PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

domingo, 25 de julho de 2010

EXISTÊNCIA FINDA



UMA VIDA
(Genaura Tormin)

Uma vida, uma história,
Uma passagem no tempo.
E a meta é aprender
Mesmo com o sofrimento.

Tudo passa, tudo fenece,
Mas a vida segue em frente,
Para florescer depois,
Fruto de uma boa semente.

Vede a natureza,
Os pássaros, a flor,
A humanidade...
O invólucro se desfaz
Mas o espírito permanece,
Pois morrer é um disfarce,
O início de nova empreitada,
Uma troca de vestimenta,
O término de mais uma etapa.

A Graça Lucena, minha irmã, partiu ontem.
Foi singrar outros mares, escrever poemas para outro público, passear sem o peso de sua farda de carne!
Foi conhecer outras maravilhas e esquecer o tão grande sofrimento que um CANCER devassador lhe causou, roubando-lhe o sorriso e os versos do poema.

Meu Deus, como a vida é frágil!
Nisso tudo, temos que ter coragem, pois, mesmo nos preparando para essa partida, não a aceitamos. Tudo fica revirado. Parece um tornado que tenta nos levar a alma.
A gente fica inerme, fragilizada, feito fantasmas ambulantes, a perambular sem rumo.

Graças a Deus que essa passagem por aqui é apenas uma viagem, um curso de pós-graduação para que se possa ascender a patamares mais altos. Há um Deus perfeito e maravilhoso que nos espera para outras jornadas, outros afazeres.

Fico a pensar como o ser humano é falho, frágil, carente!

Perdoem-me pelo desabafo! Meu Deus, meu Deus! Sabemos todos que a vida é efêmera.

Ainda bem que essa existência não é em vão. Aqui erramos, aprendemos, evoluímos para que a alma transcenda leve, livre e solta à Casa do Pai, nossa verdadeira morada.

Sei que a Graça, uma pessoa sempre encantada pela vida, pelo belo, pelo versos no eito das cordas sonoras de um violão, será uma flor plantada em nossos corações. Uma saudade que perdurará no tempo.

Mas era chegada a sua hora, o momento exato! Quem somos nós para questionar?
Depois o sofrimento era grande, quase insuportável.

Nada acontece por acaso. Há sempre uma lição a aprender, um degrau para ascender.

Fazendo uma retrospectiva, chego a conclusão de que sem essa ou aquela dificuldade tão grande, que por vezes acredita-se que os ombros não possam suportar, não haveria tanto crescimento, tanta descoberta benfazeja, tanto amadurecimento...
A dor é o buril, forjando a obra, esculpindo a alma...

Eu sou um testemunho vivo disso.

A cada dificuldade, fico a pensar que um bem maior está a caminho. Como a Raposa do Pequeno Príncipe (Saint Exupery), começo a ser feliz por antecipação.

Isso é uma verdade e eu a comprovo a cada subida, apoiada em tantas muletas que me fazem gemer a dor da escalada.

A morte também deve ter uma compensação assim e muito, muito melhor. Sei que não morremos, apenas trocamos de farda, de vestimenta. Assim, outras missões, outros afazeres esperam a minha irmã.

Ela continuará velando pelos que ama aqui. Os nossos entes queridos que antes se foram, dar-lhe-ão guarida e afeto, ciceroneando-a pelos novos caminhos. Disso, tenho certeza.

Nós é que somos tão pequenos e egoístas que não procuramos entender os designos do Criador. A vida, ele nos deu! Ele nos tira quando chega a hora! Quando a missão estiver cumprida.

Resta, então, humildemente agradecer. Por isso, agradeço a Deus pelo o tempo que Ele permitiu que ela ficasse por aqui.

Nessa partilha, tento pedir colo para dividir o sufoco que me sai do peito. Nesses momentos, todas as palavras tornam-se arcaicas, obsoletas, vazias... O momento é duro e eu sinto isso. Talvez o silêncio fosse a melhor opção.

Nessa virtualidade, não há meio termo. O pedido e o colo se fazem presente, em tempo real.
A escrita significa o sinal da nossa presença, o tamanho do nosso afeto e também o tamanho da dor que nos consome, embora eu saiba que TUDO PASSA.

A Maria das Graças o meu preito de saudade.

3 comentários:

  1. Linda Maria Graças, já traz no próprio nome a sua benção. As nossas orações aos que ficam e as nossas orações a ela que partiu e que, com certeza, está junto de Deus Pai. Linda homenagem, Genaura. O nosso sentir. Um grande abraço e beijo no seu coração ;)

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  2. Lindo texto, amiga. Reflexo da dor e do amor. bjos

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  3. OLA EU ME CHAMO WILLIAM VIEIRA DE OLIVEIRA CONHECIA A GRACINHA E SEI QUE ELAS TINHA VARIOS POEMAS ESCRITOS E ATE UM LIVRO VITRUAL GOSTARIA DO ENDEREÇO DESTE LIVRO SDE VC TIVER FICO MUITO AGRADECIDO

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LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)