PLANTIO

PLANTIO
PLANTIO
(Genaura Tormin)

Deus,
Senhor dos mares e montes,
Das flores e fontes.
Senhor da vida!
Senhor dos meus versos,
Do meu canto.

A Ti agradeço
A força para a jornada,
A emoção da semeadura,
A alegria da colheita.

Ao celeiro,
Recolho os frutos.
Renovo a fé no trabalho justo,
Na divisão do pão,
. E do amor fraterno.

domingo, 25 de maio de 2014

BASTIDORES DO CUIDADO





BASTIDORES DO CUIDADO
(Genaura Tormin)


Acabo de ler o livro BASTIDORES DO CUIDADO, um diário da arte de cuidar, escrito por Nébia Maria Almeida de Figueiredo, quando no deslanchar da existência as mãos da fatalidade ofereceu-lhe um acidente de percurso triste numa pessoa querida que lhe privava os compartimentos do coração em afeto e carinho. Parceiros de ideais científicos – ambos docentes da área de enfermagem.

Tocou-me muito a emoção a compungente história desse rapaz bonito, inteligente, empreendedor que, nos píncaros da glória, no auge de sua mais bela idade, viu dificultados tantos sonhos, tantos projetos. A animalidade da violência humana o escolheu por vítima num final de tarde sombrio, quando o sol se recolhia ao horizonte.
Os seus passos foram banidos, recolhidos inertes ao canto da alma naquela tarde, para nunca mais voltar.

Uma caminhada íngreme descortinou-se à sua frente. O céu vestiu-se de negro e a dor plangente engoliu o gosto do viver. Gigantesco esforço no enfrentamento de muitas peripécias, nunca imaginadas para si, era preciso. Muitas lágrimas lavaram as suas faces. Por momentos, a gritante impossibilidade de continuar o caminho.

O anjo guardião, autor desses relatos, chegava de mansinho e insuflava coragem, estampada em pequenos mimos, afeto, cuidados e docinhos.  Meu Deus, quanto carinho pode brotar de um ser predestinado, benfazejo e amigo! É, realmente, “A MÃO QUE ALISA O CORPO”, título de um dos trabalhos que ambos estavam fazendo naquela época.

Uma história tocante, numa escrita diferenciada, minuciosa no trato do corpo e da alma, onde se observa um servir com conhecimento, amor e brandura. 

Em forma de um diário de bordo, a autora coleta todos os dias as impressões físicas e espirituais desse cuidar, aportando sempre no afeto gostoso de sua alma linda e dessa partilha, que reputo transcendente e antiga, embora envolta em disfarces que não se olvidam no tempo. Um encontro postergado, um coração machucado. 

Numa bela roupagem, o livro se assemelha a um caderno, com manuscritos datados, pequenos poemas para extravasar os sentimentos e alegrar o paciente, além de desenhos significativos que elucidam tanta dor. Um caminho a ser aberto, uma vida a ser moldada nas contingências do destino.

Ser ou não ser. Seguir ou ficar eis a questão nessa encruzilhada de tantos aprendizados, novos saberes, tantas dificuldades. Um buril esculpindo a obra.

Por vezes, a cuidadora, com a alma esfacelada, o coração dolorido diante de impotência tão grande, sem encontrar o remédio curador para tanto desmantelo, parece sucumbir. Sua alma sofre. A oração é o seu guia. Grande ser humano num espírito protetor e despojado, que sabe se doar numa linda transcendência de amor.

Um anjo guardião que o paciente teve a sorte de encontrar nessa fase tão difícil, tão dolorida de sua vida.

Por muitos momentos a sensibilidade aflorou-me as lágrimas e eu chorei. No entanto, sei que tudo são eficientes aprendizados que nos tornam seres melhores no campeonato de nós mesmos. O remédio é sempre amargo quando se faz necessário.

E tudo acontece tão inesperado! O certo é que somos devedores por aqui. Não sabemos o porquê, mas tudo tem a sua razão de ser. Chega na hora exata, no momento certo, convergindo para o nosso bem. É como se estivesse escrito nas estrelas.

E o diário de bordo teve o seu fim, com o desembarque numa cidade do interior, onde o nosso personagem viveria no aconchego dos seus familiares, tentando emendar retalhos, reconquistar as emoções e encontrar outra maneira de marcar passadas pelas estradas da vida.

E foi o que aconteceu. Embora, os dissabores, os sofrimentos desse novo redimensionar da existência, tudo voltou ao seu lugar, reflorescendo vidas, cuja colheita se faz farta e encantadora, abrindo muitas portas, no exercício do amor.

Nova maneira de viver estampou-se garbosa no tilintar sonoro de quatro rodas benfazejas. E o nosso rapaz cresceu tanto que atingiu os píncaros. Sua  experiência jorra como a chuva, adubando, alentando e defendendo vidas. 

O anjo poeta ainda tece devaneios nos veios da poesia. As asas ainda se cruzam, protetoras e risonhas.

Excelente leitura.

sábado, 10 de maio de 2014

MINHA MÃE - MEU TESOURO





MINHA MÃE - MEU TESOURO
(Genaura Tormin) 


Mãe,
Como me faz falta o seu colo,
O seu amor cuidador,
O seu afeto gostoso,
A sua presença nesta solidão
Que se transmuta em dor.

Você se foi e eu fiquei a esperar.
A passagem está comprada
E eu pronta para seguir ao seu encontro.
Sou sua filha, seu sangue, sua essência.
Você me fez sensível, chorona…
Uma poeta nesta existência.

Preciso de você, minha mãe,
Para secar-me o pranto,
Curar-me as feridas,
Emprestar-me o ombro.
Preciso mergulhar no oceano
Desses olhos azuis
Que compartilham tanto amor, tanto encanto!

Eis-me da espera tão cansada!
Quantos anos repasso
No rosário de minhas saudades.
Ainda sou uma criança
A procura dos seus braços.

Essa falta grita, lateja, queima...
Recolho-me e penso.
No descompasso do meu coração saudoso,
Na contrição do cérebro atento,
Por um instante, sinto-a por perto 
A afagar-me os cabelos,
A falar-me de afeto.

Minha mãe!
Maior Tesouro que pude ter nesta vida!
Ainda órfã,
Em mais este DIA DAS MÃES, 
Envio-lhe o meu coração,
Minha gratidão, minha saudade.

LEVE, LIVRE & SOLTA!


Sejam bem vindos!
Vocês alegram a minh'alma e meu coração.

Era uma luz no fim do túnel e eu não podia perder.
Era a oportunidade que me batia à porta.
Seria uma Delegada de Polícia, mesmo paraplégica!
Registrei a idéia e parti para o confronto.
Talvez o mais ousado de toda a minha vida.
Era tudo ou NADA!
(Genaura Tormin)


"Sou como a Rocha nua e crua, onde o navio bate e recua na amplidão do espaço a ermo.
Posso cair. Caio!
Mas caio de pé por cima dos meus escombros".
Embora não haja a força motora para manter-me fisicamente ereta, alicerço-me nas asas da CORAGEM, do OTIMISMO e da FÉ.

(Genaura Tormin)