PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

COLÉGIO DE FREIRAS


COLÉGIO DE FREIRAS
(Genaura Tormin)

Os primeiros dias de internato foram difíceis. Estávamos acostumadas com a liberdade da natureza, com a produção farta do pomar, com as asas-de-moleque nos píncaros das mangueiras, cajueiros, amoreiras; os banhos, todo fim de tarde, no remanso do riacho. O primeiro copo de leite no curral. Tudo trocado, agora, por uma liberdade metódica, disciplinada, relativa.

Assim vivemos no internato durante nove anos. Crescemos lá. Quanta saudade daquele tempo! Quanta saudade das férias, das festas, dos teatros, das colegas e das freiras. Eram muitas, as nossas mães. Freiras abnegadas que nos emprestavam amor de mãe sem nunca haverem transado a maternidade real. Como as respeito! Num misto de gratidão e saudade, guardo-as no coração.

Era mesmo um lar, o colégio! Daqueles que não existem mais. A educação disciplinada, permeada de trabalho, lazer, esporte e instrução, construíra os alicerces que fizeram de nós o que somos hoje.

Quanta saudade dos trabalhos manuais, da culinária, das aulas de violão, encadernação, cartonagem! Quanta saudade! Era o preparo para a criação da família: o passaporte, principalmente, para o casamento.

Lembro-me tanto da festa natalina! Quanta guloseima! As mesas enfeitadas para a ceia, à meia-noite, logo depois da missa. Que alegria, que ansiedade para ver os presentes e os muitos bombons coloridos, sem nunca faltar o pão-de-mel do qual eu gostava tanto. Tudo era feito em segredo, o que aumentava a nossa curiosidade, fazendo-nos sonhar com o grande dia. Quando se abria a larga porta do refeitório, parecia a entrada para o céu. O teto abundantemente iluminado, com estrelas brilhantes de todas as cores e a tradicional música de Natal, fazia-me sentir a criança mais feliz do mundo. Não havia tristeza no Natal. Todas nós exibíamos roupas e sapatos novos, coloridos, lindos... Parecia que, de repente, virávamos princesas.

Nesse dia, as freiras não conseguiam conter a algazarra que fazíamos nos dormitórios com a passagem do Papai Noel. O bom velhinho deixava presente para todas nós. Os olhinhos brilhavam de felicidade. Muitas choravam ao abrirem os presentes e confirmarem que o pedido da cartinha havia sido satisfeito. Que papai Noel legal!

O café da manhã e o almoço do dia de Natal eram sempre muito gostosos, ouriçando o nosso paladar, tornando grande a espera. Que dia lindo! Até hoje sou encantada com a data natalina e o Jesus-Menino volta-me sempre às origens. Os anos regridem e eu me sinto menina outra vez.

Lembro-me da concepção do Deus que criei para mim. E eu era “Filha de Maria”, uma congregação de moças que usavam roupa branca com faixa azul na cintura durante as cerimônias litúrgicas. Lembro-me das missas em latim, das procissões, dos retiros, do aniversário da gente, quando ganhávamos estampas de santinhos com lindas dedicatórias, além dos “parabéns a você” no refeitório repleto de meninas, onde a amizade era o elo da fraternidade, do afeto, dos folguedos cheios de encantamento e sorrisos.

A lembrança das músicas sacras do velho órgão da capela traz de volta o passado tão distante.

Os primeiros sonhos e a primeira poesia. Eu tinha treze anos. De repente senti-me fêmea. Com isso viera o sentimento de que amaria um homem, faria um ninho de amor cheio de bombons, morangos e muitas borboletas, além de um jardim florido, enfeitado de crianças. Na última folha do caderno de matemática grafei a poesia, a confirmação de minha feminilidade.

ESPERA

Espero-te,
Porque sei que virás!
Lindo,
Como o vejo em pensamento.

Tu, que me dás saudades!
Tu, que não conheço,
Serás meu,
Somente meu!

A ti, contarei dos dias de vigílias
E falarei da solidão.
Sei que tu virás um dia.
E o meu mundo
Será de muitas cores.

Tu, meu amor,
Serás realidade,
Eu sei.

É por isso
Que não me canso
De esperar-te sempre,
No calor dos dias,
No frio das madrugadas.

Quando chegares,
Tudo será dourado,
Cheio de encanto,
Sem pranto.

Esta saudade louca,
Que de ti eu sinto,
Será esquecida
Com a tua presença.

Tu, insubstituivelmente tu,
Serás meu!
Serás ternura!
E eu serei tua,
Amor!

Lembro-me, também, com saudade, da oração da noite, do canto de agradecimento antes e depois das refeições... Lembro-me do jogo de tênis todas as tardes de domingo. Os passeios de trem de ferro. O sucesso na escola. E eu estudava fora. Era bolsista do Colégio Santo Agostinho, onde fiz o ginásio.


De menina-moça fui me tornando mulher. As formas curvilíneas faziam-me altiva, faceira... Desabrochava para a vida. Os ensinamentos recebidos ajudaram-me muito.
Aos dezoito anos, deixei o colégio. Tinha que construir a própria vida, agora sozinha, gerindo os sucessos e incertezas. Minhas duas irmãs haviam saído antes do Colégio e moravam com o papai em Minas Gerais. Eu optara pelos estudos. Mesmo sozinha, permaneci no internato. Eu sabia que não era fácil viver.

As peripécias que havia enfrentado confirmavam essa verdade. Entretanto acreditava nos meus potenciais e sempre pensei grande. Como disse atrás, desde pequena pensava num futuro bordado de estrelas. Mas ele não viria sozinho, é claro, eu precisava ir atrás dele, conquistá-lo, fazer a minha parte. A gente só fracassa quando desiste de tentar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FÁBULA SOBRE O IMPOSSÍVEL


FÁBULA SOBRE O IMPOSSÍVEL

(Achei excelente e publico-o aqui. Penso que, intimamente eu já conhecesse essa força, mesmo que os outros dissessem o contrário. Penso que o desafio é o ingrediente principal para as grandes conquistas. É o que nos tornam valentes! O pensamento é o primeiro projeto para a execuçao da obra, por isso Albert Einsten
tinha razão:“SE PODES IMAGINAR PODES CONSEGUIR”.)


“Certa lenda conta que estavam duas crianças patinando em cima de um lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam sem preocupação. De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água. A outra criança, vendo que seu amiginho se afogava debaixo do gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, conseguindo quebrá-lo e salvar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: “Como você fez? Impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!”
Nesse instante apareceu um ancião e disse: “Eu sei como ele conseguiu.” Todos perguntaram: “Como?” O ancião respondeu: “Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não podia fazer!”


“SE PODES IMAGINAR PODES CONSEGUIR”.
Albert Einsten

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

UMA RECEITA SIMPLISTA, MAS VERDADEIRA


UMA RECEITA SIMPLISTA, MAS VERDADEIRA
(Genaura Tormin)


O iogue contemporâneo Paramahansa Yogananda, referindo-se aos revezes da jornada, afirmara: “Nada vos virá que não hajas merecido agora ou logrado com anterioridade”. E eu acredito nisso. Não há fardo pesado para ombros fracos. Sempre há a equivalência. O coração e a intuição são os nossos mestres! É a voz de Deus dentro da gente. Devemos segui-la sem medo de errar, desde que os feitos se enquadrem nos parâmetros da dignidade e da justiça.

“As reencarnações são os degraus pelos quais o ser se eleva e progride”. Por isso a existência é feita de momentos ruins e bons, tristes e alegres, e, muito mais de renhidas batalhas. Tudo impulsionado pela infalível Lei de Causa e Efeito e do livre-arbítrio que se equilibram no transcurso de sinuosas veredas que, por vezes, parecem-nos fatalidades. É a hora da responsabilidade!

Somos herdeiros de nossos erros e acertos, embora a infra-estrutura da alma seja intocável. É o processo reencarnatório para que se efetive a Lei do Progresso e a evolução do espírito, pois o próprio Cristo afirmou que somente seremos livres quando conhecermos a Verdade. Por isso é preciso ultrapassar as formas físicas e vislumbrar a essência, empunhando a deficiência com honradez, encontrando, por meio dela, as escadas de ascensão à nossa conduta moral, além do exercício da humildade, do amor e do perdão.

Às vezes, as provas, as agruras e a limitações físicas, quando bem entendidas, podem reverter-se em privilégio. A meta tem de ser alcançada. O alvo é o sucesso com a conquista de nós mesmos, aproveitando as pedras do caminho para a construção de nossa própria escada.

É bom pensar que a queda pode também nos arremessar ao alto. Todos nós carregamos as cicatrizes do nosso “ontem”, e elas não nos impedirão de sorrir. Dependendo da disposição mental, tudo se transforma. O que ontem foi tempestade, hoje pode ser bonança.
Vá à luta! Ouse, trabalhe, acredite!

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)