PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

NÃO MORRERAM, PARTIRAM PRIMEIRO

(Uma singela homenagem de Regina Helena à Poeta Graça, que partiu primeiro)

NÃO MORRERAM, PARTIRAM PRIMEIRO
(Amado Nervo)

Choras os teus mortos com tanto desalento
que parece até que és eterno

Eles não morreram, apenas partiram primeiro.

Como lobo faminto, te agitas impaciente, na ansiedade de desvendar os mistérios que poderão ser simples, transparentes e brilhantes aos quais terás acesso quando tu mesmo morreres.

Eles não morreram, apenas partiram primeiro, diz sabiamente o provérbio inglês.

Eles partiram antes... Por que insistis em questionar o porque?

Deixa-os sacudir o pó da estrada.

Deixa-os curar no colo do Pai os pés feridos da longa caminhada.

Deixa-os descansarem os olhos nos verdes pastos da paz.

Antes, preparas a tua bagagem, pois o comboio te espera.

E essa sim, é uma tarefa prática e eficiente.

Verás os teus mortos, e isso é um fato próximo e inevitável. Então não tenhas a menor pressa em alterar as poucas horas do teu descanso.

Eles, num impulso quebraram as barreiras do tempo e te esperam pacientemente.

Apenas foram num comboio anterior.

A morte é uma alegria, e esse conhecimento é dado por Deus aos que se aproximam dela, e oculto aos que ainda irão percorrer longa etapa de vida, para que sigam naturalmente o caminho.

Tradução livre por Regina Helena e Maria Madalena

domingo, 25 de julho de 2010

EXISTÊNCIA FINDA



UMA VIDA
(Genaura Tormin)

Uma vida, uma história,
Uma passagem no tempo.
E a meta é aprender
Mesmo com o sofrimento.

Tudo passa, tudo fenece,
Mas a vida segue em frente,
Para florescer depois,
Fruto de uma boa semente.

Vede a natureza,
Os pássaros, a flor,
A humanidade...
O invólucro se desfaz
Mas o espírito permanece,
Pois morrer é um disfarce,
O início de nova empreitada,
Uma troca de vestimenta,
O término de mais uma etapa.

A Graça Lucena, minha irmã, partiu ontem.
Foi singrar outros mares, escrever poemas para outro público, passear sem o peso de sua farda de carne!
Foi conhecer outras maravilhas e esquecer o tão grande sofrimento que um CANCER devassador lhe causou, roubando-lhe o sorriso e os versos do poema.

Meu Deus, como a vida é frágil!
Nisso tudo, temos que ter coragem, pois, mesmo nos preparando para essa partida, não a aceitamos. Tudo fica revirado. Parece um tornado que tenta nos levar a alma.
A gente fica inerme, fragilizada, feito fantasmas ambulantes, a perambular sem rumo.

Graças a Deus que essa passagem por aqui é apenas uma viagem, um curso de pós-graduação para que se possa ascender a patamares mais altos. Há um Deus perfeito e maravilhoso que nos espera para outras jornadas, outros afazeres.

Fico a pensar como o ser humano é falho, frágil, carente!

Perdoem-me pelo desabafo! Meu Deus, meu Deus! Sabemos todos que a vida é efêmera.

Ainda bem que essa existência não é em vão. Aqui erramos, aprendemos, evoluímos para que a alma transcenda leve, livre e solta à Casa do Pai, nossa verdadeira morada.

Sei que a Graça, uma pessoa sempre encantada pela vida, pelo belo, pelo versos no eito das cordas sonoras de um violão, será uma flor plantada em nossos corações. Uma saudade que perdurará no tempo.

Mas era chegada a sua hora, o momento exato! Quem somos nós para questionar?
Depois o sofrimento era grande, quase insuportável.

Nada acontece por acaso. Há sempre uma lição a aprender, um degrau para ascender.

Fazendo uma retrospectiva, chego a conclusão de que sem essa ou aquela dificuldade tão grande, que por vezes acredita-se que os ombros não possam suportar, não haveria tanto crescimento, tanta descoberta benfazeja, tanto amadurecimento...
A dor é o buril, forjando a obra, esculpindo a alma...

Eu sou um testemunho vivo disso.

A cada dificuldade, fico a pensar que um bem maior está a caminho. Como a Raposa do Pequeno Príncipe (Saint Exupery), começo a ser feliz por antecipação.

Isso é uma verdade e eu a comprovo a cada subida, apoiada em tantas muletas que me fazem gemer a dor da escalada.

A morte também deve ter uma compensação assim e muito, muito melhor. Sei que não morremos, apenas trocamos de farda, de vestimenta. Assim, outras missões, outros afazeres esperam a minha irmã.

Ela continuará velando pelos que ama aqui. Os nossos entes queridos que antes se foram, dar-lhe-ão guarida e afeto, ciceroneando-a pelos novos caminhos. Disso, tenho certeza.

Nós é que somos tão pequenos e egoístas que não procuramos entender os designos do Criador. A vida, ele nos deu! Ele nos tira quando chega a hora! Quando a missão estiver cumprida.

Resta, então, humildemente agradecer. Por isso, agradeço a Deus pelo o tempo que Ele permitiu que ela ficasse por aqui.

Nessa partilha, tento pedir colo para dividir o sufoco que me sai do peito. Nesses momentos, todas as palavras tornam-se arcaicas, obsoletas, vazias... O momento é duro e eu sinto isso. Talvez o silêncio fosse a melhor opção.

Nessa virtualidade, não há meio termo. O pedido e o colo se fazem presente, em tempo real.
A escrita significa o sinal da nossa presença, o tamanho do nosso afeto e também o tamanho da dor que nos consome, embora eu saiba que TUDO PASSA.

A Maria das Graças o meu preito de saudade.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

UMA QUESTÃO DE ENFRENTAMENTO


UMA QUESTÃO DE ENFRENTAMENTO
(Genaura Tormin)

O pensamento move a vida. Somos o que pensamos. Pense nisso! Se pensarmos em medo, em doenças, em problemas, tudo se instala, causando verdadeiras tormentas. Costumo dizer que as dificuldades só se tornam problemas quando as registramos como tais. Isso é decisão pessoal de cada um. É a maneira de ver as coisas. Observem a diferença:

Dois pobres encarcerados
das mesmas penas culpados
jaziam na mesma cela.
À claridade da lua
chegam ambos à janela
Um vê a luz das estrelas
O outro a lama das ruas.

Se a gente não pensar que é feliz, valorizando o que se tem de bom, como poderemos sê-lo? Trabalhe a seu favor. A felicidade não vem sem esforço. Jogue fora tudo que lhe atormenta, causa-lhe mal estar. Dê uma faxina em sua casa, doando o que não mais está usando. Com certeza, esses pertences estão faltando na casa de outras pessoas, que os espera com ansiedade. Estampe um sorriso no rosto, mude seu penteado, mude o jeito de trajar... Encante-se com você mesmo!!! Essa é a ordem. É o que posso falar com a experiência que tenho, ostentando um corpo diferente. O que seria, se me auto vitimasse?

Pergunte-se sempre se o motivo pelo qual você tem-se irritado, omitido um sorriso, um elogio, vale a pena. Exercite a paciência! Lembre-se de que Kant dizia que ela é amarga, mas seus frutos são doces. Aprenda a perdoar. Quando há entendimento, a mágoa desaparece e não há necessidade de perdão. Ele vem sorrateiro, sem que percebamos. Tudo se reveste de paz, pois o bem é Deus dentro da gente. Evite ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano. Evite ser desse tipo de pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!, bem feito! Evite ser o professor sarcástico, pronto a escarnecer, sem nada fazer.

Ajude, pois benfeitor é o que ajuda e passa. Amigo é o que ajuda em silêncio. Vencedor é o que consegue vencer a si mesmo.
Felicidade é tudo o que está à sua volta. Não jogue a sua felicidade fora. Pelo contrário, adube-a com a sua educação, o seu sorriso, com a sua maneira de olhar, de conversar, de dar um bom dia agradável... Tudo melhora quando nos melhoramos por dentro. Os conflitos estão dentro de nós mesmos, e a mudança é uma decisão, uma sentença. Caso contrário, seremos prisioneiros dos nossos próprios pensamentos desequilibrados.

Seja otimista! Pesquisadores da Clínica Mayo, em Rochester (EUA), confirmaram cientificamente que as pessoas otimistas vivem mais. Segundo os cientistas, a diferença entre otimistas e pessimistas pode chegar a 12 anos de vida.

Tem uma frase que eu repito desde os tempos do Colégio de Freiras: “Quando os nossos pensamentos são leais, Deus nos auxilia”. As portas se abrem e tudo acontece para bem. O amor flui envolvendo a tudo e a todos, formando uma aura de paz ao nosso redor. Quando nos reconciliamos com tudo e com todos, nada temos a temer, pois nada nos fará mal. O amor é uma vacina que nos imunizará contra os males da vida.

O que acontece é que vivemos mais para os outros do que para nós mesmos.
Preocupamo-nos demais com o que os outros possam pensar a nosso respeito. A mídia dita as normas. Somos manipulados pela TV. Precisamos sim, viver uma vida segundo os nossos próprios pensamentos, valorizando mais o SER que somos, pois quando partirmos daqui, os bens ficarão.

Temos medo de mudanças...
Faça a diferença! Tente mudar! Asas existem para voar, e voar alto, voar longe... Veja se as suas não estão se atrofiando. O infinito é o limite na escalada para o bem a si e aos outros.
Plane nesse azul, nessa imensidão construída por Deus.

Para tudo há uma solução que está intrínseca dentro de nós mesmos. O medo, a insegurança, o pavor de perder são inimigos diários que devemos enfrentar com uma só ação: CORAGEM!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

APENAS UMA FLOR



APENAS UMA FLOR
(Genaura Tormin)

Sou uma flor,
Diferente,
Sem adubo,
Sem canteiro.

Mas,
Chamaram-me de flor!

E eu quero ser flor!
Roxa de dor,
Branca de paz,
Amarela de tantos desenganos,
Mas,
Sempre vermelha de amor.

Flor,
Unicamente flor,
Sem primavera
Nem inverno.

Flor no desalento,
Flor nas madrugadas,
No frio,
No tempo,
Nas lágrimas
E nos tormentos.

Flor/rosa,
De espinhos agudos.
Flor/mulher,
Esperança cansada,
Direito negado,
Liberdade tomada.

Mas,
Amavelmente
Ou gentilmente,
Chamaram-me de flor.
E eu sou uma flor!
Nada mais.

Sinto-me feliz,
Por ser ainda,
Apenas uma flor!

sábado, 3 de julho de 2010

MUNDO DE FANTASIA


MUNDO DE FANTASIA
Genaura Tormin

Sonhei que a vida era diferente.
Cheinha de coisas boas, muita alegria,
Bondade e sabedoria.
E as pessoas eram contentes.

Vivendo a minha fantasia,
Fechei os olhos e vi, por um momento,
Os prados, as flores e o firmamento
A comungarem conosco a harmonia.

Sonhei com a dignidade,
E vi os mendigos abrigados,
Bem vestidos e alimentados,
No exercício da cidadania.

Era um mundo de magia,
Sem dor, sem fome, sem horror.
Somente a voz do amor,
Essência holística da sabedoria.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)