a navegação.

Eu já tinha por você um grande amor cheio de admiração. Sabia de sua luta, mas sabe-lo em detalhes, cada mínima dificuldade por você superada, deixou-me ainda mais admirada com sua força.

Sinceramente, não é para qualquer um.
E você é uma heroína. Uma grande mulher de quem tenho grande orgulho de ser amiga.
Agradeço a Deus o dia em que colocou você no meu caminho, pois é exemplo a ser passado para todos, todos os dias.

Vou passar seu livro adiante, emprestando a tanta gente que sei que encontrarão nele um alento e uma muleta para mudar a vida.

Genaura, você não é capaz de imaginar o que seu relato de vida é capaz de fazer às pessoas.
Continuo como disse, em estado de graça.

Obrigada por compartilhar comigo seu PÁSSARO SEM ASAS, que de “SEM ASAS” nada tem, pois é alado e capaz e sobrevoar sobre outras vidas trazendo no bater das asas, a brisa que traz o perfume da compreensão, do amor, do exemplo e da superioridade de uma mente evoluída.

Parabéns querida!
E obrigada por tudo.
Beijos
Mari

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

FAUNA DOS SONHOS


FAUNA DOS SONHOS
(Genaura Tormin)

O tempo levou-me os sonhos,
Tantas esperanças,
Retratados em desejos mil,
Na fértil imaginação de criança.
Como era feliz e não sabia!
Sem máscaras, sem disfarces...
Apenas eu mesma: sorriso escancarado,
Correndo ao vento,
Aos píncaros dos folguedos do meu tempo.

No céu talhado de nuvens,
Bordava as fantasias
Com os flocos dançarinos de algodão.
E as mágicas aconteciam,
Em carruagens, reis e rainhas,
Príncipes e lagos encantados.

Foram-se os anos,
Tão rápidos, tão velozes,
Até que me descobri adulta.
Vi, com tristeza, que o sol radiante
Havia mutilado as nuvens,
Os flocos de espuma, a fauna de sonhos,
Esconderijo dos meus desejos.

Em troca, restaram-me meras coisas,
Sem formas, vazias,
Dispersas em fumaça, em dores,
Que poluíram o azul de minha vida.
O horizonte, nem sei se existe mais.
Quisera ter impedido o sopro do vento.
Quisera ter retido as nuvens do meu tempo.

ESTOU NO CAMINHO


ESTOU NO CAMINHO
(Genaura Tormin)

Faça sol ou faça frio,
Eu sigo contente
A minha estrada!
O fardo é pesado
E o meu jugo oprime,
Mas o amor me redime.

Faz-me seguir o destino,
Fruto de minhas escolhas!
O amor é o escudo,
A bússola que me orienta,
A estrela que me guia.

Na aljava seguem as armas,
A proteção para os meus pés,
O alimento para a alma.
Estou no caminho!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

TETO DO MUNDO


TETO DO MUNDO
(Genaura Tormin)

Ao amanhecer
O sol desponta no horizonte.
A natureza se rejubila em festa,
Desfolhando versos
Nos ninhos que se multiplicam.
A brisa acaricia a ramagem,
Sobe às colinas...
Os riachos correm dançando,
Abraçam os rios,
Alimentam várzeas e peixes,
E seguem cantarolando para os mares.

É a vida fluindo contente
Na policromia dos vales e montes,
Das flores e fontes.
Não há lamentos!
Tudo a seu tempo renasce,
Floresce e encanta,
Na orquestra de cada manhã.
Depois, o sol vai descansar.
Vem a noite em seu manto de gala
Integrar a perfeição do Universo,
Rendilhando de estrelas,
O TETO DO MUNDO.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O TREM NÃO ATRASA

Flores de minha casa espiam a rua por mim.

O TREM NÃO ATRASA
(Genaura Tormin

Existência guardada
Na caixa do tempo,
No relógio da vida,
Onde vaga a memória
Na justeza dos atos,
Da consciência tranquila.

Viver é isso:
Evoluir, crescer...
Para depois partir.
A passagem de volta,
Há muito foi agendada
E o trem não atrasa,
Parte na hora marcada.

Em títulos da alma,
Transcende a bagagem
Na paz do caminho,
No final da estrada.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CARINHO DE UM POETA PORTUGUÊS


Costumo postar os meus textos também no HORIZONTE DA POESIA, um site português, uma Confraria de execelentes poetas daquele país lusitano, terra-mãe do nosso Brasil. Primam pelos bons textos, pela sensibilidade e pelo calor humano.

O poeta é um plantador, e a ele cabe alistar-se na semadura do bem, na construção de um porvir melhor.

Preocupo-me com isso e curvo-me com respeito diante desses sensíveis trabalhadores, cujos escritos em verso e prosa se multiplicam mundo afora na construcão de tanto bem, de tanto alento, de tantas lições benfazejas, hoje veiculadas, como num passo de mágica, por essa maravilhosa rede mundial de computadores que abraça a todos, mesmo em países cujo vernáculo é diferente. Isso é ascensão!

Ainda recente, publiquei um capítulo do meu livro PÁSSARO SEM ASAS, intulado "EU PRECISAVA CHORAR", naquele Site.

Realmente, eu precisava chorar mesmo, pois os relatos ali enfeixados são verdadeiros, escritos com a dor de quem protagonizou ou protagoniza na escola vida, uma história de dificuldades, de machucaduras, cuja opção é apenas VENCER OU VENCER.

Contudo, sinto-me uma campeã. Venci a batalha, subi ao pódium e recebi o troféu.
Por isso divido o caminho a que me propus enfrentar com os meus leitores, para justificar o meu pedido de alistamento como recruta nesse batalhão do bem.
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Assim, percebi com espanto que o texto ganhara muitas leituras e, além dos muitos comentários postados, encontrei também um poema.

Encantou-me o carinho do colega, o que me faz dividir com vocês a grandeza desse poeta, bem como a excelência de seus versos que me fizeram muito contente.

CARINHO DE UM POETA PORTUGUÊS

"Eu li com emoção o que escreveste:
A confissão da pena, da tristeza,
Que fez desaparecer no azul-celeste
O Ser que te gerou, sua grandeza

Grandeza que ao dizeres transparece
Em todos estes termos comoventes;
Grandeza que ganhaste e fortalece
As pernas que sem força estão dormentes

E como tu recordas a criança
Que num dia tão triste quis dar colo...
Numa atitude digna de esperança
Que esses conselhos seus dessem consolo...

A vida te foi dura e de embaraço
Para a fazeres em pleno em teu desejo!
E sei não te curar com um abraço...
E sei, também não curo com um beijo

Mas hoje que estás mais habituada
E encaras como dizes já feliz,
Desejo que tu vás vencendo a estrada!
Que o Amor seja pra ti sempre a raiz!

Um beijo
Joaquim Sustelo"

Querido amigo,
Que prazer ler tão lindo poema e sabê-lo feito para mim. Sua carga de sentimento e ternura acalenta-me a alma, faz-me contente e feliz. Mais uma vez, sinto que acertei ao enfrentar as agruras do caminho, transformando-as em aprendizado e ascensão rumo aos objetivos a que me propus. Você é um excelente poeta, cuja sensibilidade escapa-lhe, ornando os versos, sublimando num benfazejo plantio. Não mereço tanto, mas agradeço. Vou guardar o seu gesto no meu coração.
Obrigada
Beijo grande da
Genaura Tormin
Gyn 05.05.2011

domingo, 17 de julho de 2011

BREVÊ


BREVÊ
(Genaura Tormin)

Embora brancos estejam os cabelos,
Eu me vejo criança a pedir colo,
Implorar guarida.

Ainda tenho medo de ficar sozinha!
Medo da escuridão,
Do vento que soluça ao meu ouvido.
Tenho medo da chuva
Que tamborila na vidraça...
Medo do bicho papão,
Da minha infância tão distante!

Ainda preciso que me segurem a mão.
Tenho medo de fantasmas.
E quantos fantasmas bordaram a minha vida!
A fragilidade bate-me à porta.
Toma-me a alma em desalento.
A máscara caiu, obsoleta e fria.
Já não preciso dela.

Quero o direito de ser boba, frágil, idiota...
Estou pedindo alforria.
Não quero mais ser gente grande.
As crias cresceram e partiram.
Estão seguindo as suas trilhas.

Cumpri o dever e exerci o pacto do amor,
Que impregnado, melhorou-me o ser.
Mais aprendi que ensinei.
Agora, eis que estou a devolvê-las.
Afinal é a sina de todas as mães,
Pois os filhos não são nossos.
São empréstimos de Deus,
Cabendo-nos o feitio de suas asas,
E o brevê para voarem sozinhos,
No céu de suas vidas.

sábado, 16 de julho de 2011

IMAGEM BONITA


IMAGEM BONITA
(Genaura Tormin)

Estou no teu pensamento,
Numa imagem bonita,
No sentimento que me dedicas.
Sou jovem, sou velha,
Sou o tempo, a experiência,
A caminhada, ladeiras e decidas...
Sou argamassa em tuas mãos.

O barro do oleiro,
A arte do artesão.
Sou a canção de uma noite fria,
A solidão do seresteiro,
Ou o canto dolente do boiadeiro.
Quero escalar o infinito,
E deixar meu grito para o mundo inteiro.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O MÉRITO NÃO FOI MEU


Eis mais um capítulo do meu livro - PÁSSARO SEM ASAS! Um brinde aos meus leitores. Espero que gostem, pois a premissa maior alicerça-se na coragem e na vontade de seguir em frente!

O MÉRITO NÃO FOI MEU
(Genaura Tormin)


Passaram-se alguns anos desde a última vez que, voluntariamente, dirigi meus passos, impregnando formas no chão. Fisicamente não consegui andar, mesmo envidando muitos esforços. Entretanto minhas pegadas avolumaram-se na caminhada do bem servir e no conhecimento do existir, tornando-me forte e altiva, apesar do rangido brusco de quatro rodas pelo chão.

Dentro de minhas limitações, sou livre: corro em idéias, em versos, em sorrisos, em trabalho, em transcendências ao infinito.
Ouso dizer que o mérito não foi meu, mas de toda a família, parentes, colegas de trabalho, amigos e conhecidos, a quem cabe a responsabilidade pelo meu desejo, cada vez maior, de vencer.

Rendo gratidão aos espíritos evoluídos dos meus superiores da Secretaria da Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás que me conservaram no cargo, valorizando a minha competência, embora a natureza do trabalho exercido ali fosse, em princípio, um paradoxo à minha condição física. Entenderam que o maior potencial está na disposição para vencer, além do preparo técnico-científico inerente ao exercício do cargo. Naquela época, trabalhar numa cadeira de rodas era um fato estranho, quase inusitado, embora a deficiência constitua uma parte natural da experiência humana. E o exemplo ficou para todos os órgãos públicos e privados.

Atribuo o maior mérito ao meu querido Alfredo que em nenhum momento tem-se cansado da caminhada. Combativo, determinado, não tem poupado esforços para me devolver não duas pernas, mas uma miríade delas. Sinto-me uma centopéia. Estou cheinha de pernas. Mais do que preciso. Ambos chegamos a uma autotransformação mediante um processo de evolução consciente. Mesmo quando eu menos mereço, ele é capaz de me amar. A ele, reitero o meu carinho, a minha gratidão. Nossa cumplicidade tornou-nos imbatíveis e unos. A ele o carinho dos meus versos:

INDIVISIBILIDADE

Quando tu partires
Irei contigo.
Levarei o aconchego da noite
Para te fazer feliz.

Serei suave,
Feito o balanço do mar,
Para te amar,
Amor.

Irei contigo
Aonde fores.
Tuas pegadas
Serão as minhas pegadas,
E eu te amarei
Em todos os momentos.

Não choraremos
Porque as lágrimas secaram
Com o sol da manhã,
Fazendo-nos fortes
A qualquer embate.

Irei contigo
Até o infinito,
Onde tudo é perfeito,
Sem dor,
Sem mutilação,
Sem medo.

Irei contigo,
Amor,
Porque faço parte de ti,
E tu és tudo
Que sempre cultivei em mim.
Assim,
Seremos indivisíveis,
Unos e eternos.

Alfredo estava sempre comigo nas primeiras vezes. Juntos, ganhamos a corrida. Subimos ao pódio. Ganhamos o troféu.
Voltei a fazer tudo o que fazia antes. Às vezes a situação torna-se apenas engraçada, nunca impossível.

Trabalho todos os dias e nos feriados e fins de semana vou à cozinha, arrumo armários, conserto roupas como toda dona de casa. O fazer não está sempre adstrito em subir escadas para alcançar armários embutidos, mas administrar, estar presente, coordenar, dar as cartas. Assim as barreiras não existem. Os encargos são-me atribuídos como antes. Não sou vista diminuída, mas até acrescida. Permito-me todos os afazeres: comigo, com o marido, com os filhos e com o meu trabalho. Se o avançado da hora se registra e o dever me chama, aceito ajuda como qualquer pessoa andante, não como dependente.

A vida social continua. Participamos até de bailes. Temos uma Associação de Delegados, com excelente sede e farta pista de dança, onde praticamos lazer, trocamos idéias, tomamos uma cervejinha e dançamos. No início, os colegas paparicavam-me muito. Aproximavam-se de nossa mesa para fazer-nos companhia e externar solidariedade. Usavam o elogio para compensar a disfunção dos meus membros inferiores, tão indispensáveis para a dança, o que eu retrucava com galhardia:
— Você não leu o “Meu pé de laranja-lima”, de José Mauro de Vasconcelos, Saint Exupery... “O essencial é invisível aos olhos, é preciso buscar com o coração”. Por isso, colega, fui eu quem iniciou a dança, quem inaugurou a pista. Adoro dançar! Danço em cada um de vocês e com cada um de vocês. Em cada passo, estou atenta para não errar. Danço com a alma, com o coração e sinto que a cada dia bailo melhor, encontro-me com a vida e sou feliz.

Aprendi a conviver pacificamente com as amarras da deficiência. Não me reconheço no passado. Acho que sou uma nova mulher. Gosto-me assim. Consigo driblar dificuldades e isso significa muito para mim.

De todas essas dificuldades, a falta de sensibilidade é a que mais dói e a que mais deve ser observada. Certa vez fui a um jantar dançante. Dias depois, minha família percebera um enorme hematoma na minha região lombar, nível da cintura. Surpresa! Lógico, uma grande interrogação. Imbuindo-me do costumeiro papel de detetive de mim mesma, concluí que teria sido provocado pela dança na cadeira de rodas. Certamente, o cinto de metal formado de elos que eu usava naquela noite, provocara atrito nas protuberâncias da coluna vertebral. Hoje danço sem o cinto de elos, mas importa-me muito os elos de afetividade que consigo ligar entre os meus leitores, entre amigos, entre as pessoas com quem desenvolvo algum diálogo. Minha meta é a paz interior e eu sei que a vida me aponta caminhos para isso. Como partícipe, sei que preciso dividir e a melhor maneira de pensar em mim, é pensar em todos. A felicidade coletiva necessita de coadjuvantes. Ela não pode existir sem esforços. E, com certeza, fiz-me recruta, estou alistada no batalhão desses servidores, por princípio, por convicção.
Não lamento o que fazia antes, mas fico satisfeita com o que ainda posso fazer. Acho-me perfeccionista e esmero-me na execução. Não sou narcisista, mas gosto de sentir o mérito da conquista.

Acredito em Deus como integração, por isso os meus retalhos adormecidos ganharão movimentos algum dia, quem sabe noutra galáxia.

Numa semelhança quixotesca, vou cruzando horizontes em vôos alados, impulsionada pelo reconhecimento e o carinho das pessoas que me cercam. O meu trabalho abre caminhos, cria consciência popular, valoriza seres humanos olvidados. E é isso que me gratifica. Vale por todos os salários recebidos. É o que posso fazer pelo meu irmão de barco, pela pessoa com deficiência física, tão preterida neste País.
Fiquei muito feliz ao ser valorizada pela então miss Brasil, Jaqueline Ribeiro Meireles, quando de uma matéria jornalística intitulada: “As mulheres impõem a Lei”. O texto discorria sobre o meu trabalho policial, encimando minha fotografia de cadeira de rodas, descortinando nuances até sobre Pássaro Sem Asas.

A misse endereçou à reportagem a seguinte missiva: “A chefe de jornalismo da Revista Presença. Parabenizo-a por legar a Goiás uma revista bonita em visual e, mais ainda, em conteúdo. Na qualidade de misse Brasil, achei linda a Delegada de Menores de Goiânia, em plena atuação e numa cadeira de rodas. Sua beleza interior, sua sensibilidade, sua coragem e sua abnegação enchem-nos de entusiasmo e vontade de viver. Genaura é mais que uma pessoa da Lei; é mais que uma esposa e mãe; é mais que um exemplo de vida! É, sobretudo, uma paraplégica que consegue ‘voar’ bem alto sem as suas preciosas asas. Que vocês possam continuar publicando essa linda revista, com assuntos tão enobrecedores, para que o mundo fique um pouquinho melhor, e as pessoas que possuem ‘asas perfeitas’ possam também alçar vôos de beleza, de alegria e de trabalho como Genaura. Beijos. (assinado) Jaqueline Ribeiro Meireles”.

Eu não merecia tantos elogios. Confesso que fiquei emocionada, principalmente partidos de uma misse Brasil. Para Jaqueline, o meu agradecimento sincero e toda a minha admiração.

Realmente, nesses anos todos não consegui melhora no quadro locomotor. Tudo permanece inalterado desde aquela noite fatídica, no Hospital Neurológico, em que os cobertores não aqueceram o meu frio, o qual se agregara a mim, compulsoriamente. Contudo as minhas conquistas tornaram-me andante: tiro e ponho sozinha a cadeira de rodas no carro e corro ao seu volante, o que caracteriza uma grande independência, além de haver conquistado o meu espaço de cidadã, tentando nivelar-me aos andantes.
Mais do que nunca, sinto-me senhora do meu pleno equilíbrio. “Sou como a rocha nua e crua onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a esmo. Posso cair. Caio. Mas caio de pé por cima dos meus escombros”. Embora não haja a força motora para fisicamente conservar-me ereta, alicerço-me nas asas da coragem para sobrevoar com dignidade esses escombros.

Transpus muitas barreiras até mesmo a do sexo. Não há impossíveis quando envidamos esforços verdadeiros para a superação ou a substituição por valores semelhantes.
A natureza é sábia e a lei da compensação é uma verdade. Quando há uma disfunção ou falta de um órgão, os sentidos encarregam-se do trabalho e ficam muito mais aguçados. O cego, por exemplo, possui a audição perfeita e, por meio dela, compensa a sua disfunção visual, bem como desenvolve as percepções sensoriais e extra-sensoriais, podendo perceber cores por suas vibrações através do tato.

Assim o que me restou ficou muito mais sensível: o beijo mais gostoso e o prazer muito maior com as carícias nos lóbulos das orelhas, cabelos, olhos, ombros, pescoço, seios e, principalmente, nas axilas que, para minha satisfação, substituiu os enleios de prazer do órgão genital. Posso afirmar que não fico a ver navios. Amo e sou amada.

Sexo, para mim, não significa somente contato genital, mas envolve aura, mente, sublimação... Por isso exercito a minha sexualidade num olhar de ternura, num articular de lábios, numa palavra de amor ou, simplesmente, num copo de suco tomado a dois.

Sexo é a sublimação do amor. Fora desse parâmetro, é fisiologismo. O amor procura o sexo e o sexo coroa o amor, ambos alimentados pela vivência, pelas trocas diárias, pelos frutos desse amor...

Amor é procura do eterno.
É a consciência cósmica penetrada em nós.
É a forma mais linda que Deus encontrou para que o homem fosse criatura e criador: propagasse a espécie.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

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Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)



"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)